domingo, 21 junho 2026

A ATUALIDADE

Fogo: Governo manifesta interesse em adquirir Morgadio de Pico Pires para integrar o circuito museológico

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O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas admitiu a intenção do Governo em iniciar um diálogo com os proprietários da Casa de Pico Pires, com vista à sua eventual aquisição e recuperação.

Augusto Veiga deixou esta possibilidade ao ser abordado sobre a integração da Casa do Pico Pires no projecto cultural e museológico de São Filipe, à margem do lançamento do projecto de reabilitação do Museu de São Filipe, que funciona no sobrado centenário que, por coincidência, pertencia ao último morgado de Pico Pires.

Apesar de ainda não haver uma decisão final, o titular da pasta da Cultura afirmou que o seu ministério está aberto a conversações com a família proprietária.

"Já fomos alertados sobre a importância histórica e cultural de Pico Pires. Vamos iniciar o diálogo e depois analisar o que poderá ser feito, depende de vários factores, incluindo questões financeiras", explicou Augusto Veiga, ao ser questionado sobre esta possibilidade.

A Casa de Pico Pires, pela sua “carga histórica e simbólica” poderá desempenhar “um papel importante” na valorização patrimonial de São Filipe, admitiu Augusto Veiga, que indicou que regressara à ilha do Fogo, no próximo mês de Junho, aproveitando a deslocação às festividades de São João na ilha Brava.

Nessa altura, sintetizou, dará início ao diálogo directo com a família, em articulação com representantes locais do sector cultural.

“Queremos envolver as forças vivas da cultura de São Filipe neste processo”, garantiu Augusto Veiga, que sublinhou ainda a sua própria sensibilização para a importância do espaço e avançou que tem consciência da relevância histórica de Pico Pires, tanto pela reportagem transmitida pela TCV como pelas pesquisas que realizou.

"Estamos atentos e disponíveis para discutir formas de o preservar e integrá-lo numa visão mais ampla de valorização da história local”, afirmou.

O professor e activista cultural Fausto do Rosário é um dos defensores da ideia de que o Estado de Cabo Verde devia adquirir a Casa de Pico Pires, que, segundo o mesmo, é “o exemplo mais perfeito” na ilha do Fogo do que se pode considerar o Morgadio.

Segundo o mesmo, Pico Pires possui todos os seus elementos estruturais, desde a capela, casa grande, armazéns, delimitações da propriedade, incluindo os recheios que “são valiosíssimos”, ultrapassando a dimensão da ilha.

Lembrou que pertenceu e ainda pertence à família Sacramento Monteiro, aos descendentes de Tadeu Sacramento Monteiro e Francisco Sacramento Monteiro, este o último morgado da ilha.

“Há toda uma história que está a olho nu, uma infraestrutura que de ‘per si’ é um monumento, um sítio histórico por excelência e que falta de facto preservar”, disse o activista, que considerou que o sítio deve passar a pertencer ao Estado de Cabo Verde e ser considerado um monumento nacional.

 

A Semana com Inforpress

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