Cerca de 1.200 alunos regressam hoje às aulas na ilha do Maio, num novo ano lectivo que elege como prioridade a melhoria do processo de ensino e aprendizagem, sobretudo para alunos com necessidades educativas especiais.
Segundo a delegada do Ministério da Educação, Esmeralda Martins, os preparativos decorreram na normalidade, estando contabilizados 1.194 alunos e mais de 50 professores no arranque do ano escolar.
Segundo a Inforpress, o responsável destacou como uma das prioridades a melhoria do processo de ensino-aprendizagem, reforçando o acompanhamento pedagógico dirigido aos alunos com necessidades educativas especiais para garantir respostas mais inclusivas.
No domínio da acção social escolar, Esmeralda Martins informou que a delegação está a ultimar a logística do transporte escolar, estando a entrega dos kits de material aos alunos mais vulneráveis assegurada para o primeiro dia de aulas.
A abertura oficial das actividades lectivas acontece na Escola Secundária Horace Silver, com a participação do colectivo de docentes, responsáveis dos serviços, pais e encarregados de educação.
Para a habitual semana cívica está previsto um conjunto diversificado de actividades, entre as quais rodas de conversa abertas, visitas de estudo e plantação de árvores, todas enquadradas na temática da acção climática.
As actividades pretendem envolver a comunidade educativa na sensibilização para as questões ambientais, promovendo a participação dos alunos em acções relacionadas com a protecção do ambiente e a resposta às alterações climáticas.
A delegação escolar de São Lourenço dos Órgãos prevê iniciar as aulas na segunda-feira, 21, com cerca de 1.350 alunos e 125 professores, enquanto prosseguem os preparativos nas escolas e intervenções de reabilitação.
O delegado do Ministério da Educação no concelho, Adilson de Oliveira, avançou estes dados Inforpress e esclareceu que os números ainda podem sofrer alterações, tendo em conta possíveis entradas e saídas de alunos e a chegada de professores para o preenchimento de vagas.
Em termos de infra-estruturas, este responsável indicou que a delegação acompanhou as condições das diferentes escolas do município, com intervenções de reabilitação em curso na escola de São Jorge e na escola de Boca Larga, esta última a necessitar de mais intervenções.
No domínio da alimentação escolar, apontou como uma das prioridades a garantia da refeição quente em todas as escolas do município, com previsão de implementação a partir da segunda semana do ano lectivo.
O delegado destacou igualmente a necessidade de promover um ensino de qualidade, alinhado com as orientações definidas para o sector da educação, com atenção a áreas como as tecnologias, artes, línguas estrangeiras e educação para a cidadania.
A formação dos alunos, segundo a mesma fonte, deve contemplar não apenas os conhecimentos académicos, mas também competências relacionadas com “o saber ser, saber estar, saber viver em sociedade e saber fazer”.
Adilson de Oliveira realçou ainda a importância da educação inclusiva, particularmente no acompanhamento de crianças com necessidades educativas especiais.
Explicou que o município dispõe de um coordenador de educação inclusiva e de uma equipa de apoio técnico, que inclui psicólogos e assistentes sociais, para trabalhar com alunos que enfrentam dificuldades específicas.
A mesma fonte considerou fundamental a articulação entre os diferentes níveis de ensino, desde o pré-escolar ao ensino básico e secundário, de modo a garantir um acompanhamento contínuo e uma resposta educativa integrada.
Na mensagem dirigida à comunidade educativa, Adilson de Oliveira apelou à confiança, esperança e trabalho conjunto entre professores, alunos, famílias e instituições, sublinhando que o envolvimento dos pais é essencial para o sucesso escolar.
Reconheceu, contudo, que a participação das famílias continua a ser um dos pontos que precisam de ser reforçados, defendendo uma maior aproximação entre a escola e a comunidade.
“Se os pais não conseguem ir à escola, a escola tem que ir à comunidade”, afirmou, apelando aos encarregados de educação para encontrarem formas de acompanhar o percurso dos filhos, mesmo perante as dificuldades e exigências do trabalho.
O delegado reiterou o compromisso da delegação em garantir um ano lectivo organizado, com condições infra-estruturais, pedagógicas e administrativas adequadas ao desenvolvimento do processo educativo no município.
Cansado de esperar por uma resposta que nunca chega, Nilton Victor Fernandes, ex-aluno do extinto Instituto Pedagógico de Cabo Verde residente em Lisboa-Portugal, procurou o jornal A Semana para, através de uma carta aberta, dununciar aquilo que considera o silêncio das autoridades perante o seu pedido que mofa nas prateleiras. Em cuasa está o documento sobre os seus "conteúdos programáticos académicos" que solicitou à Universidade de Cabo Verde para o reconhecimento de habilitaçoes literárias e prosseguir a sua vida profissional e académica nas terras lusas.
"Apelo, por isso, através das páginas deste prestigiado jornal, para que a Reitoria da Universidade e as autoridades competentes que tutelem o setor assumam as suas responsabilidades com a máxima urgência", lê-se na carta.
Na sua missiva, critica que há quase cinco meses que solicitou formalmente os seus conteúdos programáticos académicos, um documento que, segundo ele, é essencial para que possa dar início ao processo de reconhecimento das suas habilitações literárias em Portugal e prosseguir com a sua vida profissional e académica.
"Infelizmente, desde então, tenho batido a portas que teimam em não se abrir. Os serviços académicos da universidade e a própria Reitoria remeteram-se a um silêncio absoluto, ignorando os meus sucessivos pedidos e prazos. Perante esta ausência de resposta, decidi escalar o problema e enviei exposições escritas para o Ministério da Educação e Ensino Superior, para a ARES (Agência de Regulação e Supervisão do Ensino Superior agora extinta) e para a Provedoria de Justiça. Para meu espanto e profunda indignação, nenhuma destas entidades se dignou a dar qualquer resposta ou justificação", acrescenta.
