A Associação dos Guias do Turismo de Santo Antão manifestou hoje o seu “profundo descontentamento” perante a falta de resposta do Governo e dos municípios ao estado de degradação de muitos caminhos vicinais nesta ilha.
Em 2025, foram mais de 44 mil turistas que visitaram Santo Antão durante a época alta, segundo dados oficiais.
Através de uma nota citada pela Inforpress, esta associação queixou-se da “falta de uma resposta visível e atempada" do Governo e das câmaras municipais em matéria de manutenção e conservação destes caminhos, muitos dos quais em estado avançado de degradação.
Para a Associação dos Guias do Turismo de Santo Antão, a época alta do turismo nesta ilha aproxima-se com “os caminhos vicinais danificados, degradados e sem a manutenção necessária”.
Esta associação enalteceu a importância destes percursos para Santo Antão, explicando que, além de vias de ligação entre as comunidades, servem também o turismo nesta ilha, através das caminhadas praticadas por milhares de visitantes.
Segundo a mesma fonte, não se pode esperar que a época alta comece para depois agir.
“É necessário agir agora, identificar os pontos críticos, reparar os caminhos danificados, melhorar a sinalização e garantir condições adequadas para quem visita e para quem vive em Santo Antão”, concluiu esta organização.
O Governo, no âmbito do projecto de Turismo Resiliente e Desenvolvimento da Economia Azul em Cabo Verde, financiado pelo Banco Mundial, já procedeu ao lançamento de concurso para a reabilitação de algumas trilhas na ilha de Santo Antão.
Além disso, prevê-se a construção de alguns miradouros turísticos.
A época alta do turismo em Santo Antão decorre entre os meses de Outubro e Maio, período em que esta ilha recebe milhares de visitantes.
Em 2025, foram mais de 44 mil turistas que visitaram Santo Antão durante a época alta, segundo dados oficiais.
Pescadores da cidade da Praia destacaram hoje a importância do mar para o sustento das famílias cabo-verdianas, defendendo maior protecção do ambiente marinho, fiscalização e apoio à classe piscatória.
“É preciso mais consciência da população, campanhas de limpeza, sensibilização ambiental e recolha de lixo”, defendeu.
Em declarações à Inforpress, por ocasião do Dia Mundial do Mar, o pescador artesanal Luís Araújo, conhecido por “Toresma”, afirmou que o mar representa “algo grandioso” para os pescadores e suas famílias, lembrando que trabalha há quase 40 anos nas águas de Cabo Verde à procura do sustento.
“É do mar que vivemos”, afirmou o pescador, sublinhando que a actividade piscatória não representa apenas uma fonte de rendimento, mas também um elemento importante da identidade nacional.
“O mar é essencial para o sustento, economia e segurança alimentar de milhares de famílias no arquipélago”, sustentou, acrescentando que a pesca contribui para suportar despesas com educação e habitação.
Entre os principais desafios que afectam o mar, apontou a poluição, a presença recorrente de sargaço nas praias da ilha de Santiago e a escassez de pescado, factores que, segundo explicou, têm afectado a pesca artesanal.
Luís Araújo manifestou ainda preocupação com a quantidade de lixo, sobretudo plástico, deixado nas praias, apelando a uma maior consciência da população para o correcto descarte dos resíduos.
“É preciso mais consciência da população, campanhas de limpeza, sensibilização ambiental e recolha de lixo”, defendeu.
O pescador considerou também importante que as autoridades reforcem a fiscalização e adoptem medidas para prevenir a poluição do meio marinho por óleos e outras substâncias provenientes de navios, bem como a descarga acidental de produtos nocivos no oceano.
Por seu turno, José Silva, pescador de 37 anos que exerce a actividade desde a infância, afirmou que “o mar é vida” e que é dele que retira o sustento para as despesas pessoais, incluindo saúde, educação dos filhos e apoio aos familiares.
“Não troco o mar por nada. Ele é vida”, declarou, acrescentando que o oceano representa a “maior riqueza” de Cabo Verde.
Relativamente à poluição marinha, José Silva reconheceu que não são apenas os banhistas e as pessoas que frequentam as praias para actividades de lazer que contribuem para a produção de resíduos.
Segundo explicou, os próprios pescadores levam alimentos para o alto mar durante as jornadas de pesca e, por vezes, acabam por deixar resíduos, como garrafas de plástico e outros materiais, no oceano.
Por isso, afirmou que tem procurado sensibilizar os colegas para abandonarem esta prática e defendeu uma maior fiscalização das praias, dos pescadores e da população em geral.
Para o pescador, o mar desempenha múltiplas funções, servindo para o lazer, a conectividade entre as ilhas, a pesca e outras actividades, pelo que apelou a todos para contribuírem para a sua preservação.
Questionados sobre a pesca ilegal, os dois entrevistados não quiseram comentar a questão, por a considerarem sensível e susceptível de ser mal interpretada.
O Dia Mundial do Mar é assinalado anualmente por iniciativa da Organização Marítima Internacional (OMI), com o objectivo de chamar a atenção para a importância das actividades marítimas para o comércio mundial, a segurança do transporte marítimo e a protecção do ambiente marinho.
Aos 33 anos, Carla Ribeiro encontrou na terra não apenas uma herança familiar, mas a oportunidade de transformar um sonho antigo num projecto de vida, dedicando-se à agricultura na Ribeira de Castelão, no coração da cidade da Praia.
Entre o terreno, as pedras e os desafios impostos pela escassez de água, a jovem conduz a sua produção agrícola com o conhecimento adquirido desde a infância, quando cresceu numa família ligada ao cultivo da terra.
Sem formação profissional na área, conta com a experiência transmitida pelo pai e pelos demais familiares agricultores para dar os primeiros passos no seu próprio negócio, a “Hidrocultivo by Carla”.
“O amor pela agricultura é aqui. Nasci numa família de agricultores, meu pai era agricultor, meus irmãos e irmãs cultivam terra, então é lá que surgiu o amor pela planta”, contou à Inforpress.
A Ribeira de Castelão, apesar de inserida no espaço urbano, mantém uma tradição agrícola que Carla Ribeiro aproveita para desenvolver a sua actividade.
Para a jovem empreendedora, a localização representa uma vantagem, sobretudo pela proximidade dos mercados e dos potenciais consumidores.
“É um ponto estratégico, fica mais perto do mercado”, frisou, apontando também a possibilidade de estabelecer contactos e comercializar a produção com maior facilidade.
No entanto, produzir dentro da cidade também significa enfrentar obstáculos. A disponibilidade de água é um dos principais desafios e, segundo Carla Ribeiro, a situação obriga os produtores a procurar alternativas para garantir a sobrevivência das culturas.
