quarta-feira, 10 junho 2026

Carta aberta sobre segurança do primeiro-ministro indigitado: Oficial Manuel Alves sugere Francisco Carvalho que reconsidere a ideia de continuar a residir em Vila Nova

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Com  a preocupação para a segurança da principal figura do futuro Governo da República, o oficial superior da Polícia Nacional aposentado, Manuel Alves, apela, numa carta aberta dirigida ao primeiro-minisitro indigitado, Francisco Carvalho,que reconsidere a ideia de continuar a residir em Vila Nova, o seu bairro de estimação, onde cresceu e viveu até hoje. Na carta aberta publicada na sua página de Facebook, Alves  realça que fez este apelo  com elevado sentido de estado, confiança e respeito ao novo primeiro-minisitro de Cabo Verde.
 
«Um Primeiro-Ministro não ocupa apenas uma casa; ocupa um espaço permanente de comando político e administrativo. A residência de um Chefe de Governo deve ser pensada como uma extensão funcional do Estado, capaz de assegurar simultaneamente privacidade, capacidade operacional, controlo de acessos, mobilidade segura e resposta rápida em situações de emergência», defende.
Na sua missivia, Maneul Alves fundamenta o seu apelo por dever moral e de cidadania«Da mesma forma que assumi publicamente o desafio de o apoiar politicamente, muitas vezes contrariando amizades antigas e relações consolidadas, sinto igualmente o dever moral e de cidadania, com a frontalidade que sempre me caracterizou, de sugerir a Vossa Excelência que reconsidere a ideia de continuar a residir em Vila Nova, o seu bairro de estimação, onde cresceu e viveu até hoje. Faço-o com elevado sentido de confiança e respeito»,fundamenta  este oficial da PN.
 
 
«Faço esta reflexão não apenas como um dos seus apoiantes publicamente reconhecidos, mas sobretudo como alguém com formação especializada em matéria de segurança pessoal e proteção de entidades, conhecedor profundo do nosso país neste domínio, realidades com as quais lidei diretamente ao longo de anos de experiência prática de comando. A segurança absoluta não existe em parte alguma do mundo, mas a prevenção não pode falhar. E é precisamente aí que reside a responsabilidade maior de quem exerce funções de liderança do Estado», lê-se no post referido. 
 
Segundo ele, a escolha do local de residência de um Chefe de Governo nunca deve ser encarada como uma simples opção pessoal, familiar ou sentimental. «Trata-se, acima de tudo, de uma decisão com impacto direto na segurança do exercício do poder, na continuidade governativa e na estabilidade do sistema político».
 
Na sua carta aberta, Manuel Alves sustenta que a moderna doutrina da segurança pessoal, particularmente a teoria desenvolvida por Jeff Cooper, ensina que a proteção de uma entidade começa muito antes da presença de escoltas, veículos oficiais ou equipamentos tecnológicos. «A verdadeira segurança começa na antecipação do risco, na consciência situacional e na redução inteligente das vulnerabilidades. Cooper defendia que o maior perigo nasce precisamente do relaxamento psicológico, da rotina excessiva e da falsa sensação de normalidade. E é justamente neste ponto que a escolha da residência assume importância estratégica».
 
«Um Primeiro-Ministro não ocupa apenas uma casa; ocupa um espaço permanente de comando político e administrativo. A residência de um Chefe de Governo deve ser pensada como uma extensão funcional do Estado, capaz de assegurar simultaneamente privacidade, capacidade operacional, controlo de acessos, mobilidade segura e resposta rápida em situações de emergência», acrescenta.
 
Na carta em apreço, Alves alerta ainda sobre as vulnerabilidades em matéria  de segurança pessoal que existem em meios pequenos como Cabo Verde. «Nas nossas sociedades insulares e relativamente pequenas, onde a proximidade social é culturalmente valorizada e onde as figuras públicas convivem de forma mais direta com os cidadãos, existe frequentemente a ilusão de que o risco é reduzido. Contudo, a experiência internacional demonstra exatamente o contrário: ambientes excessivamente previsíveis, acessíveis e emocionalmente informais tendem a aumentar a exposição das entidades públicas. A previsibilidade de rotinas, horários, itinerários e hábitos constitui uma das maiores vulnerabilidades em matéria de segurança pessoal».
 
Diante de tudo isto, Manuel Alves sugere ao primeiro-minsitro indigitado, Francisco Carvalho,  que reconsidere a ideia de continuar a residir em Vila Nova, o seu bairro de estimação, onde cresceu e viveu até hoje.
 
Devido ao seu interesse  geral,  confira os detalhes da  referida carta aberta, que publicamos a seguir.
 