No meio deste vazio institucional, fez questao de realçar que a única exceção foi a Provedoria do Estudante da Universidade, que acolheu a sua reclamação. "Contudo, apesar da sua intervenção, o processo continua completamente parado há quase um mês, sem qualquer evolução prática".
Diante de tudo isto, questiona que não está a falar apenas de burocracia ou de papéis. "Estamos a falar do futuro de um cidadão que investiu na sua formação e que vê os seus projetos de vida bloqueados pela inércia, falta de articulação e desrespeito pelos direitos dos estudantes por parte de quem tem o dever de os salvaguardar".
"Apelo, por isso, através das páginas deste prestigiado jornal, para que a Reitoria da Universidade e as autoridades competentes que tutelem o setor assumam as suas responsabilidades com a máxima urgência", lê-se na carta, que publicamos a seguir.
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Exmo Senhor Diretor do Jornal A Semana,
Eu, Nilton Victor Fernandes, residente Lisboa - Portugal, ex-aluno do extinto Instituto Pedagógico de Cabo Verde que foi integrado na Universidade de Cabo Verde, Venho, por este meio, expor publicamente a situação de total desamparo e silêncio institucional em que me encontro, na esperança de que a exposição pública possa sensibilizar quem de direito a resolver um processo que se arrasta inexplicavelmente.
Há quase cinco meses, solicitei formalmente os meus conteúdos programáticos académicos, um documento essencial para que possa dar início ao processo de reconhecimento das minhas habilitações literárias em Portugal e prosseguir com a minha vida profissional e académica.
Infelizmente, desde então, tenho batido a portas que teimam em não se abrir. Os serviços académicos da universidade e a própria Reitoria remeteram-se a um silêncio absoluto, ignorando os meus sucessivos pedidos e prazos. Perante esta ausência de resposta, decidi escalar o problema e enviei exposições escritas para o Ministério da Educação e Ensino Superior, para a ARES (Agência de Regulação e Supervisão do Ensino Superior) e para a Provedoria de Justiça. Para meu espanto e profunda indignação, nenhuma destas entidades se dignou a dar qualquer resposta ou justificação.
No meio deste vazio institucional, a única exceção foi a Provedoria do Estudante da Universidade, que acolheu a minha reclamação. Contudo, apesar da sua intervenção, o processo continua completamente parado há quase um mês, sem qualquer evolução prática.
Não estamos a falar apenas de burocracia ou de papéis; estamos a falar do futuro de um cidadão que investiu na sua formação e que vê os seus projetos de vida bloqueados pela inércia, falta de articulação e desrespeito pelos direitos dos estudantes por parte de quem tem o dever de os salvaguardar.
Apelo, por isso, através das páginas deste prestigiado jornal, para que a Reitoria da Universidade e as autoridades competentes que tutelem o setor assumam as suas responsabilidades com a máxima urgência. O direito à informação e à emissão de documentos académicos não pode ser um favor dependente da boa vontade de quem gere os serviços, mas sim um dever legal e ético.
Os tribunais cabo-verdianos receberam 14.419 novos processos no ano judicial de 2025/2026, mais 5,9% do que no período anterior, e alcançaram uma taxa de resolução de 95,4%, anunciou o presidente do Conselho Superior da Magistratura Judicial (CSMJ).
O STJ tinha 303 processos pendentes e decidiu 537 durante o período em análise, alcançando uma taxa de resolução de 217% face ao número de processos entrados.
"Fomos confrontados com um aumento significativo do número de processos. Estamos a falar de 14.419, o que representa um aumento de 5,9% relativamente ao ano transato", afirmou Bernardino Delgado, após entregar, no dia 18, o relatório anual sobre a situação da justiça ao presidente em exercício da Assembleia Nacional, Adilson Jesus.
Segundo Nm que cita Lusa, a taxa de resolução correspondente a uma média anual de 335 decisões por magistrado, segundo Bernardino Delgado, que destacou que esta capacidade de resposta "permitiu evitar um aumento da pendência".
O presidente do CSMJ atribuiu o aumento da procura dos tribunais à maior facilidade de acesso à justiça e à confiança dos cidadãos nas instituições judiciais, mas também à falta ou ao funcionamento insuficiente de mecanismos alternativos de resolução de litígios.
Além disso, apontou como exemplos os julgados de paz, existentes em Portugal e no Brasil, e os tribunais comunitários nos Estados Unidos, mecanismos que atuam antes da intervenção dos tribunais e podem reduzir a entrada de novos processos.
No Supremo Tribunal de Justiça (STJ), o CSMJ destacou ainda a redução da pendência processual pelo terceiro ano consecutivo, revela a mesma fonte.
O STJ tinha 303 processos pendentes e decidiu 537 durante o período em análise, alcançando uma taxa de resolução de 217% face ao número de processos entrados.
Bernardino Delgado disse que o desempenho do STJ deve servir de referência para os tribunais de primeira e segunda instâncias.
O presidente do CSMJ destacou que, de uma forma geral, os tribunais funcionaram durante o ano judicial num quadro de "normalidade institucional e com independência funcional" face aos restantes poderes, considerando este um aspeto essencial ao funcionamento das instituições num Estado de direito democrático.
O primeiro-ministro, Francisco Carvalho, participa pela primeira vez na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), onde fará a sua primeira intervenção perante dezenas de chefes de Estado e de Governo.
No dia 22, estará presente na abertura do debate geral da 81.ª sessão da Assembleia Geral, no encontro de alto nível sobre a implementação do Pacto para o Futuro em África e numa reunião dedicada à proteção dos direitos das crianças perante a inteligência artificial.A agenda inclui ainda uma receção oferecida pelo Presidente dos Estados Unidos por ocasião da Assembleia Geral.
O chefe do Governo viaja este fim de semana para os Estados Unidos da América (EUA), onde vai representar Cabo Verde na 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, sob o lema “Restaurar a confiança, gerir a transformação: uma Organização das Nações Unidas que serve todos”, que decorre de 21 a 26 de Setembro.
