sexta-feira, 19 junho 2026

A ATUALIDADE

Quatro sul-africanos "enganados" para combater pela Rússia regressam a casa

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O Ministério dos Negócios Estrangeiros da África do Sul anunciou quarta-feira o regresso ao país de quatro indivíduos "enganados" para combater pelas forças russas na Ucrânia, à semelhança de outros casos em países africanos. 

O regresso dá-se após o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, ter discutido com o seu homólogo russo, Vladimir Putin, o repatriamento de sul-africanos enviados para a guerra na Ucrânia, a 10 de fevereiro. 

Em novembro, a presidência sul-africana informou ter recebido pedidos de ajuda de 17 homens que disseram estar encurralados no meio dos combates na região de Donbass, na Ucrânia, após terem sido atraídos para a Rússia e recrutados à força para grupos mercenários. 

A emissora pública sul-africana SABC exibiu imagens do principal aeroporto de Joanesburgo mostrando homens com malas com aspeto militar a serem conduzidos pela polícia. 

Segundo a SABC, outros 11 homens --- um dos quais perdeu uma perna --- seguiram de autocarro da Ucrânia para a Rússia e deverão chegar à África do Sul no fim de semana. 

A localização destes sul-africanos foi "um processo difícil" e as condições continuam a ser complicadas para aqueles que continuam na linha da frente, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros sul-africano, Ronald Lamola, à emissora pública SABC.  

"A única coisa que podemos dizer é que foram enganados e esse é o assunto da investigação policial", afirmou. 

Os indivíduos não tinham ligação direta com as forças armadas russas, mas sim com empresas de segurança privada com sede na Rússia, segundo o ministro. 

Estas empresas "permitirão o seu regresso assim que os seus contratos na Rússia forem cancelados", esclareceu.  

Acrescentou que as autoridades não podiam confirmar quando é que outros sul-africanos regressariam, pois isso dependia inteiramente da Rússia.  

A lei sul-africana proíbe os seus cidadãos de combaterem por exércitos estrangeiros sem autorização do governo. 

Os recrutamentos para as forças russas têm sido registados em diversos países africanos e do sudeste asiático.  

Quatro quenianos que regressaram recentemente da Rússia relataram à AFP terem sido enganados para combater na Ucrânia contra a sua vontade. 

As autoridades quenianas estimaram em dezembro que existiam aproximadamente 200 pessoas recrutadas à força, das quais 23 já tinham sido repatriadas.  

O número é provavelmente subestimado, segundo os quatro quenianos entrevistados pela AFP. 

Kiev afirmou em novembro ter identificado pelo menos 1.436 cidadãos de 36 países africanos nas fileiras russas. 

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Nigéria emitiu um alerta esta semana sobre o que descreveu como o crescente recrutamento ilegal dos seus cidadãos para lutar em conflitos estrangeiros.

O alerta surgiu depois de as autoridades ucranianas revelarem ter encontrado os corpos de dois nigerianos que terão sido mortos em combate no ano passado.

A Nigéria não confirmou estas mortes, mas num comunicado divulgado no domingo, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Kimiebi Imomotimi Ebienfa, revelou que "vários nigerianos que foram vítimas de tais situações lamentáveis foram enviados para zonas de combate depois de terem sido enganados e coagidos a assinar contratos de serviço militar".

Segundo as autoridades nigerianas, as investigações e os relatórios de segurança indicam que alguns cidadãos foram aliciados com promessas de empregos bem remunerados, trabalho na área da segurança, oportunidades educativas ou incentivos à migração, mas foram enviados para zonas de guerra ativas.

Em alguns casos, as vítimas terão sido forçadas a assinar contratos redigidos em línguas estrangeiras sem a devida assessoria jurídica, tendo os seus documentos de viagem sido confiscados à chegada.

Há também relatos de que os intermediários organizam viagens utilizando vistos de turismo ou outros vistos não militares.

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 - após a desagregação da antiga União Soviética - e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.  

A Semana com NM/LUSA

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