domingo, 14 junho 2026

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“Angola em paz, mas com crise profunda”: os desafios da visita do Papa Leão XIV

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A visita do Papa Leão XIV a Angola, deste sábado(18) a 21 de Abril, insere-se num périplo africano que inclui várias etapas e que, no caso angolano, passará por Luanda, Muxima e Saurimo. A deslocação é encarada pelas autoridades e pela Igreja como um momento de grande mobilização espiritual e social. Em entrevista à RFI, Dom José Manuel Imbamba, arcebispo de Saurimo e presidente da CEAST, sublinha que o Sumo Pontífice "vai encontrar uma Angola em paz”, “embora a atravessar uma crise económica, social e cultural muito profunda e que está a afectar o próprio desenvolvimento das famílias”.

Em entrevista à RFI, Dom José Manuel Imbamba, arcebispo de Saurimo e presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e Príncipe (CEAST), afirmou que “toda a comunidade cristã, e não só, está entusiasmada e galvanizada para acolher o Santo Padre. E em termos logísticos, as condições estão todas criadas. (...) Estamos prontos para acolher condignamente o Santo Padre.

Esta será a terceira visita de um Papa a Angola, depois de João Paulo II em 1992 e Bento XVI em 2009. Para Dom José Manuel Imbamba, o país que agora se prepara para receber Leão XIV é diferente. “Vai encontrar uma Angola em paz”, “embora actualmente o país esteja a atravessar uma crise económica, social e cultural muito, muito profunda e que está a afectar e de que maneira, o próprio desenvolvimento das famílias e a realização dos seus sonhos.

O arcebispo considera que a presença do Papa terá um impacto espiritual importante: “O Papa trará a sua palavra de conforto, de esperança e de encorajamento para que todos nós nos empenhemos na construção de uma Angola mais irmanada, uma Angola mais reconciliada.

A visita do Papa Leão XIV inclui três locais distintos: Luanda, Muxima e Saurimo. Para Dom José Manuel Imbamba, a escolha resulta da dinâmica pastoral do país. “Luanda é a capital política, a capital religiosa. Era incontornável”. Já o Kilamba, onde será celebrada uma missa campal, foi escolhido pela sua capacidade de acolhimento: “uma localidade urbana muito jovem, muito nova e dinâmica e que está a crescer e é o local que ofereceu o melhor espaço para acolher as milhares de pessoas.

 

Sobre a Muxima, destacou o peso espiritual: “um santuário mariano, o coração de Angola em termos de espiritualidade mariana”, um espaço “secular que conhece vivências muito fortes”.

Quanto a Saurimo, sublinha o carácter simbólico da visita ao interior do país: “nunca tinham visitado o Leste e por isso achamos por bem que era a altura de o Santo Padre também vir conhecer esta realidade”, de uma região ricas em recursos naturais, mas que contrasta com a pobreza das comunidades.

Para o arcebispo, a visita também deve ser entendida como um sinal para o país no seu todo. “As oportunidades devem ser iguais para todos. As realizações devem se fazer sentir em todas as partes”. E acrescenta: “é um chamariz muito importante, o país é um todo”, sublinhando a importância das periferias e das zonas menos desenvolvidas.

Sobre o possível aproveitamento político da visita, Dom José Manuel Imbamba é claro: “É inevitável numa sociedade como a nossa, é normal que os partidos tirem os seus proveitos. O mais importante é termos a figura espiritual do Santo Padre para nos unir.

Quanto ao financiamento da visita, o arcebispo explica que há uma partilha de responsabilidades: “há uma partilha de custos por parte da própria Santa Sé, do Estado angolano que acolhe e da Igreja angolana que acolhe”. Acrescenta, ainda, a participação da sociedade: “há uma mobilização dos próprios fiéis, dos empresários, dos amigos que se solidarizam com estas causas”.

A Semana com RFI

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