A empreendedora está a implementar o sistema de rega gota-a-gota, com o objectivo de reduzir o desperdício e aproveitar melhor a água disponível.
Quando a chuva não é suficiente, contudo, a falta de água pode obrigá-la a comprar o recurso, transformando-o num custo adicional para o negócio.
O próprio terreno exige criatividade. Entre pedras e áreas inclinadas, a jovem procura aproveitar cada espaço disponível para aumentar a produção, construindo estruturas de pedra e cultivando zonas que poderiam, à primeira vista, parecer pouco favoráveis à agricultura.
Actualmente, na sua horta cultiva produtos como abóbora, mandioca, batata-doce, banana e cana, depois de já ter produzido tomate.
A produção ainda é reduzida, mas o projecto nasceu com uma ambição maior, abastecer mercados e minimercados da cidade da Praia e, ao mesmo tempo, criar oportunidades de trabalho.
A ideia de transformar a experiência agrícola num negócio ganhou força quando Carla Ribeiro tomou conhecimento, através de uma publicação na Internet, do programa Praia Empreende, promovido pela Câmara Municipal da Praia.
Sem recursos financeiros para iniciar o projecto, decidiu apresentar a sua ideia e acabou por conseguir o financiamento que considera ter servido de alavanca para concretizar o sonho.
“Eu tinha um sonho de mim mesma, de trabalhar na terra, de ter filhos, de ter um rendimento livre para a minha casa e também para ter uma produção em grande quantidade que abastece mercados da Praia, minimercados”, relatou.
Mãe de três filhos, divide a gestão do projecto com a vida familiar e conta também com o marido no trabalho diário da horta.
Hoje, é sobretudo o casal que assegura as tarefas de produção, embora a empreendedora perspective aumentar a mão-de-obra à medida que o negócio crescer.
Para além da dimensão económica, Ribeiro atribui ao projecto uma dimensão social.
Entre os seus sonhos está também a possibilidade de, no futuro, destinar parte dos rendimentos da produção para apoiar um centro de idosos do mesmo bairro.
Apesar de reconhecer os desafios, a jovem empreendedora acredita que a agricultura pode constituir uma oportunidade de rendimento para quem tenha disposição para trabalhar na terra. Diz, contudo, que é preciso paciência, dedicação e, sobretudo, gosto pelo que se faz.
“A agricultura está lá. É uma coisa que você pode fazer com amor. Porque está crescendo dentro da horta mesmo. É uma coisa que você tem que ter paciência”, afirmou.
Carla Ribeiro também chama atenção para a necessidade de atrair mais jovens para o sector.
Na sua percepção, muitos procuram outras oportunidades profissionais, enquanto a agricultura continua a enfrentar falta de mão-de-obra, sobretudo de pessoas dispostas a permanecer no cultivo.
A empreendedora vê ainda espaço para maior inovação no sector, apontando a hidroponia como uma possibilidade para enfrentar as limitações de água e de espaço, particularmente num contexto urbano.
Sem formação específica em agricultura, reconhece que ainda pretende aprofundar os conhecimentos através de formação profissional.
Até agora, diz, tem sido a experiência acumulada desde a infância que lhe permitiu conduzir a produção.
Quase um ano depois de iniciar o seu próprio negócio, Carla Ribeiro olha para o futuro com a ambição de ampliar a “Hidrocultivo by Carla”, aumentar a produção e criar mais postos de trabalho.
A ilha do Maio foi escolhida para acolher o programa-piloto “Maio Transforma”, uma iniciativa do Governo de Cabo Verde que pretende impulsionar o empreendedorismo, atrair investimentos e criar emprego, a partir das potencialidades económicas da ilha.
“O Maio é uma ilha que consegue representar exactamente isso, o grande desafio que o desenvolvimento em Cabo Verde ainda é” afirmou o ministro.
O programa “Maio Transforma” reúne, segundo a RFI, Governo, a Câmara Municipal, o sector privado e as comunidades locais. O objectivo é claro: ouvir a ilha, atrair investimentos e dinamizar a economia através de um modelo sustentável. Na apresentação do projecto, o ministro da Economia, Comércio, Indústria e Transição Digital, António Baptista, explicou a escolha da ilhacdo Maio pelas potencialidades no sector primário.
“O Maio é uma ilha que consegue representar exactamente isso, o grande desafio que o desenvolvimento em Cabo Verde ainda é” afirmou o ministro.
Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal do Maio, Rely Brito, destaca que o programa junta vários eixos de intervenção para transformar o potencial da ilha em negócios concretos.
“Tem a ver com o Maio produtivo, a aposta no setor primário e secundário. Tem a ver também com o desenvolvimento do Maio como destino turístico, o Maio Acelera e o Maio Viver e Resiliência. E o último pilar tem a ver com o Maio Digital e Conectado” disse o presidente da Câmara Municipal do Maio.
O Programa Piloto Nacional de Transformação Económica Territorial pretende valorizar os recursos de cada região e, depois do Maio, a iniciativa vai seguir para a ilha do Fogo.
O Banco de Cabo Verde (BCV) "decidiu manter inalteradas as taxas de juro de referência", anunciou em comunicado, após a última reunião do Comité de Política Monetária, realizada na quinta-feira.
Apesar do enquadramento externo "adverso", o BCV indicou que a economia cabo-verdiana "demonstra alguma resiliência, com os indicadores disponíveis a apontar para o crescimento da atividade económica no segundo trimestre, sustentado pelo aumento da procura interna".
Segundo NM que cita Lusa, o BCV manteve a taxa diretora e as taxas das facilidades permanentes de cedência e de absorção de liquidez nos 2,5%, 2,75% e 2,25%, respetivamente.
O banco central decidiu também manter o coeficiente de disponibilidades mínimas de caixa nos 12%.
"A decisão enquadra-se num ambiente internacional ainda marcado pelo aumento das pressões inflacionistas a nível global, perante o agravamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente e a consequente subida dos preços internacionais da energia", justificou.
Apesar do enquadramento externo "adverso", o BCV indicou que a economia cabo-verdiana "demonstra alguma resiliência, com os indicadores disponíveis a apontar para o crescimento da atividade económica no segundo trimestre, sustentado pelo aumento da procura interna".
"A inflação homóloga aumentou 0,8% em agosto, mas a inflação média anual manteve a sua tendência descendente situando-se em 1,3%", enquanto nas contas externas, "apesar da procura turística mais enfraquecida nos últimos meses e do aumento das importações, as reservas internacionais líquidas mantêm-se em níveis confortáveis, garantindo cerca de nove meses de importações previstas para 2026", concluiu segundo a mesma fonte.
A próxima reunião do Comité de Política Monetária está agendada para 03 de novembro.
