“Foi detetado numa fase muito inicial e está bem localizado”, declarou o pontífice durante uma intervenção na Praça de São Pedro.
O gabinete de imprensa do Vaticano adiantou aos jornalistas que a intervenção está prevista para o início da semana e que o tempo de recuperação estimado é de cerca de uma semana.
Durante a alocução semanal na Praça de São Pedro, o pontífice, de 71 anos, explicou, segundo a Euronews, que o nódulo foi detetado em “exames recentes” e que os médicos consideram ser melhor intervir.
“Foi identificado numa fase muito inicial e está bem localizado”, disse.
“Decidi submeter-me a cirurgia para o remover”, acrescentou, indicando que o procedimento está “já marcado para os próximos dias”.
A operação deverá realizar-se no Hospital Universitário Gemelli, em Roma.
Conforme a mesma fonte, o gabinete de imprensa do Vaticano adiantou aos jornalistas que a intervenção está prevista para o início da semana e que o tempo de recuperação estimado é de cerca de uma semana.
Nascido em Chicago, Leão XIV tornou-se papa em 2025, após a morte do seu predecessor, Francisco.
Segundo a American Lung Association, um nódulo pulmonar é uma “pequena massa de tecido denso no pulmão” que pode ser detetada em radiografias torácicas ou tomografias computorizadas.
A organização esclarece que, embora a maioria dos nódulos pulmonares seja benigna, alguns podem ser cancerígenos.
“Se o nódulo aparentar ser cancerígeno (maligno) ou o seu historial clínico indicar um risco mais elevado de cancro, os médicos irão pedir exames para saber mais sobre o(s) seu(s) nódulo(s)”, lê-se no site da associação. “Estes exames incluem frequentemente uma combinação de técnicas de imagiologia, biópsias do nódulo e dos gânglios linfáticos e, por vezes, análises ao sangue.”, conclui a fonte referida.
A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou esta segunda-feira, em Banguecoque, que a inteligência artificial (IA) deverá afetar cerca de 40% dos empregos no mundo, com os jovens entre os mais expostos à disrupção.
Numa intervenção no primeiro dia das Reuniões Anuais de 2026 do FMI e do Grupo do Banco Mundial, que decorrem de 12 a 18 de outubro na capital tailandesa, Georgieva descreveu a transformação tecnológica como "um tsunami lento", acrescentando que o impacto da IA já se faz sentir nas economias de todo o mundo, embora de forma desigual.
"É um tsunami lento, mas continua a ser um tsunami", disse aos participantes. "Estimamos que, ao longo do tempo, cerca de 40% dos empregos sejam reforçados pela IA, desvalorizados ou eliminados."
Segundo o FMI, cerca de 60% dos empregos nas economias avançadas serão afetados, contra 23% nos países de baixo rendimento. Georgieva advertiu, porém, que a diferença não significa que os países mais pobres estejam protegidos.
"Podem dizer: 'estão em melhor posição'. Não. Isso acontece apenas porque a IA ainda está mais distante", afirmou, acrescentando que a tecnologia ainda não se difundiu plenamente por muitas economias de menor rendimento.
Embora as preocupações com a perda de postos de trabalho dominem o debate em torno da IA, Georgieva sublinhou que o primeiro impacto económico da tecnologia surgiu através de um aumento da procura e do investimento.
A construção de centros de dados e os investimentos em modelos de IA impulsionaram o crescimento num número reduzido de economias, enquanto as cadeias de abastecimento associadas ao setor espalharam benefícios por várias partes da Ásia.
De acordo com Georgieva, os Estados Unidos, a China e a Índia emergiram como os principais produtores mundiais de IA, enquanto várias economias asiáticas beneficiam da construção das infraestruturas necessárias para sustentar o desenvolvimento da tecnologia.
Mas a responsável defendeu que a próxima fase da revolução da IA, a sua adoção em larga escala, poderá ter um alcance muito mais vasto.
