sábado, 31 outubro 2026

Cidadãos da Praia denunciam “caos rodoviário” e pedem maior fiscalização das autoridades

 

Para Albertina Silva, formada em ciências biomédicas, as consequências do trânsito na capital transcendem os danos materiais.“Este caos mede-se em saúde mental, com o aumento exponencial dos níveis de ansiedade e stress de quem precisa de atravessar a cidade”, observou.

 

O desrespeito pelas regras do Código da Estrada na cidade da Praia continua a ser alvo de críticas por parte de alguns munícipes, que descrevem o cenário actual como de “imprudência geral”.

Em causa estão manobras perigosas, paragens irregulares em plena via e o uso excessivo de telemóvel ao volante, situações que, segundo os relatos recolhidos pela Inforpress, afectam a mobilidade e a saúde mental dos habitantes.

A crítica é frequentemente dirigida aos profissionais do transporte colectivo, Hiaces e táxis.

“São paragens em plena via, sem aviso ou sinalização, bloqueando o fluxo e ignorando passadeiras”, descrevem utilizadores da via pública.

Contudo, os entrevistados sublinham que o problema se estende também aos condutores particulares, indicando o estacionamento em segunda fila e a falta de sinalização, pisca-pisca, como práticas quotidianas.

Para Albertina Silva, formada em ciências biomédicas, as consequências do trânsito na capital transcendem os danos materiais.

“Este caos mede-se em saúde mental, com o aumento exponencial dos níveis de ansiedade e stress de quem precisa de atravessar a cidade”, observou.

Jorge Pinto, engenheiro de software, apontou as “horas de produtividade perdidas em engarrafamentos artificiais” criados por má condução e alerta para o sentimento de impunidade que cresce quando as infracções ocorrem à vista de todos sem consequências legais.

Alguns condutores ouvidos pela Inforpress justificam, por vezes, a sua conduta com a agressividade do meio.

João de Deus, condutor há 15 anos, exemplifica que se se dar um metro de distância, metem-se três outros carros à frente, descrevendo o ambiente como uma “lei da sobrevivência”.

No sector dos transportes colectivos, um motorista de Hiace, sob anonimato, referiu, por seu lado, à pressão do tempo.

 “Temos horários e metas. Se ficar à espera que me deem passagem com civismo, não ganho o dia”, justificou.

A segurança dos peões é outra das notas críticas observadas.

Dona Maria, reformada, confessou sentir medo ao atravessar as estradas no Platô, contando que põe o pé na passadeira e reza.

“Os carros vêm com uma velocidade que parece que estão numa pista de corrida”, descreveu.

Luís Monteiro, economista, analisou o fenómeno como um “colapso da ética colectiva”, onde o excesso de confiança dos condutores neutraliza o medo das consequências.

Perante este cenário, os cidadãos apelam a que as autoridades adoptem uma postura “mais dura” e constante, defendendo que a fiscalização deve deixar de ser meramente reactiva para se tornar punitiva, de modo a reverter a cultura de impunidade nas ruas da capital.

 

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
24 dias atrás

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jcf
25 dias atrás

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