Entre a capacidade limitada de poupar, o receio de perder dinheiro e o desconhecimento sobre as oportunidades do mercado, muitos cabo-verdianos continuam a preferir não investir, isto num cenário marcado por desafios.
Paulino Dias identificou também uma dimensão comportamental, na sua avaliação, os cabo-verdianos tendem a apresentar uma maior aversão ao risco, embora isso não signifique que não existam empreendedores ou pessoas dispostas a arriscar.
Aos 46 anos, João Vieira já passou mais de metade da vida a poupar, começou a trabalhar aos 12 anos, como pescador, e desde então procura guardar, segundo a Inforpress, parte do que ganha.
Hoje, depois de pagar as despesas, consegue reservar cerca de 30 mil escudos por mês, dinheiro que prefere guardar no banco.
Condutor de profissão, recorre actualmente a trabalhos extras com o seu carro pessoal e à venda de produtos de ciclismo para complementar o rendimento e sustentar a família.
A poupança mensal, explicou, não representa apenas “dinheiro parado”, mas serve sobretudo para fazer face a despesas futuras com a saúde e reformas da casa.
O único grande investimento que diz ter realizado foi a aquisição da própria habitação. Fora disso, nunca avançou para investimentos de maior dimensão por causa do “medo”.
“Se tem como investir, não sinto medo, mas procuro áreas que dão garantia e saída”, diz, acrescentando que gostaria de aprender mais sobre literacia financeira.
Segundo a mesma fonte, a experiência de João Vieira, contudo, contrasta com a percepção da maioria das famílias inquiridas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) no Indicador de Confiança do Consumidor.
No primeiro trimestre de 2026, no total de 98,9% dos inquiridos consideraram que a actual situação económica do país não permite poupar dinheiro, contra 64,6% no mesmo período de 2025, o que representa um aumento de 34,3 pontos percentuais.
Apenas 1,1% dos inquiridos consideraram ser possível poupar algum dinheiro com a actual situação económica, contra 10,5% no trimestre homólogo de 2025.
Para o economista Paulino Dias, o problema não deve ser reduzido à insuficiência de financiamento.
O sócio fundador e presidente do conselho de administração da PD Consult considerou que uma das principais dificuldades está nas próprias características da economia cabo-verdiana, ou seja, um mercado pequeno, fragmentado e com dificuldades de ligação entre as ilhas.
Na sua análise, o tamanho reduzido do mercado limita o potencial de crescimento das empresas e influencia também a avaliação feita pelos bancos quando recebem pedidos de financiamento.
“O principal problema é que nós temos um mercado que é pequeno, que é fragmentado, e em que as conexões interilhas ainda são muito deficitárias e imprevisíveis”, disse, acrescentando ainda os custos elevados da água e da electricidade.
A leitura de Paulino Dias contraria uma explicação frequentemente associada à dificuldade de investir, isto é, a falta de dinheiro disponível no sistema financeiro.
Segundo o economista, os bancos dispõem de recursos e o rácio de transação, a relação entre os depósitos captados e o crédito concedido não ultrapassa 60%.
“Isto é, de cada 100 escudos depositados nos bancos, os bancos estão a emprestar menos de 60 escudos”, explicou, sublinhando que isso significa que existe stock de dinheiro que poderia ser canalizado para a economia.
“Os bancos dizem que não financiam, ou que têm dificuldades em financiar, porque os projectos que lhes são apresentados não são muito robustos em termos de bancabilidade”, completou conforme a fonte referida.
Paulino Dias identificou também uma dimensão comportamental, na sua avaliação, os cabo-verdianos tendem a apresentar uma maior aversão ao risco, embora isso não signifique que não existam empreendedores ou pessoas dispostas a arriscar.
A experiência da cabo-verdiana que reside na França, Sandrine Borges, apresenta uma realidade diferente.
Empreendedora, decidiu investir em Cabo Verde primeiro através da criação da agência de ecoturismo Capnatureza, em parceria com dois sócios, e posteriormente no sector imobiliário, através de alojamento local e gestão de propriedades.
A decisão, disse, resultou tanto da ligação ao país como de uma necessidade concreta de criar rendimentos próprios.
A jovem, no entanto, apontou dificuldades relacionadas com o conhecimento das instituições de apoio ao empreendedorismo, procedimentos administrativos demorados e pouca digitalização.
Outro desafio, segundo a empreendedora, é a diferença entre a realidade com que estava habituada a lidar em França e o contexto cabo-verdiano, onde considera que o mercado informal ainda tem um peso significativo.
Apesar das dificuldades, a experiência correspondeu às suas expectativas.
“Estou muito satisfeita por ter investido em Cabo Verde”, garantiu, acreditando que parte do receio de investir resulta precisamente do desconhecimento.
A presidente do conselho de administração da Bolsa de Valores de Cabo Verde, Júlia da Cruz, avançou que a instituição tem registado um crescimento consistente da base de investidores, sobretudo nos últimos cinco anos.
Esse crescimento, segundo a responsável, também se reflecte nas ofertas públicas e no mercado secundário.
Só em 2025, a Bolsa registou 436 transacções no mercado secundário, resultado que, na sua avaliação, confirma a progressiva consolidação do mercado de capitais cabo-verdiano como mecanismo de financiamento da economia.
O mercado secundário, prossegue a Inforpress, permite que quem possui uma acção ou obrigação possa vendê-la a outro investidor, transformando o título novamente em liquidez.
A dimensão do investimento necessário, explicou Júlia da Cruz, depende do instrumento financeiro e das características de cada operação.
A Bolsa, evidenciou, foi criada para ser um mercado acessível e inclusivo, e que existem instrumentos financeiros que podem ser adquiridos com valores relativamente baixos, nomeadamente através da plataforma BlueX.
Quanto à necessidade de haver uma maior literacia financeira, Júlia da Cruz salientou que a Bolsa realizou 32 acções e eventos de educação e literacia financeira, envolvendo 1.737 participantes, entre estudantes do ensino básico, secundário e universitário, além de encontros com comunidades da diáspora.
Os dados do INE mostram uma redução significativa na intenção das famílias de realizar investimentos de maior dimensão.
O inquérito mostra uma forte redução na intenção de compra ou construção de habitação, apenas 2,7% dos inquiridos disseram que provavelmente o fariam nos próximos dois anos, contra 18,2% no período homólogo.”
A questão passa, assim, não apenas por criar oportunidades de investimento, mas também por fazer com que mais cidadãos conheçam essas possibilidades e se sintam preparados para participar no mercado financeiro e transformar poupança em investimentos, conclui a fonte deste jornal.
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A TACV- Cabo Verde Airlines regressou ao BSP (Billing and Settlement Plan) da International Air Transport Association (IATA), uma medida que reforça a sua estratégia de distribuição e a ligação à rede internacional das agências de viagens.
