O presidente da Câmara Municipal do Tarrafal de São Nicolau, Neivo Araújo, assegurou hoje que a poda e o corte de palmeiras na cidade visam eliminar os transtornos causados na iluminação pública e reforçar a segurança das pessoas e bens.
Em declarações à Inforpress, o edil explicou que a intervenção decorre de um consenso estabelecido entre a autarquia, instituições parceiras e a própria comunidade local, na sequência de diversas queixas registadas sobre a perda de visibilidade nocturna e falhas na rede pública.
“Após ouvir diversas preocupações por parte da EDEC [empresa responsável pela distribuição de energia eléctrica] e da própria população relativamente aos constrangimentos causados pelas palmeiras, decidimos proceder a poda e corte das mesmas, aumentando a visibilidade nos diferentes locais”, sublinhou Neivo Araújo.
Além das questões de iluminação, o autarca destacou o risco acrescido causado pela fixação de enxames de abelhas nas palmeiras durante a época de floração, situação que vinha a colocar em perigo a integridade física dos munícipes e transeuntes.
Para mitigar o impacto ambiental da medida, Neivo Araújo garantiu que as palmeiras abatidas serão substituídas por outras espécies ornamentais e árvores de fruta, promovendo um ecossistema urbano mais harmonioso, verde e seguro.
Segundo ainda fonte deste jornal, o presidente da câmara concluiu apelando à compreensão e colaboração de todos os cidadãos, reiterando que a segurança e o bem-estar da população continuam a ser o foco central das intervenções autárquicas nos espaços públicos.
A população da ilha Brava voltou a manifestar descontentamento face à falta de transporte marítimo regular, situação provocada pela avaria do navio Liberdadi, que continua indisponível para operar na linha Santiago/Fogo/Brava.
"Estamos presos na Brava sem saber quando vamos conseguir viajar. O Dona Tututa está a fazer a rota Praia/Fogo, mas a Brava ficou fora. É uma situação muito constrangedora e a ilha merece mais respeito", lamentou.
Apesar de a CV Interilhas ter colocado o navio Dona Tututa em operação para assegurar algumas ligações, o programa definido pela empresa não contempla escalas na ilha Brava, deixando dezenas de passageiros retidos e sem uma previsão imediata para viajar.
Em declarações à Inforpress, Kátia Barros afirmou que deveria ter viajado para a cidade da Praia na passada segunda-feira, depois de ter adquirido o bilhete e recebido a respectiva ordem de embarque na sexta-feira anterior.
Segundo explicou, a viagem não se concretizou devido a avaria do navio Liberdadi e, até ao momento, continua sem informações concretas sobre quando poderá deixar a ilha.
"Estamos presos na Brava sem saber quando vamos conseguir viajar. O Dona Tututa está a fazer a rota Praia/Fogo, mas a Brava ficou fora. É uma situação muito constrangedora e a ilha merece mais respeito", lamentou.
Barros acrescentou que tinha uma entrevista de trabalho agendada na cidade da Praia, oportunidade que perdeu devido à interrupção das ligações marítimas.
Na sua perspetiva, o problema dos transportes marítimos na Brava arrasta-se há vários anos e continua sem uma solução definitiva, agravando-se numa altura em que muitas pessoas pretendem viajar devido às férias escolares.
"Viajar para a ilha Brava é sempre uma incerteza, porque nunca sabemos quando vamos conseguir sair da ilha", afirmou.
Segundo a mesma fonte, também o comerciante José Baptista manifestou preocupação com os impactos da situação na atividade económica local.
Segundo disse, o seu estabelecimento comercial já começou a enfrentar ruturas de produtos, sobretudo congelados, água e outros bens essenciais, uma vez que o navio Praia d'Aguada não reúne condições para transportar mercadorias congeladas devido ao tempo de viagem.
José Baptista defendeu a criação de alternativas para evitar que a ilha continue dependente de um único navio.
"Temos trabalhadores para pagar e compromissos para cumprir. Sem mercadorias e sem vendas, torna-se difícil manter os negócios", sublinhou, acrescentando que os passageiros continuam igualmente prejudicados, já que o navio Praia d'Aguada transporta um número limitado de pessoas.
O comerciante apelou às autoridades para encontrarem uma solução definitiva para os problemas dos transportes marítimos para ilha.
Contactada pela Inforpress, a CV Interilhas esclareceu que o navio Liberdadi encontra-se em reparação nos estaleiros navais da Cabnave, em São Vicente, estando a conclusão dos trabalhos prevista para sexta-feira, 24, seguindo-se testes de navegação.
Caso tudo decorra conforme previsto, a embarcação deverá retomar as operações no sábado, 25, restabelecendo as ligações entre Santiago, Fogo e Brava.
Enquanto isso, a empresa informou que colocou o navio Dona Tututa em operação para garantir as ligações ao Maio e ao Fogo e está a preparar um plano para repor gradualmente todas as viagens, reconhecendo que as ligações à Brava só deverão ser retomadas a partir de 25 de Julho.
O Presidente da República vai condecorar o Rosariense Clube da Ribeira Grande e, a título póstumo, Domingos Fernandes, conhecido como Mestre Pascoal, com a Medalha de Mérito, Primeira Classe, pelos respectivos contributos no desporto e na cultura.
A decisão, tornada pública hoje através da publicação de dois decretos presidenciais no Boletim Oficial, oficializa o reconhecimento da Nação a duas referências do património cabo-verdiano.
Através do decreto-presidencial 20/2026, José Maria Neves distingue o Rosariense Clube da Ribeira Grande, considerando que a instituição representa um “marco do desporto nacional” pela sua história e pelo papel desempenhado na ilha de Santo Antão.
Fundado em 1924, na Ribeira Grande, Santo Antão, o Rosariense é descrito no diploma como “uma instituição incontornável no desporto nacional, pela sua longevidade, pelo enraizamento comunitário e pela relevância do seu contributo para a ilha de Santo Antão".
Conforme o decreto, o clube destacou-se “pela contribuição de mais de um século na formação de gerações de jovens atletas, na promoção dos valores do desporto e no fortalecimento do espírito de união e pertença à comunidade de Ribeira Grande”.
