A Delegação do Ministério da Educação na Ribeira Grande, Santo Antão, confirmou hoje a suspensão das aulas em quatro agrupamentos escolares do concelho, devido à queda de chuvas em várias localidades, dificultando o acesso aos estabelecimentos de ensino.
Embora alguns agrupamentos tenham funcionado durante o primeiro período lectivo (das 08:00 às 09:00), os respectivos directores decidiram suspender as actividades ao longo do dia, por motivos de precaução e segurança.
O concelho da Ribeira Grande encontra-se organizado em cinco agrupamentos educativos, que integram escolas básicas e secundárias, bem como jardins-de-infância públicos e privados. No Agrupamento N.º 2, com sede na Escola Secundária do Coculi, professores e alunos optaram por não se deslocar às escolas.
Em declarações à Inforpress, a delegada do Ministério da Educação, Maria Teresa da Cruz, avançou que apenas o agrupamento N.º 5, com sede na localidade da Garça, se mantém parcialmente em funcionamento no primeiro ciclo do ensino básico.
No segundo ciclo, contudo, as aulas foram interrompidas devido à impossibilidade de circulação e às dificuldades de deslocação dos alunos oriundos das zonas de Cruzinha e Mocho.
Nos últimos dias, a chuva tem caído de forma permanente nos vales da Ribeira Grande e da Ribeira da Torre, provocando o escoamento acentuado de água em direcção ao mar.
Na ilha de Santo Antão, a época de chuvas agrava habitualmente as condições de transitabilidade nas estradas e caminhos vicinais, elevando o risco de derrocadas e queda de pedras nas encostas.
O Sindicato da Indústria Geral, Alimentação, Construção Civil e Serviços (Siacsa) enviou esta um pré-aviso de greve à câmara da Praia, para os dias 22, 23 e 24, caso não haja entendimento sobre a implementação PCFR.
Segundo a Inforpress, a informação foi avançada à imprensa pelo presidente do Siacsa, Gilberto Lima, que apontou o atraso na implementação do Plano de Carreiras, Funções e Remunerações (PCFR), bem como os constrangimentos no envio das quotas sindicais, como os principais motivos do descontentamento dos trabalhadores municipais.
Segundo o dirigente sindical, o processo de implementação do PCFR permanece “sem avanços há muito tempo”, sem que os trabalhadores tenham recebido esclarecimentos satisfatórios por parte da autarquia.
“Estamos a falar de trabalhadores de várias áreas, trabalhadores de carteira, bombeiros e saneamento, entre outros setores, que estão descontentes com esta situação”, afirmou.
Gilberto Lima referiu ainda que o sindicato enfrenta atrasos no recebimento das quotas sindicais descontadas aos trabalhadores, alegando que existem valores referentes aos meses de junho, julho e agosto que ainda não foram regularizados.
Conforme a fonte referida, o presidente considerou que estas situações “não devem repetir-se sempre que há mudanças de direção ou de responsáveis pelos serviços”, pois deve haver, sintetizou, “maior regularidade no cumprimento das obrigações” para com a organização sindical.
Apesar do pré-aviso, o dirigente sindical esclareceu que ainda existe a possibilidade de “conciliação entre as partes”, sublinhando que a greve só deverá avançar caso não seja alcançado um entendimento.
Para Gilberto Lima, a Câmara Municipal da Praia deve demonstrar disponibilidade para implementar o PCFR, à semelhança do que, segundo afirmou, já acontece noutras autarquias do país.
O responsável sindical manifestou também preocupação com o receio de possíveis represálias por parte da autarquia, afirmando que alguns trabalhadores têm medo de se expor na defesa dos seus direitos.
Caso não haja acordo e a greve se concretize, Gilberto Lima apelou à participação dos trabalhadores abrangidos pela paralisação.
As escolas do terceiro agrupamento escolar no município do Porto Novo, em Santo Antão, vão estar fechadas ao longo desta segunda-feira devido à previsão de chuvas, informou a direcção daquela estrutura educativa, conforme foi citada pela Inforpress.
A direcção deste agrupamento, com sede no liceu da Ribeira das Patas, justificou a suspensão das actividades lectivas esta segunda-feira, com as previsões meteorológicas que apontam para a queda de chuvas no concelho e com a necessidade de acautelar a segurança dos alunos e professores.
“Tendo em conta as previsões de chuva entre hoje e amanhã [terça-feira] e visando a segurança de todos, as aulas estão suspensas nesta segunda-feira”, avançou a mesma fonte.
Conforme avançou a Inforpress, até ao momento, desconhece-se se a medida de suspensão das aulas foi igualmente adoptada pelos restantes agrupamentos escolares do concelho do Porto Novo, território que tem sido contemplado por precipitações nos últimos dois dias, sem registo de estragos ou danos materiais.
A directora técnica do Instituto Cabo-Verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA), Vanusa Ribeiro, alertou esta segunda-feira na Praia para os perigos do mundo digital, afirmando que a fragilidade de crianças e adolescentes os torna “presas fáceis” no ambiente virtual.
“O mundo digital pode trazer um conjunto de oportunidades, mas também perigos. Quando falamos de violências diversas, nomeadamente de género e sexuais, as crianças e os adolescentes podem, por vezes, tornar-se presas fáceis”, advertiu a directora técnica do ICCA, defendendo uma monitorização contínua por parte do país e das famílias em relação ao acesso e aos conteúdos consumidos online.
A responsável falava à imprensa à margem do encontro sob o tema “Conectar para empoderar: Os direitos das meninas na era digital”, promovido no âmbito das comemorações do Dia Internacional da Menina, assinalado a 11 de Outubro.
O evento teve como objectivo principal criar um espaço de diálogo onde as jovens possam identificar e reivindicar as oportunidades oferecidas pelo meio digital para a promoção e o exercício dos seus direitos.
