INTERNACIONAL
Posse do novo governo: PR alerta para responsabilidades exigentes perante desafios complexos
O jardim do palácio do Presidente da República acolheu, esta sexta-feira, o ato da invesidura do XI Governo da República, chefiada por Francisco Carvalho. No seu discurso, o chefe de Estado José Maria Neves alertou que o executivo assume responsabilidades exigentes perante desavios numerosos e complexos. «O Governo que hoje toma posse assume responsabilidades particularmente exigentes.Os desafios são numerosos e complexos. Entre eles, destaco a necessidade de melhorar a conectividade entre as ilhas, reduzir a pobreza, as desigualdades sociais e as dissimetrias regionais, criar mais empregos, garantir mais rendimentos, reforçar a segurança e acelerar a transição energética, melhorar o acesso à água, fortalecer a educação e a saúde, consolidar a justiça e a segurança, reforçar a liberdade de imprensa e modernizar a Administração Pública para que esta seja mais eficiente, mais próxima dos cidadãos e mais orientada para resultados», alertou o Presidente da República. Diante de tudo isto, José Maria Neves defendeu que da oposição espera-se igualmente uma atitude responsável, fiscalizadora e construtiva, em conformidade com a vontade expressa pelos eleitores. «É igualmente desejável que sejam rapidamente encontrados os consensos necessários para a renovação e instalação dos órgãos externos à Assembleia Nacional que há muito aguardam por uma solução e sobre os grandes desígnios nacionais», apelou o chefe de Estado. Para o PR, os cabo-verdianos esperam resultados, integridade e visão. «E esperam, acima de tudo, que a política continue a ser um instrumento ao serviço das pessoas e do bem comum. Tal como os nossos Tubarões Azuis entraram em campo sem receio dos prognósticos, também Cabo Verde deve enfrentar o futuro com confiança nas suas capacidades». Entende o chefe de Estado que esta geração recebeu a responsabilidade de conduzir o país numa etapa decisiva da sua história. «Que o Governo tenha a coragem de ousar, a sabedoria de escutar e a determinação de realizar.Que continue a crescer em cada cabo-verdiano a convicção de que o melhor de Cabo Verde ainda está por construir», sublinhou JMN no discurso de posse do novo governo, constituido por 15 ministros e três secretários de Estado. O acto contou com a presença de titulares dos órgãos de soberania, membros do governo cessante, corpo diplomático, presidentes de Câmaras e Assembelias Municipais, convidados nacionais e estrangeiros.
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PAMODI, CARVALHO? O POVO DEU-TE CONFIANÇA, NÃO UM CHEQUE EM BRANCO PARA UM “GOVERNINHO DI******” 1/2
Francisco Carvalho recebeu do povo cabo-verdiano uma oportunidade histórica. Uma maioria absoluta não é um prémio pessoal, não é uma herança partidária e muito menos uma licença para distribuir ministérios por amizade, conveniência, fidelidade interna ou compensação política.É um mandato para escolher os melhores.
E é precisamente por isso que a composição deste Governo deixa um sabor tão amargo. Com tanta gente bem formada, competente, experiente e reconhecida dentro e fora de Cabo Verde, a pergunta impõe-se:
Pamodi, Carvalho?
Porquê este governinho sem brilho, sem rasgo e sem a força política que o momento exigia? Porquê tanta reciclagem, tanto equilíbrio de corredor, tanta figura sem obra pública conhecida e alguns nomes cuja maior competência parece ter sido fazer barulho, cultivar proximidades ou sobreviver dentro do aparelho partidário?
Há gente neste elenco que, falando sem rodeios, nunca mostrou ter feito ponta dum corno que justificasse a responsabilidad e agora recebida. Há perfis que não inspiram autoridade técnica, nem experiência executiva, nem confiança para enfrentar os problemas sérios do país. E há também os habituais barraqueiros da política, promovidos como se confusão, militância e fidelidade fossem habilitações profissionais.
Não são.
Barulho não é competência. Militância não é currículo. Amizade não é mérito. E lealdade partidária não substitui capacidade para governar.
O mais grave é que Francisco Carvalho não chegou ao Governo por falta de alternativas. Chegou carregado por uma enorme esperança popular e depois de dez anos de desgaste do poder anterior. Tinha condições políticas para procurar os melhores cabo-verdianos, dentro do partido, fora do partido, na Administração Pública, nas universidades, nas empresas e na diáspora.
Em vez disso, a primeira impressão é a de um Governo montado para acomodar sensibilidades, pagar equilíbrios internos e não incomodar demasiada gente.
Até inventaram um Ministério da Coordenação da Elaboração de Projectos Especiais e Acesso a Fundos — uma designação com ar de gabinete de consultoria transformado em pasta governamental. Cabo Verde não precisa de ministérios com nomes compridos para parecer que está a fazer muito. Precisa de governantes que saibam executar, decidir, reformar e prestar contas.
E Francisco Carvalho acumula ainda o cargo de primeiro-ministro com o Ministério das Finanças. Continua ...
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