Por isso, o Presidente da República considerou que se “impõe que a Nação reconheça e valorize o enorme contributo do Rosariense Clube da Ribeira Grande, património de Santo Antão e de Cabo Verde”, enaltecendo igualmente dirigentes, atletas, treinadores, sócios, adeptos e amigos do clube, no país e na diáspora.
Num segundo diploma, decreto-presidencial 21/2026, José Maria Neves presta homenagem póstuma a Domingos da Ressurreição Fernandes, pelo contributo para a preservação e valorização da cultura tradicional cabo-verdiana.
O Presidente da República destacou que “as tradições populares correm o risco de se perderem, se não forem devidamente preservadas, valorizadas e transmitidas às novas gerações”, por isso, defendeu a criação de “pontes entre o passado e o presente e fazer dialogar a tradição e a inovação”.
Sobre o homenageado, referiu que Mestre Pascoal, através da sua oficina em São Domingos, "ensinou centenas de jovens e crianças a construir e tocar a Cimboa, renovando, deste modo, as esperanças da aproximação das novas gerações aos saberes antigos”.
O diploma recorda ainda que, em 2006, quando o instrumento esteve em risco iminente de desaparecer, Mestre Pascoal assumiu-se como o "pilar central" da campanha de salvaguarda lançada pelo Instituto do Património Cultural, tornando-se uma referência incontornável na afirmação da identidade cultural cabo-verdiana.
Antes do nascer do sol, taxistas e condutores informais (Clan) já estão nas estradas da Praia em busca de passageiros e, entre custos elevados, longas jornadas e incertezas diárias, estes profissionais lutam para garantir o sustento familiar.
Para estes profissionais, cada corrida representa mais do que uma deslocação de passageiros. É uma forma de garantir o sustento familiar num sector onde as despesas aumentam e os desafios tornam-se cada vez maiores.
A Inforpress acompanhou a rotina de três condutores que diariamente enfrentam as estradas da Praia, entre a pressão dos custos operacionais, a insegurança e a necessidade de continuar a trabalhar.
Às 06:00 da manhã, Jorge Andrade já está junto à sua viatura numa das zonas movimentadas da cidade. Antes de iniciar o serviço, verifica os pneus, limpa o interior do carro e certifica-se de que tudo está preparado para mais uma jornada.
Taxista há mais de 20 anos, acompanhou as mudanças no sector e garante que actualmente é necessário trabalhar mais horas para conseguir o mesmo rendimento.
“Hoje temos mais despesas. O combustível está caro, as peças aumentaram de preço e a manutenção do carro pesa muito. Muitas vezes precisamos prolongar o horário de trabalho para compensar”, afirmou.
Durante o dia, percorre diferentes zonas da capital, transportando trabalhadores, estudantes, idosos e visitantes, mas explica que a profissão é marcada pela imprevisibilidade.
“Há dias bons e dias difíceis. Não temos um valor fixo garantido no final do dia, porque dependemos das corridas que aparecem”, contou.
Para Jorge, além das dificuldades financeiras, o sector precisa de maior acompanhamento e diálogo entre os profissionais e as entidades responsáveis.
A profissão também tem atraído pessoas de outras ilhas que procuram na capital novas oportunidades. É o caso de Carlito, natural da ilha do Fogo, que há um ano e meio trabalha como taxista na cidade da Praia.
A mudança surgiu da necessidade de procurar melhores condições de vida, mas a experiência na capital trouxe também momentos de medo.
Com apenas dois meses a viver na Praia, Carlito foi vítima de um sequestro, durante o qual sofreu agressões físicas e psicológicas por parte dos assaltantes.
O episódio durou cerca de cinco horas e, naquele momento, chegou a acreditar que não sairia vivo da situação.
“É perigoso ser taxista na Praia. Neste um ano e meio já fui assaltado e sequestrado. Depois disso fiquei com receio, porque nunca sabemos quem entra no nosso carro ou o que pode acontecer durante uma corrida”, relatou à Inforpress.
Apesar do trauma, afirma que continuar a trabalhar é uma necessidade.
“Tenho medo, mas não tenho outra alternativa. Preciso trabalhar para garantir o meu sustento e da minha família”, afirmou.
Depois do episódio, passou a adoptar mais cuidados durante o serviço, estando mais atento aos passageiros, aos locais solicitados e aos horários das corridas.
Enquanto os táxis licenciados integram o sistema formal de transporte individual, outros condutores encontram no transporte informal, “clan”, uma alternativa de sobrevivência.
Dany, nome fictício, tem 29 anos e há quatro anos trabalha como condutor informal. A decisão surgiu depois de dificuldades em encontrar um emprego estável.
“Foi uma oportunidade que encontrei para conseguir algum rendimento. Não é fácil, porque não temos salário garantido”, explicou.
Segundo o jovem, cada dia representa uma nova incerteza.
“Há dias em que conseguimos fazer algum dinheiro e outros em que quase não compensa, porque também temos combustível, manutenção e outras despesas”, afirmou.
Entre os principais desafios apontados pelos profissionais estão os custos operacionais, sobretudo combustível, peças, revisões mecânicas e outras despesas associadas à manutenção das viaturas.
De acordo com os valores definidos pela Agência Reguladora Multissectorial da Economia (ARME), em Julho de 2026 o preço máximo da gasolina foi fixado em 162 escudos por litro, enquanto o gasóleo normal passou para 139,90 escudos por litro, aumentando a pressão sobre quem depende diariamente da estrada.
Apesar destes avanços, os trabalhadores continuam a apontar desafios como o aumento das despesas, a concorrência do transporte informal e a segurança durante o exercício da profissão.
Para muitos moradores da capital, o táxi continua a ser uma peça fundamental na mobilidade diária.
Ana Teixeira, passageira habitual, utiliza o serviço para se deslocar ao trabalho e reconhece a importância destes profissionais.
“É um transporte importante porque permite chegar mais rápido aos destinos. Mas também esperamos qualidade, segurança e preços acessíveis”, afirmou.
Quando a cidade começa a abrandar e muitas pessoas já regressaram a casa, vários taxistas continuam nas ruas à procura da última corrida do dia.
Entre despesas, riscos e incertezas, seguem ao volante de uma profissão que mantém a Praia em movimento e revela histórias de trabalhadores que todos os dias enfrentam a estrada em busca de melhores dias.
O presidente da Associação Nacional dos Municípios de Cabo Verde (ANMCV) defendeu esta segunda-feira a transferência de mais competências, atribuições e recursos financeiros para as autarquias, considerando que os principais desafios do desenvolvimento do país estão nos municípios.
Fábio Vieira falava à imprensa à margem da apresentação da megacampanha nacional de limpeza e combate às doenças vectoriais, que o Governo promove no próximo sábado, 25, a nível nacional, com envolvimento dos municípios.
Na ocasião, o responsável afirmou que a ANMCV pretende reforçar o diálogo com o Governo e os parceiros de desenvolvimento para concretizar as prioridades definidas na Agenda Autárquica de 2025.
“A Associação Nacional dos Municípios de Cabo Verde aprovou, em 2025, a sua Agenda Autárquica. Temos estado a reforçar o diálogo com o Governo, mas também com todos os parceiros de desenvolvimento de Cabo Verde, porque os desafios estão nos municípios”, afirmou.
Segundo o presidente da ANMCV, a descentralização deve ser acompanhada pelo reforço dos meios colocados à disposição das autarquias, defendendo, neste sentido, a transferência de mais competências, atribuições e mais recursos financeiros.
“Porque o desenvolvimento tem custos e é fundamental que haja previsibilidade e estabilidade no acesso ao financiamento para que os municípios possam implementar as suas agendas de governação sem grandes sobressaltos", sustentou.
O responsável defendeu ainda, o reforço das unidades sanitárias de base e dos cuidados de saúde primários nos municípios, considerando esta uma das prioridades para melhorar a resposta do sistema de saúde junto das populações.
Para Fábio Vieira, é igualmente importante o reforço das delegacias de saúde de Santo Antão à Brava com equipamentos, instrumentos e pessoal médico qualificado, de modo a responder às demandas enfrentadas a nível da saúde.
O presidente da Cabo Verde TradeInvest, Jailson Oliveira, disse esta segunda-feira esperar que o fórum identifique novas oportunidades de negócio, atraia investimento português e melhore o acesso ao financiamento, considerado um dos principais entraves aos projectos no país.
O fórum decorre na quarta-feira, 22, na cidade da Praia, evento que se enquadra na visita do Presidente da República portuguesa, António José Seguro, ao país.
Em entrevista à Inforpress, o presidente do conselho de administração da Cabo Verde TradeInvest, Jailson Oliveira, afirmou que o encontro visa criar condições para que empresários cabo-verdianos e portugueses estabeleçam novas parcerias e reforcem os investimentos.
Segundo o responsável, Portugal continua a assumir um papel de destaque no investimento estrangeiro em Cabo Verde.
A este propósito, indicou que o investimento direto estrangeiro em Cabo Verde cresceu 33,7 por cento (%) em 2025 e que, especificamente, o investimento português registou um crescimento de 100%, representando 28,3% por cento no ano passado.
"O que pretendemos é intensificar ainda mais esse investimento", afirmou, acrescentando que um dos principais constrangimentos identificados pela Cabo Verde TradeInvest continua a ser o acesso ao financiamento.
Segundo Jailson Oliveira, a instituição encerrou o ano passado com uma carteira de investimentos avaliada em cerca de 250 milhões de euros e, apenas nos primeiros seis meses deste ano, esse volume já ascende a 243 milhões de euros.
“Portugal continua sendo um parceiro relevante” acrescentou.
Apesar destes resultados, explicou que vários projectos têm registado atrasos na sua implementação devido às dificuldades de financiamento.
Neste sentido, o Fórum reservará um painel dedicado aos incentivos ao investimento privado, durante o qual serão apresentados os instrumentos nacionais e europeus disponíveis para apoiar investidores interessados em desenvolver projectos em Cabo Verde.
O objectivo, segundo a mesma fonte, é melhorar o acesso à informação sobre os mecanismos de financiamento, reduzir o tempo necessário para obtenção de recursos financeiros e, consequentemente, acelerar a concretização dos investimentos.
O Fórum deverá reunir cerca de 150 participantes, entre empresários cabo-verdianos e portugueses.
Questionado sobre os sectores considerados prioritários para a captação de investimento, Jailson Oliveira apontou o turismo, a indústria, as energias renováveis e a economia digital como áreas estratégicas.
Relativamente ao significado político e institucional do evento, que contará com a presença dos Presidentes da República de Cabo Verde e de Portugal, o responsável destacou que o primeiro resultado esperado passa pelo reforço das relações bilaterais entre os dois países.
Segundo afirmou, a expectativa é que o contexto de maior visibilidade internacional de Cabo Verde permita acelerar a concretização dos projectos portugueses no país, sobretudo através da simplificação dos mecanismos de acesso ao crédito destinados aos investidores.
Jailson Oliveira endereçou ainda uma mensagem aos investidores portugueses em que considerou Cabo Verde um destino seguro para se investir e destacou a estabilidade democrática, a liberdade económica, o bom posicionamento do país no combate à corrupção e a existência de um quadro jurídico sólido para proteção do investimento.
O Governo pretende implementar a tarifa única de 500 escudos nos transportes marítimos a partir de 01 de Janeiro de 2027, após estudos e diálogo com o sector, anunciou hoje, no Mindelo, o ministro do Mar.
João do Carmo Brito fez o anúncio no final de uma visita de trabalho à Enapor – Portos de Cabo Verde, em São Vicente, durante a qual explicou que a concretização da promessa eleitoral exige estudos técnicos, diálogo com os armadores e articulação entre todas as entidades envolvidas.
A mesma fonte assegurou ainda que tal só poderá ser feito após o Governo do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), que assumiu o poder recentemente, ter um orçamento próprio, que só acontece a partir de 01 de Janeiro de 2027.
Segundo o governante, a Enapor terá “um papel determinante” neste processo, não apenas como empresa portuária, mas também como parceira na procura de soluções que permitam reduzir os custos operacionais suportados pelos armadores.