Segundo Vanusa Ribeiro, debater a presença no espaço cibernético exige equilibrar a transmissão de conhecimentos sobre as suas vantagens com a identificação clara dos riscos associados, de modo a transformar a Internet num ambiente seguro e produtivo.
“O mundo digital pode trazer um conjunto de oportunidades, mas também perigos. Quando falamos de violências diversas, nomeadamente de género e sexuais, as crianças e os adolescentes podem, por vezes, tornar-se presas fáceis”, advertiu a directora técnica do ICCA, defendendo uma monitorização contínua por parte do país e das famílias em relação ao acesso e aos conteúdos consumidos online.
Na mesma ocasião, a representante das Crianças Embaixadoras, Viviane Fortes, destacou a importância da tecnologia como ferramenta criativa e defendeu a urgência de garantir uma navegação protegida para o público feminino.
“Cada passo no ambiente digital deve ser dado com segurança. A nossa brochura ‘Me manda uma foto’ traz precisamente esta mensagem de utilização segura da Internet”, reforçou a jovem embaixadora.
Assinalado globalmente sob o lema “Acabar com o casamento infantil e promover os direitos das meninas”, o Dia Internacional da Menina constitui um momento de mobilização para celebrar as conquistas e reafirmar os direitos das jovens em todo o mundo.
Em Cabo Verde, a acção foi promovida em parceria pela Unicef, Ministério da Educação, ICCA e VerdeFam, com foco no papel do meio digital enquanto “ferramenta transformadora” para quebrar barreiras geográficas e sociais, abrindo caminhos para a educação, participação cívica, empreendedorismo e independência económica das raparigas.
O Prémio Nobel da Economia foi atribuído a Robert E. Hall e Michael Woodford, reconhecendo as suas contribuições significativas para a área.
"O trabalho dos laureados proporcionou-nos uma base teórica sólida para os modelos que agora são usados por bancos centrais e governos em todo o mundo. Com eles, estamos mais bem preparados para lidar com choques na economia, como crises energéticas ou mudanças repentinas no consumo das famílias", disse John Hassler, presidente do Comité do Prémio, citado em comunicado.
O Prémio Nobel da Economia, denominado como Prémio do Banco da Suécia para as Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel, foi atribuído a Robert E. Hall e Michael Woodford, anunciou a Real Academia Sueca de Ciências, esta segunda-feira.
Segundo NM, a distinção aconteceu pelas "bases microeconómicas da estabilização macroeconómica".
"A investigação de Robert E. Hall e Michael Woodford provocou uma mudança de paradigma na política de estabilização económica. Os modelos novo-keynesianos, resultantes da sua investigação, permitem explicar e quantificar de que forma a política de estabilização afeta os ciclos económicos e são atualmente utilizados por bancos centrais e ministérios das Finanças de todo o mundo", explicou o organismo, numa publicação partilhada na rede social X.
Acrescenta ainda que, "desde a publicação dos trabalhos dos laureados, os modelos têm sido desenvolvidos e aperfeiçoados, um processo que deverá continuar à medida que as nossas economias evoluem. Os modelos podem ser facilmente adaptados às diferentes circunstâncias que afetam as famílias e as empresas".
Além disso, a investigação de ambos "tornou possível gerir grandes crises macroeconómicas de forma muito mais eficaz do que no passado".
O Prémio Sveriges Riksbank de Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel deste ano foi assim atribuído a dois economistas norte-americanos, das Universidades de Stanford, no caso de Hall, e Columbia, de Woodford.
Os laureados deste ano em Ciências Económicas "desenvolveram novos modelos macroeconómicos que melhoraram significativamente a capacidade de implementar políticas de estabilização eficazes", indica a Real Academia Sueca de Ciências, em comunicado citado pela fonte referida.
Com base nestes modelos, "medidas de política fiscal e monetária oportunas podem reduzir os altos e baixos da economia".
"O trabalho dos laureados proporcionou-nos uma base teórica sólida para os modelos que agora são usados por bancos centrais e governos em todo o mundo. Com eles, estamos mais bem preparados para lidar com choques na economia, como crises energéticas ou mudanças repentinas no consumo das famílias", disse John Hassler, presidente do Comité do Prémio, citado em comunicado.
Robert E. Hall, de 83 anos, nasceu em Palo Alto, Califórnia, EUA e é atualmente professor na Universidade de Stanford, na Califórnia.
Michael Woodford, nascido em 1955 em Chicopee, Massachusetts, EUA, é professor na Universidade Columbia, em Nova Iorque.
Segudo a mesma fonte, o prémio de economia foi criado em 1968 pelo banco central da Suécia, é formalmente conhecido como o Prémio do Banco da Suécia em Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel e é o último Nobel a ser conhecido, depois do anúncio dos vencedores nas categorias de Medicina, Física, Química, Literatura e Paz.
Os Prémios Nobel, que serão entregues em dezembro, representam um prémio em dinheiro de 12 milhões de coroas suecas (aproximadamente um milhão de euros).
Os vencedores recebem também uma medalha de ouro e um diploma nas cerimónias de entrega dos prémios, em dezembro, em Oslo e Estocolmo.
No ano passado, o Nobel da Economia foi atribuído a Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt por terem explicado o crescimento económico impulsionado pela inovação.
O Governo apresenta, na segunda-feira, 12, os resultados do relatório final do inquérito técnico-administrativo ao acidente rodoviário de 05 de Setembro, na estrada Chã das Caldeiras/Campanas de Cima, que provocou 25 mortos e 13 feridos.
A apresentação será feita, segundo revela a Inforpress, pela Direcção-Geral dos Transportes Rodoviários (DGTR), na sala de reuniões do Ministério da Administração Interna, com a divulgação das conclusões do inquérito e das medidas propostas para reforçar a segurança rodoviária nacional.