Segundo a Inforpress, a delegação governamental integra os ministros dos Negócios Estrangeiros e Comunidades, Manuel Amante da Rosa, da Cultura, Indústrias Criativas, Juventude e Desporto, António Duarte, e da Família, Inclusão, Desenvolvimento Social e Trabalho, Adélsia Almeida.
Em Nova Iorque, Francisco Carvalho participa, no dia 21, num evento promovido pela União Europeia e no encontro “Championing Diversity in Times of Adversity: Standing Up for LGBTI Persons”, além de uma mesa-redonda ministerial promovida pelo Reino Unido.
No dia 22, estará presente na abertura do debate geral da 81.ª sessão da Assembleia Geral, no encontro de alto nível sobre a implementação do Pacto para o Futuro em África e numa reunião dedicada à proteção dos direitos das crianças perante a inteligência artificial.
A agenda inclui ainda uma receção oferecida pelo Presidente dos Estados Unidos por ocasião da Assembleia Geral.
Para 23 de Setembro estão previstos o painel de alto nível “Reaffirming the Promise of Peace: Using the Power We Have”, promovido pela Finlândia, a reunião de alto nível para assinalar os 40 anos da Declaração sobre o Direito ao Desenvolvimento, onde o primeiro-ministro fará uma intervenção, e o lançamento da OceanEye Alliance, iniciativa da União Europeia e do Canadá destinada a reforçar a observação dos oceanos.
Ainda nesse dia, prossegue a Inforpress, Francisco Carvalho participa na reunião de alto nível do secretário-geral da ONU sobre ação climática e transição justa, onde também fará uma intervenção.
No dia 24, participa na reunião de líderes da AOSIS e no encontro de alto nível sobre as ameaças existenciais decorrentes da subida do nível do mar, onde intervirá e será co-presidente.
No dia 25, tem na agenda a participação na reunião de alto nível sobre prevenção, preparação e resposta a pandemias.
No dia 26, intervém no debate geral e mantém um encontro bilateral com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.
Ainda nos Estados Unidos, de 27 a 30 de Setembro, a delegação liderada pelo primeiro-ministro estará nos estados de Massachusetts e Rhode Island, onde realizará vários encontros com as comunidades cabo-verdianas.
Durante a deslocação, Francisco Carvalho deverá encontrar-se com a governadora de Massachusetts, o governador de Rhode Island, um grupo de senadores e o mayor de Boston.
Conforme ainda a fonte deste jornal, o programa de Francisco Carvalho inclui uma visita à Escola Lilla Frederick, encontros com jovens empresários e mulheres profissionais cabo-verdianas, uma visita a uma fábrica de um empresário cabo-verdiano e a outros empreendimentos de emigrantes cabo-verdianos.
O Memorial de Veteranos Cabo-verdiano-Americanos e o Museu Cabo Verde, em Pawtucket, integram igualmente o roteiro, que contempla ainda um encontro com a comunidade cabo-verdiana de Rhode Island.
A missão oficial aos Estados Unidos da América do chefe do governo de Cabo Verde decorre de 20 de Setembro a 01 de Outubro, estando o regresso da delegação à cidade da Praia previsto para 02 de Outubro.
A Presidente da República Interina, Janira Hoppfer Almada, preside, na segunda-feira, 21 de setembro, às 10h00, no Hotel Belorizonte, na ilha do Sal, à cerimónia oficial de abertura da Conferência Anual 2026 da African Bar Association, que decorrerá de 20 a 24 deste mês de setembro.
Segundo a chefia do Estado de Cabo Verde, a atividade, coorganizada pela Ordem dos Advogados de Cabo Verde enquanto anfitriã, deverá reunir mais de 500 advogados, magistrados, académicos responsáveis institucionais e outros profissionais, provenientes de diferentes países africanos e de outras partes do mundo.
O fórum tem como "Resilient Africa's Roadmap for Sustainable Development: Strengthening and Addressing Issues of Military, Security and Economic Stability" (Roteiro de uma África Resiliente para o Desenvolvimento Sustentável: Reforço e Resposta aos Desafios da Estabilidade Militar, da Segurança e da Estabilidade Económica).
Segundo a chefia do Estado de Cabo Verde, a atividade, coorganizada pela Ordem dos Advogados de Cabo Verde enquanto anfitriã, deverá reunir mais de 500 advogados, magistrados, académicos responsáveis institucionais e outros profissionais, provenientes de diferentes países africanos e de outras partes do mundo.
Para a Ordem dos Advogados de Cabo Verde, a escolha do país para acolher este importante encontro da advocacia africana constitui não só uma distinção para a classe, mas também uma oportunidade para projetar as Ilhas enquanto Estado de Direito democrático comprometido com os valores da justiça, dos direitos humanos, da boa governação e da integração africana.
«Espera-se que a Conferência venha a constituir um importante contributo para o reforço do diálogo entre as instituições jurídicas africanas e para uma reflexão qualificada em torno dos principais desafios que atualmente se colocam ao nosso continente, designadamente nos domínios da consolidação do Estado de Direito, da segurança, da estabilidade institucional, do desenvolvimento económico e da integração africana», lê –se no comunicado da Presidência da República remetido ao ASemanaonline.
Os pais e encarregados de educação do Tarrafal de Monte Trigo, no município do Porto Novo, na ilha de Santo Antão, reivindicaram este sábado a criação de um parque infantil nesta localidade.
O porta-voz dos pais e encarregados de educação, João da Luz, disse à Inforpress que se trata de uma infra-estrutura muito desejado pelas famílias no Tarrafal de Monte Trigo, considerando que esta zona já precisa de um espaço do tipo para o lazer das crianças.
A mesma fonte avançou que existe já um espaço que oferece condições para a construção do parque infantil, incitando a Câmara Municipal do Porto Novo a colocar este projecto na sua agenda.
A Inforpress soube que a edilidade tem em carteira a construção de um parque infantil na cidade do Porto Novo.