"A Enapor deve funcionar com muita flexibilidade e manter uma relação de diálogo com os armadores para que possamos definir o caminho para atingir a tarifa de 500 escudos", afirmou.
João do Carmo adiantou que dentro dos primeiros 100 dias de governação o executivo apresentará os estudos, as contas e o modelo de implementação da tarifa de 500 escudos para os transportes marítimos e da tarifa de 5.000 escudos para os transportes aéreos.
"Nos 100 dias estaremos em condições de dizer como implementar a tarifa de 500 escudos nos transportes marítimos", garantiu.
Para esse efeito, informou que uma equipa técnica inicia funções a 01 de Agosto, com a missão de analisar os custos do sistema e definir o modelo financeiro que sustentará as novas tarifas.
Questionado sobre a flexibilidade pedida à Enapor, o ministro esclareceu que não se trata de uma compensação financeira directa, mas de um processo de negociação entre as partes.
"A flexibilização passa necessariamente pelo diálogo. Todos têm os seus interesses e todas as partes terão de ceder para chegarmos a uma solução", sustentou.
Relativamente ao actual contrato de concessão do transporte marítimo, João do Carmo Brito reiterou que o Governo respeitará os compromissos assumidos pelo Estado, embora admita proceder à sua análise.
"O Governo do PAICV assume os compromissos do Estado, mas vamos estudar o contrato no sentido de continuar a defender os interesses dos cabo-verdianos", afirmou.
O governante explicou ainda que a compensação indemnizatória actualmente paga pelo Estado à concessionária resulta do contrato de concessão e "não tem nada a ver com a tarifa" cobrada aos passageiros.
Segundo o ministro dos Transportes, as novas tarifas de 500 escudos para as viagens marítimas e de 5.000 escudos para as ligações aéreas destinam-se aos cidadãos cabo-verdianos, residentes e não residentes.
O ministro admitiu que a medida terá impacto nas contas públicas, razão pela qual deverá ser contemplada no Orçamento do Estado para 2027, criando as condições para a sua entrada em vigor a partir de 01 de Janeiro do próximo ano.
A secretária de Estado das Finanças afirmou hoje que a cooperação com o Fundo Monetário Internacional (FMI) se mantém sólida, destacando que a actual missão da instituição visa alinhar os programas existentes às prioridades do novo Governo.
Em declarações à imprensa à margem do encontro de trabalho com a equipa do FMI, Maria Lopes explicou que o executivo pretende introduzir ajustamentos nos programas em curso, sem, contudo, comprometer a parceria de quase cinco décadas entre Cabo Verde e a organização financeira internacional.
"O FMI é um parceiro estratégico e de longa data de Cabo Verde e estou encorajada com a certeza de que continuará a ajudar o país a materializar a visão desta nova governação", afirmou Maria Lopes, sublinhando a aposta na modernização da administração tributária para compensar a redução da ajuda pública ao desenvolvimento.
A governante indicou que o novo executivo pretende conciliar uma forte componente social com a promoção do crescimento económico, priorizando investimentos em conectividade, economia azul, agricultura, resiliência climática e infra-estruturas.
Por seu turno, o chefe da missão do FMI, Martin Schindler, reafirmou a disponibilidade da instituição para continuar a apoiar Cabo Verde, destacando a relação de cooperação construída ao longo de várias décadas.
"O FMI continua preparado para apoiar as políticas económicas de Cabo Verde. Queremos compreender as prioridades do novo Governo e ver como podemos continuar a apoiá-las", declarou.
Martin Schindler explicou que a missão tem como objectivo conhecer as orientações do novo executivo e avaliar de que forma os programas em curso podem acompanhar essas prioridades, mantendo como foco a estabilidade macroeconómica e um crescimento económico inclusivo e sustentável.
O responsável salientou ainda que o acompanhamento do sector empresarial do Estado continuará a ser uma componente importante da cooperação entre as duas partes.
"É importante haver transparência sobre a situação financeira das empresas estatais, porque elas representam responsabilidades e potenciais riscos fiscais para o Governo", afirmou.
Questionado sobre o programa em vigor, Schindler esclareceu que permanecem por concluir duas avaliações previstas no actual acordo entre Cabo Verde e o FMI, cuja aprovação permitirá novos desembolsos de financiamento ao país.
A missão do FMI prolonga-se até 24 de Julho e inclui reuniões de trabalho com os Ministérios das Finanças e da Economia, Comércio, Indústria e Transição Digital, do Banco de Cabo Verde, parceiros, membros da comunidade diplomática, instituições financeiras e representantes do sector privado.
Durante a visita, as partes irão discutir as prioridades do novo executivo em matéria de política económica, bem como a evolução recente da economia nacional, as perspectivas macroeconómicas, monetárias e externas, o desempenho do sector financeiro e as reformas estruturais em curso.
A agenda contempla ainda a avaliação do estado de implementação dos programas apoiados pelo FMI, nomeadamente a Facilidade de Crédito Alargado (ECF) e a Facilidade para a Resiliência e Sustentabilidade (RSF), e a cooperação entre Cabo Verde e a instituição financeira internacional.
As reuniões servirão igualmente para analisar os próximos passos no âmbito do Acordo de Nível Técnico (Staff-Level Agreement – SLA), firmado entre o Governo cabo-verdiano e o FMI.
A fome no mundo diminuiu em 2025, afetando cerca de 645 milhões de pessoas, sendo que quase metade encontram-se em África, segundo um relatório divulgado hoje pela FAO.
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla inglesa), em 2025, 7,8% da população mundial sofria de fome, e em termos regionais, os maiores progressos verificaram-se na Ásia e na América Latina e nas Caraíbas, enquanto os piores dados se registam em África.
Na América Latina e nas Caraíbas, a média situou-se nos 4,8%, o que corresponde a 32 milhões de pessoas, representando uma queda consecutiva desde 2020, ano da pandemia, quando atingia 6,1% nessa região.
A situação é particularmente crítica em África, onde 20% da população está sujeita à subalimentação — ou seja, a uma carência crónica de calorias —, indicou a FAO, no relatório anual “O estado da segurança alimentar e da nutrição no mundo” (SOFI 2026).