“O regresso ao BSP da IATA representa mais um passo na estratégia da companhia para ampliar a distribuição, reforçar parcerias comerciais e aproximar Cabo Verde dos seus principais mercados”, acrescenta.
Em comunicado, a empresa explica, segundo Inforpress que cita RFI, que com esta integração, as agências voltam a ter acesso à oferta da companhia aérea de bandeira de Cabo Verde, e passam a poder emitir bilhetes directamente via sistemas GDS, utilizando o “ticket stock” da TACV (696).
“Este processo torna-se, assim, mais ágil e simplificado”, assegura, considerando que o regresso ao BSP constitui um passo importante na estratégia comercial da empresa, que permite reforçar a sua presença junto da rede internacional de agências e integrar um dos principais ecossistemas globais de distribuição do setor.
Segundo a mesma fonte, a integração contribui igualmente, segundo a mesma fonte, para uma gestão mais eficiente, padronizada e segura das vendas realizadas através do canal de agências.
Num momento em que Cabo Verde continua a ganhar relevância enquanto destino turístico, a presença da TACV no BSP é vista pela instituição como a criação de novas oportunidades para as agências diversificarem e reforçarem a sua oferta, respondendo ao aumento da procura pelo arquipélago.
“O regresso ao BSP da IATA representa mais um passo na estratégia da companhia para ampliar a distribuição, reforçar parcerias comerciais e aproximar Cabo Verde dos seus principais mercados”, acrescenta.
Neste contexto, a TACV reafirma o seu papel enquanto companhia aérea de bandeira, conectando Cabo Verde à sua diáspora e aos mercados internacionais.
O Billing and Settlement Plan (BSP) ou Plano de Facturação e Liquidação é um sistema global da IATA que facilita a venda, o reporte e a liquidação financeira entre companhias aéreas e agentes de viagens acreditados, garantindo processos padronizados e centralizados.
Actualmente, integra mais de 400 companhias aéreas e cerca de 59.000 agências acreditadas.
A presidente da Organização das Mulheres de Cabo Verde (OMCV), Eloisa Gonçalves, defendeu esta quinta-feira, na Praia, a necessidade de “mudar todo o ecossistema” e garantir estruturas de apoio às mulheres empreendedoras no país.
“Muitas vezes faltam estruturas de apoio para que ela possa realmente investir e estar a 100% no seu negócio”, disse Heloísa Gonçalves, reforçando a urgência de responder a estas questões para alavancar o microempreendedorismo feminino.
Eloisa Gonçalves falava à imprensa à margem da segunda Cimeira das Mulheres Empreendedoras de Cabo Verde, promovida pela OMCV, onde apontou como principais desafios enfrentados pelas micro e pequenas empresárias o acesso ao financiamento, às novas tecnologias, ao mercado e às estruturas de apoio.
Segundo a responsável, estas microempresárias encontram-se muitas vezes sobrecarregadas, visto que, além da gestão do negócio, acumulam responsabilidades familiares, situação que, muitas vezes, limita a sua dedicação à vida profissional.
“Muitas vezes faltam estruturas de apoio para que ela possa realmente investir e estar a 100% no seu negócio”, disse Heloísa Gonçalves, reforçando a urgência de responder a estas questões para alavancar o microempreendedorismo feminino.
A presidente da OMCV salientou que a falta de conciliação afecta também mulheres em cargos de decisão, defendendo a criação de infra-estruturas como creches e jardins infantis com horários pós-laborais.
Para Eloisa Gonçalves, a resposta aos desafios do empreendedorismo feminino exige uma maior articulação entre o Governo, as instituições públicas e privadas e financeiras.
“A OMCV nunca trabalha sozinha, trabalha sempre em parceria”, frisou, apelando ao engajamento de todos os actores na criação de condições favoráveis ao sucesso das mulheres no mundo empresarial.
Sobre a cimeira, a dirigente explicou que o evento visa criar uma rede de micro e pequenas empresárias e aproximá-las das instituições de promoção do empreendedorismo, promovendo a partilha de experiências e oportunidades.
O encontro aborda o papel das novas tecnologias e da inteligência artificial no sector empresarial, com a participação de instituições públicas e de microfinanças para a apresentação de programas e mecanismos de apoio.
Um dos momentos da iniciativa será a apresentação das dez finalistas do Concurso Nacional de Negócios de Mulheres Empreendedoras, de entre as quais serão escolhidas três vencedoras.
Durante o evento será igualmente eleita a Mulher Empreendedora do Ano, destinada a reconhecer uma mulher pela sua trajectória, liderança e contributo para o empreendedorismo e o desenvolvimento económico e social de Cabo Verde.
A Feira Internacional de Cabo Verde (FIC), que deverá acontecer de 18 a 21 de Novembro, no Lazareto, em São Vicente, já está com lotação esgotada, apesar de persistir o problema da falta de instalações físicas.
Sobre a deslocalização do evento, que este ano vai acontecer sob o lema “Expandindo horizontes empresariais”, Angélica Fortes explicou que a feira vai realizar-se num armazém de um privado, que o emprestou à organização para acolher o evento, pelo que o espaço necessita de intervenções.
A informação foi avançada à Inforpress pela presidente da FIC, Angélica Fortes, que explicou que o evento vai acontecer num armazém cedido pela Cavibel, na Zona Industrial do Lazareto, dois anos depois de a feira ter realizado uma edição nas instalações da Enapor, em São Vicente.
Segundo a mesma fonte, as inscrições já se encontram fechadas, uma vez que contam com mais de 100 empresas inscritas e uma perspectiva de 150 a 200 ‘stands’, devido à limitação do espaço.
“A feira praticamente já está cheia. Neste momento, estamos a gerir uma questão para criar mais algum espaço exterior para acolher mais expositores, dada a enorme procura”, explicou.
Sobre a deslocalização do evento, que este ano vai acontecer sob o lema “Expandindo horizontes empresariais”, Angélica Fortes explicou que a feira vai realizar-se num armazém de um privado, que o emprestou à organização para acolher o evento, pelo que o espaço necessita de intervenções.
“Continuamos com o problema da falta de espaço. Este ano sentimos ainda mais essa dificuldade, porque o armazém precisa de muito trabalho de manutenção e isso é um desafio para a organização. Mas, para evitar que a feira não aconteça, prefiro driblar todos esses percalços para realizar a feira em São Vicente”, clarificou.
Por isso, Angélica Fortes disse esperar “muita sensibilidade” do ministro das Finanças para a resolução do problema das instalações da FIC em São Vicente.
“Espero que o Governo resolva esta questão urgentemente para criar um espaço da FIC em São Vicente. É uma reivindicação antiga e todos os anos enfrentamos constrangimentos que já não tenho palavras para descrever”, apelou.