A nova vice-reitora para o Planeamento Estratégico, Avaliação e Transformação Institucional da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) disse esta sexta-feira no Mindelo que elegeu humanização, colaboração e cultura orientada para resultados como prioridades do seu mandato.
Segundo a nova vice-reitora, a universidade deve colocar as pessoas no centro da sua transformação e lembrou que “por detrás de cada indicador, existe uma pessoa, assim como por detrás de cada processo, existe alguém que espera e por detrás de cada estudante, existe um projecto de vida”.
Maria Zenaida Leite no acto de tomada de posse como a nova vice-reitora para o Planeamento Estratégico, Avaliação e Transformação Institucional da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) em substituição a João Almeida Medina.
A nova dirigente disse que assume as funções com “uma grande honra”, mas sobretudo com “responsabilidade perante a Uni-CV, a comunidade académica e o país”.
Sustentou que uma universidade pública nacional “deve contribuir activamente” para a transformação de Cabo Verde.
“A Uni-CV, naturalmente, não deve apenas acompanhar essa transformação, deve ajudar a liderá-la e a torná-la uma realidade com impacto para a sociedade cabo-verdiana e na sua ligação com o mundo”, afirmou.
A mesma fonte destacou que as prioridades do seu mandato, que estarão inscritas no plano plurianual de actividades da universidade, são a organização interna e a criação de uma cultura de trabalho orientada para os resultados da instituição.
Apontou igualmente como prioridade o reforço da ligação da universidade à sociedade civil, às empresas e às organizações não-governamentais, considerando estas entidades importantes para o desenvolvimento do país.
“É preciso estar ciente de que nenhuma transformação institucional começa nos sistemas, mas sim com as pessoas”, afirmou Maria Zenaida Leite, que elegeu a humanização como o “primeiro verbo” do seu mandato.
Segundo a nova vice-reitora, a universidade deve colocar as pessoas no centro da sua transformação e lembrou que “por detrás de cada indicador, existe uma pessoa, assim como por detrás de cada processo, existe alguém que espera e por detrás de cada estudante, existe um projecto de vida”.
“Queremos uma universidade que reconheça, desenvolva e valorize as pessoas, porque não há transformação institucional sustentável sem transformação e valorização humana”, vincou.
A colaboração constitui, segundo Maria Zenaida Leite, o segundo eixo do mandato, uma vez que a transformação da instituição deverá ser construída de forma colectiva, através da escuta, diálogo, trabalho em rede e cooperação entre as diferentes áreas.
A responsável referiu-se ainda ao reforço das sinergias entre os diferentes polos da Uni-CV e a aproximação da universidade ao Governo, municípios, empresas, sociedade civil e parceiros internacionais.
Quanto à avaliação institucional, Maria Zenaida Leite propôs que ela seja encarada como um instrumento de aprendizagem e não apenas como uma forma de julgamento.
“Avaliar é ter coragem para olhar para a realidade, é reconhecer o que funciona, é identificar o que não funciona, é compreender o porquê e é tomar as melhores decisões”, finalizou.
A cerimónia de posse foi presidida pela reitora da Uni-CV Astrigilida Silveira.
O presidente do SIACSA exigiu esta sexta-feira a intervenção urgente das autoridades para travar os aumentos não regulados das tarifas praticadas por taxistas e hiacistas, afirmando que a subida dos preços agrava o poder de compra dos trabalhadores cabo-verdianos.
Gilberto Lima falava em conferência de imprensa, na cidade da Praia, convocada para denunciar os aumentos dos combustíveis e a especulação dos aumentos de tarifas nos transportes públicos como táxi e hiaces e o poder de compra dos trabalhadores.
Segundo afirmou o sindicalista, os taxistas e hiacistas estão a praticar os preços que entendem, esquecendo-se de que, do outro lado, estão trabalhadores que não tiveram qualquer aumento salarial para fazer face ao aumento dos preços dos combustíveis.
“Chamamos atenção às autoridades competentes, que resolvem esse problema o mais urgente possível porque o salário só aumenta em Janeiro de 2027”, apelou, considerando “lamentável” a actual situação.
Para o presidente do SIACSA, o que está a passar com os hiacistas e taxistas é um "autêntico abuso" tendo sustentado que os preços "sequer estão regulados”, e defendendo que “qualquer taxa de aumentos tem de ser regulada”.
“Aumentam 50 ou 100 escudos, porque eles é quem mandam? As coisas não funcionam assim”, disse.
O aumento dos transportes afecta trabalhadores, estudantes e famílias, num contexto em que os salários não acompanham a subida dos custos.
Gilberto Lima defendeu, igualmente, o regresso do subsídio aos combustíveis e apelou ao Governo a retomar o subsídio a combustíveis, à semelhança do que fez o Governo anterior, de forma a reduzir o impacto dos aumentos sobre os trabalhadores e as suas famílias.
“Todo o aumento que está a acontecer a nível internacional acaba por sufocar os trabalhadores e o Governo deve adoptar medidas para acomodar os trabalhadores”, disse.
O momento serviu ainda para denunciar alegadas violações dos direitos dos vigilantes por parte de empresas de segurança privada, afirmando que as entidades empregadoras recusam aplicar a grelha salarial prevista no Estatuto da Classe em vigor.
Um outro ponto abordado pelo SIACSA prende-se com o Plano de Carreiras, Funções e Remunerações (PCFR) dos agentes prisionais, tendo o sindicato criticado o Ministério da Justiça de ter adiado o encontro para fechar o dossiê previsto na quinta-feira, 17, para as 16:00 desta sexta feita, sem aviso prévio.
Gilberto Lima defendeu, de entre as preocupações, o enquadramento no Grupo de Enquadramento Funcional (GEF5) da Administração Pública advertindo que, sem avanços, os sindicatos poderão retomar formas de luta, incluindo manifestações, protestos e greves.
