As mulheres representam 49,6% da população residente em Cabo Verde, totalizando 254.939 pessoas, revelou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE), numa publicação alusiva ao Dia da Mulher Africana.
Os dados mostram ainda uma elevada participação feminina no trabalho não remunerado (TNR), com uma taxa de participação de 78,1%. As mulheres dedicam, em média, 22 horas e 42 minutos semanais a estas atividades, contra 18 horas e 55 minutos na média da população.
Segundo os dados divulgados pelo INE, a taxa de alfabetização das mulheres com 15 anos ou mais é de 85,7%, enquanto 8,5% nunca frequentaram um sistema de ensino.
Entre a população feminina residente com quatro anos ou mais, 37,1% tem o ensino básico, 42,9% o ensino secundário e 13,6% possui formação média ou superior, enquanto 4,5% não tem qualquer nível de instrução.
No mercado de trabalho, 50,5% das mulheres com 15 anos ou mais estão empregadas. Os indicadores destacam também a utilização das tecnologias de informação e comunicação (TIC), com 79,2% das mulheres com 10 anos ou mais a possuir telemóvel e 77,7% a utilizar internet nos três meses anteriores ao inquérito.
Os dados mostram ainda uma elevada participação feminina no trabalho não remunerado (TNR), com uma taxa de participação de 78,1%. As mulheres dedicam, em média, 22 horas e 42 minutos semanais a estas atividades, contra 18 horas e 55 minutos na média da população.
Os indicadores fazem parte do Inquérito Multiobjetivo Contínuo (IMC) 2025 e do Inquérito ao Trabalho Não Remunerado (MUT 2024) realizados pelo INE.
Dados oficiais apontam que a diáspora cabo-verdiana reúne cerca de 1,5 milhões de pessoas, entre cabo-verdianos e descendentes, quase três vezes mais do que a população residente no arquipélago, que ronda os 500 mil habitantes.
Em Cabo Verde, o Sindicato da Indústria, Transportes, Telecomunicações, Hotelaria, Turismo e Restauração, SITTHUR, rejeita a liquidação da TACV – Cabo Verde Airlines e pede Assembleia Geral urgente para avaliar a parceria.
“Liquidar a TACV significaria lançar no desemprego centenas de trabalhadores e afectar milhares de famílias cabo-verdianas. A TACV não pode continuar como está, mas também não pode desaparecer. Urge a convocação da Assembleia Geral da TACV de modo a analisar a má gestão e reestruturar a empresa ", disse.
A posição foi defendida pela presidente da direcção do sindicato e secretária-geral da União Nacional dos Trabalhadores de Cabo Verde – Central Sindical (UNTC-CS) Joaquina Almeida, em conferência de imprensa, que não aceita o cenário de liquidar a TACV – Cabo Verde Airlines
“Liquidar a TACV significaria lançar no desemprego centenas de trabalhadores e afectar milhares de famílias cabo-verdianas. A TACV não pode continuar como está, mas também não pode desaparecer. Urge a convocação da Assembleia Geral da TACV de modo a analisar a má gestão e reestruturar a empresa ", disse.
O sindicato que representa boa parte dos trabalhadores da TACV – Cabo Verde Airlines mostra-se aberto a uma parceria europeia, mas estabeleceu como condições a manutenção de todos os postos de trabalho e a preservação dos activos estratégicos da empresa, incluindo a marca, as rotas e a licença de voos transatlânticos Categoria 1 ETOPS.
“Vimos com interesse a posição do principal accionista privado, que defende uma profunda reestruturação e revelou a existência de um parceiro europeu interessado em assumir a gestão da companhia. Esta proposta merece ser analisada com rigor, transparência e sentido estratégico, tendo em conta que a experiência negativa da TACV, que se revelou prejudicial entre o anterior governo e a Icelandair. Essa experiência representou uma catástrofe para a companhia e para o país, pelo que estamos proibidos em repetir erros do passado” afirmou .
O Sindicato Nacional dos Pilotos da Aviação Civil (SNPAC). em comunicado, defende que a TACV não pode continuar a ser refém do discurso político e considera que as recentes declarações do Ministro dos Transportes e Mar sobre um eventual encerramento ou liquidação da companhia prejudicam a credibilidade da TACV – Cabo Verde Airlines, afastam investidores e parceiros e comprometem os esforços de recuperação da transportadora aérea nacional.
Representante de jovens das ilhas do Fogo, Brava, Santo Antão e Boa Vista manifestaram “grandes expectativas” em relação ao II Acampamento Nacional da Juventude da Igreja Nova Apostólica, que decorre na vila de Ponta Verde.
Os jovens apontam o fortalecimento da fé, a convivência entre irmãos e a troca de experiências como os principais objectivos do Acampamento que decorre desde quinta-feira, 30, até 03 de Agosto.
Os participantes consideram que o acampamento representa uma oportunidade para “aprofundar a relação com Deus”, conhecer jovens de outras ilhas e reforçar os laços de fraternidade dentro da Igreja.
