sábado, 13 junho 2026

A ATUALIDADE

Crioulidade: São Tomé e Príncipe e Guadalupe alertam para desafios das línguas crioulas e defendem reforço cultural

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São Tomé e Príncipe e a Região da Guadalupe destacaram hoje a importância da crioulidade e alertaram para desafios na preservação das línguas crioulas e património cultural, defendendo o reforço das políticas de valorização e transmissão intergeracional.

A posição foi expressa pela ministra da Educação, Cultura, Ciência e Ensino Superior de São Tomé e Príncipe, Isabel Viegas de Abreu, e pelo vice-presidente da Região da Guadalupe e presidente da Comissão de Cultura, Jean-Claude Nelson,

Ambos intervieram no painel “Crioulidade e suas especificidades: ‘Kriolidadi pa mi’”.

Integrado no segundo dia do Encontro Internacional da Crioulidade Atlântica, o evento decorre na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), na Cidade da Praia, até sábado, 30.

Na sua intervenção, Isabel Viegas de Abreu destacou a importância das línguas crioulas em São Tomé e Príncipe, forró, angolar, lung’ie e crioulo cabo-verdiano, como elementos centrais da identidade nacional, resistência histórica e afirmação cultural.

Apesar dos avanços registados, como a criação do alfabeto unificado, a introdução gradual das línguas no ensino e a produção de materiais pedagógicos e dicionários, a ministra reconheceu vários desafios, incluindo a predominância do português, a fraca documentação científica, a escassez de recursos e a diminuição do uso das línguas crioulas entre os jovens.

Defendeu, por isso, o reforço de políticas culturais, financiamento para projetos culturais, formação de professores, incentivo à investigação e maior envolvimento da juventude na preservação da cultura.

Isabel Viegas de Abreu ressaltou ainda o reconhecimento internacional do Tchiloli como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco, em 2025, e a classificação de São Tomé e Príncipe como Reserva Mundial da Biosfera, considerando estes marcos importantes para a valorização da identidade nacional.

Sublinhou que a crioulidade deve ser entendida como uma realidade viva e em transformação, essencial para o fortalecimento da identidade e da memória coletiva.

O vice-presidente da Região Guadalupe presidente da Comissão de Cultura, Jean-Claude Nelson, por sua vez, apontou a crioulidade como uma força viva de identidade, resistência e transformação social no espaço atlântico. 

“Quando uma língua desaparece, desaparece também uma forma inteira de pensar o mundo”, alertou.

O dirigente defendeu a valorização das línguas crioulas, a preservação do património cultural e o reforço da transmissão intergeracional como prioridades para as sociedades crioulas. 

Nelson apelou ainda à cooperação entre territórios crioulos e à promoção da diversidade como elemento central de desenvolvimento e coesão social.

Por seu lado, a representante das Nações Unidas, Patrícia Souza, destacou a crioulidade como uma força de transformação social, cultural e política, sublinhando o seu papel na promoção da inclusão, da diversidade e da justiça social.

A responsável considerou que em contextos globais marcados por tensões e exclusão a crioulidade surge como uma resposta afirmativa que valoriza a diferença como fonte de inovação e coesão social.

Defendeu ainda o reforço de políticas de inclusão, combate à discriminação e promoção da igualdade de oportunidades, destacando Cabo Verde como “laboratório de convivência, resiliência e inovação”.

 

A Semana com Inforpress

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