quarta-feira, 30 setembro 2026

E Economia

Renault-Nissan é fusão que França quer acelerar, mais que Japão

A França voltou a repetir esta semana, em Tóquio, o seu interesse na fusão Renault -Nissan enquanto o Japão faz arrastar o processo que integra a "atípica aliança" Renault-Nissan-Mitsubishi. A fusão das três marcas automobilísticas, idealizada pelo franco-líbano-brasileiro Carlos Ghosn, poderá estar por trás da detenção deste, acionada pela japonesa Nissan ao seu até então ’imperador’ que salvara a marca da falência.

Analistas económicos sugerem que a delegação governamental integrando o diretor-geral da marca francesa escolhido pelo governo, Martin Vial, enviada a Tóquio, no mês seguinte ao encontro em Paris entre Macron e Shinzo Abe, visa exercer pressão para que o governo japonês aceite a fusão entre a Renault SA e a Nissan Motor Co, ambas com participação dos respetivos Estados, mas em que a marca francesa está em clara vantagem.

A desigual participação, em que a Renault SA detém 43% da Nissan Motor Co enquanto esta apenas detém 15% da Renault, é, segundo analistas económicos da Bloomberg, um foco de tensão entre os dois Estados. E a situação prisional de Ghosn, como os media têm divulgado desde novembro, reforça as denúncias de conspiração entre a poderosa indústria japonesa e o sistema judicial do país.

A saga judiciária de Ghosn, como descrita nos media que citam analistas económicos e de outras áreas e de diversas procedências, põe em xeque o sistema judicial nipónico, que, em nome da tradição cultural, faz tábua-rasa dos procedimentos "corretos" defendidos na justiça ocidental.

Carlos Ghosn, notável empresário nascido no Brasil em 1954, "presidente da aliança" das três marcas acima referidas até as duas marcas japonesas o demitirem, quatro dias depois de ser detido. Desde essa detenção, no dia 19 de novembro e confirmada pelo tribunal a 22, o trinacional Ghosn viu recusados todos os seus pedidos de saída da prisão, em Tóquio.

Sem apelo, sem direito a receber os diplomatas do Brasil, França e Líbano, Ghosn é "prisioneiro do sistema de justiça japonês", que "o mantém sujeito aos caprichos da acusação", em "condições draconianas de detenção e interrogatório", "que degradam os seus direitos humanos", como a esposa Carole Ghosn denunciou, em carta de nove páginas, apelando ao HRW-Observatório de Direitos Humanos, datada de 28 último.

A esposa de Ghosn obteve já o apoio da HRW-Observatório de Direitos Humanos: em 10 último, um artigo de opinião assinado por Brad Adams, que dirige a delegação Ásia Pacífico da ONG, a pedir justiça.

O articulista denuncia "o sistema japonês de justiça que mantém reféns os acusados, permite deter suspeitos por longos períodos em condições duras para extrair-lhes confissões" e exorta o Japão "a modernizar o seu sistema de justiça penal, se quiser viver de acordo com a sua reputação de democracia das mais avançadas do mundo". 

Fontes: Japan Times/Bloomberg/Le Monde. Foto: O casamento de Carole e Carlos Ghosn em 2016 reuniu no palácio de Versalhes, Paris, 120 convidados (com uma fatura salgada que a Nissan pagou). O presidente (em francês, PDG) da Renault e Nissan justificou a escolha: "Se os tivesse convidado para outro lugar, podiam não vir, ao convidá-los para o palácio de Marie-Antoinette estava certo de que viriam todos". Será que o casal Ghosn sabe o destino do último casal real que habitou Versalhes?

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Comentários

joão do rosário
23 dias atrás 22 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
25 dias atrás 15 horas atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
27 dias atrás 21 horas atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...