A representação da ilha do Fogo afirma que participa com entusiasmo e espírito de aprendizagem e explicou que pretende aproveitar ao máximo os momentos de convivência, conhecer melhor os irmãos de fé e adquirir novos conhecimentos, considerando gratificante participar numa iniciativa que também permite descobrir melhor a realidade de outras ilhas.
O representante dos jovens da ilha Brava salientou que os participantes esperam construir novas amizades e fortalecer a ligação entre os jovens na obra de Jesus Cristo.
Para os jovens da Brava, o acampamento é um momento de união e enriquecimento pessoal, defendendo inclusive que iniciativas semelhantes deveriam ser promovidas por outras denominações religiosas, por contribuírem para a formação e integração da juventude.
O representante do grupo de jovens que chegou de Santo Antão sublinhou que encontros desta natureza despertam o interesse dos jovens pela igreja e permitem a partilha de vivências e experiências entre participantes de diferentes comunidades.
Na sua perspetiva, actividades do género devem ser realizadas com maior frequência para atrair mais jovens e reforçar a sua participação na vida religiosa.
A delegação da Boa Vista considerou que a iniciativa deve ter continuidade, com a realização anual do encontro em diferentes ilhas do país.
O objectivo, explicou, é “aproximar os jovens de Cristo”, fortalecer a fé e contribuir para a expansão do cristianismo em Cabo Verde.
O responsável da Juventude da Igreja Nova Apostólica revelou na cerimónia de abertura que a expectativa para a terceira edição é poder reunir representantes de todas as ilhas do arquipélago e, futuramente, contar também com a participação de jovens da diáspora, nomeadamente dos Estados Unidos, mas também de outros países irmãos como São Tomé e Príncipe.
O II Acampamento Nacional da Juventude reúne dezenas de participantes das ilhas do Fogo, Brava, Santiago, Boa Vista, São Vicente e Santo Antão sob o lema "Um só Cristo, um só irmão", promovendo momentos de formação espiritual, convivência, reflexão e integração entre a juventude da Igreja Nova Apostólica em Cabo Verde.
A presidente do Sindicato Democrático de Professores (Sindprof) afirmou hoje que o alargamento do horário escolar “não faz sentido”, quando implica sobrecarregar os professores, mas recomenda a criação de ensino especializado às crianças na rua.
Em entrevista à Inforpress, Lígia Herbert considerou que o que se deve criar é um estudo orientado após o horário escolar, destinado principalmente às crianças na rua.
Disse que não faz sentido alargar o horário, quando já se reduziu a carga horária das disciplinas, com professores com 11 turmas.
“Mas alargar como? O que eles precisam é de um ensino especializado para as crianças da rua, porque inclusão não é imposição”, questionou.
A seu ver, o país ainda precisa criar estruturas e ter professores especializados para que as crianças se sintam integradas, valorizadas e motivadas a aprender.
“Se os meninos não têm jeito para ir à escola, podem ter outras apetências, de desporto, música. Isso sim, é trabalhar nesse sentido, nos horários, porque não é só ocupar o tempo livre dos estudantes. Ocupar o tempo livre dos estudantes implica o recrutamento de mais especialistas”, afirmou a sindicalista.
A mesma fonte sublinhou que a inclusão deve acontecer “de forma gradual, humana e acolhedora” e que “não pode ser vista como uma forma de castigar ou obrigar” uma criança em situação de rua a entrar na escola.
“Nós temos que ver o que é que eles gostam, porque verdadeiramente o objetivo não é passar de ano. Passar de ano não significa necessariamente ter aprendido. Quando a escola apenas promove o aluno sem enfrentar as suas dificuldades, o problema não desaparece. Ele apenas é adiado”, comentou Lígia Herbert, que desafiou o Governo a criar condições que justifiquem o alargamento de horário.
A Associação de Boxe de São Vicente realiza sábado, 01, e domingo, 02, de Agosto, no Polidesportivo Oeiras, a final do campeonato regional, com a participação de 32 pugilistas de diferentes categorias e clubes da ilha.
A informação foi avançada hoje à Inforpress pelo presidente da Associação de Boxe de São Vicente, Valdo Reis, que explicou que a competição será disputada em duas fases, com as eliminatórias no sábado, 01, e as meias-finais e finais no domingo, 02.
O campeonato conta com pugilistas dos clubes de Chã de Marinha Sport Club Center, Desportivo de Fonte Francês e Clube Sportivo Mindelense, abrangendo as categorias infantis, cadetes, juvenis e seniores, nos escalões masculino e feminino.
Valdo Reis manifestou satisfação pela participação de atletas de diferentes idades, destacando a presença de crianças em idade escolar, como um dos objectivos alcançados pela associação.
“Os objectivos que propomos para este ano estão a ser alcançados, já que, primeiramente, conseguimos ter a competir atletas em idade escolar, 10 a 12 anos, que podem dar continuidade ao desporto”, afirmou.
O dirigente destacou ainda a realização de torneios inter-ilhas ao longo do ano, iniciativas que, segundo explicou, têm permitido aos pugilistas ganhar ritmo competitivo e contribuído para o resgate e valorização do boxe em São Vicente.
