Moçambique/Eleições: Pelo menos 100 postos de abastecimento de combustíveis vandalizados – Governo

“Não há falta de combustíveis no país, há sim restrições de movimentações de combustíveis dos terminais oceânicos para os postos de abastecimentos. O país tem combustíveis para os próximos três meses”, disse o diretor nacional de hidrocarbonetos, Moisés Paulino, em declarações à comunicação social.

Maputo está a enfrentar uma crise de combustíveis devido à tensão social após o anúncio dos resultados das eleições gerais, com a generalidade dos postos encerrados e os poucos que funcionam com filas de centenas de metros, reportou a Lusa na sexta-feira.

O diretor nacional de hidrocarbonetos assegurou que está em curso em todo o país o processo de reposição de ‛stockˊ nos postos de abastecimento de combustíveis, com as Forças de Defesa e Segurança a garantir a circulação de camiões que transportam os combustíveis até aos postos.

“Há um restabelecimento gradual na cidade de Maputo, Matola e estamos também a fazer transporte para a cidade de Xai-xai [ província de Gaza]. Na cidade de Pemba [Cabo Delgado] estamos a finalizar o descarregamento do navio que esteve lá (...) Noutras províncias há este desafio, mas gradualmente os camiões estão a sair dos terminais oceânicos de uma forma segura”, disse Moisés Paulino.

O responsável apontou dificuldades para a distribuição de combustíveis face às manifestações de protesto contra resultados eleitorais proclamados, na segunda-feira, pelo Conselho Constitucional (CC), que confirmaram a vitória da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, e do candidato que o apoia, Daniel Chapo.

“Desde que este processo de manifestações se iniciou foram vandalizados cerca de 100 postos de abastecimento e, por forma a acautelar, o setor privado foi fazendo restrições no funcionamento dos postos de abastecimento”, esclareceu o responsável.

Num comunicado distribuído hoje, a Associação Moçambicana de Petróleos (Amepetrol) também assegurou que o país dispõe de combustíveis para pelo menos 23 dias, sem risco de rotura de ‛stockˊ.

 

“Neste momento o país tem stock para 23 dias, portanto não há risco de falta de combustível, fora os navios programados já a caminho do país para o reabastecimento”, lê-se no comunicado da Amepetrol enviado hoje à comunicação social, pedindo o fim do vandalismo durante os protestos.

O Conselho Constitucional de Moçambique proclamou na segunda-feira Daniel Chapo, candidato apoiado pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder), como vencedor da eleição a Presidente da República, com 65,17% dos votos, sucedendo no cargo a Filipe Nyusi, bem como a vitória da Frelimo, que manteve a maioria parlamentar, nas eleições gerais de 09 de outubro.

Este anúncio provocou o caos em todo o país, com manifestantes pró-Venâncio Mondlane - que segundo o Conselho Constitucional obteve apenas 24% dos votos - nas ruas, barricadas, pilhagens e confrontos com a polícia, que tem vindo a realizar disparos para tentar a desmobilização.

Os confrontos já provocaram pelo menos 261 mortos desde 21 de outubro de acordo com a plataforma eleitoral Decide.

A Semana com Lusa