O acidente envolveu uma viatura de transporte colectivo de passageiros, no troço entre Chã das Caldeiras e Campanas de Cima, mais concretamente no sítio conhecido por Ribeira Lachido.
Na sequência da tragédia, foi criada, ao abrigo da Resolução n.º 104/2026, de 11 de Setembro, uma Comissão de Inquérito para apurar as causas e circunstâncias do sinistro.
A divulgação pretende assegurar o conhecimento público das conclusões e contribuir para o reforço da prevenção e da segurança rodoviária em Cabo Verde.
Já o presidente da Câmara Municipal de São Filipe, Nuías Silva, defendeu a implementação das recomendações do relatório sobre o acidente de 05 de Setembro, no Fogo, e a correcção das falhas identificadas nas estradas para garantir a segurança dos utentes.
Confrme a fonte referida, Nuías Silva considerou que o Governo já demonstrou abertura para implementar as medidas a serem recomendadas e sublinhou que a segurança das pessoas deve estar em primeiro lugar, independentemente de quem governava na altura da construção das vias.
O edil afirmou que o relatório deve ser submetido às entidades competentes para que possam analisar as conclusões e encontrar as melhores soluções.
Sobre a estrada onde ocorreu o acidente, entre Chã das Caldeiras e Campanas de Cima, apontou a necessidade de reforçar a sinalização, sobretudo nas zonas de maior inclinação e nas curvas apertadas, onde a instalação de espelhos poderá melhorar a visibilidade dos condutores.
Segundo Nuías Silva, apesar de existirem parapeitos e protecções laterais em betão em alguns pontos, há outras áreas com sinalização insuficiente ou inexistente.
O edil acredita que a Estradas de Cabo Verde (ECV), que já está a realizar trabalhos nesse domínio, dará continuidade às intervenções necessárias para colmatar as falhas e melhorar as condições de segurança rodoviária.
A Câmara Municipal de Santa Catarina do Fogo reforçou, sexta-feira, 09, a sua frota operacional com a aquisição de uma viatura de caixa aberta, destinada prioritariamente aos serviços de saneamento e ao apoio às obras municipais.
A nova viatura, da marca JAC, que chegou sexta-feira ao município, visa aumentar a capacidade de resposta da autarquia na recolha e no transporte de resíduos sólidos, contribuindo para a limpeza urbana e a melhoria das condições de salubridade pública.
Segundo a Inforpress que cita uma nota da edilidade de Santa Catarina do Fogo publicada na sua página nas redes sociais, o veículo estará igualmente disponível para apoiar as equipas técnicas na execução de empreitadas públicas, no transporte de materiais e noutras intervenções destinadas à melhoria das infra-estruturas locais.
A viatura terá uma área de actuação que abrange todo o território municipal, permitindo prestar apoio às diferentes localidades, de acordo com as prioridades definidas pela edilidade.
O veículo foi recebido nos Paços do Concelho pelo presidente da câmara municipal, Manuel Teixeira, num acto que contou com a presença de membros da equipa administrativa, funcionários e condutores municipais.
Com esta aquisição, a autarquia pretende modernizar os meios de trabalho e reforçar a prestação de serviços públicos, com foco na melhoria das condições de vida da população do município e numa gestão orientada para resultados concretos.
O navio de patrulha oceânica Guardião iniciou a fase de treinos e preparação da sua guarnição, com vista ao regresso à actividade operacional nos mares de Cabo Verde, informou hoje a Guarda Costeira.
“A entrada ao serviço deste navio representará um importante reforço da capacidade da Guarda Costeira no patrulhamento marítimo, busca e salvamento, evacuações médicas, combate ao narcotráfico e a outras actividades ilícitas no mar, acrescentou.
De acordo com a instituição, esta etapa está centrada no aperfeiçoamento das capacidades dos militares, através de exercícios e procedimentos destinados a reforçar a prontidão operacional, a eficiência e a segurança no cumprimento das futuras missões.
“Durante as provas de mar foram testados a plataforma e os diversos sistemas do navio, permitindo avaliar o seu desempenho e funcionamento em condições reais de operação”, destacou.
Para a Guarda Costeira, o regresso do navio representa um “reforço das suas capacidades”, sobretudo nos domínios da “vigilância e protecção do espaço marítimo nacional”.
“A entrada ao serviço deste navio representará um importante reforço da capacidade da Guarda Costeira no patrulhamento marítimo, busca e salvamento, evacuações médicas, combate ao narcotráfico e a outras actividades ilícitas no mar, acrescentou.
Em Fevereiro deste ano, o Governo autorizou a dispensa de concurso público para a aquisição de serviços e peças destinados ao navio-patrulha “Guardião”, por razões de “segurança pública e urgência imperiosa”, envolvendo um investimento superior a 24 milhões de escudos.
Na decisão, publicada no Boletim Oficial n.º 28, II Série, de 12 de Fevereiro de 2026, o Governo justificou o recurso ao ajuste directo com base no Código da Contratação Pública, invocando razões de “segurança pública interna e externa”, bem como a “urgência imperiosa em reabilitar o navio”.
O documento sublinhou que os trabalhos de reparação e manutenção programada no navio-patrulha Guardião eram “essenciais para assegurar a continuidade de diversas missões de interesse público” e também “inadiáveis e imprescindíveis”.
O “Guardião” é um dos meios navais mais importantes de Cabo Verde para a fiscalização da Zona Económica Exclusiva (ZEE), tendo como missão o combate ao tráfico de drogas, operações de busca e salvamento, fiscalização das pescas e controlo da imigração ilegal.
No Dia Mundial dos Cuidados Paliativos, as histórias de Edmilson Tavares e Augusto Moreira Martins revelam como o cancro transforma a vida dos doentes e das suas famílias, entre dificuldades, medos e diferentes formas de enfrentar o futuro.
