A prestação do presidente do PAICV no debate de sexta-feira realizado pela RTC, com os restantes líderes partidários, atingiu o seu clímax na fase final, ao esclarecer de forma clara onde irá buscar o dinheiro para financiar o acesso grátis a saúde, ao ensino universitário e a formação técnico-profissional, bem como para fixar as passagens interilhas marítimas em 500$00 e aéreas por 5000$00. Francisco Carvalho (FC) asseverou que, caso for eleito primeiro-ministro de Cabo Verde nas eleições de 17 de Maio, vai cortar naquilo que considera ser “as gorduras do Estado”, dispensando gastos demasiados altos e desnecessários para resolver as necessidades mais prementes dos cabo-verdianos.
“Temos uma longa lista de gorduras do Estado. A ideia de cortar nas gorduras do Estado vai de encontro àquilo que os cabo-verdianos reclamam já dura muito tempo. Garanto que não vou governar Cabo Verde dando ar de luxo, sabendo que temos muitos cabo-verdianos com problemas de saúde, pais e estudantes com problemas de pagar propinas. Temos de governar Cabo Verde com respeito e foco na dignidade dos cidadãos”, conclui Francisco de Carvalho durante o debate na RTC, dissipando assim dúvidas sobre como conseguir recursos para implementar as medidas anunciadas.
O político dissipou as dividas de forma firme. Respondendo os questionamentos dos líderes, nomeadamente por parte do Presidente do MpD e PM Ulisses Correia Silva, para explicar onde vai buscar recursos financeiros para garantir a gratuitidade do ensino superior e formação profissional, a saúde e baixa nas passagens marítimas e aéreas interilhas, Francisco Carvalho esclareceu que vai cortar naquilo que apelidou de gorduras do Estado. Precisou, entre outros exemplos, cortar nos seguintes gastos, conforme o Orçamento Geral do Estado (OGE):
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Nas deslocações/estadias. Temos, segundo ele, mais de um mil milhão de escudos para “spadja pé” e rondar o mundo em passeios. Disse que vai cortar isto. Avisou que os membros do futuro governo do PAICV sabem que vão realizar menos viagens.
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Na indemnização compensatória para transportes. São cerca de 2 milhões de escudos por dia que, conforme ele, o governo do MpD anda a delapidar e lançar ao mar.
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Na assistência técnica residentes, em que temos mais de 3 mil milhões de escudos de gastos anuais. O candidato do MpD questionou, segundo a conta que apresentou, que são necessários cerca de 3 mil milhões de escudos para financiar o acesso grátis a saúde. Para Carvalho, basta cortar essa verba para financiar a saúde.
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Na assistência técnica não residentes, gastamos, acrescentou, mais de um mil milhão de escudos, conforme o OGE.
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Temos ainda a questão dos honorários. Segundo FC, cerca de 900 mil contos são gastos anualmente.
“Temos uma longa lista de gorduras do Estado. A ideia de cortar nas gorduras do Estado vai de encontro àquilo que os cabo-verdianos reclamam já dura muito tempo. Garanto que não vou governar Cabo Verde dando ar de luxo, sabendo que temos muitos cabo-verdianos com problemas de saúde, pais e estudantes com problemas de pagar propinas. Temos de governar Cabo Verde com respeito e foco na dignidade dos cidadãos”, conclui Francisco de Carvalho durante o debate na RTC, dissipando assim dúvidas sobre como conseguir recursos para implementar as medidas anunciadas.
Momentos mais críticos
O debate na RTC, que durou cerca de 3 horas, entre os lideres partidários (MpD, Ulisses Correia e Silva), Francisco Carvalho (PAICV), João Santos (UCID), Amândio Vicente (PP) e Jónica Brito(PTS) conheceu momentos mais críticos.
Um deles foi quando Ulisses Correia Silva, também Primeiro-ministro cessante, interpelou, por várias vezes, Francisco Carvalho a explicar onde vai sair com dinheiro para garantir acesso grátis a saúde, ensino superior e formação profissional, além da baixa nos preços de bilhetes de passagens aéreas e marítimas interilhas. Mas Carvalho só veio esclarecer estes questionamentos no final do debate, conforme acima referido.
A pergunta do líder do PP se o presidente do MpD e primeiro-ministro dorme em paz, perante os mais de 1 milhão de contos gastos no mercado de Coco e as indemnizações compensatórias exigidas por CVInterilhas na sequência da decisão do Tribunal da Arbitragem foi um outro momento alto do debate. Ulisses esclareceu, entre outros aspetos, que o mercado do Coco não avançou por birra do atual presidente da Câmara de Praia. Sobre o caso CVInterilhas, disse que o processo está a depender do recurso interposto junto do Supremo Tribunal da Justiça.
Foi também altura quente do debate quando o líder da UCID perguntou ao presidente do PP o que acha da prisão do advogado e deputado Amadeu Oliveira e da justiça cabo-verdiana. De entre outros aspetos, Amândio falou do estado crítico da Justiça, da alegada prisão ilegal de Amadeus, da não justiça e da morosidade judicial.
Um outro momento alto de debate aconteceu quando a presidente do PTS, Jónica Brito, questionou o primeiro-ministro cessante e líder do MpD porque até agora não se conseguiu consenso para eleger os órgãos externos da Assembleia Nacional. Ulisses Correia respondeu que tudo se deveu a não conclusão da definição dos critérios para escolha dos membros que ficou pelo caminho, devido a mudanças na liderança parlamentar do PAICV que inviabilizou o processo.
Revelação e continuidade
Perante as câmaras da TV aconteceu também uma revelação: apesar de estreante na política, Jónica Brito se destacou pela sua prestação durante o debate televisivo, enfrentando sobretudo os líderes dos partidos do arco do poder – PAICV e MpD. De entre outros aspetos, desafiou que os jovens estão cansados com as políticas desses dois partidos que governaram Cabo Verde nesses 50 anos da independência.
Já Ulisses Correia e Silva mostrou-se, como era de esperar enquanto chefe do governo cessante, o domínio sobre as diversas áreas da governação. Mas perdeu o brilho por não revelar novidades no seu programa eleitoral - vai ser praticamente continuidade das atuais políticas da governação do MpD.







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