segunda-feira, 28 setembro 2026

I Internacional

EUA-México: Massacre de 6 crianças e 3 mães mórmones — Alegadas vítimas de guerra de narcotraficantes

Um ataque, na segunda-feira, 4, alegadamente por operacionais do cartel ’La Linea’ filiado no cartel de La Moncloa, contra uma caravana de três veículos com 17 pessoas — membros de uma família extensa, que viajavam dos Estados Unidos da América para o México —, matou nove e deixou cinco crianças feridas, três delas com gravidade.

As vítimas mortais são as mães Rhonita, de 30 anos, Christina, de 29 anos, e Dawna, de 43 anos — estas duas, ao alto na foto — e seis crianças com idades entre os catorze anos e sete meses. Foram alvejadas antes de queimarem os três veículos, apanhados numa emboscada no estado mexicano de Sonora, a sul da cidade texana de Tucson.

A caravana de três veículos eram conduzidos por Rhonita, mãe de sete filhos, quatro dos quais morreram, por Dawna, mãe de nove filhos (segundo outros relatos de sete filhos), dois dos quais morreram, e por Christina, que viajava só com a única filha bebé, que sobreviveu.

Os oito sobreviventes têm idades entre os catorze anos e os seis meses. Cinco deles estão hospitalizados nos Estados Unidos, entre os quais três com ferimentos graves. Os cinco, todos filhos da falecida Dawna, foram na companhia do pai levados de helicóptero até à fronteira onde os esperava um outro helicóptero para um hospital no Arizona.

As autoridades, cinco dias depois, afirmam que são um ou mais grupos armados ligados aos cartéis da droga mexicanos os perpetradores do massacre.

O motivo, esse continua obscuro. Tanto pode ser pelo alegado ativismo anti-crime da comunidade Le Barón, como por "guerras da água" que por vezes ressurgem entre as famílias que vivem da agricultura. Famílias apoiadas pelos cartéis?

Rapaz, 13 anos, andou seis horas a pé para encontrar socorro

O filho de Dawna, Devin, de 13 anos, escondeu os seis irmãos sobreviventes num matagal e cobriu-os com ramos.

Devin fê-los prometer que não se mexeriam até ele voltar. Mas a irmã Kylie, de 14 anos, ferida num pé com uma bala, ao fim de horas sem vê-lo regressar, mandou a irmã de nove ir buscar ajuda.

Entretanto Devin percorridos 16 km chegou à Colónia Le Barón, às 17H30, seis horas depois da emboscada. Pelo caminho, encontrou o carro incendiado onde estavam os quatro primos e a tia Rhonita.

Os homens da Colónia Le Barón armaram-se para se dirigir ao local do massacre onde ainda havia sete crianças vivas, mas ao ouvir tiros na montanha ficaram à espera de reforços policiais e militares.

Assim, segundo justificou Julián LeBarón — o líder da comunidade religiosa e unidade agrícola (foto à esqª, em baixo —, foi só duas horas depois, às 19H30, que encontraram cinco das seis crianças que Devlin deixara escondidas.

Havia mais uma sobrevivente: a bebé Faith estava viva no carro conduzido por Christina. O veículo estava carbonizado e cravejado de balas, o corpo da condutora estava irreconhecível, mas a filha, de seis meses, sentada no porta-bebés nada tinha sofrido.

Mckenzie, de 9 anos, andou quatro horas perdida no escuro até ser encontrada às 21H30, após uma batida que juntou soldados e habitantes dos povoados próximos.


Colónia LeBarón

Esta não é a primeira vez que a família extensa — os LeBarón que em 1924 emigraram dos Estados Unidos para o México, em dissidência com a Igreja de Jesus Cristo dos Últimos Dias, e hoje são cerca de três mil membros, muitos deles binacionais — é alvo dos cartéis da droga.

Em 2009 Benjamin LeBarón, de 32 anos, e o cunhado Luis Widmar, cada um pai de cinco filhos pequenos, foram assassinados, alegadamente pelo cartel, que entrou na "Colónia Le Baron", uma unidade agrícola (foto à esqª, em baixo), em Chihuahua.

Motivo? Dois meses antes, o rapto do irmão mais novo, Eric LeBaron, de 16 anos, levara Benjamin a tornar-se um ativista anti-crime. O seu alvo eram os cartéis da droga locais, contra os quais incentivava a comunidade local a levantar-se.


Trump oferece assistência, López Obrador agradece mas recusa

O presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador respondeu, na quarta-feira, 6, ao tweet em que Trump oferece apoio na investigação ao massacre.

"Agradecemos e vou entrar em contacto com o presidente. Mas acredito que esta é responsabilidade do México e que conseguimos fazer a investigação".

A recusa de López Obrador está a ser recebida de maneiras opostas. Para uns é a atitude correta no momento em que Trump, sob ameaça de destituição, quererá tirar proveito político da situação. Para outros, é a prova da corrupção do poder político que manterá relações com os cartéis.

— -


Fontes: CNN/Telemundo.com/AP Foto central: Morreram a mãe, Rhonita Maria Miller, e quatro dos sete filhos — os gémeos Titus e Tiana, de 7 meses, o primogénito Howard Jackob, de 12 anos, e Krystal, de 10 anos. Não viajavam com ela os filhos de 11 anos, 9 anos e de 30 meses e o marido, Howard Miller, na foto, que tinha ficado no Dakota do Norte, EUA.

Colunistas

Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
  Filomena foi uma jornalista de gabarito, dotada de um...
José Rodrigues
José Rodrigues
07 Sep. 2026
Cabo Verde na Vanguarda da Nova Economia:...
A indicação do líder da operadora concessionária deve basear-se...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
A cultura do ódio trazida para a vida pública...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...
Relevar dignidade deste país é fazer com que o...
Tony Miranda
Tony Miranda
21 Aug. 2026
A Inflação do Prestígio: Como a Obsessão...
Esta inflação sistémica de títulos está longe de ser...
Péricles Tavares
Péricles Tavares
03 Aug. 2026
Editorial Analítico — A Década de Conflito...
A política cabo-verdiana viveu, nos últimos dez anos, uma...

Comentários

joão do rosário
22 dias atrás 7 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
23 dias atrás 23 horas atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
26 dias atrás 5 horas atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...