A realização da final do campeonato, acrescentou, só foi possível graças ao apoio de patrocinadores particulares, uma vez que a associação ainda não recebeu a segunda tranche do subsídio atribuído pelo Instituto do Desporto e da Juventude (IDJ), situação que se relaciona com a recente mudança governamental.
Apesar das dificuldades financeiras, a Associação de Boxe de São Vicente decidiu manter uma iniciativa de cariz social que promove há seis anos.
Assim, a entrada para assistir aos combates será feita mediante a entrega de um quilograma de alimento, que posteriormente será doado a uma instituição social, ainda a ser seleccionada.
A organização espera, desta forma, aliar a promoção do boxe à solidariedade, mobilizando o público para acompanhar os combates e, simultaneamente, contribuir para apoiar uma instituição da ilha.
O trânsito nas imediações da Rotunda da Ribeira Bote, no Mindelo, estará temporariamente condicionado a partir das 06:30 de sábado, 01 de Agosto, devido ao início das obras de asfaltagem da rede viária, informou hoje a Inforpress.
De acordo com uma nota da Câmara Municipal de São Vicente, a intervenção enquadra-se no plano municipal de requalificação e melhoria da rede viária, com o objectivo de melhorar as condições de mobilidade, segurança rodoviária e conforto dos utentes.
Durante a execução dos trabalhos poderão ocorrer restrições à circulação e eventuais desvios de trânsito, pelo que a autarquia apela à compreensão e colaboração dos munícipes e utentes da via pública.
A câmara, segundo avançou a mesma fonte, recomenda ainda aos condutores que respeitem a sinalização temporária instalada no local e sigam as orientações das autoridades competentes durante o período de intervenção.
O ministro das Infra-estruturas, Habitação e Ordenamento do Território desafiou esta quarta feira o novo conselho directivo do INGT a orientar a instituição para resultados concretos e a afirmar o Instituto como autoridade nacional do ordenamento do território.
Ao presidir à cerimónia de tomada de posse do novo conselho directivo do Instituto Nacional de Gestão do Território (INGT), realizada na cidade da Praia, Carlos Tavares disse que o momento representa o reforço do compromisso do Governo com uma gestão “moderna, eficiente e estratégica” do território nacional.
Carlos Tavares sustentou que o território constitui um recurso limitado e estratégico, cuja organização influencia a competitividade do país, a atracção de investimentos, a protecção ambiental, a coesão social e a qualidade de vida das populações.
Segundo o ministro, Cabo Verde enfrenta responsabilidades acrescidas devido à condição insular e à escassez de território disponível, razão pela qual cada decisão sobre a ocupação do solo deve assentar no conhecimento, no rigor e na visão estratégica.
O governante reiterou a intenção de afirmar o INGT como autoridade nacional do ordenamento do território, capaz de produzir conhecimento, disponibilizar informação rigorosa e apoiar melhores decisões públicas.
De igual forma, defendeu uma maior articulação entre o Instituto, os municípios, os serviços públicos e os parceiros nacionais e internacionais, de forma a responder aos desafios do desenvolvimento do País.
À nova equipa, Tavares apelou a uma liderança orientada para resultados, capaz de mobilizar os trabalhadores, definir prioridades e reforçar a confiança dos cidadãos na instituição.
“O país não precisa apenas de instituições que funcionem. Precisa de instituições que façam acontecer”, precisou.
Afiançou ainda que o Governo continuará a acompanhar e apoiar o trabalho do Instituto, criando as condições necessárias para o cumprimento da sua missão.
O novo conselho directivo do INGT é presidido por Geisa Barbosa e integra ainda os vogais executivos Euda Miranda e Renato Jorge Semedo.
A ministra da Família, Inclusão, Desenvolvimento Social e Trabalho, Adélsia Almeida, destacou esta quinta-feira o diálogo social como instrumento essencial de boa governação, estabilidade institucional e formulação de políticas públicas sustentáveis.
A posição foi defendida durante a sessão pública de apresentação das conclusões do III Fórum do Instituto para a Promoção do Diálogo Social e Liberdade Sindical (Iprodial), subordinado ao tema da sustentabilidade da Segurança Social em Cabo Verde.
Ao presidir à abertura do evento, Adélsia Almeida enalteceu o contributo do Iprodial na dinamização do debate estratégico, sublinhando que o sistema de protecção social gerido pelo INPS abrangeu, em 2025, cerca de 297 mil beneficiários, o equivalente a mais de 57% da população potencialmente elegível.
A governante revelou ainda que, em 2024, o INPS desembolsou cerca de 8,46 milhões de escudos em prestações sociais, registando um crescimento de quase 12% em relação ao período anterior, o que reforça o papel do sistema no rendimento das famílias.
Apesar dos avanços, Adelsa Almeida alertou para os desafios decorrentes do envelhecimento populacional, do aumento da esperança de vida, da transformação do mercado de trabalho, da persistência da informalidade e do surgimento de novas formas de emprego, factores que pressionam a sustentabilidade financeira do sistema.
