O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, anunciou na quarta-feira que o seu país irá reconhecer o Estado da Palestina na ONU, em setembro.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que a decisão do Canadá de reconhecer a Palestina tornará "muito difícil" um acordo comercial entre Washington e Ottawa.
Pouco depois do primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, ter anunciado a medida na quarta-feira, Trump recorreu à sua plataforma Truth Social, na madrugada de quinta-feira, para ameaçar o país vizinho.
"O Canadá acaba de anunciar que apoia a criação de um Estado para a Palestina. Isso vai tornar muito difícil para nós fazer um acordo comercial com eles", escreveu.
A publicação nas redes sociais surge um dia antes do prazo de 1 de agosto que Trump deu aos países para negociarem acordos comerciais com os EUA.
A partir de sexta-feira, Trump disse que vai impor tarifas de 35% sobre as importações do Canadá que não estão abrangidas pelo acordo comercial EUA-México-Canadá.
Esta é a última de uma longa série de ameaças tarifárias que Trump fez contra o Canadá desde o início do seu segundo mandato presidencial, em janeiro.
O anúncio de Carney sobre a Palestina, na quarta-feira, segue-se a ações semelhantes de França e do Reino Unido, que partilham preocupações crescentes sobre a crise humanitária em Gaza.
Após quase dois anos de ações militares israelitas no enclave, os especialistas afirmam que Gaza está a passar fome, com dezenas de pessoas a morrerem de subnutrição devido à escassez de alimentos.
Falando sobre a situação em Gaza, o primeiro-ministro canadiano descreveu o nível de sofrimento como "intolerável".
"O Canadá há muito que está empenhado numa solução de dois Estados. Um Estado palestiniano independente, viável e soberano que viva lado a lado com o Estado de Israel em paz e segurança", afirmou.
Carney explicou que o seu governo irá reconhecer a Palestina numa reunião de líderes mundiais em setembro, desde que a Autoridade Palestiniana concorde em "realizar eleições gerais em 2026, nas quais o Hamas não poderá participar, e desmilitarizar o Estado Palestiniano".
Israel condenou veementemente a iniciativa de Otava.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita afirmou no dia X que o anúncio era uma "recompensa para o Hamas" e que o reconhecimento da Palestina "prejudica os esforços para alcançar um cessar-fogo em Gaza", uma mensagem que ecoou pelo ministro dos Negócios Estrangeiros Gideon Sa'ar, que afirmou que um Estado palestiniano seria um "Estado do Hamas".
Na semana passada, o presidente francês Emmanuel Macron confirmou que o seu país iria reconhecer o Estado da Palestina na ONU, em setembro.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse na terça-feira que o Reino Unido faria o mesmo se Israel não concordasse com um cessar-fogo em Gaza e com um processo de paz a longo prazo até lá.
A Semana com Euronews
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