O ministro da Educação, Arnaldo Brito, defendeu esta seta-feira a necessidade de uma mudança profunda no sistema educativo, com maior valorização dos professores, novas práticas pedagógicas e uma ligação mais forte entre a escola, comunidade e a vida real.
Arnaldo Brito falava, segundo um despacho da Inforpress, numa conversa aberta com professores dos municípios de São Filipe e Santa Catarina do Fogo, no âmbito da abertura de mais um ano lectivo, durante a qual destacou a educação como o principal diferencial entre países que, há 50 ou 60 anos, apresentavam níveis de pobreza semelhantes aos de Cabo Verde e que, actualmente, registam níveis de desenvolvimento superiores.
Segundo o ministro, Cabo Verde já alcançou importantes progressos, nomeadamente ao garantir escolas em todas as localidades, permitindo que nenhuma criança fique fora do sistema por falta de estabelecimento de ensino, mas reconheceu que o país “anda lento” e precisa de alterar a forma como encara a educação.
“Temos de mudar o sistema educativo cabo-verdiano, o paradigma, a forma como vemos a educação e a escola”, afirmou Arnaldo Brito que defendeu uma maior valorização da profissão docente e melhores condições de trabalho para os professores.
Arnaldo Brito salientou que estudos sobre a qualidade da educação apontam os professores como o factor com maior peso nos resultados, sublinhando, por isso, maior atenção à selecção, preparação e valorização dos docentes.
O ministro considerou igualmente necessário substituir práticas pedagógicas “demasiado tecnicistas” por abordagens mais significativas, capazes de aproximar a escola da comunidade e da realidade dos alunos.
“Hoje os professores são desafiados a ensinar cada vez menos e a aprender mais”, afirmou o titular da pasta da Educação para quem a nova geração demonstra menor paciência para aulas tradicionais.
Para Arnaldo Brito, a escola deve criar condições para que cada aluno desenvolva as suas potencialidades e “brilhe”, cabendo aos professores proporcionar ambientes que favoreçam o desenvolvimento das capacidades individuais.
Defendeu ainda maior autonomia e envolvimento local na gestão da educação, com as delegações a trabalharem em conjunto com câmaras municipais, professores e instituições, e cada escola a construir a sua própria identidade e diferencial.
“Os alunos não abandonam a escola, é a escola que expulsa os alunos”, declarou o ministro da Educação durante a conversa e, por isso, defendeu ambientes escolares mais próximos da realidade familiar e capazes de acolher melhor os estudantes.
Para o ministro, “o professor é a profissão-mãe de todas as profissões”, pelo que a transformação do sistema educativo deverá começar também por uma reflexão crítica de cada docente sobre as suas práticas.
Durante a cerimónia, prossegue a mesma fonte, foi observado um minuto de silêncio em homenagem às 25 vítimas do acidente ocorrido a 05 de Setembro, no trajecto Chã das Caldeiras/Campanas de Cima, das quais 17 eram estudantes dos agrupamentos III, de Curral Grande, e IV, de Ponta Verde.
O encontro serviu também para apresentar aos professores os novos responsáveis da educação a nível do município de São Filipe, assim como os novos directores dos quatro agrupamentos escolares.
O presidente da Câmara Municipal de São Filipe defendeu esta sexta-feira um “compromisso colectivo” com a educação, envolvendo escolas, famílias, instituições e toda a sociedade no arranque do novo ano lectivo.
Segundo a Inforpress, Nuías Silva, que intervinha na conversa aberta entre o ministro da Educação e professoresm na cerimónia de abertura do ano lectivo 2026/27, aproveitou para manifestar o seu pesar pela tragédia de 05 de Setembro, em Campanas de Cima, que vitimou 25 pessoas, entre as quais 17 alunos dos agrupamentos escolares III e IV.
“A educação é responsabilidade de todos. Não é apenas uma tarefa da escola, nem do ministério e nem da câmara municipal”, afirmou, defendendo uma maior articulação entre professores, famílias, alunos, autoridades e sociedade civil.
O autarca destacou o trabalho dos professores, educadores, dirigentes, técnicos, auxiliares e demais profissionais da educação e sublinhou o seu papel não apenas na transmissão de conhecimentos, mas também na orientação e formação dos alunos.
Para o novo ano lectivo, apontou como desafios a melhoria das condições das escolas, o reforço da qualidade do ensino, o combate ao abandono e insucesso escolar e a promoção da inclusão, de modo a garantir que “nenhum aluno fique para trás”.
Conforme a mesma fonte, Nuías Silva realçou ainda a importância da parceria entre o Governo e as autarquias, afirmando que a câmara de São Filipe pretende continuar a ser uma “parceira próxima e activa” da comunidade educativa, dentro das suas competências.
Na sua mensagem aos professores, apelou para que acreditem nas capacidades dos alunos, incentivem o estudo, permitam que façam perguntas e aprendam com os erros, sem perderem os seus sonhos.
Às direcções dos agrupamentos escolares, pediu igualmente que continuem a aproximar as famílias da escola, lembrando que “a educação começa em casa e ganha força quando a família e a escola caminham juntas”.
“O início de um novo ano é sempre um novo começo. Que este seja um ano de diálogo, cooperação e confiança”, desejou o edil de São Filipe que reafirmou a disponibilidade da autarquia para trabalhar com o Ministério da Educação e toda a comunidade educativa.
“A educação é a única ferramenta que temos à nossa disposição em Cabo Verde para desenvolver e combater a pobreza”, concluiu.
O Governo de Cabo Verde eliminou as taxas moderadoras nas estruturas públicas de saúde. A medida já está em vigor e o Executivo garante que o fim da cobrança é sustentável, financiado pelo Orçamento do Estado e por novas fontes de receita.
"Nós temos, neste momento, a capacidade de financiar esta parte que nós colocamos no Orçamento do Estado. Isto já está previsto, já é uma realidade. Os cabo-verdianos, quando se deslocarem a uma estrutura pública, não têm que pagar por uma consulta de urgência, por uma consulta programada, por uma cama num hospital ou pela utilização do bloco operatório. É sustentável. Temos é que poupar noutras áreas”, afirmou o ministro da Saúde que falava à imprensa à margem de um encontro sobre o financiamento sustentável do setor.
Segundo RFI que cita o governo, a partir de agora, os cidadãos cabo-verdianos deixam de pagar por serviços essenciais na saúde pública. Consultas de urgência, exames e internamentos passam a ser totalmente gratuitos. Em declarações à imprensa, o ministro da Saúde, Lúcio Fernandes, assegurou que o Estado tem capacidade financeira para suportar a isenção.
"Nós temos, neste momento, a capacidade de financiar esta parte que nós colocamos no Orçamento do Estado. Isto já está previsto, já é uma realidade. Os cabo-verdianos, quando se deslocarem a uma estrutura pública, não têm que pagar por uma consulta de urgência, por uma consulta programada, por uma cama num hospital ou pela utilização do bloco operatório. É sustentável. Temos é que poupar noutras áreas”, afirmou o ministro da Saúde que falava à imprensa à margem de um encontro sobre o financiamento sustentável do setor.
Lúcio Fernandes defendeu que Cabo Verde deve preparar-se para um novo paradigma, focado na captação de novas receitas, na eficiência do gasto público e no avanço da transformação digital para evitar desperdícios.
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A jornalista Filomena Silva, ex-diretora do jornal A Semana, faleceu, aos 67 anos de idade, esta madrugada na Praia, vítima de doença prolongada. O funeral aconteceu com o cortejo fúnebre a partir das 14H30 da sua residência na Fazenda, com a passagem pelas 15 horas pelo Centro Paroquial da Igreja Matriz da Praia, seguida de enterro por volta das 16 horas no cemitério da Várzea.
Filomena ficou conhecida historicamente pelo seu papel fundamental na expansão e no relaçanmento do jornal A Semana como um dos principais e mais influentes órgãos de comunicação social privada em Cabo Verde - teve de suspender a sua edição em papel em finais de 2016 devido a constrangimentos vários.
Filó, como era chamada, substitiu, nos meados da década de 1990, o primeiro diretor do jornal A Semana, Jorge Soares, que exilou-se nos Estados Unidos da América por causa de vários processos judiciais movidos pelo então poder contra esse semanário. Antes trabalhou como jornalista do extinto jornal Voz di Povo, órgão público que marcou a imprensa cabo-verdiana no período anterior e posterior à abertura política de 1991. Por motivos de saúde, ela deixou o cargo de diretor do jornal A Semana entre entre 2014/2015.
Filomena ficou conhecida historicamente pelo seu papel fundamental na expansão e no relançamento do jornal A Semana como um dos principais e mais influentes órgãos de comunicação social privada em Cabo Verde - teve de suspender a sua edição em papel em finais de 2016 devido a constrangimentos vários.
Através da sua direção, o semanário impresso A Semana, fundado em abril de 1991 na Praia, consolidou-se como um modelo de pluralismo e debate democrático num período de forte abertura política do país. Como consequência, sofreu vários processos judiciais junto de outros colegas do jornal.
Conforme os registos, em 2003, Filomena liderou a transição da publicação para o ambiente digital com o lançamento do portal A Semana On-Line. Este ficou historicamente registado como o primeiro diário digital em linha de Cabo Verde. Com isso, alargou, segundo criíticos da área, o alcance do jornalismo local a toda a vasta diáspora cabo-verdiana através de uma plataforma focada na lusofonia e na identidade cultural do arquipélago.
No plano internacional, o jornal foi destacado, durante a sua liderança, pela UNESCO como um caso de sucesso e referência para a liberdade de imprensa e para o desenvolvimento dos média privados no continente africano.
Mas os seus feitos não ficam por alí. Filomena Silva participou de forma ativa na discussão dos desafios do jornalismo nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), intervindo em conferências, debates e análises promovidas por entidades como a Associação dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC) sobre a qualidade, ética e a sustentabilidade do jornalismo em Cabo Verde. Foi membro da Direção de AJOC, quando a organização da classe era presidida pelo jornalista José Vicente Lopes.
Por ter sido muito rigorosa no exercício da sua profissão e na gestão do jornal, muitos colegas com os quais trabalhou não a compreendeu bem. Fica no entanto o seu legado por uma imprensa livre no país. Que descanse em paz, Filó. O coletivo do A Semana rende uma sentida homenagem a si e apresenta sentidas condolências à familia.
A Câmara de São Filipe e o Governo investem cerca de 130 mil contos na requalificação da estância balnear e zona piscatória de Salinas, obra dividida em dois lotes e com prazo de execução de dez meses.
A vereadora do Urbanismo e Obras da Câmara Municipal de São Filipe, Euclides Fernandes, considerou tratar-se de “uma das maiores obras” a ser executada em Salinas, destacando as potencialidades da localidade nos sectores do turismo, pesca e cultura.
O anúncio foi feito na quarta-feira, 16, pelo vereador do Urbanismo e Obras da câmara de São Filipe, Euclides Fernandes, durante a cerimónia de consignação da empreitada ao consórcio constituído pelas empresas Elevolution Engenharia, SA – Sucursal de Cabo Verde, e Elevo Engenharia Cabo Verde, Sociedade Unipessoal.
O representante do consórcio, Sérgio Santos Silva, disse que o primeiro lote consiste na reabilitação da estrada de acesso à estância balnear, numa extensão de cerca de um quilómetro com prazo de execução de quatro meses.
O segundo lote contempla a requalificação da zona piscatória e balnear de Salinas, incluindo uma área de restauração, quiosque para venda de artesanato, equipamentos para actividades náuticas, zonas de banho de sol, miradouro e a recuperação do arrastadouro.
Os caminhos existentes sobre as rochas, actualmente em madeira, serão substituídos por um pavimento mais resistente, estando igualmente prevista a criação de áreas de estacionamento e de uma rampa de acesso à praia.