Angélica Fortes lembrou que o próprio presidente do Conselho Superior das Câmaras do Comércio e Turismo, Jorge Spencer Lima, alertou para a “necessidade urgente” de resolver a situação da FIC em São Vicente.
Jorge Spencer Lima disse que a construção de um espaço próprio para acolher o evento deve acontecer numa zona próxima da cidade, como a Galé, porque “a feira dinamiza a economia local e facilita a participação dos visitantes, ao contrário de uma eventual localização na Zona Industrial do Lazareto”.
“Ainda bem que outras entidades que trabalham connosco e que são os nossos parceiros sentem essa necessidade. A FIC é importante para São Vicente porque promove o negócio, dinamiza a economia, porque trazemos pessoas para Cabo Verde para participar na feira e é claro que o Governo tem que fazer a sua parte”, vincou.
Questionada se a realização da feira na zona do Lazareto poderá dificultar a participação de visitantes, por ser fora da cidade, a presidente da FIC disse que essa é uma preocupação, pelo que a organização já está a trabalhar para garantir a participação das pessoas.
“Este é outro desafio que temos. Pensamos que a FIC, por si, é uma feira que chama as pessoas, mas obviamente vamos fazer um trabalho, analisar internamente, para criar as condições e facilitar a visita das pessoas, porque estaremos afastados do centro”, arrematou.
A campanha especial "Bintaço" é válida para viagens entre a ilha do Sal e o arquipélago canário, com reservas disponíveis até 28 de setembro.
Conforme a nota remetida ao ASemanaonline,a companhia aérea Binter lançou uma nova edição da sua promoção "Bintaço", permitindo aos clientes adquirir passagens com descontos exclusivos para voar entre a ilha do Sal, em Cabo Verde, e as Ilhas Canárias. A campanha é válida para bilhetes comprados até ao dia 28 de setembro de 2026, para viagens a realizar no período compreendido entre 1 de novembro de 2026 e 31 de março de 2027.
Durante o período da promoção, os passageiros poderão adquirir viagens com tarifas a começar nos 12.865,00 CVE por percurso. Este preço promocional de referência aplica-se especificamente nas ligações diretas estabelecidas entre o Sal e Gran Canaria.
Os interessados em usufruir destes descontos podem efetuar a compra de bilhetes através dos canais habituais da transportadora, nomeadamente no site oficial Binter, através do serviço de atendimento telefónico (291 290 129) ou diretamente numa agência de viagens parceira, onde também poderão consultar as condições tarifárias detalhadas.
Os passageiros que voem com a Binter beneficiam do serviço diferenciado da companhia aérea, que inclui bagagem de mão e um lanche gourmet gratuito incluídos em todas as tarifas disponíveis.
Além disso, a companhia disponibiliza o produto Discover Stopover para os cabo-verdianos que pretendam conjugar duas ilhas numa única viagem. Existe ainda o AirPass Explorer, um passe com tarifas competitivas concebido para quem deseja explorar múltiplas ilhas do arquipélago das Canárias nas mesmas férias. A companhia recorda também que é possível viajar para os restantes destinos espanhóis da sua rede aérea efetuando uma escala nas Canárias.
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O Índice de Produção Industrial (IPI) registou um crescimento homólogo de 11,7% no segundo trimestre de 2026, enquanto o Índice de Preços na Produção Industrial diminuiu 2,8%, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
De acordo com o relatório de Índices de Curto Prazo na Indústria citado pela Inforpress, em termos trimestrais, o IPI aumentou 9,2% no período em análise.
Por sectores, a indústria extractiva liderou a variação homóloga, com um crescimento de 38,3%, seguida da indústria transformadora, com 14,0%.
As indústrias de electricidade, gás, vapor, água quente e fria e ar frio registaram uma variação positiva de 8,7%, enquanto a captação, tratamento e distribuição de água cresceu 9,4%.
Em sentido oposto, o Índice de Preços na Produção Industrial (IPPI) diminuiu 2,8% em termos homólogos, influenciada sobretudo pelas secções da Indústria Transformadora e da Electricidade, gás, vapor, água quente e fria e ar frio, com contribuições de -0,7 e -1,8 pontos percentuais, respectivamente.
Por sua vez, o Índice de Volume de Negócios na Indústria (IVNI) registou uma variação homóloga de 0,2% no mesmo período. Nas Indústrias Extrativas, o volume de negócios aumentou 82,6%, enquanto na Indústria Transformadora cresceu 8,0%.
Em sentido contrário, as actividades de Electricidade, gás, vapor, água quente e fria e ar frio registaram uma diminuição de 10,0% no volume de negócios. A captação, tratamento e distribuição de água apresentou uma variação positiva de 2,3%.
Os dados do INE indicam igualmente uma evolução positiva do emprego e das horas trabalhadas na indústria: o emprego aumentou 4,1% e as horas trabalhadas subiram 2,6% em termos homólogos.
Nas indústrias extrativas, prossegue a mesma fonte, o emprego aumentou 3,6%, mas as horas trabalhadas diminuíram 0,5%. Na Indústria Transformadora, o emprego cresceu 5,5% e as horas trabalhadas 2,7%.
Nas actividades de electricidade, gás, vapor, água quente e fria e ar frio, o emprego aumentou 2,2% e as horas trabalhadas 1,8%. Na captação, tratamento e distribuição de água, as variações foram de 5,5% e 5,4%, respectivamente.
Quanto às remunerações brutas, o índice global registou um acréscimo de 10,0% no segundo trimestre de 2026. Por sectores, as indústrias extrativas apresentaram uma ligeira diminuição de 0,1%, enquanto as indústrias transformadoras registaram um aumento de 14,7%.
As remunerações nas actividades de electricidade, gás, vapor, água quente e fria e ar frio cresceram 4,3%, e na captação, tratamento e distribuição de água aumentaram 7,1%.
Os indicadores integram os Índices de Curto Prazo na Indústria referentes ao segundo trimestre de 2026, divulgados pelo INE, refere a fonte deste jornal.
Cabo Verde precisa acelerar o tecido empresarial, investir mais no sector da indústria e assim reduzir a dependência externa, declarou esta segunda-feira o presidente da Câmara de Comércio do Sotavento (CCS), Marcos Rodrigues.
Em declarações à Inforpress após a conclusão de uma reunião de trabalho com o novo conselho de administração da Cabo Verde TradeInvest (CVTI), o presidente da CCS garantiu que a ideia é explorar outras áreas, nomeadamente na industrialização, por forma a assegurar o desenvolvimento da economia nacional.
“Não podemos sonhar com grandes indústrias a nível nacional, porquanto sabemos que somos arquipélago e que temos problemas complexos na questão do transporte, mas podemos trabalhar com indústrias de média dimensão e de pequena dimensão, especialmente indústrias que possam servir o interesse nacional”, destacou.
Marcos Rodrigues citou alguns exemplos de investimentos, como na imobiliária, tecnologias, indústria farmacêutica e agroindústria, entre outros.
Observou que tem havido uma proliferação de empresas comerciais estrangeiras, “de mercearias e pequenos negócios”, alegou que não é contra os investidores estrangeiros, mas que é preciso abrir espaço e criar incentivos para que os nacionais possam investir também.
“Queremos também que os nacionais comecem a tomar conta daquilo que são os micronegócios e pequenos negócios nacionais”, reforçou.
O Governo, lembrou, anunciou que irá criar alguns instrumentos financeiros às empresas cabo-verdianas na área da agroindústria, e que será uma realidade a curto prazo, mas na área da industrialização no seu todo “há que começar a trabalhar”.
De igual modo, a presidente do conselho de administração CVTI, Joselina Soares de Carvalho, sustentou que o foco é “alavancar os investidores nacionais”, identificando as áreas que geram emprego.
“Dar oportunidade, criando benefícios e incentivar os empresários nacionais, nomeadamente no sector primário, que hoje em dia podemos observar que temos muitas deficiências, por exemplo, temos constrangimentos a nível de pouca chuva, não temos infraestruturação”, reforçou.
O encontro entre a CCS e a CV TradeInvest visou reforçar a cooperação entre as duas instituições, e contribuir para a dinamização do ambiente de negócios.
A seca que fustiga o município do Porto Novo, em Santo Antão, está a ter reflexos na produção do queijo no Planalto Norte, que caiu de forma drástica, informaram hoje os produtores.
O porta-voz dos produtores, Maduino Lima, disse à Inforpress que muitas famílias no Planalto Norte estão em dificuldades uma vez que não conseguem produzir o queijo, que é a fonte de rendimento da população desse planalto.
“Sem trabalho e com dificuldades na compra de ração, as famílias não conseguem manter a produção de leite e, com isso, a fabrico do queijo caiu muito no Planalto Norte”, avançou a mesma fonte, alertando para o facto de a grande maioria das famílias passar nesta altura por uma situação social difícil.
Maduino Lima voltou a pedir ao Governo e à edilidade porto-novense para conceber um plano de salvamento do gado no Planalto Norte, numa altura em que mais de 90 por cento (%) dos criadores de gado enfrentam sérias dificuldades para manter os seus animais.
O Planalto Norte, onde concentra um efectivo pecuário de oito mil cabeças de gado, tem enfrentado sucessivos anos de seca, que fizeram desaparecer a espécie forrageira.
Este responsável disse que este planalto clama por um plano de salvamento do gado que contemple o fornecimento de água e bonificação de ração, já que os criadores estão sem rendimentos.
O presidente da Associação Comunitária de Pescadores e Peixeiras do Porto Mosquito, denunciou hoje dificuldades no sector, agravadas pela falta de gelo, combustível caro, transporte deficiente e ausência de estruturas de apoio adequadas.
“Há mais de 20 anos que aquele espaço de gelo e conservação está desactivado”, lamentou o dirigente associativo, defendendo a necessidade de reabilitação da infra-estrutura para responder às necessidades da comunidade piscatória.
Em entrevista à Inforpress, Manuel de Jesus dos Santos Lucas apontou a falta de gelo como uma das principais preocupações dos pescadores e peixeiras de Porto Mosquito, considerando que a situação condiciona directamente a conservação e comercialização do pescado.
Segundo explicou, existe na localidade uma estrutura destinada à produção de gelo e conservação do pescado, mas encontra-se inactiva há mais de duas décadas, deixando os profissionais do sector dependentes de outras alternativas para garantir a conservação da captura.
“Há mais de 20 anos que aquele espaço de gelo e conservação está desactivado”, lamentou o dirigente associativo, defendendo a necessidade de reabilitação da infra-estrutura para responder às necessidades da comunidade piscatória.
Para o líder comunitário, a recuperação daquele espaço representaria mais do que uma simples melhoria das condições de trabalho, constituindo uma estrutura essencial para a actividade pesqueira e para a economia das famílias que dependem do mar.
Outra dificuldade apontada prende-se com o acesso ao combustível para as embarcações.
Segundo a mesma fonte, o responsável explicou que os pescadores de Porto Mosquito são obrigados a abastecer-se nas bombas de combustível, situação que, segundo afirmou, torna o produto mais caro para quem exerce a actividade.
Na sua perspectiva, a criação de um ponto de abastecimento de combustível marítimo na própria localidade permitiria reduzir os custos e facilitar a actividade dos pescadores.
“Em Porto Mosquito, a gasolina é uma das mais caras”, afirmou, lembrando que na cidade da Praia existe um local destinado ao abastecimento de combustível marítimo, enquanto os pescadores da comunidade continuam a recorrer aos postos convencionais.
Além do preço do combustível, a deslocação para efectuar o abastecimento representa mais uma dificuldade para os profissionais, que precisam de sair da localidade para garantir o combustível necessário às suas embarcações.
O presidente da associação, prossegue a Inforpress, chamou a atenção para os problemas relacionados com o transporte do pescado, bem como para as condições de desembarque, que considera insuficientes para responder à realidade da comunidade.
De acordo com o responsável, os pescadores enfrentam dificuldades para desembarcar e encaminhar o pescado depois das jornadas no mar, situação que se agrava pela falta de estruturas adequadas de apoio.
O dirigente associativo entende que os problemas apontados não são recentes e vêm sendo apresentados há vários anos às autoridades, sem que, até ao momento, tenham sido encontradas respostas satisfatórias.
Na sua perspectiva, a situação dos pescadores de Porto Mosquito deve ser colocada na agenda das autoridades responsáveis pelo sector das pescas.
Com a entrada em funções do novo Governo, Manuel de Jesus dos Santos Lucas espera que os problemas da comunidade sejam apresentados e discutidos com as novas autoridades, nomeadamente com a ministra responsável pela pasta das pescas.
O responsável informou que pretende solicitar uma audiência à ministra Eveline Correia para apresentar directamente as preocupações dos pescadores, tendo preparado uma carta para esse efeito.
A associação pretende, assim, que o diálogo com as autoridades seja retomado e que as dificuldades identificadas possam ser analisadas no terreno, com a participação dos próprios pescadores.
Para Manuel de Jesus dos Santos Lucas, ouvir os representantes das comunidades piscatórias é fundamental para que as políticas públicas respondam, efectivamente, às necessidades daqueles que trabalham diariamente no mar.
O dirigente considera que a realidade dos pescadores deve ser conhecida pelas autoridades, sobretudo porque muitos dos constrangimentos existentes acabam por ter impacto directo na actividade económica das famílias e na disponibilidade de pescado para os consumidores.
