Estudantes do 12.º ano de São Vicente expuseram hoje as dificuldades da prova nacional de Matemática e exigiram a sua repetição, num encontro com o delegado de Educação, que prometeu interceder junto da Direcção Nacional.
Acredita ser “injusto” ter estudado durante todo esse tempo para ter a sua média na matemática entre 17 e 18 e agora correr o risco de descer para 11 ou 12 com uma prova que tem um peso de 30 por cento (%) na pauta final.
Segundo a Inforpress, o ambiente na manhã de hoje junto da Delegação de Educação, no Mindelo, era de alvoroço com alunos finalistas de todas as escolas da ilha, que quiseram mostrar o seu desagrado perante o “exame muito difícil” aplicado na quinta-feira, 04.
Antes do encontro, o representante da Escola Técnica do Mindelo, Dylan Tavares, assegurou à Inforpress que os objectivos apresentados não condizem com as matérias leccionadas durante o ano lectivo.
“Aplicaram exercícios com um nível de dificuldade que não estamos acostumados a trabalhar”, considerou o estudante, que, no seu caso, mostrou o receio de descer a sua média final e o impedir de se candidatar a vagas e bolsas para estudar Aeronáutica no exterior.
Acredita ser “injusto” ter estudado durante todo esse tempo para ter a sua média na matemática entre 17 e 18 e agora correr o risco de descer para 11 ou 12 com uma prova que tem um peso de 30 por cento (%) na pauta final.
Por seu lado, o representante da Escola Salesiana do Mindelo, Henrique Fortes, admitiu não concordar com o sistema por colocar “numa única prova o resultado de três anos de muito esforço”.
Referiu-se ao caso da ilha do Sal, em que os estudantes pediram a anulação do exame e disse que tal decisão deveria ser estendida a todo o território nacional, tal como a abrangência da prova.
Henrique Fortes admitiu que não teve tanta dificuldade como outros colegas, que até tiveram ataques de pânico, a ponto de serem atendidos nos serviços de saúde, mas reiterou a sua empatia para com todos os finalistas que agora podem ser prejudicados “pela desatenção ou incompetência” de alguns decisores.
“Não é só uma questão de passar, é passar com honra e média para fazermos o nosso curso superior e sermos grandes homens e mulheres do amanhã, dignos e educados”, afiançou.
Conforme a mesma fonte, o delegado de Educação, Jorge da Luz, reuniu-se com um representante de cada uma dessas escolas e após os ouvir garantiu que vai reportar as preocupações, que “parecem ser a nível nacional”, aos seus superiores.
Confirmou que a Direcção Nacional já tem conhecimento do que se passou e por isso, aguarda “uma resposta firme” nos próximos dias.
Também pediu que os estudantes, pais e encarregados de educação e toda a comunidade educativa da ilha aguarde o posicionamento do Ministério de Educação “com tranquilidade” para esclarecer todas as questões levantadas.
No final, os alunos Dylan Tavares e Henrique Fortes consideraram ter sido “ um encontro inconclusivo”, mas mostraram-se satisfeitos com a abertura e sensibilidade manifestadas pelo delegado, refere a fonte deste jornal.







O problema não é a prova, é o ensino que falhou antes da prova
Não é sério transformar o exame de Matemática no bode expiatório de todos os males. O exame não é “difícil” por magia negra... O que está difícil é admitir que muitos alunos chegam ao fim do ensino secundário sem a preparação que deveriam ter, porque o sistema continua a tratar o secundário como uma continuação fofinha do ensino básico.Matemática no secundário exige abstracção, raciocínio, treino, método e professores bem preparados. Quando o ensino não acompanha esse nível, quando falta reforma curricular séria, quando os professores não recebem formação adequada e quando se continua a empurrar alunos de ano para ano sem consolidar bases, o resultado aparece exactamente aqui: no exame.
Em países com sistemas educativos mais fortes, o secundário não é visto como recreio prolongado. É uma etapa exigente, de preparação real para o ensino superior, para a ciência, para a tecnologia, para a vida profissional. Aqui, muitas vezes, faz-se de conta que se ensina, faz-se de conta que se aprende, e depois todos fingem surpresa quando a prova revela o buraco.
Repetir a prova até ela parecer fácil não resolve nada. O que é preciso repetir é a discussão séria sobre a qualidade do ensino, a formação dos professores, os programas, os métodos, a avaliação contínua e a exigência. Porque baixar a fasquia para esconder o fracasso é só fabricar diplomas com ar de vitória e conteúdo de derrota.
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