A vereadora do Urbanismo e Obras da Câmara Municipal de São Filipe, Euclides Fernandes, considerou tratar-se de “uma das maiores obras” a ser executada em Salinas, destacando as potencialidades da localidade nos sectores do turismo, pesca e cultura.
Salinas dispõe de um porto de desembarque de pescado utilizado por mais de três dezenas de embarcações artesanais de boca aberta e por numerosos pescadores e peixeiras, constituindo, segundo o vereador, uma área importante para o desenvolvimento da zona norte do município.
A intervenção prevê ainda a demolição do actual arrastadouro e a construção de uma nova infraestrutura já que a anterior não serviu aos pescadores que utilizam este porto de desembarque de pesca.
O primeiro lote, segundo Euclides Fernandes, consiste na reabilitação da estrada de acesso à estância balnear, incluindo asfaltagem, drenagem, sinalização e iluminação pública.
O projecto do novo arrastadouro foi classificado de arrojado e foi concebido com base em estudos especializados que tiveram em conta marés, riscos de inundação e riscos sísmicos.
A nova estrutura deverá ter uma vida útil de pelo menos 50 anos e será equipada com um sistema de apoio ao arrasto dos botes, destinado a reduzir o esforço manual dos pescadores, sendo que parte da estrutura será construída em terra e posteriormente colocada no mar.
Euclides Fernandes disse ainda que a intervenção pretende reforçar as potencialidades de Salinas e dotar a localidade de infraestruturas capazes de responder às necessidades dos pescadores, turistas e da comunidade.
A edilidade prevê que as duas empreitadas decorram em simultâneo e sejam concluídas no prazo de dez meses, com o objectivo de devolver à população uma estância balnear “completamente requalificada”.
A intervenção surge também na sequência de uma questão pendente relacionada com obras anteriormente cofinanciadas pela União Europeia, através da Esdime, cujo resultado não correspondeu às necessidades dos pescadores.
Os pescadores presentes na cerimónia de consignação das obras não esconderam a sua satisfação com o início dos trabalhos, sobretudo com a construção do novo arrastadouro.
Isto porque, afirmam, o que ainda existe da infraestrutura construída “funciona como matadouro”, já que frequentemente leva a acidentes com pescadores que utilizam o espaço.
O presidente da Plataforma das ONG, Felisberto Moreira, lançou esta quinta-feira o projecto “Eleições Inclusivas e Participação Juvenil em Cabo Verde”, uma iniciativa que visa mobilizar e capacitar jovens para contribuir para a redução da abstenção no país.
O projecto pretende fortalecer a participação cívica juvenil e a governação democrática inclusiva por meio de acções de capacitação, educação cívica e eleitoral e promoção de diálogo pós-eleitoral baseado em evidências.
Em declarações à imprensa, Felisberto Moreira explicou que a iniciativa é dirigida prioritariamente a jovens, mulheres e pessoas com deficiência, que são grupos que frequentemente enfrentam barreiras de acesso aos locais de voto ou não têm plena consciência da relevância da sua participação democrática.
O programa de formação, que teve início a 14 de Setembro e decorre até 14 de Março de 2027, vai abranger as ilhas de Santiago, São Vicente, Sal e Fogo, prevendo capacitar 60 jovens líderes com forte poder de influência comunitária.
“Já identificámos parceiros considerados estratégicos, as organizações da sociedade civil que têm uma forte implantação nesses municípios, as organizações juvenis e obviamente que vamos trabalhar também em estreita articulação com a Comissão Nacional de Eleições”, adiantou o líder da Plataforma das Organizações Não-Governamentais (ONG).
Perante a persistência dos altos índices de abstenção nas eleições cabo-verdianas, o responsável salientou a necessidade de compreender as origens do problema, revelando que está em curso um estudo que permitirá fundamentar acções de intervenção mais eficazes.
“É por isso que nós queremos desencadear essa campanha de mobilização, de sensibilização dos jovens, mas seguramente que nós teremos a oportunidade de fazer um trabalho ainda muito mais alargado”, frisou.
No término dos primeiros seis meses de execução, será apresentado um relatório técnico que servirá de suporte para criar estratégias conjuntas com decisores públicos e alinhar políticas de melhoria da participação democrática no arquipélago.
O projecto é financiado pelo European Partnership for Democracy, no âmbito do programa AHEAD Africa - Action for a Holistic Electoral Approach for Democracy, com co-financiamento da União Europeia.
O envolvimento da comunidade na identificação de sinais de alerta e no apoio às pessoas em sofrimento esteve no centro do fórum “Falar é prevenir: juntos pela valorização da vida”, realizado esta quinta-feira em São Salvador do Mundo.
Promovido pelo Centro de Saúde dos Picos, em parceria com o Ministério da Saúde e a Região Sanitária Santiago Norte, o encontro decorreu no salão nobre da câmara municipal, reunindo profissionais de saúde, representantes de entidades locais e membros da sociedade civil para reflectir sobre a prevenção do suicídio.
A iniciativa, integrada nas actividades do Setembro Amarelo, procurou reforçar a sensibilização da população para a importância da escuta, do diálogo e da intervenção atempada perante situações de sofrimento psicológico.
Em declarações à imprensa, a psicóloga do Centro de Saúde de São Salvador do Mundo e membro da organização, Ana da Veiga, defendeu uma maior atenção da sociedade aos sinais de sofrimento, incluindo entre crianças e adolescentes.
“O objectivo do nosso fórum é sensibilizar a população” e promover uma reflexão sobre o sofrimento que está por detrás de comportamentos de autolesão e tentativas de suicídio, explicou, manifestando preocupação com a indiferença que, por vezes, se verifica perante a dor do outro.
Para a psicóloga, a prevenção exige a participação articulada dos serviços de saúde, escolas e famílias, uma vez que o acompanhamento de pessoas com ideação suicida ou comportamentos de risco não deve ficar limitado a um único profissional ou estrutura.
