segunda-feira, 28 setembro 2026

I Internacional

Jovens ativistas africanos subscrevem carta aos governos contra casamento de crianças

Jovens ativistas de vários países africanos assinaram uma carta aberta aos governos e organizações apelando a uma ação conjunta contra os casamentos de crianças, obrigam sobretudo as raparigas a abandonarem a escola e a arruinarem a sua infância.

"O casamento infantil oferece apenas privação, submissão, violência e servidão. As crianças, e especialmente as raparigas afetadas, abandonam frequentemente a escola, privando-as de futuras oportunidades económicas e de aprendizagem", lê-se na carta, assinada por Dola do Bangladesh, Exildah da Zâmbia, Lamia da Bolívia, Mary do Gana, Tejan da Serra Leoa e Whytiny do Quénia.

Os signatários, com idades entre os 16 e 18 anos e provenientes de África, dizem que se trata de um problema "horrível" que ocorre principalmente naquele continente e, portanto, acreditam que são necessárias medidas para "proteger as crianças", como foi hoje relatado pela Organização Não Governamental (ONG) Visão Mundial.

De acordo com dados fornecidos por esta organização, em 2020 registou-se o maior aumento nas taxas de casamento infantil em 25 anos. Além disso, prevê-se que até 2030 haverá mais 110 milhões de raparigas casadas que "enfrentarão um futuro sombrio de violações recorrentes, abusos e violência doméstica".

"Ninguém tem o direito de arruinar as nossas vidas; os filhos são o presente e o futuro, e o futuro não pode ser garantido dentro de quatro paredes quando uma rapariga se casa", declaram os jovens na carta.

Apelam aos governos para que proíbam todos os casamentos de crianças com menos de 18 anos, em todos os países do mundo.

Exigem também uma proibição do casamento de raparigas com o consentimento parental, porque "isto coloca-as em grande risco, pois em muitas comunidades rurais as pessoas respeitam mais a liderança consuetudinária do que a lei nacional e continuam a casar os seus filhos".

Outras exigências incluem a capacitação de raparigas e rapazes "para serem corajosos e ousarem denunciar casamentos de crianças às autoridades locais" e para deixarem de ver as raparigas como um fardo e o casamento de crianças como uma solução para acabar com a pobreza, porque "ambos não são verdadeiros".

Proporcionar mais e melhor educação às raparigas e mantê-las na escola é outra exigência que os jovens fazem na carta.

"Queremos que os nossos governos controlem e façam cumprir as leis que protegem os direitos das crianças. Acabar com o casamento infantil é o nosso compromisso mais arrojado e devemos concentrar-nos em alcançá-lo o mais rapidamente possível", conclui a carta.

A Semana com Lusa

Colunistas

Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
  Filomena foi uma jornalista de gabarito, dotada de um...
José Rodrigues
José Rodrigues
07 Sep. 2026
Cabo Verde na Vanguarda da Nova Economia:...
A indicação do líder da operadora concessionária deve basear-se...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
A cultura do ódio trazida para a vida pública...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...
Relevar dignidade deste país é fazer com que o...
Tony Miranda
Tony Miranda
21 Aug. 2026
A Inflação do Prestígio: Como a Obsessão...
Esta inflação sistémica de títulos está longe de ser...
Péricles Tavares
Péricles Tavares
03 Aug. 2026
Editorial Analítico — A Década de Conflito...
A política cabo-verdiana viveu, nos últimos dez anos, uma...

Comentários

joão do rosário
22 dias atrás 6 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
23 dias atrás 23 horas atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
26 dias atrás 5 horas atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...