domingo, 14 junho 2026

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Debate na RTC: Líder do PAICV clarifica que vai cortar gorduras do Estado para financiar acesso grátis a saúde, ensino universitário, formação profissional e passagens marítimas e aéreas  

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 A prestação do presidente do PAICV no debate de sexta-feira realizado pela RTC, com os restantes líderes partidários, atingiu o seu clímax na fase final, ao esclarecer de forma clara onde irá buscar o dinheiro para financiar o acesso grátis a saúde, ao ensino universitário e a formação técnico-profissional, bem como  para fixar as passagens interilhas marítimas em 500$00 e aéreas por 5000$00. Francisco Carvalho (FC) asseverou que, caso for eleito primeiro-ministro de Cabo Verde nas eleições de 17 de Maio, vai cortar naquilo que considera ser “as gorduras do Estado”, dispensando gastos demasiados altos e desnecessários para resolver as necessidades mais prementes dos cabo-verdianos. 

 “Temos uma longa lista de gorduras do Estado. A ideia de cortar nas gorduras do Estado vai de encontro àquilo   que os cabo-verdianos reclamam já dura muito tempo.  Garanto que não vou governar Cabo Verde dando ar de luxo, sabendo que temos muitos cabo-verdianos com problemas de saúde, pais e estudantes com problemas de pagar propinas. Temos de governar Cabo Verde com respeito e foco na dignidade dos cidadãos”, conclui Francisco de Carvalho durante o debate na RTC, dissipando assim dúvidas sobre como conseguir recursos para implementar as medidas anunciadas.

 

O político dissipou as dividas de forma firme. Respondendo os questionamentos dos líderes, nomeadamente por parte do Presidente do MpD e PM Ulisses Correia Silva, para explicar onde vai buscar recursos financeiros para garantir a gratuitidade do ensino superior e formação profissional, a saúde e  baixa nas passagens marítimas e aéreas interilhas, Francisco Carvalho esclareceu que vai cortar naquilo que apelidou de  gorduras do Estado. Precisou, entre outros exemplos, cortar nos seguintes gastos, conforme o Orçamento Geral do Estado (OGE):

  1. Nas deslocações/estadias. Temos, segundo ele, mais de um mil milhão de escudos para “spadja pé” e rondar o mundo em passeios. Disse que vai cortar isto. Avisou que os membros do futuro governo do PAICV sabem que vão realizar menos viagens.
  2. Na indemnização compensatória para transportes. São cerca de 2 milhões de escudos por dia que, conforme ele, o governo do MpD anda a delapidar e lançar ao mar.
  3. Na assistência técnica residentes, em que temos mais de 3 mil milhões de escudos de gastos anuais. O candidato do MpD questionou, segundo a conta que apresentou, que são necessários cerca de 3 mil milhões de escudos para financiar o acesso grátis a saúde. Para Carvalho, basta cortar essa verba para financiar a saúde.
  4. Na assistência técnica não residentes, gastamos, acrescentou, mais de um mil milhão de escudos, conforme o OGE.
  5. Temos ainda a questão dos honorários. Segundo FC, cerca de 900 mil contos são gastos anualmente.

 “Temos uma longa lista de gorduras do Estado. A ideia de cortar nas gorduras do Estado vai de encontro àquilo   que os cabo-verdianos reclamam já dura muito tempo.  Garanto que não vou governar Cabo Verde dando ar de luxo, sabendo que temos muitos cabo-verdianos com problemas de saúde, pais e estudantes com problemas de pagar propinas. Temos de governar Cabo Verde com respeito e foco na dignidade dos cidadãos”, conclui Francisco de Carvalho durante o debate na RTC, dissipando assim dúvidas sobre como conseguir recursos para implementar as medidas anunciadas.

 

Momentos mais críticos

 

O debate na RTC, que durou cerca de 3 horas, entre os lideres partidários (MpD, Ulisses Correia e Silva), Francisco Carvalho (PAICV), João Santos (UCID), Amândio Vicente (PP) e Jónica Brito(PTS) conheceu momentos mais críticos.

Um deles foi quando Ulisses Correia Silva, também Primeiro-ministro cessante, interpelou, por várias vezes, Francisco Carvalho a explicar onde vai sair com dinheiro para garantir acesso grátis a saúde, ensino superior e formação profissional, além da baixa nos preços de bilhetes de passagens aéreas e marítimas interilhas. Mas Carvalho só veio esclarecer estes questionamentos no final do debate, conforme acima referido.

A pergunta do líder do PP se o presidente do MpD e primeiro-ministro dorme em paz, perante os mais de 1 milhão de contos gastos no mercado de Coco e as indemnizações compensatórias exigidas por CVInterilhas na sequência da decisão do Tribunal da Arbitragem foi um outro momento alto do debate.  Ulisses esclareceu, entre outros aspetos, que o mercado do Coco não avançou por birra do atual presidente da Câmara de Praia. Sobre o caso CVInterilhas, disse que o processo está a depender do recurso interposto junto do Supremo Tribunal da Justiça.

Foi também altura quente do debate quando o líder da UCID perguntou ao presidente do PP o que acha da prisão do advogado e deputado Amadeu Oliveira e da justiça cabo-verdiana. De entre outros aspetos, Amândio falou do estado crítico da Justiça, da alegada prisão ilegal de Amadeus, da não justiça e da morosidade judicial.

Um outro momento alto de debate aconteceu quando a presidente do PTS, Jónica Brito, questionou o primeiro-ministro cessante e líder do MpD porque até agora não se conseguiu consenso para eleger os órgãos externos da Assembleia Nacional. Ulisses Correia respondeu que tudo se deveu a não conclusão da definição  dos critérios para escolha dos membros que ficou pelo caminho, devido a mudanças na liderança parlamentar do PAICV  que inviabilizou o processo.

 

Revelação e continuidade

 

Perante as câmaras da TV aconteceu também uma revelação: apesar de estreante na política, Jónica Brito se destacou pela sua prestação durante o debate televisivo, enfrentando sobretudo os líderes dos partidos do arco do poder – PAICV e MpD. De entre outros aspetos, desafiou que os jovens estão cansados com as políticas desses dois partidos que governaram Cabo Verde nesses 50 anos da independência.   

Já Ulisses Correia e Silva mostrou-se, como era de esperar enquanto chefe do governo cessante, o domínio sobre as diversas áreas da governação. Mas perdeu o brilho por não revelar novidades no seu programa eleitoral -  vai ser praticamente continuidade das atuais políticas da governação do MpD.

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