Ana Veiga alertou que existem pessoas que enfrentam pensamentos suicidas sem falar sobre o que sentem ou procurar apoio, defendendo que a comunidade deve estar mais preparada para reconhecer sinais e encaminhar situações de risco.
Por seu turno, o psicólogo clínico Odair Semedo, participante no fórum, destacou a importância de partilhar conhecimentos sobre sinais de alerta menos conhecidos e de incentivar a aproximação às pessoas que possam estar a atravessar momentos difíceis.
“Falar é o primeiro passo”, afirmou, sublinhando que cada pessoa manifesta o sofrimento de maneira diferente e que alguns sinais exigem atenção e uma tentativa de compreender o que está a acontecer.
Entre os exemplos mencionados, referiu mudanças no comportamento digital, como o desaparecimento repentino de pessoas que anteriormente mantinham uma comunicação frequente nas redes sociais. Ressalvou, contudo, que os sinais devem ser compreendidos no contexto de cada pessoa.
Já a coordenadora nacional da Saúde Mental, Ana Moniz, enquadrou o fórum nas acções de promoção da saúde mental e prevenção do suicídio, desenvolvidas durante o Setembro Amarelo.
A responsável salientou que a prevenção não é apenas uma responsabilidade do Ministério da Saúde, mas de toda a sociedade, defendendo o reforço da capacitação comunitária para identificar sinais de alerta, encaminhar pessoas e combater o estigma associado à procura de apoio psicológico e psiquiátrico.
Segundo Ana Moniz, o Ministério da Saúde tem apostado em acções de literacia em saúde mental, palestras nas escolas e comunidades, capacitação de líderes comunitários e formação em primeiros socorros psicológicos.
A coordenadora sublinhou ainda a importância de procurar ajuda precocemente, envolvendo os serviços de saúde, as escolas e as famílias, para garantir acompanhamento e apoio às pessoas em sofrimento.
As localidades de Pilão Cão, Alcatraz e Cascabulho, na ilha do Maio, passaram a dispor, a partir desta quinta-feira, de pontos de acesso gratuito à Internet, implementados pelo Governo no âmbito da iniciativa “Maio Transforma”.
Os moradores das três localidades beneficiadas manifestaram satisfação com a iniciativa e consideraram que o acesso gratuito à rede mundial de computadores poderá contribuir para reduzir a exclusão digital associada à distância do centro urbano.
Denominado “Mega Free”, o projecto-piloto, lançado na ilha do Maio, prevê ser posteriormente alargado a todas as ilhas do país, através do programa “Internet para Todos”, integrado na iniciativa “Cabo Verde Transforma”.
Os pontos de acesso instalados no Maio deverão alcançar directamente mais de 500 utilizadores e beneficiar indirectamente cerca de três mil pessoas.
Para o ministro da Economia, Comércio, Indústria e Transição Digital, António Baptista, a activação destes pontos nas três comunidades, que enfrentavam dificuldades de acesso à Internet, permitirá a residentes, comerciantes e visitantes maior acesso à informação, serviços e recursos digitais.
“A transformação já começou no Maio. Já estamos a implementar projectos concretos aqui. Queremos ajudar as pessoas a terem inclusão produtiva e digital para que Cabo Verde, apesar de ser arquipélago, possa estar ligado através do digital”, afirmou.
O presidente da Câmara Municipal do Maio, Rely Brito, destacou que a ligação de Cascabulho, Pilão Cão e Alcatraz à Internet contribuirá para o desenvolvimento das localidades e para a promoção da literacia digital.
“Com este projecto, estas comunidades passam a ter inclusão e igualdade digital, assim como qualquer cidadão no país. Vai transformar a vida das pessoas porque um comerciante, por exemplo, através de um clique pode negociar com o mundo”, salientou.
Para assegurar o acompanhamento dos pontos de acesso junto das comunidades, o projecto contempla igualmente a capacitação de dois jovens residentes como embaixadores digitais comunitários, que prestarão apoio aos utilizadores e assegurarão a manutenção básica dos equipamentos.
Os moradores das três localidades beneficiadas manifestaram satisfação com a iniciativa e consideraram que o acesso gratuito à rede mundial de computadores poderá contribuir para reduzir a exclusão digital associada à distância do centro urbano.
A iniciativa é promovida pela Direcção-geral das Telecomunicações e conta com a parceria da Câmara Municipal do Maio, Agência Reguladora Multissectorial da Economia (ARME), NOSi, Pró-Empresa, Morabeza Innovation Project (MiP) e Nações Unidas em Cabo Verde.
O ministro da Educação, Arnaldo Brito, defendeu esta quarta-feira, 16, a manutenção da proibição do uso de telemóveis até ao nono ano de escolaridade, considerando que a exposição precoce e excessiva às telas pode prejudicar o desenvolvimento das crianças.
Segundo Arnaldo Brito, conforme avançou a Inforpress, existem estudos que apontam para efeitos negativos da exposição excessiva às telas, defendendo que, pelo menos até aos 16 anos, o uso destes dispositivos deve ser devidamente controlado.
“O pensar é fundamental para o desenvolvimento do nosso cérebro”, afirmou o ministro, argumentando que a facilidade proporcionada pelos telemóveis, calculadoras e outras tecnologias pode levar os jovens a recorrerem aos dispositivos em vez de desenvolverem o raciocínio para encontrar soluções.
Arnaldo Brito esclareceu, contudo, segundo a mesma fonte, que não é contra o uso do telemóvel a partir de determinada idade, desde que seja feito de forma controlada, reconhecendo a utilidade destes dispositivos.
“Reconheço que, na idade mais precoce, isso pode ser prejudicial”, afirmou, acrescentando que o Governo vai manter a actual estrutura de proibição do uso de telemóveis até ao nono ano e continuar a reflectir sobre a matéria.
O ministro considerou ainda que a questão deve ser objecto de um debate nacional, no âmbito da reflexão pública que pretende promover sobre o sistema educativo e os desafios da educação em Cabo Verde.
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