terça-feira, 16 junho 2026

A ATUALIDADE

Moçambique/Ataques: Cerca de 75% das mulheres em Cabo Delgado são analfabetas - ACNUR

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A Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados estimou em cerca de 75% a taxa de mulheres que não sabem ler nem escrever em Cabo Delgado, província do norte de Moçambique que enfrenta ataques armados desde 2017. 

A taxa geral de analfabetismo na população de Cabo Delgado é de 61% e, só entre as mulheres, estima-se que cerca de 75% não saibam ler nem escrever, refere-se numa nota do ACNUR a que a Lusa teve hoje acesso.

A agência avançou que com a elevada taxa de analfabetismo naquela província, os programas de educação para adultos são uma "promessa no horizonte".

"Graças ao programa Rede Instantânea de Escolas (INS, em Inglês) mais mulheres juntam-se às aulas em Pemba, provando que nunca é tarde para aprender", refere-se no documento.

O programa INS, lançado em 2021 pela ACNUR e a Fundação Vodafone, visa proporcionar uma educação digital de qualidade aos requerentes de asilo, refugiados e estudantes locais, tendo beneficiado quase 9 mil estudantes das 7.ª e 12.ª classes, 25 mil membros das suas famílias e mais de 200 professores só na província de Nampula.

Os mais recentes dados do Governo moçambicano indicam que quase 40% da população do país é analfabeta, sendo a taxa de analfabetismo de 49,4% entre as mulheres e 27,2% nos homens.

Desde outubro de 2017, Cabo Delgado, rica em gás, enfrenta uma rebelião armada com ataques reclamados por movimentos associados ao grupo extremista Estado Islâmico e as mulheres estão entre os mais afetados pelos conflitos que mergulharam a província numa crise humanitária e de segurança sem precedentes, segundo algumas organizações humanitárias.

O último grande ataque naquela província do norte do país deu-se em 10 e 11 de maio de 2024, na sede distrital de Macomia, com cerca de uma centena de rebeldes a saquearem a vila, provocando vários mortos e fortes combates com as Forças de Defesa e Segurança de Moçambique e militares ruandeses, que prestam apoio às FDS na região.

A Semana com Lusa

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