Nesse contexto, anunciou que o Governo considera prioritária a actualização do estudo atuarial do INPS, defendendo que projecções rigorosas sobre receitas, despesas e evolução da relação entre contribuintes e pensionistas são essenciais para fundamentar reformas responsáveis e garantir a sustentabilidade futura da Segurança Social.
A ministra sublinhou que o desafio consiste em assegurar simultaneamente o equilíbrio financeiro do sistema e a sua capacidade de proteger os cidadãos, promover a justiça social e reforçar a solidariedade entre gerações.
Durante a sua intervenção, a governante frisou a convergência entre as recomendações do fórum e as metas do executivo, nomeadamente o combate à evasão contributiva, a modernização da gestão do INPS e o alargamento da cobertura a trabalhadores independentes, microempresas e sector informal.
Referiu ainda que o Programa do Governo prevê o alargamento progressivo da protecção social, com especial atenção aos trabalhadores independentes, à economia informal e às micro e pequenas empresas, bem como o reforço da articulação entre as políticas de emprego e de protecção social.
No encerramento da sua intervenção, Adélsia Almeida reafirmou a abertura do Governo para manter o diálogo com o Iprodial, o INPS, os parceiros sociais e a academia na preparação das reformas necessárias para o sector.
A câmara Municipal do Tarrafal realiza esta sexta-feira, dia 31 de julho, às 19h00, no Largo Santo Amaro, o tradicional Encontro de Boas-Vindas aos Emigrantes. O evento visa acolher e reconhecer os tarrafalenses residentes nos estrangeiros que se encontram de férias no concelho.
A iniciativa será presidida pelo Presidente da Câmara Municipal, José dos Reis. O objetivo principal do executivo e reforçar os laços entre a autarquia e a diáspora cabo-Verdiana. O encontro serve também para valorizar o contributo económico, social e cultural que os emigrantes representam para o desenvolvimento local.
Para além de um momento de convívio e partilha, o evento terá um espaço dedicado ao diálogo.A equipa camarária vai aproveitar a ocasião para apresentar as principais obras e ações em curso no município. Em simultâneo, os emigrantes serão convidados a partilhar as suas palavras perspetivas e contributos sobre o futuro de Tarrafal.
O paciente do primeiro transplante renal realizado com sucesso em Cabo Verde regressa hoje à sua ilha natal, o Fogo, após cerca de nove meses de tratamento e acompanhamento clínico na Praia.
"Antes da cirurgia dependia da hemodiálise. Tinha o corpo inchado e sofreu várias complicações. Hoje sinto-me muito bem e saudável. Estou a cumprir todas as orientações dos médicos e, todos os dias, noto a evolução do tratamento", sublinhou.
Em declarações à Inforpress, Renato Gomes Teixeira “Nilton”, de 45 anos, manifestou profunda satisfação com o seu estado de saúde, quatro meses após ter sido submetido ao procedimento cirúrgico no Hospital Universitário Agostinho Neto (HUAN), na cidade da Praia.
Após meses de reabilitação e seguimento rigoroso, a equipa médica autorizou o regresso temporário à ilha do Fogo para o reencontro com a família, devendo o doente retornar à Praia a 22 de Agosto para uma consulta de controlo agendada para o dia 24 do mesmo mês.
“Pode parecer pouco tempo, mas para mim significa muito, porque há alguns meses não tinha esperança de voltar à minha ilha. Dependia da hemodiálise, tratamento que fazia três vezes por semana na cidade da Praia, e, na minha situação, era impossível regressar ao Fogo", confessou Nilton.
O plano clínico prevê que, após a reavaliação em Setembro, mantendo-se a evolução favorável, o paciente possa fixar residência definitiva no Fogo, deslocando-se à capital apenas trimestralmente para consultas preventivas de rotina.
Sublinhando o contraste com a fase pré-operatória marcada por graves complicações de saúde, Nilton expressou orgulho por ser o pioneiro da cirurgia renal no arquipélago, deixando uma mensagem de encorajamento a outros doentes do foro renal.
"Antes da cirurgia dependia da hemodiálise. Tinha o corpo inchado e sofreu várias complicações. Hoje sinto-me muito bem e saudável. Estou a cumprir todas as orientações dos médicos e, todos os dias, noto a evolução do tratamento", sublinhou.
O paciente disse viver um momento de grande felicidade por poder voltar a casa e reencontrar o filho, os pais e restantes familiares, depois de um longo período de ausência.
"Estou muito feliz porque vou rever o meu filho, a minha mãe, o meu pai e todos os meus familiares. Já soube que muitos amigos e familiares estarão no Aeroporto de São Filipe para me receber", revelou .segundo a inforpress.
Renato Gomes Teixeira afirmou ainda sentir orgulho por ter sido o primeiro paciente a realizar um transplante renal em Cabo Verde com sucesso, deixando uma mensagem de esperança aos doentes que enfrentam a mesma condição.