“Tudo fica perdido. O mundo desaba, naquela hora”, recordou, emocionado, ao falar do momento em que recebeu a notícia.
Viver com uma doença grave significa, muitas vezes, aprender a lidar com uma realidade que ninguém escolhe. Os planos mudam, as tarefas mais simples podem tornar-se difíceis e o futuro passa a ser acompanhado por dúvidas, medos e incertezas.
Aos 37 anos, Edmilson Tavares, professor, viu a sua vida mudar com o diagnóstico de adenocarcinoma do cólon esquerdo, um tipo de cancro do intestino. As cólicas recorrentes levaram-no a consultas e exames até conhecer a causa dos sintomas.
“Tudo fica perdido. O mundo desaba, naquela hora”, recordou, emocionado, ao falar do momento em que recebeu a notícia.
Depois de uma cirurgia, iniciou a quimioterapia, com sessões de 15 em 15 dias. Os tratamentos provocam náuseas, desconforto e falta de energia, limitando actividades que antes faziam parte da sua rotina.
A esposa, que vivia em Portugal, regressou a Cabo Verde para estar perto dele e ajudar nos cuidados. Embora, inicialmente, Edmilson não quisesse que ela regressasse por causa da doença, a presença da mulher passou a ser uma parte importante do apoio que recebe nesta fase.
Apesar das dificuldades, continua a desejar recuperar a vida que tinha, voltar a dar aulas e retomar as actividades de que gosta. No entanto, a possibilidade de não conseguir concretizar esses objectivos continua a preocupá-lo.
“Eu quero ter a minha vida normal, conseguir a minha vida normal, fazer aquilo que gosto”, desabafou.
Aos 66 anos, Augusto Moreira Martins enfrenta um cancro do estômago e dificuldades em alimentar-se, que obrigaram à utilização de um tubo para receber alimentação.
A mudança estendeu-se à vida da esposa, que passou a organizar o quotidiano em função dos cuidados de que o marido necessita. A alimentação exige uma preparação especial e, por vezes, a mulher levanta-se à meia-noite para triturar os alimentos e deixá-los prontos.
“Tudo diferente”,resumiu, ao descrever a nova realidade.
A rotina é exigente e as dificuldades financeiras tornam mais pesado o esforço para conseguir alimentos, medicamentos e transporte. Os filhos e outros familiares ajudam como podem, enquanto o apoio de uma enfermeira ao domicílio também trouxe algum alívio.
Para Augusto, porém, o sofrimento não se limita às mudanças do quotidiano. Desde que recebeu o diagnóstico, diz estar à espera da morte e não acredita que vá melhorar.
A sua forma de olhar para o futuro contrasta com a esperança de recuperação que Edmilson ainda procura manter.
Apesar desse sentimento, a fé continua presente na vida de Augusto, que acredita que “tudo depende de Deus”.
As experiências dos dois homens revelam que uma doença grave afecta não apenas o doente, mas também quem o acompanha, cuida dele e procura responder às necessidades de cada dia.
Para as famílias, cuidar pode significar abdicar do descanso, reorganizar a vida e enfrentar o medo de ver a pessoa amada sofrer. Por isso, o apoio aos cuidadores também é importante, para que não enfrentem sozinhos o peso físico e emocional dessa responsabilidade.
No âmbito dos cuidados paliativos, o acompanhamento procura responder às necessidades dos doentes e das suas famílias, com especial atenção ao alívio do sofrimento e à qualidade de vida.
Entre a vontade de recuperar a autonomia, a dificuldade em aceitar as mudanças e o esforço de quem cuida, Edmilson e Augusto vivem a doença de maneiras diferentes.
As suas histórias lembram que, por detrás de cada diagnóstico, existe uma pessoa com medos, necessidades e uma vida que continua a merecer cuidado, dignidade e atenção.
O presidente do Movimento para a Democracia (MpD), Paulo Veiga, defendeu hoje uma nova forma de funcionamento do partido, centrada nas pessoas, na renovação interna e na recuperação da confiança dos cidadãos, durante a abertura da XIV Convenção Nacional.
No final do discurso, o dirigente apelou à franqueza nos debates e ao respeito pelas divergências, incentivando os militantes a levarem as discussões da convenção às comunidades, sobretudo junto das pessoas que se afastaram da vida política ou deixaram de se identificar com o partido.
No seu primeiro discurso oficial como presidente do partido, Paulo Veiga reconheceu, segundo a Inforpress, que o MpD perdeu a confiança de parte dos seus apoiantes e considerou que a convenção deve servir para reflectir sobre as razões desse afastamento, sem procurar justificar os resultados eleitorais ou responsabilizar os eleitores.
“As pessoas não nos devem o seu apoio. Somos nós que temos de merecer a sua confiança”, afirmou, defendendo uma postura de maior escuta, autocrítica e proximidade com a população.
O dirigente recordou as dificuldades vividas na noite eleitoral de 17 de Maio, marcada, segundo descreveu, pelo silêncio nas sedes do partido, pela desilusão dos militantes e pela incerteza dos jovens que participaram pela primeira vez numa campanha eleitoral.
Apesar da derrota, destacou a permanência dos militantes na organização como um sinal de compromisso com a democracia e com o partido.
Nesse sentido, defendeu, prossegue a fonte referida, uma convenção aberta ao debate interno, à apresentação de críticas e à procura de soluções para aproximar o MpD da sociedade.Sublinhou ainda que a unidade não deve significar ausência de divergências, mas sim capacidade de discutir ideias com respeito e aceitar opiniões diferentes.
“Unidade não significa pensarmos todos da mesma maneira”, afirmou, apelando aos militantes para que participem nas discussões sem transformar as diferenças em motivos de divisão.
No âmbito da reorganização interna, Paulo Veiga defendeu uma maior participação dos militantes nas decisões do partido e a criação de oportunidades para os jovens assumirem responsabilidades, em vez de serem mobilizados sobretudo durante as campanhas eleitorais.
O presidente do MpD salientou igualmente a necessidade de reforçar a presença das mulheres nos espaços de decisão, considerando que a renovação da liderança deve traduzir-se numa participação mais efectiva de diferentes sectores da sociedade na vida política.
“Um partido político não existe para si próprio. Não existe para dar cargos aos seus dirigentes. Existe para servir”, declarou, defendendo uma acção política orientada para as necessidades dos cidadãos.
Conforme a fonte deste jornal, a cerimónia de abertura da XIV Convenção Nacional contou com a presença de delegados, convidados, simpatizantes e representantes de partidos políticos nacionais e internacionais.
Os trabalhos decorrem durante três dias, de sexta-feira a domingo, e reúnem 298 delegados para a oficialização da liderança de Paulo Veiga e a ratificação dos novos órgãos nacionais do partido.
No final do discurso, o dirigente apelou à franqueza nos debates e ao respeito pelas divergências, incentivando os militantes a levarem as discussões da convenção às comunidades, sobretudo junto das pessoas que se afastaram da vida política ou deixaram de se identificar com o partido.
O Pentágono ordenou às Forças Armadas dos EUA que se preparem para retomar as operações militares contra o Irão, disseram responsáveis norte-americanos à Axios.
De acordo com a CNN Portugual que cita essas fontes, o presidente dos EUA, Donald Trump, ainda não tomou uma decisão definitiva sobre o assunto e a ordem não inclui uma data para o possível retomar de um conflito aberto, apenas que isso poderá ocorrer antes das eleições israelitas no final do mês.
“Os EUA estão numa posição muito forte, com o controlo do Estreito de Ormuz e a economia iraniana em colapso. O Irão foi dizimado e as coisas vão seguir um de dois caminhos: o fácil ou o difícil”, disse um funcionário da Casa Branca à Axios. “O presidente Trump tem todas as cartas na manga e fará o que for melhor para os Estados Unidos.”
Fontes disseram ao Axios que, se os ataques forem retomados, espera-se que tenham como alvo instalações nucleares, infraestruturas e energia. É provável que envolvam também as Forças Armadas de Israel.
Os seleccionadores de Marrocos, República Democrática do Congo, Costa do Marfim e o ex-técnico de Cabo Verde debateram hoje, no Sal, as estratégias tácticas e a gestão emocional para impulsionar a competitividade do futebol africano.
O painel de debate técnico foi moderado pelo antigo internacional ganês Anthony Baffoe e com a coordenação do director de desenvolvimento de futebol da FIFA, Arsène Wenger.
Durante a sua intervenção por via remota, o ex-seleccionador cabo-verdiano Pedro Brito "Bubista" expressou o seu orgulho pelo facto de o evento decorrer no seu país natal e destacou o percurso dos "Tubarões Azuis" como exemplo de superação.
"É com o coração cheio de orgulho e de esperança que vejo esta conferência realizada no meu país, Cabo Verde. Somos a prova de que não existem impossíveis quando há trabalho, paixão, disciplina e organização", afirmou o técnico.
Bubista aproveitou a ocasião para lançar um forte apelo à liderança da CAF sobre o futuro do futebol continental.
"A África precisa de ganhar a Copa do Mundo. Não interessa qual país vai ganhar, mas tem de ganhar a Copa do Mundo", disse
No plano estritamente táctico, o treinador ressalvou a importância de as equipas dominarem múltiplos modelos de jogo e manterem a estabilidade mental nas grandes competições.
Por seu turno, o seleccionador da República Democrática do Congo, Sébastien Desabre, enfatizou a importância da continuidade e da estabilidade no comando técnico para o alcance de metas exigentes.
"Para nós foram quatro anos de trabalho. Tem de se colocar em frente a estabilidade do trabalho. Conseguimos qualificar-nos com estabilidade e com uma gestão rigorosa das emoções de 100 milhões de congoleses. O facto de me terem deixado trabalhar durante quatro anos e o grupo ter vivido com disciplina foi o que nos fez chegar longe", salientou Desabre.
Na mesma linha, o técnico da selecção de Marrocos, Mohamed Ouahbi, abordou a gestão do tempo nas datas FIFA e defendeu o confronto directo com potências mundiais como a principal via de crescimento.
O seleccionador da Costa do Marfim, Emerse Faé, detalhou as estratégias adoptadas para ultrapassar blocos defensivos recuados, exemplificando com jogos de exigência máxima contra equipas como a Alemanha.
"A minha abordagem é identificar as fraquezas do adversário. Optei por isolar os meus alas para procurar o um-contra-um e colocar gente na área. É preciso adaptar a estratégia ao perfil dos jogadores e ao momento do jogo".
A fechar o painel, Arsène Wenger fez uma reflexão sobre a especificidade do trabalho de selecção em comparação com o futebol de clubes, apontando as tendências tácticas do jogo contemporâneo.
A Conferência Estratégica da CAF chega hoje ao fim, depois de reunir, durante três dias, representantes e seleccionadores das 54 federações associadas para debater o futuro técnico, táctico e organizacional do futebol no continente.
A sul-africana Navanethem "Navi" Pillay, vencedora do Prémio Nobel da Paz de 2026, foi a juíza que acusou Ruanda e Israel de cometerem genocídios. Ex-alta-comissária das Nações Unidas, presidiu à primeira sentença internacional que determinou o genocídio no Ruanda e liderou uma comissão que concluiu que Israel cometeu genocídio em Gaza.