"Todos podem participar", afirmou. "A adoção, se trabalharmos para criar as condições necessárias, pode ser muito democrática, tão democrática como o telemóvel."
Contudo, essa oportunidade depende da existência de fornecimento fiável de eletricidade, infraestruturas digitais adequadas, trabalhadores preparados para utilizar novas tecnologias e governos capazes de limitar abusos e riscos associados à sua utilização.
O FMI estima que a IA poderá proporcionar um impulso significativo ao crescimento económico na Ásia. Segundo Georgieva, as economias avançadas da região poderão registar um aumento do crescimento entre meio ponto percentual e um ponto percentual, enquanto as economias emergentes poderão beneficiar de ganhos entre 0,2 e 0,8 pontos percentuais.
A dirigente salientou que esses ganhos poderão ser particularmente importantes para sociedades envelhecidas e confrontadas com a redução da população ativa. "A IA compensará o envelhecimento e poderá até superar essa compensação", afirmou.
Apesar das oportunidades, grande parte da intervenção de Georgieva incidiu sobre os riscos para o mercado de trabalho.
Um estudo do FMI realizado nos Estados Unidos concluiu que cerca de 10% dos empregos já exigem competências relacionadas com a IA e oferecem remunerações mais elevadas. Em paralelo, os empregos rotineiros e repetitivos estão a diminuir.
"Aqueles empregos rotineiros e repetitivos estão a desaparecer", afirmou.
A investigação revelou também um aumento dos empregos de baixos salários, sobretudo na construção ligada aos centros de dados e nos serviços.
Embora o saldo global do emprego nas áreas analisadas continue a ser positivo, Georgieva advertiu que muitas das novas oportunidades se concentram em funções menos qualificadas e pior remuneradas, em vez dos empregos intermédios que tradicionalmente serviam de porta de entrada para os jovens no mercado de trabalho.
"As pessoas com quem devemos preocupar-nos em primeiro lugar são os jovens", afirmou.
Segundo a diretora-geral do FMI, muitos trabalhadores iniciavam a carreira em funções administrativas ou repetitivas antes de progredirem para cargos de maior responsabilidade. Com o desaparecimento destes postos, o percurso profissional tradicional pode ficar comprometido.
"Se esses empregos desaparecerem, não creio que qualquer jovem queira ser empregado de café como perspetiva profissional para o futuro", acrescentou.
"Gostemos dela, odiemo-la ou temamo-la, a IA já está cá", afirmou.
IA pode aumentar emprego e produtividade nos países em desenvolvimento, defende Banco Mundial
O presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, defendeu, por sua vez, que a inteligência artificial (IA) poderá criar mais oportunidades de trabalho nos países em desenvolvimento, em contraste com os receios de perdas de emprego nos países mais desenvolvidos.
Ao falar na abertura do evento, Banga destacou que, "nos países de baixo rendimento e de rendimento médio inferior, a oportunidade para a pequena IA criar empregos e aumentar a produtividade é enorme".
Como exemplo citou casos no seu país natal, a Índia, onde ferramentas de IA ajudam agricultores a escolher melhores sementes, utilizar fertilizantes mais eficazes ou obter informação mais precisa sobre condições de produção, permitindo aumentar rendimentos e produtividade.
Banga afirmou que a promoção dessas aplicações práticas constitui uma das prioridades do Banco Mundial e do Conselho Global para o Emprego, um grupo criado para analisar o impacto das transformações económicas e tecnológicas no mercado de trabalho.
A diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, afirmou hoje, no mesmo evento, que a IA deverá afetar cerca de 60% dos empregos nas economias avançadas, contra 23% nos países de baixo rendimento, mas com essa diferença apenas porque a tecnologia ainda não se difundiu plenamente por muitas economias de menor rendimento.
