sexta-feira, 02 outubro 2026

Caso da perda da certificação da TACV: Américo Medina volta à carga para analisar as consequências da "inquietante deliberação" do CA da TACV com a nomeação do Diretor de Qualidade e Safety

Num post que publicou na sua página de Facebook, Américo Faria Medina volta a analisar o caso da proibição da TACV de voar no espaço europeu por causa da certificação que esteve caducada, detendo-se agora sobre a resolução da Presidente do Conselho da Administração da companha, Sara Pires, que demitiu a atual SMS&Quality Manager e nomeou um novo técnico para o cargo de Diretor de Qualidade e Safety, pondo alegadamente em causa um bem precioso que é segurança das operações. "Ora, a deliberação Nº18/2022, da Srª PCA da TACV, acabada de vazar na net, demitindo a atual SMS&Quality Manager e, nomeando um novo técnico para o cargo de Diretor de Qualidade e Safety, reflete uma confrangedora situação interna da operadora em que, o mais alto nível de gestão, não sabe, desconhece as normativas, implicações, pressupostos, critérios e condições para avançar e implementar esta ou aquela decisão... – Decisão que mexe com padrões, níveis, procedimentos, responsabilidades de um bem tão precioso como a segurança das operações... - ’SAFETY FIRST’ deixou de ser paradigma!". É que, segundo questiona Medina,as responsabilidades que a PCA acabou de transmitir para a pessoa apontada para o cargo, não podem ser alienadas ou alienáveis dessa forma. "A Srª PCA não sabe, desconhece ( ou será que desdenha e desconsidera) que as responsabilidades que ela acabou de transmitir para a pessoa apontada para o cargo, não podem ser ’alienadas’ ou ’alienáveis’ dessa forma(?); que as normativas nacionais (AAC) e as agências internacionais que nos auditam, inspecionam e supervisionam têm isso regulado, muito bem regulamentado e normalizado(?); que, ao fazer isso, está incorrendo numa não-conformidade de elevado nível, capaz de colocar em causa o próprio certificado para poder operar(?); o CA não sabe que não pode ’repassar’ as responsabilidades da função, com uma deliberação apenas..., ou desconsidera ? Coisa que qualquer estagiário, aprendiz num Gabinete de SMS&QM, seja ele aeroportuário ou transportadora aérea, handling, catering ou NAVE sabe e ’incorpora’, depois de duas semanas de on job training!", alterou Américo Medina no post que publicamos a seguir.

A INQUIETANTE DELIBERAÇÃO Nº18/2022 DA SRª PCA DA TACV...!

Ou como diria algures, um Professor-IATA (PhD) de Gestão e Implementação do SMS, temos aqui um caso interessante e de estudo: “THE CEO AS A TOP-LEVEL HAZARD”

Hoje, já sabemos todos (principalmente os habitantes das nossa ilhas, nossos imigrantes e familiares) que, a indústria dos transportes aéreos é intensa e impiedosamente competitiva, cheia de predadores implacáveis, onde o consumidor, lá onde for permissível é colocado no fundo de um cano, tratado como uma mente capo e abaixo de cão, sem qualquer remorso nem pudor! Em várias latitudes provado está que, ao contrário daquilo que está fazendo escola entre nós, a complacência neste setor não é prudente, nem para as companhias aéreas, nem para o regulador!

Pagaremos todos, os utentes incluídos, no fim do dia, uma fatura pesada, salgada e duradoura, quando predominam a indulgência, o descuido, e lá onde prevalece um ambiente corporativo insipiente aliado à imponderação, incertezas, tensão laboral internas e insolvência consolidada.

Isto está amargamente provado e cinzelado nos anais da aviação, quer através de falências catastróficas, com consequências económicas, sociais e jurídicas calamitosas, amargamente provado também via acidentes horrendos e cataclísmicos que têm na origem, a indulgência e insciência dos gestores e executivos, bem como a clemência e “misericórdia” irresponsável do regulador, da autoridade competente... – atenção, repito: clemência e “misericórdia” irresponsável do regulador, da autoridade competente!

Aprendemos todos nos centros de formação por onde passamos que, a segurança (safety) começa no topo, o que pode ser uma coisa boa ou algo perverso. O(A) CEO/PCA de uma transportadora/aeroporto, se dotado(a) de ferramentas, conhecimentos e experiência, pode definir e alcançar um elevado padrão ou um modelo exemplar para garantir o delicado equilíbrio entre a atividade/lucro e a segurança. Por outro lado, e como acontece em várias latitudes, o alto executivo de uma transportadora/aeroporto, por desconhecimento e falta de “apetrechos” requeridos para o cargo, pode criar riscos significativos de segurança, com as suas decisões, omissões, estilo de liderança e formas de comunicação; focando em demasia em processos visando apenas o cash flow, aspetos comerciais etc. e, não o suficiente na observação de determinadas normativas, procedimentos, práticas, programas e sistemas específicos dos transportes aéreos que, no fim da linha, contribuam para a identificação e mitigação de riscos, para a salvaguarda do próprio negócio, lucro e produtividade.