Após o fim do regime do "apartheid", o então Presidente Nelson Mandela nomeou-a, em 1995, como juíza interina do Tribunal Superior da África do Sul e, no mesmo ano, foi eleita pela Assembleia Geral das Nações Unidas como juíza do Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, onde permaneceu até 2003.
Asul-africana Navanethem "Navi" Pillay, vencedora do Prémio Nobel da Paz de 2026 "pelo seu trabalho em prol da paz e do direito internacional", foi a juíza que acusou o Ruanda e Israel de cometerem genocídios.
Ex-alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos (2008-2014), Pillay foi juíza do Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, onde presidiu à primeira sentença internacional que determinou a ocorrência de genocídio.
Além disso chefiou, até novembro de 2025, a Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas sobre os Territórios Palestinianos Ocupados que concluiu que Israel estava a cometer genocídio contra os palestinianos em Gaza.
Numa entrevista divulgada em dezembro do ano passado, Navi afirmou que o conflito em Gaza foi "o mais doloroso" que já analisou e sublinhou que um dos desafios na elaboração do relatório foi "a recusa de Israel em permitir a entrada no seu território e nos Territórios Palestinianos para investigar".
O gosto pelo direito internacional humanitário começou em jovem, quando vivia numa África do Sul marcada pelo regime do 'apartheid'.
Nascida em 1941, em Durban, África do Sul, numa família de origem modesta proveniente do Sri Lanka, tornou-se, no final da década de 1960 na primeira mulher não branca a abrir um escritório de advogados nesta província sul-africana, onde defendeu vários presos políticos detidos sem julgamento, muitos dos quais ativistas anti-'apartheid'.
Em 1982, terminou um mestrado em Direito na Universidade de Harvard, especializando-se em direitos humanos e direito internacional e, 10 anos depois, cofundou um grupo internacional de direitos das mulheres chamado "Equality Now" (Equidade Agora).
Após o fim do regime do "apartheid", o então Presidente Nelson Mandela nomeou-a, em 1995, como juíza interina do Tribunal Superior da África do Sul e, no mesmo ano, foi eleita pela Assembleia Geral das Nações Unidas como juíza do Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, onde permaneceu até 2003.
Foi nesta última função que ganhou particular destaque, já que presidiu à primeira decisão internacional que determinou a existência de um genocídio nesse país de acordo com os critérios estabelecidos na Convenção sobre o Genocídio de 1948.
Esta decisão determinou também que a violação pode constituir um ato de genocídio, reformulando assim o direito internacional humanitário e promovendo a justiça para os sobreviventes de violência sexual em conflitos.
Quatro anos depois, em 1999, tornou-se juíza do Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia, cargo que ocupou até 2008, quando foi nomeada alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos, o mais alto cargo de direitos humanos no sistema das Nações Unidas.
Durante o seu mandado na ONU, denunciou violações em conflitos como os da Síria, Gaza e Sri Lanka, pressionou para a responsabilização por crimes de guerra e defendeu os direitos das mulheres e das minorias.
Em agosto de 2014 deixou o cargo, mas não sem antes criticar o Conselho de Segurança da ONU por ter falhado com o povo sírio ao não impedir a violência ou investigar os crimes cometidos.
Após deixar a ONU, manteve-se muito ativa na defesa dos direitos humanos, participando em grupos de reflexão sobre migração, integração e justiça na África do Sul e desempenhando funções de juíza 'ad hoc' do Tribunal Internacional de Justiça na aplicação da Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio, no caso Gâmbia contra Myanmar.
Voltou ao serviço da ONU em 2021, quando passou a liderar a Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas sobre os Territórios Palestinianos Ocupados. Em setembro, a comissão concluiu que Israel estava a cometer genocídio contra os palestinianos em Gaza.
No ano passado, saiu da comissão, alegando questões de idade, saúde e compromissos pessoais.
Atualmente, com 85 anos, Navi preside à Comissão Internacional contra a Pena de Morte, com sede em Madrid.
Entre os prémios e reconhecimentos que a agora Nobel da Paz recebeu, contam-se o Prémio Defensora da Democracia da PGA (2014), o Prémio de Direitos Humanos de Estocolmo (2010) e o Prémio da Paz de Sydney (2025) "por uma vida dedicada à defesa dos direitos humanos fundamentais, da paz com justiça e dos direitos das mulheres".
Foi também galardoada com o Prémio Olof Palme, juntamente com John Dugard (2026).
Os pescadores de Fajã d’Água, Furna e Lomba, na ilha Brava, apelaram hoje ao Governo para a instalação de arrastadores de botes nas zonas piscatórias, visando evitar prejuízos e estragos nas embarcações, sobretudo em períodos de mau tempo.
Em declarações à Inforpress, Helena Baptista, proprietária de uma embarcação de pesca e residente em Fajã d’Água, afirmou que a classe enfrenta sérias dificuldades devido à inexistência de um arrastador de botes na localidade.
Segundo a mesma fonte, os profissionais dispõem apenas de uma rampa improvisada entre os calhaus, construída em parceria com a anterior equipa camarária, mas que não oferece garantias de segurança quando o mar se apresenta agitado.
“Na nossa localidade precisamos, sim, de um arrastador de botes o mais depressa possível. Todos os pescadores pagam as suas licenças e, no mínimo, penso que temos direito a uma rampa em condições”, defendeu.
Segundoa mesma fonte, Helena Baptista exortou o executivo a intervir na resolução desta pendência, sublinhando que a construção de infra-estruturas adequadas nas zonas piscatórias é uma necessidade premente para assegurar o sustento de dezenas de famílias bravenses.
Por sua vez, Reinaldo Martins, representante da comunidade piscatória da Furna, lembrou que a instalação de um arrastador naquela zona constitui uma reivindicação antiga e uma promessa sucessivamente adiada pelos governos.