Entre as prioridades apontadas estão, por isso, a recuperação da fábrica de gelo, a melhoria das condições de desembarque, a criação de melhores soluções para o transporte do pescado e a disponibilização de combustível a preços mais acessíveis.
Conforme ainda a fonte referida, a falta de gelo assume particular importância porque a conservação adequada do pescado é determinante para preservar a qualidade da captura e evitar perdas.
“Sem uma estrutura local funcional, os pescadores ficam sujeitos a maiores custos e dificuldades logísticas”, indicou Manuel Lucas.
Segundo ele, a reabilitação das estruturas existentes poderia contribuir para dinamizar a actividade e melhorar as condições de comercialização do pescado em Porto Mosquito.
Neste momento, Porto Mosquito, de acordo com o líder comunitário, conta com cerca de 80 pescadores.
“Antes, havia muito mais pessoas que se dedicavam ao mar. Mas, com a emigração em massa dos jovens, começa a registar-se falta de mão-de-obra”, queixou-se Manuel de Jesus Lucas.
A mesma situação constatou a Inforpress numa recente deslocação a Rincão, onde os pescadores mais velhos se queixam da falta de mão-de-obra para as actividades pesqueiras.
“Tenho o meu bote parado porque não tenho companheiro para ir ao mar”, disse José António Semedo, acrescentando, por outro lado, que pescar em Rincão está a ficar “cada vez mais difícil”, porque os homens do mar são obrigados a ir para longe, uma vez que já não se consegue peixe nas proximidades.
“O acordo de pesca com a União Europeia tem prejudicado Cabo Verde, em particular os pescadores”, concluiu José António Semedo citado pela fonte deste jornal.
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Os preços internacionais de trigo e açúcar registaram quedas na semana de 02 a 08 de Setembro, enquanto o óleo de soja manteve tendência de alta e o arroz comportamento misto, segundo o INFO Semanal do SNSAN.
Quanto ao óleo de soja, as cotações mundiais mantiveram a tendência de alta observada na semana anterior, em Argentina, os preços aumentaram cerca de 1,0 por cento, enquanto no Brasil registaram uma subida de aproximadamente 0,9 por cento.
De acordo com a Infforpress que cita o boletim do Secretariado Nacional para a Segurança Alimentar e Nutricional divulgado hoje, os preços mundiais de exportação de trigo apresentaram uma tendência de baixa face à semana anterior.
Na Rússia, as mudanças nos fluxos comerciais contribuíram para a queda das cotações, com a Rusagrotrans a registar cerca de 1,6 a 2,0 milhões de toneladas (MT) de exportações de trigo em setembro, abaixo dos 4,9 MT registados no mesmo mês do ano anterior.
Já na União Europeia, os preços do trigo foram influenciados pelas perspetivas de retoma dos embarques através do Mar Negro, enquanto na Argentina as cotações de exportação permaneceram estáveis em relação à semana anterior.
No mercado do arroz, os preços mundiais de exportação mantiveram uma tendência mista, na Tailândia, as preocupações com a disponibilidade de água para a cultura irrigada de entressafra de 2026/27, aliadas ao aumento da procura, pressionaram os preços em alta.
Em sentido contrário, no Vietname, a redução dos interesses de compra contribuiu para a queda dos preços de exportação do arroz.
Quanto ao óleo de soja, as cotações mundiais mantiveram a tendência de alta observada na semana anterior, em Argentina, os preços aumentaram cerca de 1,0 por cento, enquanto no Brasil registaram uma subida de aproximadamente 0,9 por cento.
Conforme a mesma fonte, o açúcar, por sua vez, apresentou uma tendência de baixa face à semana anterior. No Brasil, o Governo concedeu apoio financeiro aos produtores de cana-de-açúcar do Nordeste para compensar prejuízos provocados por eventos climáticos e dificuldades de acesso ao mercado dos Estados Unidos.
Já na Índia, medidas governamentais destinadas a aumentar a disponibilidade interna de açúcar e reduzir a necessidade de importação também contribuíram para a descida das cotações internacionais.
Por sua vez, os preços mundiais de exportação de milho registaram uma tendência mista, nos Estados Unidos, perturbações nas operações de transporte marítimo no Mar Negro e preocupações relacionadas com o rendimento das culturas pressionaram as cotações para uma baixa semanal.
Na Argentina, o Ministério da Agricultura informou que, até 03 de setembro, a colheita da campanha 2025/26 estava 97 por cento concluída, tendo sido iniciado o plantio da safra 2026/27. No Brasil, as cotações de exportação de milho caíram devido à redução da procura.
O boletim destaca ainda que o mercado internacional de arroz foi impulsionado pelo aumento da procura, principalmente na Ásia e em África, enquanto os preços mundiais do açúcar registaram uma queda semanal sustentada por expectativas de importações por parte da Índia abaixo do inicialmente previsto.
De acordo com o boletim, as cotações mundiais de frete marítimo, por seu turno, mantiveram uma tendência mista em relação à semana anterior, conclui a fonte deste jornal.
A Adega/Cooperativa de Chã das Caldeiras conquistou três medalhas na 34.ª edição do Mondial des Vins Extrêmes [Mundial dos Vinhos Extremos], uma das principais competições internacionais dedicadas à valorização da viticultura de montanha.
O Vinho Rosé 2025, distinguido com grande medalha de ouro, destacou-se nas degustações que abrangeram regiões de países como Açores (Portugal), Canárias, Catalunha, Astúrias, Galiza, Madrid e Guadalajara (Espanha), Toscânia, Piemonte, Sardenha, Ligúria e Abruzzo (Itália), Chipre, Santorini, Épiro, Florina (Grécia), Alemanha e Luxemburgo.
A participação da cooperativa cabo-verdiana resultou em duas Medalhas de Ouro, atribuídas aos vinhos Chã Branco 2025 e Passito 2025, e numa Grande Medalha de Ouro, conquistada pelo Chã Rosé 2025.
A conquista das três medalhas entre mais de 1.100 produtos provenientes de 28 países, reforça, segundo revela a Inforpress, o reconhecimento internacional dos vinhos produzidos na cratera da ilha do Fogo.
Organizada pelo Centro de Pesquisa, Estudo, Salvaguarda, Coordenação e Valorização da Viticultura da Montanha (Cervim), a competição reuniu vinhos produzidos em territórios onde a viticultura enfrenta condições particularmente exigentes.
O Vinho Rosé 2025, distinguido com grande medalha de ouro, destacou-se nas degustações que abrangeram regiões de países como Açores (Portugal), Canárias, Catalunha, Astúrias, Galiza, Madrid e Guadalajara (Espanha), Toscânia, Piemonte, Sardenha, Ligúria e Abruzzo (Itália), Chipre, Santorini, Épiro, Florina (Grécia), Alemanha e Luxemburgo.
De acordo com o regulamento do concurso, os vinhos são classificados em Grande Medalha de Ouro, Medalha de Ouro e Medalha de Prata, desde que ultrapasse a pontuação mínima de 85 centésimos e respeitando o limite de 30% dos vinhos inscritos.
Conforme a mesma fonte, a organização destaca que nesta edição foram degustados vinhos de “altíssimo nível”, tendo sido atribuídas várias Grandes Medalhas de Ouro a produtos com pontuações superiores a 93 pontos.
Para Rosando Monteiro, a distinção é resultado do trabalho conjunto dos viticultores e dos trabalhadores da adega e da cooperativa.
Representa ainda o reconhecimento de um esforço desenvolvido num contexto marcado por sucessivos desafios.
Segundo este responsável, as distinções contribuem para valorizar os produtos, aumentar a sua promoção e dar maior visibilidade a Cabo Verde no mercado internacional. Ao mesmo tempo, aumentam a responsabilidade da cooperativa em dar continuidade e reforçar a produção, num cenário em que os produtores enfrentam novos desafios relacionados com as variedades de uva, as alterações climáticas e, sobretudo, a escassez de chuva.
Com estas três novas distinções, a Adega Cooperativa de Chã das Caldeiras passa a somar dez medalhas internacionais, sendo nove conquistadas em concursos ligados ao Cervim, em Itália, e uma no Concours Mondial de Bruxelles (Bélgica), consolidando a presença dos vinhos do Fogo no panorama internacional.
A cerimónia oficial de entrega dos prémios da 34.ª edição do Mondial des Vins Extrêmes está prevista para 21 de Novembro, no Vinseum – Museu das Culturas do Vinho da Catalunha.
Como novidade desta edição, os vinhos distinguidos com Grande Medalha de Ouro terão ainda lugar no stand do Cervim durante o 35.º Merano Wine Festival, em Itália.
Os vinhos da Adega/Cooperativa de Chã das Caldeiras já amealharam uma dezena de medalhas: duas Grandes Medalhas de Ouro com Chã Branco colheita 2024 e Rosé colheita 2025, e seis Medalhas de Ouros para os vinhos “Chã Branco” safra 2021, 2023 e 2025, “Chã Tinto” safra 2022 e 2024 e “Chã Passito” safra 2023 e 2025 e uma medalha de prata no Concours Mondial de Bruxelles (CMB).
Onze mulheres de Porto Rincão receberam casais de carneiros para substituir a apanha de inertes por uma alternativa económica mais segura e sustentável de rendimento às famílias.
A entrega de 22 animais foi promovida pela ONG para o Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Lantuna), no âmbito de um projecto dirigido a mulheres, muitas delas chefes de família, que há anos encontram na extracção de inertes uma das poucas formas de garantir o sustento.
A actividade, embora ilegal, tornou-se para estas mulheres uma questão de sobrevivência. Mas o preço é alto, esforço físico, problemas de saúde e degradação da orla costeira, particularmente nesta comunidade vizinha do Parque Natural da Baía do Inferno e do Monte Angra.
“É um trabalho muito duro. Carregar areia é pesado, acaba com a coluna e afecta a saúde”, declarou a porta-voz da Lantuna, Samir Martins, sublinhando que o projecto pretende atacar simultaneamente o problema social e ambiental.
Cada beneficiária recebeu um casal de ovinos e sacos de milho ou ração, que será acompanhado durante alguns meses, com assistência veterinária e formação sobre criação, higiene, saúde animal e pequenos negócios.
A expectativa é que os animais reproduzam e possam transformar-se numa fonte de rendimento capaz de substituir progressivamente a apanha de areia.
Para a beneficiária Angela Semedo, a mudança representa mais do que uma oportunidade económica, é também a possibilidade de deixar para trás uma actividade que já cobra o seu preço ao corpo.
“Dediquei a minha vida à apanha de areia e inertes e já tenho problemas de saúde. Agora, com estes carneiros, quero ter outra fonte de rendimento e, quando tiverem crias, sair dessa vida”, contou.
Luísa da Veiga conhece igualmente o peso dessa rotina pois, já com uma certa idade, continua a procurar no mar, na venda de peixe e na areia formas de sustentar a família.
“Esta vida de apanha de areia está cada dia mais complicada. É uma vida sacrificada”, afirmou, considerando que os animais podem representar uma oportunidade para se dedicar a uma actividade menos pesada.
Igualmente, Nilvandra Monteiro, uma das beneficiárias mais jovens, reforçou que a apanha de inertes é uma das maiores preocupações para a saúde das mulheres da comunidade, que continuam a recorrer à actividade por falta de alternativas.
A iniciativa da Lantuna, que já tinha feito uma primeira entrega a um grupo de 18 mulheres no passado mês de Fevereiro, pretende, assim, que a mudança aconteça aos poucos, que os carneiros cresçam, reproduzam e gerem rendimento, enquanto diminui a necessidade de recorrer à areia.
Para Samir Martins, esta ligação entre rendimento e ambiente é essencial.
“Uma forma de melhorar a questão ambiental é também melhorar as condições de vida das pessoas”, considerou.
A presidente da Câmara Municipal do Porto Novo garantiu na quarta-feira, 02, que a autarquia está na fase de aquisição de uma máquina de gelo para resolver o problema de conservação do pescado em Tarrafal de Monte Trigo.
Elisa Pinheiro, que falava durante a sessão solene da Assembleia Municipal do Porto Novo, tranquilizou assim os pescadores da comunidade piscatória, que nos últimos anos se têm queixado insistentemente de dificuldades na conservação do pescado.
A autarca anunciou ainda que já se encontra na fase de construção um bote-ambulância para Monte Trigo e a aquisição de motores para os pescadores das duas aldeias piscatórias.
Segundo Elisa Pinheiro, estes investimentos visam dar “um novo alento” aos pescadores que têm estado a enfrentar muitas dificuldades no exercício da sua actividade profissional.
O representante da Associação dos Pescadores do Tarrafal de Monte Trigo, José da Luz, disse que o problema de conservação do pescado tem condicionado muito a actividade pesqueira local, lembrando que há pelo menos quatro anos que a classe tem reivindicado uma máquina de produção de gelo.
A autarquia espera investir no decurso deste ano 14 mil contos na promoção da pesca no município do Porto Novo.
Entre outras actividades, a autarquia pretende apostar na capacitação de pescadores, no fortalecimento das associações locais e na promoção da segurança no mar e manejo sustentável dos recursos marinhos.
A melhoria da comercialização e transformação do pescado constitui outro propósito da câmara municipal.
21 dias atrás 23 horas atrás
SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...