Nos transportes aéreos, um dos elementos de um sistema de gestão de segurança (SMS) é a Gestão de Riscos de Segurança (SRM). O SRM inclui a Gestão de Mudanças (MOC), que é usado para se gerir mudanças significativas&relevantes que podem introduzir novos riscos de segurança, como novas aeronaves, novas rotas, fusões e aquisições, novos equipamentos, etc. Também inclui mudanças no pessoal em determinados órgãos e serviços — como por exemplo um(a) novo(a) CEO/PCA, um Safety Manager ou Quality Manager. Isso tudo está regulamentado e há critérios, procedimentos, pressupostos para que as coisas acontecem nesses domínios, não podendo algumas medidas, mudanças, alterações serem feitas de forma “unilateral” pelos executivos da operadora, autonomamente!

Ora, a deliberação Nº18/2022, da Srª PCA da TACV, acabada de vazar na net, Qudemitindo a atual SMS&Quality Manager e, nomeando um novo técnico para o cargo de Diretor de alidade e Safety, reflete uma confrangedora situação interna da operadora em que, o mais alto nível de gestão, não sabe, desconhece as normativas, implicações, pressupostos, critérios e condições para avançar e implementar esta ou aquela decisão... – Decisão que mexe com padrões, níveis, procedimentos, responsabilidades de um bem tão precioso como a segurança das operações... - “SAFETY FIRST” deixou de ser paradigma!

A Srª PCA não sabe, desconhece ( ou será que desdenha e desconsidera) que as responsabilidades que ela acabou de transmitir para a pessoa apontada para o cargo, não podem ser “alienadas” ou “alienáveis” dessa forma(?); que as normativas nacionais (AAC) e as agências internacionais que nos auditam, inspecionam e supervisionam têm isso regulado, muito bem regulamentado e normalizado(?); que, ao fazer isso, está incorrendo numa não-conformidade de elevado nível, capaz de colocar em causa o próprio certificado para poder operar(?); o CA não sabe que não pode “repassar” as responsabilidades da função, com uma deliberação apenas..., ou desconsidera ? Coisa que qualquer estagiário, aprendiz num Gabinete de SMS&QM, seja ele aeroportuário ou transportadora aérea, handling, catering ou NAVE sabe e “incorpora”, depois de duas semanas de on job training!!

Será que o técnico apontado vai aceitar embarcar nessa não-conformidade? Com tantas “novelas” o CA, em particular a Srª PCA, não estará perdendo a face, numa empresa tão sensível, numa fase tão delicada? Que fará se o técnico apontado (conhecedor das normativas) recusar esse presente envenenado?

São as hiperbólicas novelas&peripécias, factos, ocorrências, tensões, omissões, incumprimentos..., que aliados à situação financeira da TACV, bem como fragilidades do lado da reguladora, nos levam a admitir que estamos com copiosos buracos e abacaxis no sistema, quando assim é (atestado pela indústria), se nalgum momento esses buracos se alinharem, vamos ter um problema de proporções imprevisíveis.

O “Reason Model and Accident Causaul Chain” (“Razão e Cadeia Causal de Acidentes”) amplamente utilizado na indústria (tem as suas lacunas, mas continua atual), conhecido por muitos como o “Swiss Cheese Accident Model” (Modelo do Queijo Suíço) impele-nos uma vez mais a alertar a todos, sem alarmismos que, muitos ingredientes negativos (ativos uns e latentes outros), estão reunidos e presentes nos quatro níveis clássicos do HFACS (Sistema de Análise de Fatores Humanos, uma ferramenta de análise) a saber:

1. A nível de Influências Organizacionais e imputáveis aos gestores
2. Indícios de Supervisão Insegura, Inadequada, Inapropriada
3. Condições Internas e Ambiente propícios para procedimentos e atos inseguros, periclitantes e temerários
4. Ações, Atos Perigosos

É caso para dizermos, como diria o meu honorável amigo Professor-IATA (PhD) que, estamos perante um interessante caso de estudo...: “THE CEO AS A TOP-LEVEL HAZARD”.

Américo Faria Medina

(Post publicado na sua página de Facebook)

Colunistas

Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
25 dias atrás 20 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
27 dias atrás 12 horas atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
29 dias atrás 19 horas atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport