segunda-feira, 27 julho 2026

I Internacional

Itália: A revolução das sardinhas contra o discurso populista

"Sem bandeira, sem partido, sem insultos. Criem a vossa própria sardinha e participem na primeira revolução piscícola da História". Era preciso dizer originalmente a rejeição dos discursos de ódio e do ultranacionalismo com laivos de fascismo que têm crescido em Itália.

Quatro amigos de Bolonha - Mattia Santori, Giulia Trappolini, Roberto Morotti e Andrea Gareffa - acharam, segundo JN-PT, que a ida àquela cidade de letras do líder da extrema-direita italiana, Matteo Salvini, no dia 14 de novembro, seria a oportunidade perfeita. Apareceram umas 15 mil pessoas, munidas de sardinhas. Um mês depois, já reuniram mais de 300 mil pessoas em protestos espalhados, o último deles no sábado, em Roma, com 40 mil sardinhas.

Mas porquê a sardinha? Por ser um "peixe humilde", perfeito para simbolizar a classe trabalhadora. Por estarem apertadas em latas, perfeitas para simbolizar que se encham praças contra a extrema-direita. Por serem peixes, logo, silenciosos, em contraponto aos comícios-festa de Salvini. O mote é pacífico, canta-se muito o hino de resistência antifascista "Bela Ciao" e estão proibidos os insultos. "Nunca tinha visto uma manifestação que apela ao civismo", disse até o antigo primeiro-ministro e antigo presidente da Comissão Europeia, Romano Prodi.

"Queríamos tirar de casa a população que já não se mostra, crítica e indignada, mas não resignada", justificava então Giulia Trappolini, citada no "Le Monde".

40 mil em Roma

Segundo a mesma fonte, a manifestação de Roma cumpriu o objetivo: encher uma das maiores praças da cidade, em frente à Basílica de São João de Latrão. "Parece atingido", diziam no sábado os organizadores. "Corremos um risco, o de se acreditar que as sardinhas sejam a solução para todos os males. Mas as sardinhas não existem. São pessoas que enchem o espaço público com as suas ideias e veem um inimigo: o pensamento único simplificado do populismo", disse Santori às 40 mil pessoas que o ouviam.

Trata-se de "fazer emergir uma nova energia através de uma forma bem mais livre e espontânea" do que um partido. Mas com propostas e um programa já definido: fazer ondas na campanha para as eleições regionais na Emilia-Romanha (bastião da Esquerda italiana cuja capital é Bolonha e que, segundo as sondagens, pode passar para a Liga de Salvini, na oposição desde que rompeu a coligação com o Movimento 5 Estrelas, M5S antissistema).

Nos encontros, leem-se trechos da Constituição. Na lista de exigências, diz-se que a violência verbal merece o mesmo lugar da violência física na legislação penal e que deve ser excluída do tom dos discursos políticos. Diz-se que "os ministros comunicam unicamente pelos meios oficiais" e que deve ser transparente "o uso que a política faz das redes sociais". E diz-se que deve ser revogado o decreto de segurança que Salvini assinou enquanto ainda era ministro do Interior e vice-primeiro-ministro que criminaliza o resgate de refugiados no mar

A mensagem foi compreendida. "Estamos aqui para dizer que a política do ódio não nos agrada, que gostamos da política virada para o futuro, que acolhe e não fecha portas", dizia um manifestante de Roma citado na agência EFE. Da política, Nicola Zingaretti, secretária-geral do Partido Democrata que partilha o Governo com o M5S, antissistema, prometeu "fazer os possíveis para pôr em obra as propostas" das sardinhas, conclui o JN-PT.

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Comentários

Soares
16 dias atrás

Pobresa , palavra que precisa sair nosso dicionário.

Miranda
20 dias atrás

Boa sorte

Terra
10 dias atrás

Mesmo verdade roupa sujo tem que ser lavado dentro da casa para os que não sabe o que fala,

Pub-Reportagem

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