“Todos os governos que entram no poder prometem um arrastador na Furna, mas nunca o fizeram. Arrastar um bote aqui sem equipamento adequado exige muita habilidade para evitar que a embarcação fique destruída”, declarou.
O pescador explicou que na época de chuvas e de agitação marítima, o cenário se torna ainda mais crítico, estando muitas embarcações concentradas na entrada da empresa Enapor, local onde aguardam uma solução definitiva para o seu recolhimento seguro.
De acordo com Reinaldo Martins, as praias da Furna ficam frequentemente cobertas de pedras devido à força da vaga, inviabilizando as manobras de entrada e saída das embarcações e aumentando o risco de acidentes e danos materiais.
“Estamos aqui a reivindicar novamente, porque precisamos de um arrastador nesta localidade, onde praticamente toda a gente vive da pesca”, salientou,
Conforme ainda a fonte deste jornal, pescador acrescentou que, durante a época das chuvas, algumas praias ficam praticamente sem condições para a actividade piscatória, devido à acumulação de pedras, situação que compromete a segurança das embarcações e o trabalho diário dos pescadores.
Além de Fajã d’Água e Furna, os pescadores da localidade de Lomba enfrentam a mesma problemática e juntam-se ao apelo dirigido ao Governo para a criação de melhores condições de trabalho nas zonas piscatórias da ilha Brava.
Os profissionais defendem que a instalação de arrastadores de botes e a melhoria das rampas de acesso ao mar são medidas essenciais para proteger as embarcações, garantir a segurança dos pescadores e assegurar a continuidade de uma atividade que constitui uma importante fonte de rendimento para várias famílias da ilha.
A Guarda Costeira celebra hoje o seu 33.º aniversário, reafirmando o compromisso com a segurança marítima, a fiscalização dos espaços marítimos nacionais, a busca e salvamento e a protecção dos recursos marinhos.
A cerimónia comemorativa acontece no final da tarde, no Ponto de Apoio Naval (PAN), situado no Cais n.º 9 do Porto Grande do Mindelo, em São Vicente, revela a Inforpress.
O acto será presidido pelo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, contra-almirante Manuel António Pereira Semedo, e contará com a presença de entidades civis e militares, representantes institucionais, convidados e efectivos da Guarda Costeira.
A cerimónia pretende assinalar o percurso histórico deste ramo das Forças Armadas, reconhecer o contributo dos seus militares e reafirmar o compromisso com a defesa dos interesses do Estado no mar.
Entre as suas principais missões destacam-se a segurança marítima, a fiscalização dos espaços marítimos, as operações de busca e salvamento e a protecção dos recursos marinhos nacionais.
Mais de 60 trabalhos foram submetidos para o II Congresso Internacional de Enfrentamento à Fome e à Desinformação, que decorrerá, no Mindelo, no inicio da próxima semana, co-organizada pela Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) e duas universidades brasileiras.
“Temos mais de 60 trabalhos inscritos e cerca de duas dezenas de investigadores de França, Brasil, Moçambique, Cabo Verde, Espanha, Portugal que vão participar nas mesas redondas", informou João Almeida Medina.
Em declarações à Inforpress, o investigador da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), João Almeida Medina, explicou que a abertura do congresso será feita com uma conferência no Centro Cultural do Mindelo, proferida pelo director da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, Eduardo Vera-Cruz
“Temos mais de 60 trabalhos inscritos e cerca de duas dezenas de investigadores de França, Brasil, Moçambique, Cabo Verde, Espanha, Portugal que vão participar nas mesas redondas", informou João Almeida Medina.
Conforme a mesma fonte, o congresso será desenvolvido em torno de três mesas-redondas, com destaque para os temas “Africanidades, imaginários e futuros possíveis: Comunicação, fome, uma ponte para a África”, “Inteligência Artificial e Desinformação: Democracia e Humanidade em risco?” e “Africanidades e história: Travessias e Pontes Cabo Verde-Brasil-Cabo Verde”.
A coordenação-geral do evento é constituída por João Almeida Medina, enquanto investigador da Uni-CV, e pelas investigadoras brasileiras Marialva Barbosa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Ana Regina Rêgo, da Universidade Federal do Piauí (UFPI).
Conforme os organizadores, o II Congresso Internacional de Enfrentamento à Fome e à Desinformação nasce da consolidação de um processo de cooperação académica internacional, construído a partir da convergência entre dois grandes projectos internacionais de investigação.
Ambos são desenvolvidos a partir do Brasil e dedicados à compreensão crítica de problemas que atravessam a humanidade contemporânea, nomeadamente a fome, as crises climáticas e a desinformação”.
“Neste contexto, a fome e a desinformação deixam de ser problemas isolados para constituírem fenómenos profundamente interligados nas sociedades plataformizadas contemporâneas”, justificou, em nota, a organização.
A mesma fonte indicou que a circulação de desinformação afecta directamente políticas públicas de segurança alimentar, programas sociais, campanhas de vacinação, debates ambientais e estratégias de enfrentamento às mudanças climáticas.
Além disso, acrescentou, populações submetidas à pobreza, à exclusão social e à insegurança alimentar tornam-se mais vulneráveis à precarização informacional e às dinâmicas de manipulação promovidas pelas plataformas digitais.
O II Congresso Internacional de Enfrentamento à Fome e à Desinformação decorre na segunda-feira, 12, e na terça-feira, 13, no Centro Cultural do Mindelo, em São Vicente.
A Sol-Atlântico regista actualmente um défice de cerca de 90 trabalhadores, sobretudo motoristas, situação que já deixou 30 autocarros parados, estando a empresa a recrutar condutores no país e no estrangeiro, revelou hoje o presidente do conselho de administração.
Face às dificuldades de recrutamento no mercado nacional, a Sol-Atlântico está a procurar motoristas em outros países africanos.
