Apesar dos anteriores atrasos e das questões que ainda estão a ser debatidas, a CEDEAO planeia introduzir a moeda única, denominada eco, até julho de 2027. Divergências entre países tem sido um dos desafios.
"Não se pode ter uma moeda comum e um banco central comum, uma política monetária comum, sem se estar politicamente unido, sem ter politicamente o mesmo entendimento e concordar com o mesmo".Alguns Estados-Membros testemunharam grandes recessões económicas, como a Nigéria e o Gana, que sofreram uma inflação de dois dígitos nos últimos anos, levando a níveis recorde de dívida pública.Apesar destes contratempos, Akpeloo entende que a Nigéria e o Gana podem ser os dois melhores países para lançar inicialmente a moeda.
O plano para a nova moeda foi adotado em junho de 2019 para facilitar o comércio e a integração económica em toda a África Ocidental e servir como um meio de troca unificador.
Os planos para introduzir o eco em 2020 depararam-se com problemas significativos durante as fases iniciais de desenvolvimento, incluindo disparidades económicas entre os membros da CEDEAO, desafios fiscais, desacordos políticos, quedas de governos e instabilidade regional, sem mencionar a pandemia do coronavírus.
No entanto, as maiores questões são os desafios e as dúvidas sobre a integridade da própria Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), depois da saída do Burkina Faso, Mali e Níger em janeiro de 2024 - em resposta às sanções impostas após uma série de golpes militares nesses países.
Á DW, o economista ganês, Tsonam Akpeloo, explica que são estas diferenças que estão a impedir a implementação da moeda eco.
"Não se pode ter uma moeda comum e um banco central comum, uma política monetária comum, sem se estar politicamente unido, sem ter politicamente o mesmo entendimento e concordar com o mesmo".
Alguns Estados-Membros testemunharam grandes recessões económicas, como a Nigéria e o Gana, que sofreram uma inflação de dois dígitos nos últimos anos, levando a níveis recorde de dívida pública.
Apesar destes contratempos, Akpeloo entende que a Nigéria e o Gana podem ser os dois melhores países para lançar inicialmente a moeda.
Segundo este analista, "para que uma implementação política tão importante a nível regional ocorra, pode ser necessário um impulso significativo, e a Nigéria encaixa facilmente nesse critério. O Gana também está bastante estável neste momento".
Para além destes dois países, continua, "a Gâmbia tem sido fundamental para garantir que cumpre os critérios de convergência. Por isso, também incluiria a Gâmbia. Considero ainda Costa do Marfim como um país potencial para a implementação, porque tem uma economia bastante estável".
Lições a aprender com o euro
Para que a experiência da união monetária seja bem sucedida, terá de seguir o exemplo de vários Estados-Membros da União Europeia que introduziram o euro como moeda única há mais de 25 anos.
Isto é especialmente crucial a longo prazo, uma vez que se espera que as economias mais fortes da CEDEAO apoiem as economias mais fracas como parte de um mecanismo de solidariedade - especialmente em tempos de crise.
Fatou Elika Muloshi, correspondente da DW na Gâmbia, salienta que, no contexto da União Europeia, a Alemanha - a economia mais forte do bloco - teve de intervir sempre que as economias mais fracas do bloco não conseguiram "reunir as condições ideais para uma zona monetária boa".
"Esperamos o mesmo de grandes economias como o Gana e a Nigéria", disse.
Alguns membros da CEDEAO manifestaram a sua preocupação de que as economias maiores do bloco possam exercer mais influência sobre a moeda única, sinalizando isso como uma desvantagem.
"Voz mais forte para África"
Outros, no entanto, acreditam que, se o seu processo de implementação for bem-sucedido, a adoção do eco só poderá fortalecer a região como um todo, conferindo aos Estados-Membros da CEDEAO um papel mais importante no cenário geopolítico.
Akpeloo disse que a moeda poderia dar à comunidade uma voz mais forte em questões de comércio internacional e finanças. "Uma moeda unificada poderia permitir à CEDEAO desempenhar um papel mais importante na definição da posição coletiva de África em fóruns como o FMI, o Banco Mundial, a OMC", disse.
Para quando o lançamento do eco?
O presidente da CEDEAO, Omar Alieu Touray, anunciou no passado mês de julho, que a moeda única da África Ocidental será uma realidade nos próximos dois anos.
O líder da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental salientou, no entanto, que é necessário delinear critérios de convergência, e alguns desses critérios podem estar fora do controlo dos Estados-Membros, referindo-se aos pontos fortes e fracos dos desequilíbrios na CEDEAO.
Embora os detalhes para a implementação em 2027 ainda estejam a ser finalizados, espera-se que o lançamento do eco siga o seu plano original de 2019 e 2020, que inclui duas fases.
Primeiro, os Estados-Membros da Zona Monetária da África Ocidental - composta pela Gâmbia, Gana, Guiné, Libéria, Nigéria e Serra Leoa - deverão adotar o eco como moeda.
Na segunda fase, o eco fundir-se-ia com o franco CFA, que é atualmente utilizado por oito nações francófonas da África Ocidental dentro da União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA): Benim, Costa do Marfim, Guiné-Bissau, Senegal e Togo, bem como as três nações separatistas da CEDEAO: Mali, Níger e Burquina Faso.
Esta transição foi concebida para conceder aos países da UEMOA mais tempo para alcançarem a sua total independência fiscal e monetária da França, promovendo simultaneamente uma integração económica regional mais profunda no seio da CEDEAO.
A Semana com DW África
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