Sem dúvida, os seres humanos pensam muito mais nos tempos passado e futuro do que no tempo presente: Lembram do ontem, projetam o amanhã e ignoram o hoje. No entanto, olhar para o passado e o futuro, faz sentido se eles ajudam a viver o presente de modo pleno.
Por José João Neves Barbosa Vicente*
Refletir sobre o tempo, seja ele presente, passado ou futuro, não é uma tarefa simples, principalmente porque não se trata de um objeto físico ou uma realidade física externa. Apesar de ser um assunto familiar como escreveu Santo Agostinho em sua obra Confissões, especificamente no Livro XI, o tempo não é fácil de ser explicado, por isso disse: “se ninguém me pergunta, eu sei; porém, se quero explicá-lo a quem me pergunta, então não sei”. Neste pequeno espaço, o objetivo não é abordar o tempo na sua totalidade e nem uma explicação definitiva, mas sim, a partir das ideias de Santo Agostinho, refletir brevemente sobre o tempo presente e destacar, na medida do possível, o seu sentido para os seres humanos.
Sem dúvida, os seres humanos pensam muito mais nos tempos passado e futuro do que no tempo presente: Lembram do ontem, projetam o amanhã e ignoram o hoje. No entanto, olhar para o passado e o futuro, faz sentido se eles ajudam a viver o presente de modo pleno. Uma pessoa pode escolher o tempo que ela quiser para refletir, imaginar, reviver, fazer previsões ou projetar algo, mas somente o tempo presente está à sua disposição. Nesse sentido, ela precisa viver plenamente o presente, porque é o único tempo que ela pode, de fato, se relacionar verdadeiramente; assim, viver o presente é optar por um relacionamento construtivo e produtivo com o tempo. Quando se pensa no passado e no futuro, não se deve esquecer que eles não têm sentido ou significado se não fizerem parte do tempo presente e servirem para ilu miná-lo, principalmente porque entre eles, o presente é a única realidade.
Quem tem a pretensão de viver sua vida presa ao ontem ou seduzida pelo amanhã, escolhe uma vida de recordações e sonhos, mas não de realidade: é impossível que alguém seja capaz de viver plenamente fora do tempo presente; os seres humanos existem e agem unicamente no tempo presente. É no tempo presente que cada pessoa que habita este mundo é capaz de fazer ou não alguma coisa. É preciso reconhecer, no entanto, que não é tarefa fácil viver o presente plenamente, mesmo sendo ele a única realidade à disposição de todos os seres humanos. Viver o presente completamente, requer que o ser humano tenha a plena consciência de si próprio para que ele possa estar ciente desse tempo e lembrar que nada se pode fazer com o passado ou futuro; o esforço deve ser canalizado para que o presente seja vivido em plenitude, pois não se pode fugir dele e se esconder no ontem ou no amanhã.
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*Professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)







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