“Tenho muito orgulho em dizer que fui o primeiro paciente a realizar um transplante renal em Cabo Verde com sucesso. Aos outros doentes peço que tenham muita fé, porque hoje existe esperança de uma vida melhor no nosso país. Basta encontrar um dador compatível e acreditar que Deus proverá", concluiu.
conforme a fonte deste jornal , o primeiro transplante renal realizado em Cabo Verde aconteceu no dia 24 de Março deste ano, no Hospital Universitário Agostinho Neto. A doadora foi a irmã de Renato Teixeira, que, segundo informações apuradas, também se encontra de boa saúde.
Entretanto, o país registou um novo avanço nesta área com a realização de mais três transplantes renais, no mês de Junho, no Hospital Baptista de Sousa (HBS), em São Vicente, assinalando uma nova etapa para os cuidados de saúde especializados em Cabo Verde.
O concelho superior das câmaras de comércio e turismo de Cabo Verde formalizou a transferência da sua presidência Rotativa para a câmara de turismo de Cabo Verde (CTCV) Jorge Spencer Lima .O ato aconteceu durante uma reunião realizada na sede da câmara de comércio de barlavento, em São Vicente, para encerrar o mandato do biénio 2024-2026.
O encontro reuniu os líderes das três instituições que compõem o órgão: Jorge Pimenta Mauricio (Câmara de comércio de Barlavento), Marcos Rodrigues (Câmara de comércio de Sotavento e ( Jorge Spencer Lima (câmara de turismo de Cabo Verde).
A transição cumpre o princípio de rotatividade bienal estabelecido pelo conselho superior.A mudança de liderança marca o início de um novo ciclo focado na concertação e na cooperação institucional para o desenvolvimento económico do país.
Durante a reunião, os presidentes analisaram as principais ações e os resultados alcançados nos últimos dois anos. O concelho superior consolidou-se como um espaço central para a articulação de posições comuns e para a defesa dos interesses do setor privado cabo-verdiano.
O debate entre as lideranças empresariais centrou-se em áreas fundamentais para o crescimento de Cabo Verde:
Ambiente de negócios: Melhoria das condições para o investimento privado.
Economia Azul e turismo: Dinamização dos setores estratégicos nacionais.
Economia Digital: Inovação e transição tecnológica empresarial
Descentralização: Processo de descentralização administrativa.
Investimento: Atracão de investimentos estratégicos para as ilhas.
As três instituições reafirmaram o compromisso de reforçar a atuação conjunta para enfrentar os desafios do mercado e garantir uma com unificada junto dos parceiros de desenvolvimento .
O Sindicato Democrático dos Professores (Sindprof) considerou hoje que o reforço do tempo de permanência dos alunos na escola deve assentar na criação de estudo orientado após o horário escolar, e não no alargamento das aulas.
Em comunicado, o Sindprof sublinhou que é necessário distinguir entre o tempo destinado às actividades lectivas e o tempo de acompanhamento educativo, frisando que o aumento da carga horária das aulas não constitui, por si só, uma garantia de melhoria da qualidade do ensino.
De acordo com o Sindprof, as aulas têm um tempo pedagógico definido em função do currículo, das aprendizagens e do desenvolvimento dos alunos, pelo que o seu prolongamento poderá não produzir os resultados pretendidos.
Como alternativa, a estrutura sindical propõe a implementação de um sistema de estudo orientado pós-horário escolar, acompanhado por profissionais qualificados, em que os estudantes possam consolidar conhecimentos, realizar trabalhos escolares, desenvolver métodos de estudo e participar em actividades de enriquecimento educativo e formativo.
Na perspectiva do sindicato, esta solução permite responder às necessidades das famílias, promover o sucesso escolar e assegurar maior protecção e acompanhamento às crianças e aos jovens, sem confundir o tempo de aulas com o tempo de apoio educativo.
O Sindprof reiterou que o objectivo de proporcionar mais protecção, acompanhamento e oportunidades educativas aos alunos deve reunir consenso social, mas sustentou que as respostas devem ser pedagogicamente adequadas e socialmente responsáveis, privilegiando o investimento em modelos de acompanhamento educativo em detrimento do simples aumento do número de horas lectivas.
O Governo manifestou a intenção de alargar o horário escolar, enquadrando a medida nas políticas de melhoria da qualidade da educação e de apoio às famílias, ao assegurar que os alunos permaneçam mais tempo na escola.
A Primeira Dama de Cabo Verde, Débora Katísa Carvalho, desloca-se esta terça-feira ao Reino de Marrocos para assistir ao jogo de estreia da Seleção Nacional Feminina de Futebol na Taça das Nações Africanas (CAN Feminino 2026), reafirmando o seu apoio às nossas atletas neste momento histórico para o desporto cabo-verdiano.
No âmbito da conferência, a Primeira Dama intervirá sobre o papel da ação climática na construção de comunidades mais resilientes, partilhando a visão que tem defendido em prol da proteção do ambiente, da sustentabilidade e do fortalecimento do papel das mulheres e das raparigas na resposta aos desafios climáticos e sociais.
