Fonte daquela Organização Não-Governamental (ONG) explicou hoje à Lusa que o projeto, que decorreu até 2023, visava ainda travar a “marginalização da rapariga e da pessoa com deficiência”, que “continuam a ser um desafio nas zonas rurais”, tornando a “escola livre de violência”.
O “pilar central da teoria de mudança”, defendeu a ONG, foi “o estabelecimento de parcerias como meio de colaborar com os vários parceiros” no terreno, incluindo as autoridades, “para partilhar conhecimentos, influenciar os outros e construir a capacidade para assegurar que os Direitos da Crianças sejam cumpridos”.
Hoje assinala-se precisamente o Dia Internacional da Não Violência e da Paz, nas escolas, daí a pertinência do projeto realizado pela Save the Children nos últimos anos nos distritos de Machaze, Manica, Macossa, e Tambara.
O projeto passou pela “capacitação” de professores e grupos comunitários “em disciplina positiva e alternativas aos castigos corporais”, para “abandonarem o uso de métodos pouco convencionais no ensino”, tornando as escolas “em lugares agradáveis para os alunos e reduzir a taxa de desistências devido a maus-tratos”.
O projeto “Leaving No Child Behind” - Não deixar nenhuma criança para trás -, abrangeu 115 escolas primárias e sete escolas secundárias de Manica, alcançando 166.811 crianças, “dentro e fora” das escolas, incluindo 1.238 portadoras de deficiência, e 10.716 adultos, entre professores, membros dos Comités Comunitários de Proteção da Criança, Conselhos Escolares, Comités Escolares de Emergência Básica e de plataformas da sociedade civil.
Visou essencialmente a “educação primária” no ambiente escolar, criando “um ambiente amigável, inclusivo, seguro e propício a melhores resultados de aprendizagem para as crianças”, nomeadamente de “comunidades desfavorecidas e marginalizadas, incluindo as crianças que vivem com deficiência e que não frequentam a escola”.
“Os resultados revelaram que a percentagem de crianças que permanecem nas 115 escolas primárias apoiadas pelo projeto aumentou em 7%, ou seja, de 90% para 97%”, detalhou, acrescentando que os resultados “evidenciam que 96% de raparigas e mães jovens retornaram à escola depois de abandonar devido a gravidez precoce e uniões prematuras, contra 20% na linha de base”.
“Estes resultados foram possíveis de alcançar com as intervenções baseadas na implementação do currículo ‘Nós e o Nosso Primeiro Bebé’ complementada com as visitas domiciliárias realizadas pelas parteiras tradicionais”, explicou a fonte, sublinhando a articulação alcançada com as escolas.
Também “aumentou o acesso e a permanência das crianças na escola” e cresceu o número de alunos matriculados, de 75.881 para 95.788, enquanto os novos ingressos aumentaram 26,2%, equivalente a 19.907 crianças que entraram pela primeira vez naquelas escolas. Houve igualmente incremento de crianças com deficiência, de 1.172 para 2.770.
“Melhorou a qualidade da aprendizagem das crianças. Os resultados mostram um aumento de 9% para 23% na compreensão e interpretação de textos, quase o mesmo nível de proficiência em numeracia, que ficou nos 24%”, destacou.
A percentagem de assiduidade dos professores nestas escolas passou de 67% para 86%, através de “esforços adicionais” para “reduzir o absentismo”, com formação de gestores de escolas sobre gestão escolar, transparência e responsabilidade, entre outros, como a realização de campanhas "devolver as escolas às comunidades".
“Possibilitaram maior engajamento da comunidade na monitoria da assiduidade dos professores e, como resultado, a assiduidade dos professores aumentou em 19%”, afirmou a ONG.
Com o apoio de quatro organizações locais, os “esforços” de formação foram “desenvolvidos numa perspetiva integrada e tendo como foco principal a educação básica”, definindo a escola como “centro de aprendizagem, onde todas as intervenções temáticas se cruzaram para garantir que as crianças aprendam e estejam seguras, participem e desenvolvam num ambiente de qualidade e seguro dentro e fora da escola”.
“Pela primeira vez, os alunos surdos terminaram o ensino básico com a capacidade de ler com os olhos e falar com as mãos. Esta aprendizagem abriu-lhes oportunidades de participação e competência em feiras de leitura promovidas pela escola e pela comunidade”, sublinhou a Save the Children.
A Semana com Lusa

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