Em conferência de imprensa este domingo, o primeiro-ministro israelita defendeu que novo plano do exército israelita para conquistar a cidade de Gaza "não visa ocupar" a Faixa de Gaza. Benjamin Netanyahu argumentou que Israel "não tem outra opção" e que o avanço dos militares é "a melhor forma" e a "mais rápida" de acabar com o conflito. O chefe de Governo israelita procurou explicar, em conferência de imprensa a partir de Jerusalém, o polémico plano para tomar a maior cidade do enclave palestiniano que está a merecer ampla condenação internacional, incluindo de vários aliados.
Benjamin Netanyahu afirmou que o exército israelita já controla entre 70 a 75 por cento do território de Gaza, mas que há dois “redutos” centrais para a operação do Hamas, na cidade de Gaza e campos de refugiados no centro e sul. "Não temos outra opção senão terminar o trabalho", vincou.
“Ao contrário das falsas alegações, esta é a melhor forma de terminar a guerra e a melhor forma de a terminar rapidamente”, argumentou, defendendo que o plano "não visa ocupar Gaza, mas sim desmilitarizá-la",
Israel vencerá "com ou sem apoio"
Na passada sexta-feira, o gabinete de segurança de Israel esteve reunido para aprovar um plano que prevê a intensificação das operações militares com vista a permitir que o exército israelita possa assumir o controlo da cidade de Gaza.
Este plano prevê o estabelecimento de uma "zona de segurança na fronteira de Gaza com Israel" para evitar "futuras incursões terroristas", afirmou Netanyahu.
Para além da libertação dos reféns e do desarmamento do Hamas, o primeiro-ministro israelita vê o "dia seguinte" com uma "administração civil em Gaza" que viva "em paz com Israel".
Já este domingo, num comunicado conjunto, Portugal e sete outros países europeus condenaram o plano anunciado por Israel de ocupar a cidade de Gaza.
Num documento citado pela agência Efe, Espanha, Islândia, Irlanda, Luxemburgo, Malta, Noruega, Portugal e Eslovénia rejeitam categoricamente "qualquer mudança demográfica ou territorial no Território Palestiniano Ocupado" e alertam que as ações nesse sentido "constituem uma violação flagrante do direito internacional e do direito internacional humanitário".
A operação anunciada por Benjamin Netanyahu, que inclui a tomada da cidade de Gaza, só causará, denunciam, "um número inaceitavelmente elevado de vítimas mortais e a deslocação forçada de quase um milhão de civis palestinianos".
Os países subscritores alertam ainda que intensificar a ofensiva militar israelita e ocupar a cidade de Gaza representa "um enorme obstáculo à aplicação da solução de dois Estados".
Vários países, incluindo Portugal, França e Canadá, admitiram a possibilidade ou anunciaram mesmo que vão reconhecer o Estado da Palestina já em setembro, mês em que a Assembleia Geral das Nações Unidas se reúne em Nova Iorque.
Também nas Nações Unidas, o Conselho de Segurança tem este domingo uma reúnião de emergência para abordar o plano israelita que prevê a ocupação militar da cidade de Gaza ao cabo de 22 meses de conflito na sequência do ataque do Hamas, a 7 de outubro de 2023.
Não obstante o coro internacional de críticas e condenações, o primeiro-ministro israelita prometeu este domingo que o país "vencerá a guerra" em Gaza "com ou sem o apoio" de outros.
Reféns, os únicos a morrer "deliberadamente" à fome
O primeiro-ministro israelita garantiu que as forças israelitas vão permitir à população civil “que saia em segurança das áreas de combate para zonas seguras designadas”.
Benjamin Netanyahu refutou ainda as acusações sobre a falta de ajuda humanitária. “Desde o início da guerra, Israel permitiu a entrada de quase dois milhões de toneladas de ajuda humanitária. Não conheço nenhum outro exército que tenha permitido que tal ajuda fosse enviada à população civil em território inimigo”, afirmou.
“Se tivéssemos uma política de fome, ninguém em Gaza teria sobrevivido após dois anos de guerra. Mas a nossa política tem sido exatamente o oposto”, acrescentou.
Acusou o Hamas de "criar deliberadamente escassez" na Faixa de Gaza, ao saquear "violentamente" camiões que se destinavam à população civil.
"As únicas pessoas que estão a morrer de fome deliberadamente em Gaza são os nossos reféns", apontou.
Benjamin Netanyahu prometeu este domingo "designar corredores protegidos" para a distribuição de ajuda e aumentar o número de locais de distribuição da Fundação Humanitária de Gaza (GHF).
A polémica fundação privada é apoiada pelos Estados Unidos e Israel e tem distribuído alimentos no enclave em condições caóticas. Segundo dados da ONU no final de junho, mais de 400 morreram em apenas um mês junto aos locais de distribuição desta fundação.
A Semana com RTP
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