ATUALIDADE
Reedição de léxico de Armando Napoleão Fernandes defendida por familiares e estudiosos
Cabo Verde recorda Armando Napoleão Fernandes e cresce o apelo à reedição do seu léxico do crioulo, obra publicada postumamente em 1991, com mais de cinco mil entradas, considerada referência linguística e cultural cabo-verdiana, hoje. O investigador e estudioso da língua cabo-verdiana Armando Napoleão Fernandes, autor de uma das mais importantes compilações lexicais do crioulo de Cabo Verde, voltou a ser lembrado por familiares e estudiosos, que defendem a reedição da sua principal obra, actualmente esgotada. Publicado em 1991, 22 anos após a morte do autor, o Léxico do Dialecto Crioulo do Arquipélago de Cabo Verde reúne mais de cinco mil palavras e expressões recolhidas em várias ilhas, constituindo um dos mais extensos registos da língua crioula cabo-verdiana do século XX. A propósito dos 57 anos da morte de Armando Napoleão Fernandes, assinalados na quinta-feira, o jornalista Carlos Gonçalves destacou a importância do trabalho do investigador, sublinhando que a obra permanece pouco conhecida do grande público, apesar do seu valor linguístico e cultural. De acordo com informação biográfica divulgada pela família, Armando Napoleão Fernandes nasceu a 01 de Julho de 1889, na ilha Brava, tendo posteriormente fixado residência em Santa Catarina, na ilha de Santiago, onde desenvolveu grande parte da sua atividade profissional e intelectual. Para além do estudo do crioulo, dedicou-se a actividades como fotografia, carpintaria e sapataria, dominava as línguas inglesa e francesa e exerceu funções de solicitador, tendo colaborado também com a administração local. A obra lexicográfica foi publicada por iniciativa da filha Ivone Aida Lopes Rodrigues Fernandes Ramos, que preservou os manuscritos deixados pelo pai. Entre os seus descendentes destaca-se a escritora cabo-verdiana Orlanda Amarílis. Defensores de uma nova edição consideram que o livro mantém relevância académica e patrimonial, por documentar vocabulário, expressões e práticas culturais registadas entre o início do século XX e as décadas de 1940 e 1950, muitas das quais desapareceram ou sofreram alterações. Em reconhecimento do seu contributo para a cultura cabo-verdiana, o seu nome foi atribuído, em 2008, à Escola Secundária Armando Napoleão Fernandes, em Achada Falcão, no concelho de Santa Catarina. Armando Napoleão Fernandes morreu, na cidade da Praia, em 19 de Junho de 1969, aos 79 anos. A Semana com Inforpress
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