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CARTA ABERTA  AO  PRIMEIRO-MINISTRO INDIGITADO, DR. FRANCISCO CARVALHO
 
Depois de uma reflexão paciente, ponderada e serena, analisando cuidadosamente os prós e os contras da questão, observando os riscos objetivos e até rastreando atentamente as múltiplas narrativas que circulam nas redes sociais sobre esta matéria, tomei a iniciativa de lhe dirigir esta reflexão pública, movido por sentido de responsabilidade cidadã e de responsabilidade pública, bem como por genuína preocupação com a segurança da principal figura do futuro Governo da República.
 
Da mesma forma que assumi publicamente o desafio de o apoiar politicamente, muitas vezes contrariando amizades antigas e relações consolidadas, sinto igualmente o dever moral e de cidadania, com a frontalidade que sempre me caracterizou, de sugerir a Vossa Excelência que reconsidere a ideia de continuar a residir em Vila Nova, o seu bairro de estimação, onde cresceu e viveu até hoje. Faço-o com elevado sentido de confiança e respeito.
 
Faço esta reflexão não apenas como um dos seus apoiantes publicamente reconhecidos, mas sobretudo como alguém com formação especializada em matéria de segurança pessoal e proteção de entidades, conhecedor profundo do nosso país neste domínio, realidades com as quais lidei diretamente ao longo de anos de experiência prática de comando. A segurança absoluta não existe em parte alguma do mundo, mas a prevenção não pode falhar. E é precisamente aí que reside a responsabilidade maior de quem exerce funções de liderança do Estado. 
 
A escolha do local de residência de um Chefe de Governo nunca deve ser encarada como uma simples opção pessoal, familiar ou sentimental. Trata-se, acima de tudo, de uma decisão com impacto direto na segurança do exercício do poder, na continuidade governativa e na estabilidade do sistema político.
 
A moderna doutrina da segurança pessoal, particularmente a teoria desenvolvida por Jeff Cooper, ensina que a proteção de uma entidade começa muito antes da presença de escoltas, veículos oficiais ou equipamentos tecnológicos. A verdadeira segurança começa na antecipação do risco, na consciência situacional e na redução inteligente das vulnerabilidades. Cooper defendia que o maior perigo nasce precisamente do relaxamento psicológico, da rotina excessiva e da falsa sensação de normalidade. E é justamente neste ponto que a escolha da residência assume importância estratégica.
 
Um Primeiro-Ministro não ocupa apenas uma casa; ocupa um espaço permanente de comando político e administrativo. A residência de um Chefe de Governo deve ser pensada como uma extensão funcional do Estado, capaz de assegurar simultaneamente privacidade, capacidade operacional, controlo de acessos, mobilidade segura e resposta rápida em situações de emergência.
 
Nas nossas sociedades insulares e relativamente pequenas, onde a proximidade social é culturalmente valorizada e onde as figuras públicas convivem de forma mais direta com os cidadãos, existe frequentemente a ilusão de que o risco é reduzido. Contudo, a experiência internacional demonstra exatamente o contrário: ambientes excessivamente previsíveis, acessíveis e emocionalmente informais tendem a aumentar a exposição das entidades públicas. A previsibilidade de rotinas, horários, itinerários e hábitos constitui uma das maiores vulnerabilidades em matéria de segurança pessoal.
 
Importa ainda compreender que, no ambiente político contemporâneo, qualquer incidente, mesmo de reduzida gravidade ou mera importância circunstancial, poderá facilmente ser amplificado, explorado e empolado pelos seus detratores políticos de plantão para o gáudio dos seus diletos e para alimentar narrativas de fragilidade, desorganização ou incapacidade do Estado em proteger a sua principal liderança governativa. Em política, muitas vezes, a perceção pública produz impactos tão profundos quanto os próprios factos. Mais vale prevenir do que criar condições para lamentações futuras evitáveis.
 
Aplicado à realidade de um Primeiro-Ministro, o princípio do “código amarelo” de Jeff Cooper significa viver permanentemente com atenção serena, preventiva e racional, escolhendo ambientes que permitam controlo discreto do perímetro, múltiplas vias de acesso e evacuação, capacidade de observação e adequada coordenação operacional das equipas de segurança.
 
A prudência não é sinal de medo, assim como a prevenção não representa arrogância nem distanciamento democrático. Pelo contrário, um governante que aceita as exigências modernas da segurança transmite maturidade institucional, responsabilidade de Estado e respeito pela estabilidade da República.
 
Talvez a maior lição deixada por Jeff Cooper permaneça plenamente atual: a segurança mais eficaz é aquela que quase não se vê, porque atua silenciosamente através da antecipação, da disciplina e da prevenção.
 
Que a decisão sobre a residência seja, portanto, orientada menos pelo simbolismo emocional e mais pela racionalidade estratégica que a responsabilidade do cargo exige.
 
Com a mais elevada estima e respeito.
Manuel Alves
 
Terra
Dimocracia
Meus senhores isso e uma boa recomendação, quem aviso amigo e principalmente na setuasao que estamos apassar se não faz isso nada vai mudar em Cabo Verde?
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