Henrique Duarte falava à imprensa após um encontro com o grupo parlamentar do MPD, na oposição, eleitos pelo Círculo Eleitoral de Santiago Sul, realizado esta terça-feira, 6, na Praia, para analisar o impacto dos preços dos combustíveis na estrutura de custos da empresa.
Segundo o responsável citado pela Inforpress, a empresa tem enfrentado, desde 2022, uma saída gradual de trabalhadores, com maior incidência entre os motoristas, tendo a situação se agravado a partir de 2025.
“Não temos falta de autocarros, temos falta de pessoal que pode operar”, esclareceu, indicando que a empresa passou de cerca de 180 colaboradores em 2020 para aproximadamente 170 actualmente, mas necessita de mais 90 trabalhadores para assegurar o normal funcionamento dos serviços.
O presidente do conselho de administração explicou que a Sol-Atlântico realizou processos de recrutamento entre 2022 e 2024 para compensar as saídas, mas que, desde 2025, tem encontrado maiores dificuldades em repor os efectivos.
Neste momento, a empresa tem cerca de 30 autocarros parados, sendo que a maioria se encontra operacional, enquanto alguns aguardam disponibilidade para reparação, precisou.
Face às dificuldades de recrutamento no mercado nacional, a Sol-Atlântico está a procurar motoristas em outros países africanos.
Conforme a mesma fonte, Henrique Duarte revelou que a empresa já identificou cerca de 30 potenciais condutores e mantém contactos com uma associação de países africanos sediada na Praia.
“Eles já estão cá todos. O problema é a espera dos documentos, dos processos de substituição das licenças”, explicou, acrescentando que três dos candidatos já se encontram na fase final de obtenção da documentação necessária para trabalhar.
O responsável adiantou que a entrada dos novos motoristas deverá ocorrer de forma gradual, à medida que forem concluídos os respectivos processos administrativos.
Relativamente aos salários, Henrique Duarte afirmou que a empresa considera estar a praticar valores ajustados à realidade nacional e indicou que os trabalhadores têm beneficiado de actualizações anuais na ordem dos três por cento.
Segundo o responsável, um trabalhador que entra na empresa aufere cerca de 34 mil escudos, enquanto os funcionários com maior antiguidade podem atingir remunerações de aproximadamente 50 mil escudos.
Quanto à questão dos preços dos combustíveis, Henrique Duarte afirmou que a empresa se encontra numa posição de expectativa, tendo em conta a recente entrada em funções do novo Governo.
“Estamos numa posição de expectativa”, disse, acrescentando que a empresa pretende avaliar melhor a situação até ao final do ano e, posteriormente, poderá solicitar uma reunião com o primeiro-ministro para conhecer as orientações do Governo para o sector.
O encontro entre a direcção da Sol-Atlântico e os deputados do MpD enquadra-se, conforme a fonte deste jornal, nos contactos que o grupo parlamentar tem realizado com operadores de transporte para analisar o impacto dos preços dos combustíveis nos custos das empresas e no funcionamento do transporte colectivo.
A reitora da Universidade Jean Piaget de Cabo Verde (Uni-Piaget) alertou esta terça-feira, 6, para os desafios impostos às universidades privadas pela expansão e gratuitidade do ensino superior público, num contexto de redução e mobilidade da população jovem.
Joanita Rodrigues falava na sessão solene de abertura do ano lectivo 2026-2027 da Universidade Jean Piaget de Cabo Verde, realizada no Campus na Praia, onde reconheceu as profundas transformações no ensino superior cabo-verdiano.
“A expansão da oferta pública e a gratuitidade do ensino superior público nos alteraram significativamente as condições de acesso e de escolha dos estudantes e introduziu uma nova realidade no sector”, frisou.
Segundo a reitora da universidade que já completou 25 anos em Cabo Verde, a este cenário juntam-se a diminuição progressiva do número de jovens que chegam ao ensino secundário, a forte mobilidade e migração da juventude e a crescente procura de oportunidades de formação fora do país.
Aquela responsável destacou ainda os custos associados à mobilidade entre os diferentes pontos do território e defendeu a criação de melhores condições de permanência dos estudantes, nomeadamente através de residências estudantis.
Para a reitora, esta questão está directamente ligada ao acesso, à equidade, à permanência e ao sucesso académico, defendendo que é necessário considerar onde vive o estudante, como se alimenta, estuda e concilia a formação com a vida familiar.
Perante este contexto, a Uni-Piaget, segundo afirmou, optou pela “resiliência”, através da diversificação da oferta formativa e do reforço das especializações, pós-graduações, formação permanente, mestrados e doutoramentos.
A investigação foi igualmente apontada como uma área estratégica, com a universidade a defender maior produção de conhecimento, formação de investigadores, criação de redes nacionais e internacionais e transformação do conhecimento em soluções para o país.
“Nenhuma universidade consegue construir uma agenda forte de investigação se as oportunidades encontrarem portas fechadas ou se o esforço ficar concentrado em poucas pessoas. Precisamos de uma cultura institucional para a participação. É assim que a investigação se transforma em qualidade, é assim que a qualidade se transforma em reputação e é assim que a reputação pode transformar-se em capacidade de atrair novos estudantes”, explicou.
Aos estudantes, a reitora deixou o desafio de não estudarem apenas para concluir os cursos, mas para se tornarem profissionais capazes de enfrentar um mundo de oportunidades que ultrapassa as fronteiras de Cabo Verde.
A cerimónia contou com a presença do mandatário do Instituto Piaget em Cabo Verde, Armando Queijo, e participação do presidente do Conselho das Finanças Públicas e antigo reitor da Uni-Piaget, Osvaldo Borges, professores, estudantes, investigadores e colaboradores, assim como de um momento cultural protagonizado por estudantes.
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