Segundo o comuncado remeteido ao Asemanaonine, após a sua permanência em Marrocos, a Sra. Primeira Dama seguirá para Luanda, República de Angola, onde participará, nos dias 30 e 31 de julho, no lançamento da campanha «Construir Resiliência para Mulheres e Raparigas: Clima, Conflito e Futuros Sustentáveis» e na Gala de Mobilização de Recursos da Organização das Primeiras-Damas Africanas para o Desenvolvimento (OAFLAD). Isto a convite da Excelentíssima Primeira Dama da República de Angola, Ana Dias Lourenço.
No âmbito da conferência, a Primeira Dama intervirá sobre o papel da ação climática na construção de comunidades mais resilientes, partilhando a visão que tem defendido em prol da proteção do ambiente, da sustentabilidade e do fortalecimento do papel das mulheres e das raparigas na resposta aos desafios climáticos e sociais.
«Concluída a agenda oficial em Angola, a Primeira Dama de Cabo Verde regressará a Casablanca, onde assistirá ao segundo jogo da Seleção Nacional Feminina na competição, antes de viajar rumo a Cabo Verde.
O Presidente cabo-verdiano defendeu a regulamentação do voluntariado nacional e a criação de incentivos para os voluntários, incluindo benefícios no acesso à função pública, progressão na carreira e atribuição de bolsas de estudo.
"Na área da saúde, da educação, das catástrofes, das tempestades e em outros casos significativos, a Cruz Vermelha tem estado sempre presente e tem havido uma forte adesão de jovens, de voluntários, num grande empenhamento cívico para garantir mais solidariedade, mais crescimento das diferentes comunidades", afirmou.
"É importante que o Estado regule o voluntariado nacional, criando as bases para estimular, incentivar e premiar aqueles que participam. Por exemplo, no ingresso na administração pública, no desenvolvimento da carreira, no acesso a bolsas de estudo, jovens que se destacam pelo seu forte empenhamento cívico", afirmou, segundo Nm que cita Lusa, José Maria Neves, na segunda-feira.
O chefe de Estado falava à margem da cerimónia de tomada de posse dos novos órgãos superiores da Cruz Vermelha de Cabo Verde (CVCV).
José Maria Neves considerou ainda necessário reforçar o envolvimento cívico da população em diferentes causas, em particular as relacionadas com a democracia, as liberdades e a dignidade da pessoa humana.
O Presidente destacou o percurso da instituição nos seus 50 anos de existência, considerando que se consolidou como um parceiro indispensável do Estado e das comunidades.
"Na área da saúde, da educação, das catástrofes, das tempestades e em outros casos significativos, a Cruz Vermelha tem estado sempre presente e tem havido uma forte adesão de jovens, de voluntários, num grande empenhamento cívico para garantir mais solidariedade, mais crescimento das diferentes comunidades", afirmou.
Segundo a mesma fonte, na cerimónia, o chefe de Estado deu posse a Arlindo de Carvalho, reeleito presidente da CVCV para um mandato de quatro anos, ao vice-presidente e aos membros do Conselho Superior.
Na ocasião, Arlindo de Carvalho apresentou os eixos prioritários para o novo mandato.
"Todos esses eixos cruzam-se de uma forma muito particular, porque têm no centro as comunidades e as pessoas e têm por base o contexto atual. Temos áreas prioritárias como a saúde e bem-estar, a boa governação, o reforço das capacidades institucionais e, sobretudo, a sustentabilidade financeira e institucional", disse.
Em julho, a ministra da Família, Inclusão, Desenvolvimento Social e Trabalho, Adélsia Almeida, afirmou, durante o lançamento do programa de voluntariado da Fundação Donana de Cabo Verde, que o Governo pondera rever a Lei do Voluntariado, em vigor há 16 anos.
Segundo a governante, o objetivo é analisar o diploma com os parceiros e adaptar a regulamentação às novas dinâmicas sociais.
A ministra pretende ainda recuperar a proposta de criação de um passaporte do voluntariado, destinado ao registo da participação dos voluntários, à valorização desse percurso no currículo e à atribuição de benefícios, incluindo o acesso privilegiado a bens e serviços.
A presidente da Fundação Donana de Cabo Verde, Ana Hopffer Almada, que lançou o programa de voluntariado da instituição, afirmou que o objetivo é alargar a rede de participantes.
"Resolvemos oficializar este programa, criar o cartão do voluntário e uma base de dados, como forma de lhes dar maior visibilidade, porque precisamos de muitos voluntários", afirmou.
Em comunicado remetido ao Asemanaonline, a Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC), através do seu presidente, contesta aquilo que considera ser a sua profunda preocupação perante uma denúncia formal apresentada pelo jornalista profissional Elvis Neves, da Rádio de Cabo Verde (RCV), relativamente a um conjunto de alegados atos de perseguição profissional que, a confirmarem-se, configuram, segundo a mesma fonte, «uma situação de extrema gravidade, com potenciais impactos na dignidade do jornalista», no livre exercício da sua profissão, na liberdade de imprensa e nos princípios que devem orientar um órgão de comunicação social.
Mais. Alerta que a AJOC considera particularmente preocupante a denúncia relacionada com a cobertura da participação da Seleção Nacional Feminina de Futebol na Taça das Nações Africanas, em Marrocos, uma missão jornalística validada pelo núcleo desportivo da RCV e pelo próprio Conselho de Administração da RTC.
