terça-feira, 06 outubro 2026

Presidente do parlamento e ministras da Justiça e Saúde novas propostas para PM de São Tomé

 

Os nomes de Celmira Sacramento, presidente do parlamento, Ilza Amado Vaz, ministra da Justiça, e Ângela da Costa, ministra da Saúde, constam de uma carta, a que a Lusa teve acesso, assinada pelo primeiro-ministro demissionário, Patrice Trovoada, enquanto presidente da ADI, partido mais votado nas legislativas de 2022.

Celmira Sacramento é a primeira vice-presidente da ADI, e desde 2022 Presidente do parlamento, sendo a segundo mulher a desempenhar esta função no arquipélago.

A jurista Ilza Amado Vaz é a atual ministra da Justiça, Administração Pública e Direitos Humanos, cargo que desempenhou também entre 2014-2018, no anterior Governo de Patrice Trovoada.

Ângela Costa, integrou o atual Governo após a remodelação feita em janeiro de 2024 assumindo o cargo ministra da Saúde e Direitos da Mulher, tendo sido no passado ministra da Saúde e Assuntos sociais, e embaixadora de São Tomé e Príncipe na Guiné Equatorial.

“Ficamos a aguardar a decisão do Presidente da República, uma decisão que em democracia não faz sentido, porque não é o Presidente da República quem escolhe dentro de uma força política a figura do primeiro-ministro (...) mas nós queremos que a sociedade continue na paz e na estabilidade”, disse entretanto, em declarações à imprensa, o secretário-geral da ADI, Elísio Teixeira.

Teixeira justificou a escolha de três mulheres com a aposta do partido “no empoderamento das mulheres” e porque “são pessoas já com alguma experiência e militantes do ADI, que conhecem e podem continuar o processo de Governação e também manter a estabilidade das relações entre o partido e o Governo e com a sociedade são-tomense”.

A indicação destes nomes acontece poucas horas após o Presidente, Carlos Vila Nova, ter anunciado que rejeitou o nome do ex-ministro das Finanças e antigo governador do Banco Central, Hélio Vaz de Almeida, indicado pela ADI na quarta-feira para assumir a chefia do Governo.

“O candidato proposto não acolhe a minha sensibilidade”, declarou Carlos Vila Nova, em conferência de imprensa.

O chefe de Estado disse que aguardava até hoje para a ADI indicar um novo nome, sublinhando que o partido tem vários quadros para o desempenho da função.

O secretário-geral da ADI considerou situação “inusitada um partido com uma maioria absoluta ser demitido”, disse que “os fundamentos da demissão “não têm suporte jurídico constitucional”, e que o partido aguarda a decisão do Tribunal Constitucional sobre o pedido de anulação apresentado pelo partido.

Elísio Teixeira afirmou “que o ato do Presidente é um ato político” e “os atos políticos não são sindicáveis judicialmente”, mas o partido quer perceber se houve ou não um desvio ao princípio ou norma constitucional.

Na segunda-feira, o Presidente são-tomense demitiu o Governo, apontando “assinalável incapacidade” de solucionar os "inúmeros desafios" do país e “manifesta deslealdade institucional”, segundo o decreto presidencial.

O chefe de Estado havia sublinhado que “o decreto presidencial é um ato político do Presidente da República [e que] isto está na Constituição”, rejeitando a acusação do primeiro-ministro de violar os procedimentos constitucionais para a demissão do Governo, nomeadamente por não ter discutido o assunto no Conselho de Estado que realizou na segunda-feira.

“Ao longo destes anos, privilegiei sempre a estabilidade governativa e nacional, porque não faltaram motivos e razões para que eu pudesse ter demitido este Governo”, declarou ainda o chefe de Estado.

Carlos Vila Nova sublinhou nomeadamente a falta de lealdade institucional, assinatura de acordos internacionais sem conhecimento do Presidente da República, exemplificando com a Turquia e a Venezuela, e ainda cerca de seis meses e três semanas de ausências do chefe do Governo do território nacional, das quais o chefe de Estado só teve conhecimento quando já decorriam.

A Semana com Lusa

Colunistas

Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
29 dias atrás 16 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
2 dias atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport