Cabo Verde está praticamente pintado de cor amarela com a tempestade política de 17 de maio que ditou a maioria absoluta ao PAICV e colocou o MpD na oposição. Com a previsão da publicação do mapa dos resultados eleitorais finais no Boletim Oficial entre 27 e 31 deste mês, Francico Carvalho prepara-se para, logo que for indigitado primeiro-ministro pelo Chefe de Estado, compor o novo governo da República e começar, cumprindo as exigências constitucionais, a governar. Com base nos resultados provisórios, por ora vamos analisar os diferentes aspectos do referido ato eleitoral, com destaque para os números e os principais protagonistas do novo ciclo eleitoral que se vive no país.
Mudanças por novo Cabo Verde

Cabo Verde acaba de protogonizar uma nova mudança política no dia 17 de maio, com a vitória clara do PAICV. Com a maioria absoluta de 37 deputados eleitos, o líder Francisco de Carvalho é quem vai chefiar o novo Governo da República, derrotando o presidente do MpD, Ulisses Correia e Silva, que se econtrava há 10 anos à frente do executivo. É a confirmação dos sinais de mudanças que se sentia a nível da sociedade civil e o início de um novo ciclo político que começa com o programa «Cabo Verde para Todos», comandado por Francisco de Carvalho, que se tranformou numa figura incortonável no atual contexto político cabo-verdiano. Na construção desta vitória, «Chico» contou, entre outras figuras de peso, com a destacada participação da deputada e ex-líder Janira Hopffer Almada, cuja tendência - jandirismo - é ainda dominante no seio do PAICV.
Vergonha eleitoral com compras de votos

Foi um espetáculo triste protognizado por supostos adeptos do MpD: gentes em bicha (ver foto) a tomarem géneros alimentícios e outros produtos em lojas, além de receberem dinheiro vivo para votarem no partido que estava no poder. O mais grave é, segundo denunciaram vários partidos da oposição em comícios e nas redes sociais, a alegada transferência do dinheiro público feita através do Ministério das Finanças, sobretudo durante a última semana da campanha eleitoral, para contas de supostas famílias, nomeadamente carenciadas. Além de ter sido uma prática vergonhosa para Cabo Verde, tido como um dos exemplos da democracia em África, com isto a democracia cabo-verdiana sofreu um grande golpe. Conforme alertou na noite eleitoral o novo primeiro-ministro, que ninguém finge que nada aconteceu. Francisco de Carvalho prometeu tomar medidas para responsabilizar os supostos autores de tais práticas e aprofundar a democracia, combatendo «a democracia de fachada».
Dona abstenção

Conforme os resultados eleitorais provisórios, 219.918 eleitores não foram votar nas eleições de 17 de maio em Cabo Verde e no estrangeiro. Como consequência, o grande vencedor foi também a dona abstenção que falou alto, atingindo uma cifra geral de 53.5%. Santiago Norte, o segundo maior círculo eleitoral do país, foi onde se registou a maior taxa de abstenção (55,5%). Já a ilha de Santo Antão ficou com a menor fasquia de 39.7% de abstenção a nível nacional, conseguindo assim a maior taxa da participção de cidadãos no ato eleitoral referido. Urge, portanto, estudar a causa deste fenómeno de não exercício de direito de voto por mais de metade dos eleitores inscritos e tomar medidas de fundo para o travar.
Ulisses, um dos grandes derrotados

Ulisses Correia e Silva, líder do MpD e primeiro-ministro cessante, foi um dos grandes derrotados nas eleições de 17 de maio. Apesar dos grandes investimentos realizados subretudo na última semana de campanha através da alegada distribuição de cestas básicas e dinheiro, não impediram que acontecesse a derrota do MpD, que ficou com 33 deputados. Além de desgaste sofrido com a governação, os sucessivos erros cometidos na gestão das políticas públicas, nomeadamente nos domínios de transportes, saúde, ensino, formação profissional, despesas públicas e privatizações, foram os principais factores que contrbuiram para essa derrota do MpD no pleito do último domingo. Ulisses pediu demissão do cargo na noite eleitoral e a luta pela sua sucessão já começou com o anúncio de alguns correntes ao mesmo posto.
Peso da região norte e EUA na mudança

As ilhas do Sal, de São Vicente, Santo Antão e Américas foram os círculos que tiveram um peso relevante na mudança política registada no dia 17 de Maio. É que, segundo alguns analistas, na região Norte do país o MpD costumava tradicionalmente ter melhores resultados eleitorais, mas desta vez ficou empatado em termos de números de mandatos, mesmo onde ganhava como em Santo Antão, Sal e São Vicente - perdeu nesta última. Com isso, PAICV conseguiu eleger 4 novos deputados, sendo 2 no Mindelo, 1 em Santo Antão e o outro no Sal. Isto sem contar com os EUA, onde elegeu os 2 deputados, que deram a maioria absoluta ao PAICV.
Viragem histórica no Mindelo

Tal como previu o jornal A Semana com base em dados científicos de analistas, São Vicente sofreu uma grande viragem histórica com as eleições de 17 de Maio. Os residentes apostaram na mudança, votando maioritariamente no PAICV. Este cresceu mais de 100%, subindo de 2 deputados na legislatura anterior para 4 nesta atual legislatura. Roubou 2 deputados à UCID e colocou, com uma vantagem de 1305 votos, o MpD como segunda força política local, mesmo ficando empatados com 4 deputados cada. Mindelo, terra de Capitão Ambrósio, Cesária Évora e Onésimo Silveira, voltou assim a funcionar como laboratório político nacional - força política que ali vence, normalmente, na maioria das vezes, ganha também com a maioria em Cabo Verde.
Desaire eleitoral da UCID e António Monteiro

A união Cabo-verdiana e Independente sofreu o seu maior desaire eleitoral nas eleições de 17 de Maio. Perdeu metade dos 4 deputados que tinha eleito na legislatura anterior em S.Vicente. O mesmo aconteceu com o seu ex-líder, António Monteiro, que não conseguiu ser eleito como o terçeiro da lista. Rejeitado por eleitores do Mindelo, Monteiro fica assim fora do parlamento. Analistas admitem que maior parte dos eleitores da UCID possa ter emigrado para o PAICV. A liderança de João Santos Luís tem de procurar saber o que terá estado na origem desse desaire eleitoral do partido e traçar novo rumo. Para observadores locais, erros cometidos pelo partido, nomeadamente de aopiar a candidatura presidencial de Carlos Veiga, recebendo supostamente apoio financeiro neste sentido, podem ter contrbuido para tais resultados.
Chitada nos EUA

Nas legislativas de 17 de maio aconteceu um facto inesperado: PAICV acabou por eleger os dois deputados das Américas, dando assim chitada ao MpD e aos restantes partidos - UCID,PTS e PP. Ao alcançar um score de 65,9% contra 30% do MpD,este círculo eleitoral contribuiu decisivamente para a vitória do PAICV com a maioria absoluta. Assim sendo, a liderança de Francisco Carvalho conseguiu eleger os 37 deputados suficientes para aprovar os principais instrumentos de gestão e governar tranquilamente. As felicitações por este feito histórico, sobretudo com o forte contributo dos eleitores nos EUA, surgiram por todos os lados.
Revelações: Do Carmo e Jónica

São duas figuras relevantes que se destacaram durante as eleições de 17 de Maio. João do Carmo, cabeça de lista do PAICV pelo círculo eleitoral de São Vicente, revelou-se como o político que melhor comunicou durante campanha eleitoral no país. Falou de forma clara, correcta e concisa para o povo sanvicentino que o entendeu e bem. Liderou uma equipa jovem comprometida com as cuasas do partido e que integrou o Diretor da Campanha (António "Patcha" Duarte), o líder regional (Adilson Jesus) e o mandatário Nelson Faria, tendo na retaguarda o antigo minisitro Manuel Inocêncio Sousa, um político experiente, sereno e sempre ao serviço do PAICV. Do Carmo consolidou-se como um dirigente incontoronável da formação tambarina no Mindelo, destronando politicamente o ainda Edil Augusto Neves, que praticamente dirigiu a campanha do MpD na ilha. O mesmo se pode dizer em relação à presidente do PTS. Apesar de ser uma estreante na política, Jónica Brito foi uma revelação, sobretudo no debate na RTC com os líderes dos restantes partidos. Brilhou como uma nova estrela da constelação política nacional, trazendo uma mensagem forte para a juventude contra a bipolarização. Como consequência, o seu partido duplicou o número de votação em comparação com a legislatura anterior, embora não tenha conseguido eleger nenhum deputado.
NOSI: Manipulação ou interferências externas?

A noite eleitoral de 17 de maio ficou marcada por uma situação anormal registada no Núcleo Operacional para a Sociedade de Informação - EPE Nosi. É que, diferentemente das eleições anteriores, desta vez a instituição enfrentou dificuldades em divulgar com normalidade desejada os resultados eleitorais, interrompendo por várias vezes a emissão. Diante de tudo isto, questionou-se se terá havido ataque ou interferências externas ao NOSI. Nas redes sociais, outros vão mais longe, interrogando se terá havido tentativa de manipulação de dados. Reagindo sobre este particular, o Conselho da Administração do Nosi anunciou, segundo um comunicado divulgado no seu site, que já solicitou uma auditoria externa neste sentido e que vai apresentar queixa contra um cidadão que lançou suspeitas na rede social contra a instituição.







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