domingo, 14 junho 2026

C CULTURA

Papa Leão XIV nos Camarões: "Envolver os líderes religiosos na mediação política"

Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa
 

África é um continente fundamental para a Igreja Católica, com mais de 288 milhões de fiéis. Mas a viagem do Papa também tem valor político, atuando como um contrapeso à política agressiva de Donald Trump.

 

Após os ataques de Donald Trump, que apelidou o Papa de "fraco" e "mau em política externa", a viagem a África pretende reforçar a centralidade do continente para a política do Vaticano, mas sobretudo sublinhar uma forma diferente de conduzir a diplomacia internacional.

 

Prossegue a viagem apostólica em África do Papa Leão XIV, que, depois da Argélia, se deslocou na quarta-feira aos Camarões, na capital Yaoundé.

 

Esta é a segunda paragem da viagem de dez dias do Papa a África, que o levará também a Angola e à Guiné Equatorial, até 23 de abril.

"Envolver os líderes religiosos na mediação política"

Ao chegar à capital Yaoundé, o líder da Igreja Católica encontrou-se com o presidente, Paul Biya, com o primeiro-ministro dos Camarões, Joseph Dion Ngute, e com o corpo diplomático.

No palácio presidencial da capital, ao lado de Biya, o líder do país, de 92 anos, o Papa Leão repetiu os seus apelos contra a guerra e a radicalização.

"O mundo tem sede de paz [...]. Chega de guerras, com os seus dolorosos montes de morte, de destruição, de exílios!", disse o Pontífice. "A paz não se decreta: é acolhida e vivida. É um dom de Deus, que se desenvolve num trabalho paciente e coletivo. É da responsabilidade de todos, antes das autoridades civis". 

Prevost apelou também ao envolvimento dos líderes religiosos na diplomacia e na mediação política, uma vez que "as tradições religiosas, quando não distorcidas pelo veneno do fundamentalismo, inspiram profetas da paz, da justiça, do perdão e da solidariedade".

"Ao promover o diálogo inter-religioso e ao envolver os líderes religiosos em iniciativas de mediação e reconciliação, a política e a diplomacia podem recorrer a forças morais capazes de acalmar as tensões, prevenir a radicalização e promover uma cultura de estima e respeito mútuos".

Já durante o voo da Argélia para Yaoundé,o Pontífice tinha sublinhado a importância do diálogo inter-religioso como fonte de inspiração para a estabilidade internacional. Referindo-se à visita à Grande Mesquita de Argel, disse: "Embora tenhamos crenças diferentes, modos de rezar e de viver diferentes, podemos, no entanto, viver juntos em paz".

"Promover esta imagem é algo que o mundo precisa, hoje em dia, e algo que podemos continuar a oferecer com o nosso testemunho ao continuarmos esta viagem apostólica", indicou.

O Papa lançou, também, um alerta para a defesa dos direitos humanos num mundo cada vez mais centrado na segurança. "A segurança é uma prioridade, mas deve ser sempre exercida no respeito pelos direitos humanos, combinando rigor e magnanimidade, com particular atenção aos mais vulneráveis".

Leão XIV visita Bamenda

Na quinta-feira, o Papa Leão visitou Bamenda, no noroeste dos Camarões. Na fronteira com a Nigéria, a área tem sido afetada pelo conflito entre o governo central e os separatistas "Amba Boys" durante anos. Em 2017, grupos paramilitares independentistas anunciaram o nascimento do "Estado Federal da Ambazónia". Desde então, a região mergulhou no caos, com milhares de mortos, deslocados e raptos.

A violência tem afetado a comunidade católica, com vários padres raptados pelos Amba Boys, enquanto o Vaticano tem tentado promover o diálogo, mas com poucos resultados.

África tem 288 milhões de católicos

A Igreja Católica é uma potência demográfica em África.O continente alberga um quinto da população católica mundial, cerca de 288 milhões de pessoas. Em 2013, eram 185 milhões. O número está a aumentar, não só devido ao "boom" demográfico na região, mas também devido às atividades humanitárias e de mediação promovidas pelo Vaticano.

Não é por acaso que o Pontífice tem dado grande prioridade à região, visitando-a antes mesmo da América do Sul, onde passou 20 anos.

Com paragens em onze cidades, quatro países e 18.000 quilómetros, Leão XIV investe num dos teatros mais estratégicos para o catolicismo no mundo.

Para além do seu valor estratégico, o périplo em Áfricaconfirma a política do Papa Leão de diálogo inter-religioso e de atenção às periferias. A visita à Argélia, um país de maioria muçulmana, coloca o Papa como um contrapeso moderado à diplomacia agressiva dos Estados Unidos.

Esta abordagem já tinha sido confirmada pela primeira viagem apostólica do Pontífice, quando visitou a Turquia e o Líbano em 2025.

Após os ataques de Donald Trump, que apelidou o Papa de "fraco" e "mau em política externa", a viagem a África pretende reforçar a centralidade do continente para a política do Vaticano, mas sobretudo sublinhar uma forma diferente de conduzir a diplomacia internacional.

A Semana com Euronews

2500 Characters left


Colunistas

Opiniões e Feedback

Terra
6 days 19 hours

Meus senhores isso e uma boa recomendação, quem aviso amigo e principalmente na setuasao que estamos apassar se não faz is ...

jcf
7 days 19 hours

Não é sério transformar o exame de Matemática no bode expiatório de todos os males. O exame não é “difícil” por m ...

wilson veiga
9 days 21 hours

Francamente, há críticas que são tão pobres que nem chegam a ser oposição, são apenas má-fé com microfone, sobretudo ...

Pub-reportagem

publireport

Rua Vila do Maio, Palmarejo Praia
Email: asemana.cv@gmail.com
asemanacv.comercial@gmail.com
Telefones: +238 3533944 / 9727634/ 993 28 23
Contacte - nos