As chuvas intensas que caíram sobre São Vicente na madrugada de segunda-feira trouxeram à tona não apenas a vulnerabilidade da ilha a fenómenos climáticos extremos, mas sobretudo o grave problema habitacional e ocupação desordenada das zonas.
A tragédia resultou em oito mortos, conforme especificou, sendo sete pelas enxurradas e uma por electrocução, estando ainda três desaparecidos e pelo menos 12 desalojados.
Em entrevista à Rádio de Cabo Verde (RCV), o vereador da Protecção Civil de São Vicente, José Carlos da Luz, destacou que a tragédia foi agravada pela ocupação desordenada das zonas, com construções em leitos de ribeiras e encostas instáveis, trazendo assim problemas à autarquia.
“São Vicente sofre a influência das migrações internas das outras ilhas. As pessoas que se deslocam a São Vicente não têm as condições mínimas de habitabilidade e constroem no leito das ribeiras e às vezes nas encostas”, pontuou, reconhecendo a dificuldade da câmara em controlar as construções.
A tragédia resultou em oito mortos, conforme especificou, sendo sete pelas enxurradas e uma por electrocução, estando ainda três desaparecidos e pelo menos 12 desalojados.
O vereador adiantou que uma equipa de engenheiros foi mobilizada para preparar um plano de intervenção mínima, que será submetido ao Governo com vista a financiamento através do Fundo Nacional de Emergência.
Embora o acesso a localidades como Salamansa, Baía das Gatas e Calhau já tenha sido parcialmente restabelecido, o vereador alertou para os riscos que persistem nas áreas com infra-estrutura deficitária, assegurando que as intervenções prosseguem no norte da Baía e em algumas zonas do Mindelo.
O relato dá conta que dezenas de pessoas foram afectadas pelas inundações com lojas praticamente destruídas, casas desabadas, vias obstruídas e carros destruídos, além de vítimas mortais incluindo crianças.
Em resposta ao desastre, o Governo decretou dois dias de luto nacional, acto contínuo, o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, deslocou-se à ilha para acompanhar a situação de perto, com visita agendada para a zona piscatória de Salamansa.
A Câmara Municipal de São Vicente decidiu cancelar a 41.ª edição do Festival da Baía das Gatas, que estava previsto para começar na próxima quinta-feira, 14.
A Semana com Inforpress
Câmara de São Vicente é a verdadeira responsável — basta de desculpas
Exigem-se respostas, mas o principal responsável por esta catástrofe climatérica em São Vicente continua impune: a própria Câmara Municipal. A verdade incómoda é que venderam ribeiras, eliminaram linhas de água e ignoraram infraestruturas essenciais — e agora estamos a pagar o preço com inundações e destruição habitacional.1. Venda de ribeiras e destruição do solo natural
A Câmara trocou zonas fundamentais do leito natural por construções ou rendimentos imediatos, alterando o curso das águas. Ribeiras foram canalizadas ou completamente enterradas, sem qualquer compensação ambiental. Estas decisões descabidas, tomadas nas costas da população, são parte central da responsabilidad e que recai sobre a edilidade.
2. Falta de planeamento urbano e ausência de obras estruturantes
Quando chove forte, tudo vem abaixo. Porque? Porque não há drenagem adequada, nem investimentos estratégicos que previnam cheias. As zonas habitacionais que agora colapsam têm fragilidades antigas, sinalizadas e ignoradas ao longo do tempo.
3. Culpar apenas os deuses da chuva é fácil — mas covarde
Este caos não foi gerado pela natureza: foi arquitetado por quem teve poder e falhou. Averiguações, responsabilizações e correcções urgentes são indispensáveis. Quem assina decisões que alteram cursos de água tem de responder por isso. E a população tem o direito de exigir reparação e transparência.
Cessem essas desculpas fracas !!! A Câmara de São Vicente falhou com o seu dever fundamental — proteger o território e o povo que governa. É já hora de assumir a responsabilidad e, corrigir o que foi mal feito e garantir que desgraças como esta nunca mais se repitam.
E já agora, um recado para A Semana: publicar peças que contornam a verdade e omitem a responsabilidad e política direta é prestar um desserviço à população. Este tipo de branqueamento mediático protege quem erra e deixa os cidadãos na sombra — exactamente o oposto do papel que um jornal sério deveria cumprir.
Terms & Conditions
Report
My comments