Com os holofoes voltados para o aaranque do novo ciclo de governação, a cúpula do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, poder) acusou hoje o Governo cessante de Ulisses Correia e Silva de tomar medidas estruturantes que podem condicionar o novo executivo de Francisco Carvalho, a menos de uma semana da tomada de posse.
Para Carlos Tavares, essas atitudes são “imorais” e constituem uma “vergonha”, podendo condicionar o novo executivo que toma posse a 19 deste mês.
“Nós estamos perante atitudes vergonhosas por parte deste Governo, que já terminou o seu mandato e está em gestão corrente”, considerou, segundo a Inforpress, Carlos Tavares, que falava aos jornalistas à margem do Conselho Nacional do partido, destinado a apreciar as linhas gerais do programa do futuro Governo e a ratificar a indigitação de Francisco Carvalho a primeiro-ministro.
O responsável foi questionado sobre o facto de o Governo em gestão estar a tomar algumas medidas e intervenções de fundo, como o aval de seis milhões de dólares para reforço da operação da Cabo Verde Airlines e a aquisição de uma embarcação em segunda mão para reforçar o transporte marítimo inter-ilhas.
Para Carlos Tavares, essas atitudes são “imorais” e constituem uma “vergonha”, podendo condicionar o novo executivo que toma posse a 19 deste mês.
O deputado condenou ainda estas ações, considerando que não devem “fazer escola” em Cabo Verde e que colocam em perigo o sistema de direito democrático nacional.
Compromisso com conectividade e redução dos custos de transportes aéreos e marítimos
Por outro lado, o PAICV reiterou, Segundo Carlos Tavares, o compromisso de reforçar a conectividade entre as ilhas, reduzir os custos dos transportes marítimos e aéreos e garantir gratuitidade da saúde e do ensino superior público.
Segundo o porta-voz citado pela Inforpress, a ratificação do nome de Francisco Carvalho por aclamação representa a renovação da confiança num novo ciclo de governação e de responsabilidade política, sublinhando tratar-se de uma nova etapa na condução do país.
Apesar de reconhecer o contexto “desafiante”, Carlos Tavares considerou que as linhas de governação apresentadas são “realistas” e “ambiciosas”, apontando oportunidades e potencialidades que, disse, não foram suficientemente exploradas pelo anterior executivo do MpD.
“Nós estamos aqui para reafirmar um compromisso sério com o desenvolvimento de Cabo Verde. Estas linhas gerais representam uma nova forma de governar, centrada na valorização das pessoas e no desenvolvimento real do país”, afirmou.
Entre as prioridades, destacou a reforma do Estado, com vista à redução das “gorduras” da máquina pública, de forma a libertar recursos para áreas essenciais ao desenvolvimento nacional.
Reafirmou igualmente o compromisso com a melhoria da conectividade e dos transportes interilhas, tornando-os mais eficientes e acessíveis, bem como a aposta na gratuitidade progressiva do ensino superior público e da saúde, além do reforço da habitação.
No plano social, sublinhou medidas de inclusão e reinserção social, reformas fiscais orientadas para uma maior justiça tributária, melhoria progressiva dos salários e das pensões sociais.
Conforme a fonte deste jornal, o programa do futuro Governo prevê ainda o reforço das instituições, a valorização dos media, uma nova agenda para a diáspora e para a diplomacia internacional, bem como maior eficiência na defesa dos interesses nacionais.
Entre outras prioridades, apontou ainda o ambiente, o ordenamento do território e as alterações climáticas, com destaque para a gestão de resíduos e o reforço da disponibilidade de água no país.
Carlos Tavares manifestou confiança de que a moção de confiança será validada no Parlamento, permitindo o arranque de um novo ciclo de governação.







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