quarta-feira, 30 setembro 2026

Peritos denunciam perigos vividos por migrantes e refugiados na Tunísia

"Recebemos relatos chocantes de manobras perigosas durante as operações de interceção de migrantes, refugiados e requerentes de asilo no mar", afirmaram em comunicado, citando espancamentos e o virar de embarcações.

 Entre janeiro e julho, 189 pessoas, incluindo crianças, perderam a vida durante as travessias e 265 durante as operações de interceção no mar, enquanto 95 pessoas foram dadas como desaparecidas.

Para as pessoas "resgatadas" pela guarda costeira, incluindo as vítimas de tráfico, a sua situação "só irá piorar quando desembarcarem no porto", sublinham os peritos, que estão mandatados pelo Conselho dos Direitos Humanos da ONU mas não falam em seu nome.

Os peritos relatam alegações de transferências arbitrárias forçadas para as fronteiras com a Argélia e a Líbia, sem ajuda humanitária.

"Estamos chocados com a violência relatada e o uso excessivo da força durante estas transferências. Os migrantes, refugiados e requerentes de asilo, incluindo crianças e mulheres grávidas, são alegadamente levados para zonas desertas nas fronteiras com a Argélia e a Líbia, e alvejados por guardas fronteiriços se tentarem regressar", insistem.

No comunicado de imprensa, os quatro relatores especiais e os membros do grupo de trabalho sobre desaparecimentos forçados ou involuntários manifestam também a sua preocupação com os relatos de que os migrantes subsarianos, os refugiados e os requerentes de asilo "estão sujeitos a níveis mais elevados de violência por parte das forças de segurança tunisinas".

A isto acresce a repressão das organizações da sociedade civil e dos defensores dos direitos humanos, que levou à suspensão temporária das atividades de pré-registo e limitou o acesso dos migrantes aos serviços básicos.

Os peritos manifestaram igualmente a sua preocupação com o aumento do número de grupos criminosos envolvidos no tráfico de seres humanos e com os relatos de violência sexual, incluindo a violação de mulheres e raparigas com apenas 10 anos nas zonas fronteiriças.

"Preocupa-nos que, apesar destas graves alegações, a Tunísia continue a ser considerada um local seguro na sequência de operações de busca e salvamento no mar, e que a cooperação continue entre a União Europeia e a Tunísia", concluíram.

No verão de 2023, a União Europeia e a Tunísia assinaram um acordo que incluía 105 milhões de euros de ajuda europeia para combater a imigração ilegal.

A Semana com Lusa

Colunistas

Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
  Filomena foi uma jornalista de gabarito, dotada de um...
José Rodrigues
José Rodrigues
07 Sep. 2026
Cabo Verde na Vanguarda da Nova Economia:...
A indicação do líder da operadora concessionária deve basear-se...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
A cultura do ódio trazida para a vida pública...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...
Relevar dignidade deste país é fazer com que o...
Tony Miranda
Tony Miranda
21 Aug. 2026
A Inflação do Prestígio: Como a Obsessão...
Esta inflação sistémica de títulos está longe de ser...
Péricles Tavares
Péricles Tavares
03 Aug. 2026
Editorial Analítico — A Década de Conflito...
A política cabo-verdiana viveu, nos últimos dez anos, uma...

Comentários

joão do rosário
23 dias atrás 15 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
25 dias atrás 7 horas atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
27 dias atrás 13 horas atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...