domingo, 16 junho 2024

Autor José Luís Tavares sugere alteração ao protocolo do Prémio Camões

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O poeta cabo-verdiano José Luís Tavares sugeriu hoje uma modificação de protocolo do Prémio Camões, para que os laureados africanos possam receber a distinção no seu país, em vez de esta acontecer apenas em Portugal ou no Brasil.

Em entrevista à agência Lusa, na cidade da Praia, José Luís Tavares defendeu que premiados africanos de países com maior expressão ao nível da literatura, como Cabo Verde, Angola e Moçambique, deviam fazer a proposta.

"O protocolo original é determinado entre Brasil e Portugal e os países africanos são convidados a participar no júri, a título excecional", sem força "determinante", constatou o poeta cabo-verdiano, que reside em Lisboa e que também já fez parte do júri daquele prémio literário de língua portuguesa.

Se houver modificação do protocolo e os países africanos puderem "comparticipar" ativamente, terão "outra palavra a dizer" no Prémio Camões, no valor de 100 mil euros, instituído pelos governos de Portugal e do Brasil.

"Os escritores desses países também poderiam receber o prémio nos respetivos países, o que dignificava, em certa medida, o escritor e a literatura do seu país", insistiu Tavares, que está em Cabo Verde para o lançamento de novos livros.

O Prémio Camões visa distinguir um escritor cuja obra contribua para a projeção da Língua Portuguesa e foi atribuído pela primeira vez em 1989 ao escritor Miguel Torga (1907-1995).

Segundo o texto do protocolo constituinte, assinado em Brasília, em 22 de junho de 1988, e publicado em novembro do mesmo ano, o prémio consagra anualmente "um autor de língua portuguesa que, pelo valor intrínseco da sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua comum".

Brasil e Portugal lideram a lista de distinguidos, com 14 premiados cada, seguindo-se Moçambique, com três, Cabo Verde, com dois, e Angola, com Pepetela mais o luso-angolano Luandino Vieira, que recusou o galardão em 2006, sendo o único a fazê-lo, até hoje.

Os dois únicos laureados de Cabo Verde são Arménio Vieira (2009) e Germano Almeida (2018), e José Luís Tavares, com mais de 20 anos de percurso e dezenas de obras publicadas, disse não o ter na sua lista de desejos.

"Os prémios acontecem se tiverem de acontecer: o meu fito, o meu horizonte é publicar obras relevantes, que contribuam para libertar a cabeça das pessoas", respondeu.

Tavares frisou que este é um daqueles prémios que não são atribuídos diretamente a livros, mas que têm "outras envolvências", em que os autores "não são tidos, nem achados", pelo que é algo que "não tira o sono" ao autor que celebra o aniversário no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, e que é tradutor de Camões para língua cabo-verdiana, o crioulo. "Como costumo dizer, já nasci ’camonizado’", afirmou à Lusa.

José Luís Tavares nasceu em 10 de junho de 1967, em Tarrafal de Santiago.

Na entrevista à Lusa, José Luís Tavares abordou ainda a relação entre escritores e a literatura na lusofonia, para assegurar que as "trocas e os intercâmbios são praticamente nulos", sendo tudo mais facilmente reconhecido quando se está na "antiga metrópole colonial", Portugal.

A Semana com Lusa

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Colunistas

Opiniões e Feedback

Antonio
19 days 16 hours

Que grande reflexão do Água Lusa!!! Bem enquadrado. Até os nascidos na era portuguesa não são valorizados.

Daniel Dias
23 days 21 hours

Coitado do Leão Vulcão. Perdeu o emprego.

liketerra
25 days 14 hours

A criminalidade Murdeira já é de muito tempo e inclui os proprios admnistradores condominio que mandam os guardas agridi

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