Para Banga, nos países em desenvolvimento o desafio imediato não é a "substituição de trabalhadores por algoritmos", mas antes garantir que a tecnologia chegue a escolas, hospitais, explorações agrícolas e pequenas empresas, permitindo aumentar a produtividade e criar novas oportunidades económicas.
"A questão é particularmente relevante numa altura em que muitas economias emergentes enfrentam o rápido crescimento da população jovem e a necessidade de criar milhões de empregos nos próximos anos", alertou.
Nesse contexto, o presidente do Banco Mundial argumentou que a inteligência artificial poderá tornar-se uma ferramenta importante para acelerar o desenvolvimento económico, desde que seja aplicada de forma prática e acessível às necessidades do mundo em desenvolvimento.
"A criação de empregos deve estar no centro das estratégias de desenvolvimento, argumentando que o crescimento económico só produz benefícios duradouros quando é acompanhado de oportunidades de trabalho para uma população cada vez mais jovem", afirmou.
Segundo Banga, os governos podem garantir acesso a educação, saúde, água potável e formação profissional durante a infância e juventude, mas a verdadeira integração económica depende da capacidade de encontrar trabalho e contribuir para a sociedade.
"Quando as pessoas crescem, precisam da oportunidade de ter um emprego e de ser uma parte produtiva da sociedade", disse.
Banga sublinhou que a criação de postos de trabalho depende sobretudo do investimento privado e não apenas da ação governamental. "O setor privado gera entre 75% e 85% dos empregos em qualquer país", afirmou. "Os governos criam as condições, e o setor privado cria os empregos".
Nesse contexto, defendeu que uma das principais funções dos governos e das instituições de desenvolvimento é reduzir os riscos para que o capital privado possa investir em larga escala.
A inteligência artificial surge como uma ferramenta potencialmente importante nesse esforço, mas Banga destacou que as prioridades dos países emergentes diferem das das economias mais avançadas.
Ao contrário dos debates centrados na automação de empregos de escritório e nas capacidades dos modelos avançados de IA, Banga argumentou que muitos países em desenvolvimento poderão beneficiar sobretudo da chamada "pequena IA" ('small AI'), ou seja, soluções tecnológicas mais simples e direcionadas para problemas concretos.
"Nos mercados emergentes, a conversa não é sobre grandes modelos de linguagem. Em vez disso, os responsáveis políticos e económicos concentram-se em aplicações práticas da tecnologia capazes de melhorar a produtividade em áreas essenciais, incluindo educação, saúde e agricultura" destacou.
"A oportunidade para criar empregos e produtividade é enorme", concluiu.
Quatro republicanos e dois democratas subscreveram uma declaração a contestar o acordo anunciado por Trump na sexta-feira, alertando que viola a lei aprovada pelo Congresso.
“Os Estados Unidos não devem proporcionar a Putin um apoio financeiro enquanto a Rússia continuar a matar civis ucranianos. A Administração tem de mudar imediatamente de rumo”, escreveram os senadores, citados pela AP.
Um grupo bipartidário de seis senadores dos Estados Unidos apelou este domingo à administração do Presidente Donald Trump para que “mude imediatamente de rumo” relativamente ao plano de compra de gasóleo à Rússia, revelou o Obersvador que cita a Lusa.
De acordo com a agência de notícias AP, quatro senadores republicanos e dois senadores democratas subscreveram uma declaração este domingo divulgada em protesto contra o acordo anunciado na sexta-feira, afirmando que a administração de Trump não consultou o Congresso, nem apresentou qualquer explicação que justificasse a sua decisão, tal como exigido pela lei.
“Os Estados Unidos não devem proporcionar a Putin um apoio financeiro enquanto a Rússia continuar a matar civis ucranianos. A Administração tem de mudar imediatamente de rumo”, escreveram os senadores, citados pela AP.
Na sexta-feira, Donald Trump surpreendeu os legisladores ao anunciar nas suas redes sociais que tinha chegado a um acordo com o Presidente russo, Vladimir Putin, numa conversa telefónica, para que a Rússia fornecer, de imediato, mais de 300 mil toneladas de gasóleo ao mercado americano e mundial, seguidas de mais 500 mil toneladas em novembro e um milhão de toneladas “imediatamente a seguir”.
Os senadores republicanos que subscreveram a declaração são Susan Collins, do Maine, Lisa Murkowski, do Alasca, Thom Tillis, da Carolina do Norte, e John Curtis, do Utah. Já os senadores democratas são Jeanne Shaheen, de New Hampshire, e Richard Blumenthal, do Connecticut.
Segundo a mesma fonte, o senador republicano Thom Tillis, numa entrevista transmitida este domingo no programa “Meet the Press” da NBC, considerou haver fundamentos legítimos para afirmar que o Presidente não está a cumprir a lei caso o Governo avance com o plano de compra de gasóleo.
“Fomos muito claros ao afirmar que a Rússia é o agressor. É a Rússia que pode pôr fim a esta guerra, retirando-se do território que ocupou”, afirmou Tillis.
O anúncio de Trump surgiu algumas semanas após o Congresso ter aprovado legislação que instruía o chefe de Estado a impor direitos aduaneiros substanciais aos principais importadores de petróleo ou gás natural russo, com uma exceção para os países que importam menos de 15% das exportações de gás natural da Rússia e que tenham tomado medidas significativas para reduzir essas importações.
A iniciativa do Congresso visava reduzir o fluxo de dinheiro que a Rússia recebe com as vendas de petróleo e gás para financiar a sua guerra contra a Ucrânia.
Os legisladores salientaram ainda que o Congresso proibiu explicitamente as importações de energia da Rússia em 2022, para impedir que os Estados Unidos financiassem a guerra.
“O Congresso foi claro: os Estados Unidos não devem importar petróleo da Rússia até que esta ponha fim à sua agressão contra a Ucrânia e cesse as ameaças contra os nossos aliados da NATO”, escreveram os seis legisladores na sua declaração.
Questionado sobre se a ação do Presidente constituiria uma violação da legislação norte-americana, o senador republicano John Barrasso, do Wyoming, considerou que Trump está focado na redução do custo da energia e que “tem de tomar decisões difíceis”.
A fonte deste jornal destaca que Barrasso, que falava no programa “Face the Nation” da CBS, incentivou também Trump a fazer cumprir a lei de sanções que o Congresso aprovou no mês passado.
“Este é apenas mais um ponto de pressão que o Presidente pode usar contra Putin, num esforço para alcançar uma solução a longo prazo nessa região do mundo”, afirmou.
O acordo anunciado sexta-feira contempla entregas maiores previstas para os próximos meses, o que serviria para baixar o preço do gasóleo, uma das críticas dos norte-americanos a Trump a poucas semanas das eleições intercalares de novembro.
Trump, que abriu na primavera um conflito bélico com o Irão que reduziu o trânsito de petróleo pelo estratégico estreito de Ormuz, culpou a Ucrânia pelo encarecimento do gasóleo devido aos ataques às refinarias russas.
O líder dos Estados Unidos sugeriu mesmo que os ucranianos mudassem de Presidente para que seja possível acabar com a guerra com a Rússia, afirmando que Volodymyr Zelensky “não quer chegar a um acordo” com Moscovo, conclui a fonte deste jornal.
Críticas do presidente norte-americano surgiram depois de Zelensky ter atacado a Casa Branca por permitir operações com petróleo russo até abril do próximo ano. Foi, segundo o chefe de Estado ucraniano, um “investimento numa guerra que tem de acabar, e não de ser prolongada”.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, criticou duramente o acordo entre os Estados Unidos e a Rússia sobre o fornecimento de gasóleo, classificando a decisão como um “investimento numa guerra que tem de acabar, e não de ser prolongada”.
