terça-feira, 28 julho 2026

E Economia

Missão da GAO alerta que subida da inflação dispara preços dos transportes, despesas aumentam e dívida pública continua elevada

O aumento da inflação provocando subida elevada nos preços dos transportes, energia e habitação, bem como o disparo nas despesas do funcionamento do Estado e a dívida pública que continua elevada são entre outras conclusões mais críticas saídas da última reunião da Missão do Grupo de Apoio Orçamental (GAO) a Cabo Verde, que terminou, este sábado,21, na Praia.

Conforme o comunicado emitido no final do encontro que vinha decorrendo desde o dia 17, o GAO considera, no entanto, que o ritmo da atividade económica acelerou em 2018 - estima-se que o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) tenha aumentado 5,5% em 2018. Perspetiva para 2019 que a economia cresça dentro do intervalo de 5% a 6%, com base nas reformas estruturais em curso.

Ma a missão chama atenção que a economia cabo-verdiana é ainda vulnerável aos choques externos , tendo por isso, alertado sobre o aumento da inflação registado, com reflexo sobretudo no disparo dos preços de transportes .« A inflação média anual aproximou-se de 1.3% em 2018, em comparação com 0.8% em 2017, refletindo preços mais elevados dos transportes, da energia e habitação».

Já o défice da balança corrente externa ficou estimado em 4,5% do PIB em 2018, em relação a um défice de 7,0% do PIB em 2017. «O défice da conta corrente externa continua a ser financiado principalmente através de influxos oficiais de capitais e investimento privado. Como resultado, as reservas internacionais mantém-se adequadas em 5,6 meses de importações».

Aumento de despesas e dívida elevada

O GAO conclui que as receitas fiscais aumentaram 4,5 pontos percentuais desde 2014, atingindo 22,1% do PIB em 2018, mas realça que as despesas do funcionamento do Estado aumentaram. « As despesas totais permaneceram contidas, aumentando apenas 0,3 pontos percentuais entre 2014 e 2018».

O comunicado refere, no entanto, que o aumento das receitas fiscais e a contenção da despesa pública também conduziram a uma redução do défice orçamental de 7,6% do PIB em 2014 para 2,7% em 2018. Aponta que as necessidades globais de financiamento, incluindo os empréstimos às EP e a recapitalização, também diminuíram em cerca de três vezes no período em análise.

A Missão do Grupo de Apoio Orçamental fez questão de realçar que, apesar do registo de uma ligeira redução, a Dívida Pública de Cabo Verde continua a um nível elevada. «A dívida pública em relação ao PIB diminuiu pelo segundo ano consecutivo em 2018, mas ainda permanece elevada. Depois de um aumento rápido em anos anteriores, a dívida pública diminuiu de 127,8% do PIB em 2016 para 122,8% do PIB em 2018. Este resultado foi impulsionado principalmente pela aceleração do crescimento, variações favoráveis da taxa de câmbio e contenção fiscal».

Para reduzir ainda mais a dívida e o elevado risco de endividamento, o GAO recomenda que Cabo Verde terá de aumentar as receitas e conter o crescimento das despesas, preservando ao mesmo tempo as despesas em sectores sociais críticos.

Mais transparência na reestruturação de empresas e reformas

O GAO diz congratular-se com as pelas medidas tomadas para reduzir os riscos fiscais do sector empresarial público. Tal como na missão anterior, os parceiros salientam a importância de acelerar as reformas em curso, especialmente os nos sectores dos Transportes e da Energia.

Neste particular, o grupo insta o Governo a garantir maior transparência no processo, em que os cidadãos devem beneficiar dos serviços melhorados. «Embora seja importante mostrar resultados para garantir o financiamento do orçamento, as autoridades são encorajadas a garantir que as transações individuais cumpram os princípios de transparência, eficiência e eficácia e que os cidadãos beneficiem de serviços melhorados».

Para além das reformas em curso no sector dos transportes, os parceiros saúdam as autoridades por promoverem medidas para resolver a questão do regime de incentivos fiscais, incluindo o regime fiscal das Instituições Financeiras Internacionais (IFI). Mas para As Zonas Económicas Especiais, o grupo aconselha que é importante que as autoridades evitem incentivos ineficazes numa ótica de custo-benefício. «As autoridades são encorajadas a continuar as reformas do ambiente de negócio, incluindo o acesso ao financiamento, o custo da energia, a adoção de mecanismos eficientes para o registo de propriedade, a insolvência e a base de dados integrada para o registo de terras».

Dívidas do INPS e mais reforço do Tribunal de Contas

A missão reconhece os progressos realizados pelo Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) na modernização do Sistema de Proteção Social do país, o aumento da cobertura de 40% da força de trabalho em 2016 para 50% em 2018. Os parceiros recomendam que as autoridades adotem um plano de ação para a regularização gradual da dívida das entidades públicas e de alguns municípios junto ao INPS, a fim de permitir que o Instituto continue a prestar seus serviços e garantir a sustentabilidade do sistema. Além disso, os parceiros recomendam ao INPS que continue a alargar a base de contribuição, reforçando o regime dos trabalhadores independentes e reduzindo a informalidade.

Segundo ainda o comunicado final, o GAO congratula ainda pela operacionalização da lei do Tribunal de Contas, mas avisa que a instituição ainda precisa de reforço de capacidade. «Os parceiros recomendam ao Ministério das finanças a criação de um mecanismo de acompanhamento das recomendações formuladas pelo Tribunal de Contas nos seus relatórios sobre as Contas do Estado. As autoridades são igualmente incentivadas a reforçar as interações com o Parlamento e o Tribunal de Contas, a fim de melhorar a supervisão orçamental Os parceiros reconhecem os esforços feitos pelo governo no reforço da capacidade nacional para garantir a segurança e vigilância marítima».

A missão do GAO diz ainda congratular-se com os esforços do Governo na criação de condições para o emprego e a empregabilidade, nomeadamente no que se refere às medidas tomadas para aumentar o número de estágios profissionais e de beneficiários da formação profissional. Mas o documento recomenda ao executivo de Ulisses Correia e Silva a garantir mais jovens no mercado de trabalho. « Os parceiros recomendam ao governo a tomada de medidas para garantir a inserção dos jovens no mercado de trabalho e realização de esforços para concluir as reformas institucionais pendentes relativas aos sectores da educação, da formação e do emprego», propõe.

É de salientar esta missão de revisão do Grupo de Apoio Orçamental (GAO) teve lugar em Cabo Verde de 17 a 21 de Junho de 2019. Esta primeira missão em 2019 teve como foco a implementação do Plano Estratégico de Desenvolvimento Sustentável (PEDS), e as reformas em curso em diversas áreas. Os membros do GAO (Banco Africano de Desenvolvimento, União Europeia, Luxemburgo, Portugal e Banco Mundial) financiam o orçamento do estado através de donativos e empréstimos em apoio às prioridades do Governo na política nacional de desenvolvimento.

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Comentários

Soares
17 dias atrás

Pobresa , palavra que precisa sair nosso dicionário.

Miranda
21 dias atrás

Boa sorte

Terra
11 dias atrás

Mesmo verdade roupa sujo tem que ser lavado dentro da casa para os que não sabe o que fala,

Pub-Reportagem

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