De acordo com o documento, dos cerca de 645 milhões de pessoas que passam fome, quase metade encontrava-se em África (309 milhões), enquanto 292 milhões estavam na Ásia e 32 milhões na América Latina e nas Caraíbas.
Após a crise económica pós-covid, que mergulhou na fome milhões de pessoas – cerca de 688 milhões de pessoas afetadas em 2022 -, a situação melhorou, mas sem regressar aos níveis anteriores à pandemia, segundo a agência da ONU.
Em 2015, quando cerca de 600 milhões de pessoas passavam fome, a comunidade internacional estabeleceu, entre os seus “objetivos de desenvolvimento sustentável” para 2030, o de “eliminar a fome e garantir que todos (…) tenham acesso a uma alimentação saudável, nutritiva e suficiente”.
Atualmente, a ONU prevê que entre 510 e 520 milhões de pessoas estarão subalimentadas em 2030, das quais mais de metade em África.
“O centro de gravidade da fome deslocou-se da Ásia para África”, declarou o diretor da divisão de economia agroalimentar da FAO, David Laborde, acrescentando que “há 25 anos, a China ainda tinha um problema de fome, que conseguiu resolver”, e que “a Índia também tem um problema, mas está a envidar grandes esforços para o resolver ativamente”.
Laborde advertiu que, apesar dos conflitos internacionais, das alterações climáticas e de pandemias, “os agricultores e os sistemas alimentares têm demonstrado resiliência (…), mas a capacidade de absorção dos sistemas é limitada”.
“Não temos fomes de grande dimensão como as que se verificaram na década de 1980”, disse.
Por seu lado, o economista-chefe da FAO, Máximo Torero, considera que o facto de a fome mundial ter diminuído pelo terceiro ano consecutivo demonstra que é “possível avançar”, mas alertou que o progresso continua a ser “insuficiente” para cumprir a Agenda 2030.
“As melhorias continuam a ser frágeis, distribuídas de forma desigual e insuficientes para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030. É preciso acelerar os avanços”, afirmou Torero, num comunicado.
No relatório prevê-se que, embora as projeções indiquem uma redução contínua da fome, em 2030 ainda haverá mais de 500 milhões de pessoas a passar fome no mundo, sendo cerca de 56% delas em África.
A CV Interilhas informou que foi suspensaaoperação do navio Liberdade e canceladas as viagens programadas para esta segunda-feira, 20, na rota Santiago / Fogo / Brava, devido a um incidente ocorrido durante a manobra de atracação do navio Liberdade no Porto da Praia.
Conforme adiantou a mesma fonte em comunicado remetido ao Asemanaonline, o navio Liberdadi se encontra temporariamente indisponível para operação, porém estima-se possa retomar a operação na próxima sexta feira, dia 24 de julho, dependendo da conclusão dos trabalhos técnicos e dos respetivos ensaios de validação.
“Durante a manobra de atracação, uma defensa de proteção do cais soltou -se da sua posição, tendo o respetivo cabo de aço ficado enrolado no hélice de bombordo do navio”, avançou.
Segundo a empresa, esta ocorrência provocou a deformação estrutural do hélice, comprometendo as condições técnicas necessárias à operação segura da embarcação.
Na sequência da avaliação efetuada pela equipa técnica, conforme refere a fonte deste jornal digital, foi determinada a suspensão imediata da operação do navio e o consequente cancelamento das viagens programadas para o dia 20 de julho na rota Santiago / Fogo / Brava.
Conforme adiantou a mesma fonte em comunicado remetido ao Asemanaonline, o navio Liberdadi se encontra temporariamente indisponível para operação, porém estima-se possa retomar a operação na próxima sexta feira, dia 24 de julho, dependendo da conclusão dos trabalhos técnicos e dos respetivos ensaios de validação.
A CV Interilhas informou ainda que o navio foi deslocado para São Vicente onde será docado no estaleiro da CABNAVE , para substituição do hélice danificado e realização das verificações estruturais necessárias ao sistema propulsivo, incluindo a inspeção dos apoios e do veio.
De acordo com a empresa, esta intervenção permitirá garantir a reposição integral das condições operacionais e de segurança exigidas para o regresso do navio ao serviço.
A mesma avançou que todos os passageiros afetados foram contactados e informados através dos canais habituais de comunicação da CV Interilhas.
“A empresa encontra-se a avaliar e implementar todas as soluções operacionais disponíveis para minimizar os impactos desta indisponibilidade temporária e assegurar o restabelecimento das ligações marítimas da linha Sotavento com a maior brevidade possível”, destacou.
Asseverou que a segurança dos passageiros, tripulantes e navios constitui a sua principal prioridade. Por esse motivo, a empresa reserva-se o direito de suspender ou cancelar viagens sempre que não estejam reunidas todas as condições necessárias para uma operação segura, independentemente da origem dos fatores que condicionem a navegação.
A fonte deste jornal frisou ainda que durante a ocorrência registada, todos os passageiros e tripulantes a bordo permaneceram em total segurança, não se tendo verificado qualquer ferido ou dano pessoal.
“A CV Interilhas lamenta os transtornos causados aos seus passageiros e agradece a compreensão, confiança e colaboração de todos”, concluiu.
Uma placa evocativa aos obreiros da construção da estrada que liga Ribeira Grande-Porto Novo (Santo Antão) foi descerrada hoje na zona de “Delgadinho” de Corda em homenagem aos trabalhadores da infra-estrutura.
“Delgadinho” de Corda configura-se num miradouro deslumbrante que desperta a atenção dos turistas devido ao corte da estrada numa zona estreita proporcionando vistas panorâmicas deslumbrantes sobre os vales da Ribeira Grande e da Ribeira da Torre.
A homenagem realizada hoje marca o centenário do nascimento de Abel Dias da Silva, encarregado de obras, natural de Famalicão, Portugal, numa iniciativa dos familiares que decidiram eternizar todos os obreiros que trabalharam na construção da estrada.
