Algo que, com todo o preito, se assemelha à franciscana mentalidade do Major Domus, que decidiu vilipendiar a nossa honra e deitar ao mar astronómicas somas do nosso suor para edificar uma alta torre gémea de mimetismo. Tal como a nível nacional, na tua sapiente e saltitante âncora de berço não se vê nenhuma lavra no sentido de bem comum, para durar, ou tença coletiva ingentemente ovacionada pelo imo de cada sedutora alma dileta. Esta crónica-leveza é para ti, num advento que não mui tarda a despontar, com toda a inteireza de uma estrela no firmamento. Apesar disso, estás ungida, fresquinha e acantonada no topo de coroa da minha estima. Uso o único fetiche de que disponho, para te enlevar e mimosear. Encho-me de incenso, de intenso privilégio e regalia, na hora de te cantar e enaltecer. Vejo no espelho do devir a trilha do teu umbigo, traçada, redonda e circular. Nunca me desviei da tua adocicada e cativante centralidade.
Por Domingos Landim de Barros*
Chamo-me Sísifo Ali Jó, um nome áspero e brutal, contracenando com Ribeira de Candura e Milho Pula. Foi assim que me instrui e dei-me a mim, desde que me criei, no ato de batismo e de registo. Agora, um pouco na esteira do futurista António Nunes e da célebre figura de Manuel Lopes, sonho que um dia um novo galo vá cantar na minha Enseada. Por ora, tudo tosco e atabalhoado no meu floreado jardim de idílio. A cultura para trás, leviandade e prepotência para frente. Só irritante boçalidade, intrépida vaidade e nefanda bazofiaria sem substância. Por isso, é para ti esta memória, com toda a excelsitude de um aprumado varão de instância, oh minha Angra de uma sage ninfa-pupa e do resgate de degustante comida de olho! Não do tipo de oferenda ao larário da domus áurea, que alguns janotas e insanos bichos fátuos se recusam a honrar. Preferindo-se, antes pelo contrário, o desbastar do erário público em seu único proveito. Depois, tudo enleado no cultivo e curto deificar de ganância e de agiotagem.
Algo que, com todo o preito, se assemelha à franciscana mentalidade do Major Domus, que decidiu vilipendiar a nossa honra e deitar ao mar astronómicas somas do nosso suor para edificar uma alta torre gémea de mimetismo. Tal como a nível nacional, na tua sapiente e saltitante âncora de berço não se vê nenhuma lavra no sentido de bem comum, para durar, ou tença coletiva ingentemente ovacionada pelo imo de cada sedutora alma dileta. Esta crónica-leveza é para ti, num advento que não mui tarda a despontar, com toda a inteireza de uma estrela no firmamento. Apesar disso, estás ungida, fresquinha e acantonada no topo de coroa da minha estima. Uso o único fetiche de que disponho, para te enlevar e mimosear. Encho-me de incenso, de intenso privilégio e regalia, na hora de te cantar e enaltecer. Vejo no espelho do devir a trilha do teu umbigo, traçada, redonda e circular. Nunca me desviei da tua adocicada e cativante centralidade.
Sinto-me garboso e não tinhoso, na sacra lide de te invocar para exaltar. Do alto de Galeão a ir para o cume de Serrado, eu via tudo, tudo até o limite do infinito. Claro, com devido desconto que é mister dispensar a um imberbe. Desde a minha pura meninência, sempre me perscrutei feliz e contente a absorver-te toda, na integra postura, do cimo da Colina de Igualdade e do Cutelo de Eutimia. Com ampla prerrogativa de sumidade ou de pungente litania. Por vezes, na condição de majestoso fado alado, de implume e de ática prudência, mais para ti que para mim. A contemplar-te como súmula de bem na minha vista. Quero espairecer a apalpar-te com fineza e com esmero, tal que zeloso Adão de Deus à sua mística maçã do paraíso. Cortejar e conter-te toda, num relance, no úbere e alça da minha arte. Tinha um signo perene e árduo labor à frente, nos meus áureos idos de puerícia. Sou um monge que se bate por ideal, à causa da tua insofismável e insuprível raspa de prodígio na minha pele. Cola em mim o elo de vaticínio que te liga à minha gente.
Construi meu sonho de pequerrucho na labareda do teu poial e na barreira de horizonte da minha Ilha do Quinto Mês ou nas aquecidas proximidades dos candelabros de Monte Pardal, em noites de regalo, de folguedos e festanças. Oh minhas saudosas vizinhanças daquele então! Mesmo que apenas oculares de enzima me regaram e de muito rejubilo me enfartaram. Dessa busca saí imune e besuntado de motu próprio. De ultraje não vai morrer a minha igreja, nem os seus fiéis de frenética crença no futuro. Sou um ufano e vitalício homem de esquerda, sim, assumido, calejado e inveterado. Tenciono não esconder o pau da cobra. Se é isso que chateia, então que seja. Se nunca sequer me supuseram os embirrentos e facínoras alojados nas antípodas do espetro, não é agora que vou baloiçar atarantado e mudar de arena. Não! Ando na minha mão e não me deixo distrair. Canta o lado mais fraterno da minha verve, em prol de ti e da equidade.
Guardo ecos de lamúria do ser humano e as suas gritantes fragilidades. Detesto gigantescas barbaridades e guerras fratricidas entre os probos e selvagens marimbondos, os abastados carniceiros da ribalta que, com apoio dos seus mainatos e sicofantas, sipaios e corifeus, levam adiante. No assento norte do meu país, na distante Estrela da Tarde, ponho-me plácido e sereno a divisar o cambaleante e doirado tombar de sol. Gira, rodopeia, faz o pino e faz a finta. E lentamente desaparece, para o delírio dos mirones nacionais e dos turistas. É o mágico momento da minha vida, para insuflar oxigénio, retemperar as energias e respirar, bebendo da infinitude a bênção de tolerância. É o aliciante petisco de me dispor a ir, sempre entretido no embalo das virtudes do universo. E o meu estado de êxtase atinge o apogeu. Fico completamente em transe e derretido. Oh deslumbrante meditação! Aí sim, aí sou corrupto vadio e agradeço a ditadura do leviatã. Arengas e pelejas para lá da minha mente.
Sobra tão somente a edulcorante captura do meu ser. Deixo-me levar e obedeço o veredito do maioral. Fosse no tempo de José Carvalho Lente ou do Eminente Herculano Freire, eu não teria o nobre encargo de nimbar lugar algum. Porém, na falta de uma verdadeira Estrela Vega, estou aqui na minha sina, para tentar o que puder. Ó Leda estância da minha aguda alma crioula, a tua magnífica silhueta difunde o entusiasmo de todos os poros, de todos os botões de rosa de uma noiva adiada ainda. Afinal, o rapaz da Ribeira de Candura e Milho Pula, quando lambujado de enfeitiçante idealidade, é o mesmo que o do Mato sem Cachorro, da Colina de Igualdade e do Cutelo de Eutimia.
......
*Sou mesmo Sísifo Ali Jó







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