O ex-presidente da República Jorge Carlos Fonseca defendeu este sábado que, decorridos 50 anos desde a independência, Cabo Verde poderia estar num “patamar superior”, apesar do crescimento registado nas últimas décadas.
A declaração foi proferida à imprensa à margem da sessão solene comemorativa do 50.º aniversário da independência, que decorreu na Assembleia Nacional, na cidade da Praia.
Segundo Jorge Carlos Fonseca, o Cabo Verde de hoje “pouco tem a ver com o de 74”, destacando os progressos alcançados, mas alertando para a necessidade de se fazer mais.
“Temos de trabalhar agora com mais rigor, com mais perseverança, para que tenhamos, criemos o culto da qualidade, da excelência e do rigor. E para sermos um país verdadeiramente desenvolvido daqui a uma década, ao máximo duas décadas, não esperemos mais 50 anos para podermos dar um salto que é preciso dar depois das coisas bonitas que fizemos esses 50 anos”, sublinhou.
Por sua vez, o ministro dos Negócios Estrangeiros, José Filomeno, que também esteve presente nas cerimónias, afirmou que Cabo Verde vive actualmente o seu melhor momento no plano internacional, desfrutando de alta credibilidade e um “soft power” respeitado, apesar da sua dimensão geográfica.
Defendeu que, nos próximos 50 anos, o país deve continuar a apostar na diplomacia, na inovação e no bem-estar como motores do desenvolvimento.
José Filomeno destacou ainda o papel crucial dos jovens e a crescente presença de Cabo Verde no cenário global.
No dia 04 de Julho de 1975, os 56 deputados eleitos a 30 de Junho, representando os 24 círculos eleitorais do país, reuniram-se pelas 16:30 no Salão Nobre da Câmara Municipal da Praia.
Nessa sessão, além do texto da proclamação da República de Cabo Verde, foi aprovada, por unanimidade, a Lei da Organização Política do Estado (LOPE) que atribuiu a Amílcar Cabral o título de Fundador da Nacionalidade.
A Independência Nacional foi proclamada no dia 05 de Julho de 1975 pelo presidente da Assembleia Nacional Popular, Abílio Duarte, no Estádio da Várzea, na cidade da Praia.
A Semana com Inforpress
Crescemos, Sim — Mas Também Falhámos. E a Culpa Não É Só dos Outros.
Caro ex-Presidente Jorge Carlos Fonseca,Tem razão numa coisa: o país cresceu, sim — mas não se desenvolveu. E essa diferença, que muitos teimam em ignorar, é a raiz do caos em que estamos hoje mergulhados.
Sim, temos estradas, escolas pintadas, edifícios reluzentes… mas onde está o progresso humano, social, cultural, judicial? Onde está o Estado de Direito funcional? Onde está a justiça que protege o cidadão de bem e não a que serve de escudo a criminosos reincidentes?
Porque o que temos hoje não é delinquência juvenil — é criminalidade organizada, alimentada por anos de permissividade, cobardia política e um sistema judicial domesticado, sem coragem nem ferramentas para defender a sociedade.
E aqui, senhor ex-Presidente, tem também a sua parte da culpa.
Foi sob a sua presidência que se promulgou um Código Penal frouxo, quase cúmplice, que garante aos criminosos todos os direitos e às vítimas apenas o silêncio. Um código que protege mais o agressor do que quem foi agredido. Que dá mais garantias a quem semeia o medo do que a quem só quer viver em paz.
É bonito falar de rigor, de excelência, de ambição para as próximas décadas. Mas não podemos construir esse futuro sobre um presente podre, onde a juventude é devorada por gangues, onde a polícia é desrespeitada, e onde os tribunais se tornaram salas de espera para a impunidade.
Hoje, o Estado não impõe autoridade — pede licença.
E quando um Estado começa a pedir desculpa por tentar manter a ordem, é porque já deixou de ser Estado.
Portanto, com todo o respeito que lhe tenho enquanto figura institucional, não basta constatar que podíamos estar melhor. É preciso reconhecer onde se falhou, quem falhou, e sobretudo, corrigir urgentemente o que ainda pode ser salvo.
Ou então que se pare de nos vender discursos bonitos enquanto o país afunda na insegurança, no medo e na apatia colectiva.
Porque daqui a 50 anos, o que a história não vai perdoar não é a falta de progresso — é a complacência com a decadência.
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