Durante o acto, o historiador António Maurício disse que a estrada com pico montanhoso muito elevado foi construída nos anos 60 e a zona de “Delgadinho” de Corda é um dos pontos de maior atracção do traçado que mostra como a estrada não obedeceu ao plano inicial projectado pela Metrópole portuguesa ficando com uma engenharia de adaptação devido à orografia montanhosa da ilha.
Conforme a mesma fonte, o traçado construído até Porto Novo é de aproximadamente 36 quilómetros, mas, inicialmente estava projectado para 30 quilómetros de extensão.
“Delgadinho” de Corda configura-se num miradouro deslumbrante que desperta a atenção dos turistas devido ao corte da estrada numa zona estreita proporcionando vistas panorâmicas deslumbrantes sobre os vales da Ribeira Grande e da Ribeira da Torre.
O presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Armindo Luz, disse que a estrada é um “património histórico e humano de Santo Antão e de Cabo Verde” que mostra o papel que os trabalhadores, encarregados de obras e comunidades tiveram na construção da infra-estrutura numa época em que a ligação entre as localidades era feita a pé, por caminhos vicinais.
“Por ocasião da construção da estrada não haviam máquinas pesadas e os trabalhos eram feitos manualmente, por isso temos muito orgulho de segurar este património de modo a reforçar mais a história de Santo Antão que também tem a maior rede de caminhos vicinais de Cabo Verde”, assegurou.
Em nome da família de Abel da Silva, o filho João Dias disse que a homenagem com a placa “é como transformar o espaço num museu” de modo a construir a história de todos que contribuíram com o seu legado na construção da estrada e inscrever o esforço de todos aqueles que deram o seu contributo num projecto duradouro.
O encarregado de obras Abel da Silva, um dos obreiros da construção da estrada, nasceu no dia 18-01-1926 e faleceu a 17-11-2016, tendo integrado a brigada de estradas em Cabo Verde entre 1960 e 1974, concretamente na ilha de Santo Antão onde teve filhos com uma professora cabo-verdiana numa ocasião em que a maior força de trabalho era humana, desenvolvida em “condições de trabalho de extrema dureza” associada ao microclima da região com o nevoeiro, frio e calor intenso do Porto Novo.
Actualmente, além da estrada de acesso pela montanha que cruza a maior floresta de Santo Antão existe uma outra estrada alternativa mais moderna via o litoral da ilha que liga os três municípios.
A Plataforma das ONG realizou esta segunda-feira a primeira reunião do conselho consultivo, órgão criado após a revisão dos estatutos para reforçar a governação, promover a sustentabilidade institucional e fortalecer a capacidade de intervenção da sociedade civil cabo-verdiana.
O Sindicato Nacional dos Pilotos da Aviação Civil (SNPAC) defendeu no domingo que a TACV deve deixar de ser “refém do discurso político”, alertando que declarações sobre um eventual encerramento ou liquidação prejudicam a credibilidade da companhia.
Na perspectiva da organização, a companhia deveria aproveitar esta visibilidade para reforçar a sua marca, conquistar novos mercados e promover o país internacionalmente, em vez de ver a sua imagem fragilizada por discursos que alimentam dúvidas sobre o seu futuro.
Em comunicado, a estrutura sindical manifestou preocupação com as recentes posições públicas sobre o futuro da transportadora aérea nacional, considerando que estas representam “mais um duro golpe” na confiança de passageiros, parceiros, investidores e trabalhadores.
Segundo o SNPAC, a confiança constitui um dos principais activos de uma companhia aérea, pelo que qualquer declaração pública que coloque em causa a sua continuidade tem impacto directo na credibilidade da empresa e na sua capacidade de recuperação.
O sindicato sustentou que estas declarações surgem num momento em que Cabo Verde beneficia de maior projecção internacional, impulsionada pelo crescimento do turismo e pela campanha da Selecção Nacional de Futebol, da qual a TACV é transportadora oficial.
Na perspectiva da organização, a companhia deveria aproveitar esta visibilidade para reforçar a sua marca, conquistar novos mercados e promover o país internacionalmente, em vez de ver a sua imagem fragilizada por discursos que alimentam dúvidas sobre o seu futuro.
O SNPAC defendeu ainda que a TACV constitui uma empresa estratégica para Cabo Verde, pela sua importância na mobilidade entre as ilhas, na ligação à diáspora, no desenvolvimento do turismo, da economia e na afirmação internacional do país.
Recordou o impacto negativo de paralisações anteriores da companhia, que resultaram em isolamento do arquipélago, perda de conectividade, o aumento dos preços das passagens e transtornos para milhares de cabo-verdianos residentes e na diáspora.
A organização sindical destacou também o papel dos trabalhadores, afirmando que estes continuam a assegurar as operações com profissionalismo e sentido de missão, apesar dos “incumprimentos laborais, atrasos salariais e outras dificuldades”.
O comunicado sublinha ainda que a TACV desempenhou, ao longo de vários anos, um papel relevante no desenvolvimento nacional, gerando riqueza, divisas e colocando os seus recursos ao serviço do Estado em diferentes momentos, razão pela qual considera existir um dever moral do Estado para com a empresa.
Embora reconheça que a gestão da companhia é da responsabilidade do Estado, o sindicato frisou que preservar a sua credibilidade também constitui uma responsabilidade pública, advertindo que discursos que fragilizem a confiança dos mercados, dos passageiros e dos parceiros internacionais dificultam a recuperação da transportadora.
O SNPAC alertou igualmente que, num contexto de escassez mundial de profissionais qualificados da aviação, este tipo de declarações enfraquece a capacidade da TACV para atrair e reter talentos, com reflexos na imagem de estabilidade e confiança de Cabo Verde.
O sindicato concluiu apelando para que a TACV seja retirada do debate partidário e integrada, em definitivo, na agenda estratégica de desenvolvimento nacional.
O principal accionista privado da TACV, Vítor Fidalgo, manifestou hoje concordância com a posição do ministro dos Transportes e Mar sobre a situação da companhia aérea e defendeu “uma profunda reestruturação” da empresa.
Explicou que identificou um potencial parceiro europeu disposto a trabalhar com a companhia sem exigir garantias do Estado cabo-verdiano, com o objectivo de reforçar a sua presença no mercado internacional da aviação comercial.
"O conselho de administração já tem conhecimento desse parceiro, tem vindo a trabalhar com ele e acredito que estamos perante uma oportunidade óptima para relançar a TACV e fazê-la andar com os seus próprios pés no mercado internacional da aviação comercial", declarou.
Vítor Fidalgo considerou “insustentável o actual modelo da companhia” e disse que proposta já é do conhecimento do conselho de administração.
Revelou que apresentou um potencial parceiro europeu para apoiar o relançamento da companhia aérea de bandeira.
Vítor Fidalgo, que detém 6,5 por cento (%) do capital social da TACV, afirmou à Rádio de Cabo Verde (RCV) que a empresa "não pode continuar como está", por considerar que os custos operacionais não são cobertos pelas receitas, situação que tem originado um défice crónico e elevado risco financeiro.
O acionista considerou “normal que o Governo procure soluções para inverter este cenário” e, na sua perspectiva, o ministro dos Transportes e Mar, João do Carmo Brito, apresentou uma “abordagem clara e objetiva ao hierarquizar as alternativas para o futuro da transportadora”.
Na sua análise, a primeira opção deverá passar por uma “reestruturação profunda” da empresa, seguindo-se uma parceria estratégica com investidores, associada à redefinição do modelo de negócio.
"Eu uniria a segunda e a terceira soluções. Uma parceria estratégica enquadrada numa redefinição do modelo de negócio", afirmou.
Vítor Fidalgo revelou ainda que desde Janeiro está em análise uma proposta de parceria que apresentou ao conselho de administração da TACV.
Explicou que identificou um potencial parceiro europeu disposto a trabalhar com a companhia sem exigir garantias do Estado cabo-verdiano, com o objectivo de reforçar a sua presença no mercado internacional da aviação comercial.
"O conselho de administração já tem conhecimento desse parceiro, tem vindo a trabalhar com ele e acredito que estamos perante uma oportunidade óptima para relançar a TACV e fazê-la andar com os seus próprios pés no mercado internacional da aviação comercial", declarou.
Questionado sobre a realização de uma assembleia-geral para apreciar a proposta, o accionista reconheceu que a mudança de Governo, na sequência das eleições legislativas de Maio, aconselha algum tempo para que o novo ministro conheça os dossiês da empresa e avalie as soluções existentes.
Ainda assim, assegurou que os acionistas estão disponíveis para participar numa assembleia-geral "em qualquer momento" e apoiar o plano que vier a ser apresentado pelo conselho de administração.
Segundo Vítor Fidalgo, o parceiro identificado possui uma visão clara do mercado da aviação comercial e já trabalha na estruturação financeira da operação.
Neste modelo, acrescentou, a TACV entraria na parceria com as licenças de que dispõe para operar voos transatlânticos e com os seus recursos humanos especializados.
Os jornalistas Edneia Barros (RCV), Dulcina Mendes (Expresso das Ilhas) e Lúcio Baptista (Record Cabo Verde) foram os vencedores da segunda edição do Prémio Nacional de Jornalismo em Protecção Social, anunciado hoje na capital.
O Presidente da República defendeu hoje, em Luanda, a necessidade de se reconfigurar o conceito de desenvolvimento e colocar o ser humano e a sua dignidade no centro das políticas globais, como forma de promover a paz.
O Presidente chamou ainda a atenção para os impactos desiguais da actual conjuntura internacional, salientando que os países que menos contribuem para a instabilidade são os que mais sofrem as suas consequências.“Refiro-me às populações mais carenciadas e aos Estados mais vulneráveis, em especial os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, como Cabo Verde. Somos nações sem recursos minerais, sem indústrias de armamento, mas cujas economias abertas sofrem de forma imediata”, apontou.
José Maria Neves falava em mensagem vídeo, ao intervir na Cimeira da Aliança das Civilizações das Nações Unidas, realizada em Luanda, dedicada à reflexão sobre os desafios do continente africano e da ordem internacional.
Segundo José Maria Neves, o panorama geopolítico contemporâneo, “longe de caminhar para a harmonia profetizada no pós-Guerra Fria”, é hoje caracterizado por guerras e violência que “sobrepõem-se à diplomacia”, enquanto o multilateralismo e as regras do Direito Internacional, “outrora concebidos como o escudo dos mais fracos”.
O Presidente chamou ainda a atenção para os impactos desiguais da actual conjuntura internacional, salientando que os países que menos contribuem para a instabilidade são os que mais sofrem as suas consequências.
“Refiro-me às populações mais carenciadas e aos Estados mais vulneráveis, em especial os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, como Cabo Verde. Somos nações sem recursos minerais, sem indústrias de armamento, mas cujas economias abertas sofrem de forma imediata”, apontou.
Para o Presidente da República, “a arquitetura da Paz não se constrói apenas com a ausência de guerra, mas com a presença de justiça e dignidade”, e defendeu que o desenvolvimento deve assentar na valorização da pessoa humana.
Neste sentido, recordou a recente Conferência Internacional sobre a Crioulidade Atlântica, realizada na Praia, onde, segundo disse, ficou demonstrado que “o diálogo intercultural e a hibridização de saberes são antídotos naturais contra o extremismo”.
“A Crioulidade ensina-nos que a identidade não é um sistema fechado, mas uma ponte; não é uma trincheira, mas um espaço de confluência”, afirmou.
José Maria Neves recorreu ainda ao exemplo da seleção nacional de futebol, os Tubarões Azuis, para defender que a convivência entre os Estados deve assentar no respeito pelas regras, na disciplina e no fair-play.
O mesmo evocou Amílcar Cabral ao lembrar que “a nossa luta não era contra povos, mas contra sistemas de opressão”, para defender que a paz duradoura exige o respeito pelo Direito Internacional e pela dignidade dos povos.
“Se queremos o fim dos conflitos e o respeito pelo Direito Internacional, as grandes potências devem abdicar da lógica da força e abraçar a força da razão e da equidade cultural”, concluiu.
O parlamento aprovou hoje, por unanimidade, a deslocação do Presidente da República, António José Seguro, a Cabo Verde, para a sua primeira visita de Estado, a convite do seu homólogo cabo-verdiano, José Maria Neves, na próxima semana.