Para Geremias Furtado, o jornalista em cuasa denuncia que, ao longo dos últimos meses, tem sido alvo de sucessivas decisões que considera arbitrárias e persecutórias por parte do Diretor da Rádio de Cabo Verde, Marcos Fonseca.« Entre os factos relatados constam a introdução de documentos cuja legalidade e legitimidade o jornalista contesta, a alegada imposição de novas exigências funcionais sem o correspondente enquadramento contratual, manifestações reiteradas de falta de confiança na sua pessoa enquanto profissional, limitações ao exercício das suas funções na antena da Rádio de Cabo Verde e outras decisões que, segundo afirma, têm comprometido seriamente o normal desempenho da sua atividade jornalística», precisou.
Mais. Alerta que a AJOC considera particularmente preocupante a denúncia relacionada com a cobertura da participação da Seleção Nacional Feminina de Futebol na Taça das Nações Africanas, em Marrocos, uma missão jornalística validada pelo núcleo desportivo da RCV e pelo próprio Conselho de Administração da RTC.
«Segundo o jornalista, apesar de se encontrar naquele país como enviado especial da empresa, as reportagens por si produzidas foram impedidas de ser difundidas na antena da RCV por determinação da direção da estação.De acordo com o relato apresentado, terão sido dadas orientações aos editores da Rádio de Cabo Verde para rejeitar peças produzidas pelo jornalista, criando, na prática, um bloqueio à divulgação do seu trabalho junto dos radiouvintes. O jornalista denuncia ainda que, em determinados casos, materiais enviados foram editados, retirando a sua voz, as suas perguntas e outros elementos suscetíveis de identificar a autoria do trabalho jornalístico», acresscenta o presidente da AJOC.
Inquérito e denuncia internacional
A AJOC diz, no entanto, tomar nota de que o Conselho de Administração da RTC anunciou a abertura de um processo de averiguações para o apuramento de responsabilidades. « A Associação espera que este procedimento decorra com total independência, imparcialidade, transparência e celeridade, permitindo o apuramento rigoroso dos factos e a responsabilização de quem, eventualmente, tenha violado direitos laborais, profissionais ou princípios fundamentais da gestão pública»
O sindicato representativo da classe dos jornalistas entende que a abertura de um processo de averiguação não pode servir de fundamento para a manutenção de situações suscetíveis de causar danos irreparáveis à reputação profissional de um jornalista ou comprometer o seu exercício pleno da profissão. Defende que sempre que existam indícios de violação de direitos fundamentais, impõe-se uma atuação diligente das entidades responsáveis para prevenir o agravamento dos prejuízos enquanto decorre o respetivo apuramento.
«A AJOC acompanha este processo com a máxima atenção e deixa claro que não hesitará em recorrer às instâncias nacionais e internacionais competentes para a defesa da liberdade de imprensa, da independência editorial e da proteção dos jornalistas, caso se confirmem práticas atentatórias ao livre exercício da profissão», avisa a organização, advertindo que «nenhum jornalista deve ser alvo de perseguição, intimidação, censura, discriminação ou qualquer outra forma de pressão pelo simples facto de exercer a sua profissão com independência, rigor e responsabilidade», garante o presidente.
Segundo ainda Germeias Furtado, além de outras denúncias de violação do contrato de trabalho e da lei laboral pela RCV, a AJOC diz registar também com preocupação a postura alegadamente silenciosa assumida pelo Conselho de Administração da RTC perante o caso em apreço.
A cruz vermelha de Cabo Verde realiza, de 27 de julho a 1 de agosto de 2026, um ‘workshop’ Nacional de fortalecimento institucional e planificação unificada para desenhar a sua estratégia humanitária até 2027.
O evento foca na capacitação técnica e na gestão de emergências, contando com apoio da federação internacional.
A iniciativa visa fortalecer a resposta organizacional após cheias recentes no país, com a participação de cerca de 50 técnicos e membro da direção.
O Presidente da República Portuguesa visita hoje,23 de julho, às 16h30, as instalações do, data center do Nosi, localizada em Achada Grande Frente, na cidade da Praia.
O evento decorre no âmbito da visita oficial do chefe de Estado português ao arquipélago, para estreitar os laços bilaterais e conhecer de perto a principal infraestrutura tecnológica do país.
A deslocação serve para apresentar o potencial do, data center como motor da transição digital de Cabo Verde e da região da África ocidental.
Para muitas mulheres, o desejo de ser mãe é uma constante que atravessa gerações, para outras, o tempo e as circunstâncias da vida encarregaram-se de transformar a ausência de filhos numa aceitação pacífica ou até num alívio.
Com idades compreendidas entre os 40 e os 60 anos, várias mulheres - umas sob a condição de anonimato, outras assumindo publicamente os seus testemunhos descomplexadamente -, quebraram o silêncio para partilhar o peso de não terem parido, revelando um espectro de emoções que vai do desejo não concretizado à tranquilidade perante o rumo da vida.
