O governo guineense mandou encerrar as delegações da emissora portuguesa RTP e RDP e da agência de notícias Lusa. O fecho inclui o fim das emissões locais destes meios de comunicação social portugueses (que prestam apoio à televisão da Guiné-Bissau). Os jornalistas portugueses tiveram, igualmente, ordem de expulsão do país até terça-feira, 19 de agosto. Esta ação não teve explicação por parte do governo da Guiné-Bissau e acontece numa altura em que o país assume a presidência rotativa da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), o que poderá abrir caminho para uma crise diplomática internacional.
No comunicado, a RTP diz que enviou uma carta ao Presidente da República da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, a pedir esclarecimentos sobre se os jornalistas poderiam continuar a sua atividade de forma independente e em segurança no país.
A Guiné-Bissau assumiu a presidência rotativa de dois anos da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) em julho, sucedendo a São Tomé e Príncipe numa cimeira que devia reunir todos os chefes de Estado da organização, mas tal não ocorreu, por outros motivos.
A própria organização, dessa cimeira em Bissau, chegou a ser colocada em causa pelos parlamentares guineenses que apelaram à organização que não aceitasse a presidência guineense devido à instabilidade política do país, entre elas, a dissolução do parlamento. Mas a chefe da Assembleia Parlamentar da CPLP refutou essa possibilidade, defendendo que a separação de poderes devia ser respeitada e por isso, não cabia à Assembleia Parlamentar da CPLP “decidir a não realização de uma cimeira”, relata a DW África.
Tem havido muita controvérsia sobre o mandato de Embaló antes das eleições gerais de novembro. A pequena nação da África Ocidental tem sofrido vários golpes de Estado desde que se tornou independente de Portugal há mais de 50 anos.
A Constituição da Guiné-Bissau fixa o mandato presidencial em cinco anos, com um máximo de dois mandatos. Segundo a oposição, o mandato de Embaló deveria ter terminado a 27 de fevereiro, mas o Supremo Tribunal decidiu que deveria terminar a 4 de setembro.
No entanto, no início deste ano, Embaló marcou a data das eleições para 30 de novembro e disse que o seu primeiro mandato iria decorrer até lá, aumentando ainda mais as tensões.
Nos últimos meses, a oposição tem-se recusado a reconhecer Embaló como Presidente da República. Em março, uma missão de um bloco regional da África Ocidental enviada para a Guiné-Bissau - para ajudar a resolver a crise-, partiu abruptamente após o que disse serem "ameaças de expulsão por parte do presidente", escreve a Associated Press.
Ainda sobre a expulsão dos jornalistas lusos, a Guiné-Bissau não se pronunciou oficialmente e, entretanto, o presidente Umaro Sissoco Embaló, que também preside à comunidade dos países falantes da Língua Portuguesa, cancelou a sua visita à sede da CPLP, que fica em Lisboa, sem se saber uma razão.
A Semana com Euronews
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