Numa nota hoje publicada no sítio oficial da Presidência da República na Internet, refere-se que António José Seguro "realiza a sua primeira visita de Estado a Cabo Verde, nos próximos dias 21 a 23 de julho", a convite do Presidente José Maria Neves, e que "o programa decorrerá nas Ilhas de Santiago e Boa Vista".
Também o Presidente da República Jorge Sampaio escolheu Cabo Verde para a sua primeira visita de Estado, em maio de 1996 -- que foi também a sua primeira deslocação ao estrangeiro, seguida de uma visita de Estado a Espanha.
O anterior chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, fez a sua primeira visita de Estado a Moçambique, em maio de 2016. Os primeiros destinos que visitou no estrangeiro, no início de cada mandato, foram o Vaticano e Espanha.
Numa nota hoje publicada no sítio oficial da Presidência da República na Internet, refere-se que António José Seguro "realiza a sua primeira visita de Estado a Cabo Verde, nos próximos dias 21 a 23 de julho", a convite do Presidente José Maria Neves, e que "o programa decorrerá nas Ilhas de Santiago e Boa Vista".
Na Ilha de Santiago, "o programa inclui encontros com as autoridades cabo-verdianas, um Fórum Económico Cabo Verde-Portugal, uma receção com a Comunidade Portuguesa e momentos representativos da cooperação bilateral em vários setores, designadamente nas áreas da educação, língua portuguesa, cultura, saúde, defesa e segurança marítima".
Na Ilha da Boa Vista, "destaca-se a participação dos presidentes da República dos dois países na abertura da V Conferência da Década do Oceano, uma iniciativa da Presidência da República cabo-verdiana, sob o lema 'Economia Azul: Caminhos Sustentáveis', que decorrerá no dia 23 de julho", lê-se na nota.
O Presidente Mário Soares fez as suas primeiras visitas de Estado a São Tomé e Príncipe e a Cabo Verde, em datas seguidas, em dezembro de 1986. Antes, fez várias deslocações, incluindo à Suécia, ao Reino Unido, a França e a Espanha.
Por sua vez, a primeira visita de Estado do Presidente Aníbal Cavaco Silva foi a Espanha, em setembro de 2006. Antes, foi quatro vezes ao estrangeiro, a primeira das quais à Cidade da Praia, para a posse do então Presidente de Cabo Verde, Pedro Pires, para um segundo mandato.
António José Seguro, que tomou posse como Presidente da República em 09 de março, fez a sua primeira visita oficial ao estrangeiro cerca de mês e meio depois, a Espanha. Nessa visita, entre 19 e 20 de abril, foi recebido pelo Rei Felipe VI, e pelo chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, em Madrid.
Depois disso, o chefe de Estado foi duas vezes a Itália, esteve no Luxemburgo e nos Estados Unidos da América, regressou a Espanha e deslocou-se a França para um encontro com o Presidente francês, Emmanuel Macron, em Paris, que tinha sido adiado.
O primeiro-ministro, Francisco Carvalho, afirmou hoje que as acusações deduzidas pelo Ministério Público contra si, relativas ao período em que presidia à Câmara Municipal da Praia, representam “uma tentativa de desestabilização política”.
"O nosso foco é materializar o programa ‘Cabo Verde para Todos’", declarou, assegurando que o Governo continuará concentrado na redução do custo de vida, na melhoria dos serviços públicos, na educação, na saúde e nos transportes entre as ilhas.
O chefe do Governo, que falava numa comunicação ao país, assegurou, contudo, que enfrentará o processo com "serenidade, transparência e total confiança" na justiça.
Falando aos jornalistas, na sequência da acusação do Ministério Público, que também abrange quatro antigos vereadores da Câmara Municipal da Praia, Francisco Carvalho disse falar "não apenas como primeiro-ministro", mas como "um cabo-verdiano profundamente preocupado" com o que considera ser um ataque às instituições democráticas do país.
Segundo o chefe do Governo, a utilização de processos judiciais para criar suspeições sobre responsáveis políticos constitui uma ameaça à imagem internacional de Cabo Verde, país que, frisou, construiu ao longo de décadas uma reputação de estabilidade democrática e respeito pelas instituições.
A mesma fonte afirmou que desde que assumiu a presidência da câmara da Praia tem sido alvo de “sucessivos ataques políticos”, mas garantiu que sempre respondeu perante a justiça e continuará a fazê-lo, reiterando o seu "absoluto respeito" pelas instituições judiciais.
Ainda assim, considerou que a actual situação configura "uma tentativa de golpe de Estado disfarçado de oposição", alegando existir uma estratégia para alcançar, por outras vias, aquilo que, segundo disse, não foi conseguido através das eleições.
Questionado pelos jornalistas sobre as acusações relacionadas com alegados crimes de atentado ao Estado de Direito Democrático e falsificação de documentos, o primeiro-ministro evitou comentar o mérito do processo, preferindo reafirmar que a prioridade do executivo será a implementação do programa de governação.
"O nosso foco é materializar o programa ‘Cabo Verde para Todos’", declarou, assegurando que o Governo continuará concentrado na redução do custo de vida, na melhoria dos serviços públicos, na educação, na saúde e nos transportes entre as ilhas.
Francisco Carvalho anunciou ainda que, a partir da apreciação parlamentar do Programa do Governo e da moção de confiança, prevista para o dia 17, o executivo estará "totalmente concentrado" na execução das medidas apresentadas aos cabo-verdianos.
Na mesma intervenção, o chefe do Governo lançou ainda dúvidas sobre a origem da acusação, questionando "onde foi redigida" e em "que gabinete de consultoria jurídica".
O Ministério Público deduziu acusação contra Francisco Carvalho, na qualidade de ex-presidente da Câmara Municipal da Praia, e contra quatro antigos vereadores, num processo relacionado com a gestão do município. O processo segue agora os trâmites judiciais competentes, cabendo ao tribunal apreciar a acusação e decidir sobre a sua eventual pronúncia.
22 dias atrás 17 horas atrás
SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...