Aos 42 anos, a pressão social e o “relógio biológico” continuam a fazer-se sentir com intensidade e, para quem sempre sonhou com a maternidade, o diagnóstico de infertilidade chega, de facto, como uma realidade difícil de assimilar.
“Ver o teste negativo mês após mês é um processo contínuo de adaptação e dor. É um assunto que raramente se debate em aberto, talvez por trazer consigo uma certa sensação de fragilidade em relação ao que a sociedade espera de nós enquanto mulheres. Hoje em dia, a ciência dá-nos esperança e estou a guardar os meus recursos para tentar a fertilização ‘in vitro’. Enquanto houver uma réstia de possibilidade, não vou desistir...”, confessa Cristina, uma das entrevistadas, de 41 anos.
À medida que os anos avançam, a dor original tende a mudar de forma, pelo que, entre as mulheres na casa dos 60 anos que nunca tiveram filhos, o discurso divide-se entre a saudade do que não foi e a serenidade da adaptação.
“Quando tinha 30 ou 40 anos, doía-me profundamente ver as minhas amigas a baptizar os filhos, a levá-los para o jardim infantil, ou a irem às reuniões de escola. Sentia-me de fora. Mas o tempo passa, a vida ganha outros rumos e a gente habitua-se a viver sem essa figura. Hoje, aos 62 anos, aprendi a cuidar de mim e a ser 'mãe' de outros afectos, como sobrinhos e a comunidade”, relata outra mulher.
Também com uma trajectória marcada pela redescoberta de novos propósitos, a jornalista Paula Cavaco partilha a forma como ressignificou o conceito de ser mulher perante a perda e a ausência de filhos biológicos.
“Para mim, enquanto mulher, a realização feminina não está vinculada à obrigatoriedade de gerar filhos. Escolher não ser mãe é uma decisão cada vez mais legitimada nos tempos actuais, onde ser mulher passou a ser uma construção individual, baseada na carreira, na independência, na criatividade ou na maternidade, dependendo apenas do desejo de cada uma”, manifestou Paula Cavaco.
“Estive grávida aos 42 anos e, três meses depois, perdi o bebé. Talvez não estivesse escrito na minha missão neste planeta ser mãe biológica. Porém, sinto-me profundamente grata por ter criado sobrinhas e por ter adoptado uma menina linda de coração e alma”, completou, com ar de satisfação.
Sobre o caminho percorrido entre a dor e a tranquilidade, Paula reflecte sobre a forma como o tempo transforma a ausência em aceitação e paz interior.
“A ausência de filhos é uma jornada profundamente individual, que se divide entre a paz e a aceitação. A paz vem da liberdade de tempo, do foco na carreira, nas viagens, nos projectos pessoais e no fortalecimento de laços afectivos com familiares e amigos. Já a aceitação não se constrói em meses ou anos, mas sim em ciclos, onde a dor gradualmente dá lugar a novas formas de propósito de vida”, enfatizou a jornalista.
Se para umas a ausência de descendência é uma ferida ou uma aceitação, para outras transforma-se num alívio quando observam as dinâmicas familiares actuais.
É que, as transformações sociais e comportamentais dos mais jovens levam algumas mulheres a reavaliar a dor da infertilidade.
“Antigamente achava que me faltava algo por não ter filhos. Hoje, olhando à minha volta, vejo muitos pais desgastados, com filhos ingratos, desobedientes, que só dão preocupações e no fim nem querem saber de quem os criou”, confessa Teresa Medina.
“Quando vejo essa realidade, penso que Deus sabe o que faz. Não lamento de todo não ter passado por isso, ganhei paz de espírito”, desabafa uma entrevistada de 58 anos.
Seja pelo recurso à medicina reprodutiva, pela resignação ao longo do tempo ou pela constatação de que a maternidade não garante a felicidade, estas vozes mostram que não existe um sentimento único perante a infertilidade.
O tema, muitas vezes remetido para o foro íntimo devido ao estigma social, revela que a identidade e a realização feminina extrapolam a capacidade biológica de gerar vida, permitindo que cada mulher encontre, à sua maneira, o seu próprio equilíbrio.
Apesar das perspectivas distintas sobre a maternidade, há um ponto de convergência entre todas as entrevistadas: o desejo de que a sociedade pare de julgar a mulher pela presença ou ausência de filhos.
No final destes relatos, fica um apelo simples e unânime deixado por quem viveu e vive o peso do silêncio.
“Parem de nos perguntar ‘e os filhos, para quando?’. Às famílias, pedimos mais sensibilidade para não transformarem as festas ou conversas num interrogatório doloroso”, rogam.
Ao Estado e ao sistema de saúde, outras pedem que o acesso aos tratamentos de fertilidade não seja um luxo para poucas, mas sim uma opção real e humanizada.
“Mas, acima de tudo, pedimos respeito pelo nosso percurso, quer tenhamos lutado por ter um filho, quer tenhamos aprendido a ser felizes sem ele”, concretizam outras senhoras que deram os seus depoimentos à Inforpress sob compromisso de confidencialidade, garantindo o anonimato.
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