Donald Trump defendeu este sábado que “está na altura de a Ucrânia ter um novo presidente”, intensificando as críticas a Volodymyr Zelensky e sugerindo que uma mudança de liderança poderia facilitar um acordo para pôr fim à guerra com a Rússia. “Sugiro que arranjem um novo líder para poderem chegar a um acordo”, afirmou o presidente norte-americano citado pela CNN Portugal..
As declarações surgem um dia depois de Trump ter anunciado um entendimento com Vladimir Putin para aumentar o fornecimento de gasóleo russo aos mercados internacionais, numa altura em que a Casa Branca procura aliviar os preços da energia. O acordo provocou indignação na Ucrânia e prevê, segundo Trump, o fornecimento imediato de mais de 300 mil toneladas de gasóleo, seguido de outras 500 mil toneladas em novembro.
Relativamente aos ataques da Ucrânia a refinarias, Trump garantiu ter dito a Zelensky que poderia "fazer o que quisesse com a Rússia, exceto isso" “Esse é um problema mundial que ele está a provocar. E quer criar problemas para o mundo, problemas para os nossos agricultores e criadores de gado, por causa do gasóleo, porque a Rússia fornece uma grande parte do gasóleo consumido em todo o mundo”, argumentou Trump antes de partir para o Tennessee, onde deverá participar num comício para as eleições intercalares.
O presidente norte-americano, prossegue a mesma fonte, voltou também a responsabilizar Zelensky por não ter chegado anteriormente a um entendimento para terminar a guerra com a Rússia. “Zelensky poderia ter resolvido esta guerra muitas vezes”, afirmou.
Estas declarações de Trump aos jornalistas, no exterior da Casa Branca, surgem depois de a delegação enviada por Kiev à Florida para manter conversações com os enviados especiais norte-americanos para a Ucrânia ter antecipado o regresso.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, criticou duramente o acordo entre os Estados Unidos e a Rússia sobre o fornecimento de gasóleo, classificando a decisão como um “investimento numa guerra que tem de acabar, e não de ser prolongada”.
Conforme a fonte deste jornal, acontecem também depois de Zelensky ter afirmado ter criticado Trump por o presidente norte-americano ter anunciado que autorizará operações com petróleo russo até abril. A medida, afirmou o presidente ucraniano, foi um “investimento numa guerra que tem de acabar, e não de ser prolongada”.
“Precisamos de sinais fortes dos Estados Unidos, da Europa e de outros parceiros - sinais de apoio à Ucrânia e destinados a LIMITAR a capacidade da Rússia para fazer a guerra e aterrorizar as pessoas”, afirmou Zelensky. Horas depois do anúncio de Trump, ataques russos mataram pelo menos 17 pessoas na Ucrânia.
A intensificação dos ataques russos contra alvos civis e infraestruturas essenciais não demoveu a população ucraniana de rejeitar cedências unilaterais a Moscovo, revelou este sábado, 10 de outubro, um estudo do Instituto Internacional de Sociologia de Kiev divulgado pela agência EFE.
Apesar de manterem abertura à via diplomática, os cidadãos recusam capitular perante as exigências políticas e territoriais do Kremlin.
A vaga de bombardeamentos desta semana provocou, segundo a mesma fonte, mais de uma centena de mortos e mais de 430 feridos civis em várias regiões da Ucrânia.
O impacto das baixas foi agravado pelo choque gerado em Kiev após o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado a intenção de comprar gasóleo à Rússia, sem qualquer menção à recente escalada das operações aéreas de Moscovo.
Cerca de 50 mil mulheres e raparigas morreram ou ficaram gravemente feridas durante a guerra em Gaza - incluindo 277 que morreram desde o cessar-fogo de há um ano - e um milhão continuam deslocadas, recordou a ONU Mulheres na semana em que se assinalam três anos do início do conflito.
"Mais de 38 mil morreram e 11.700 sofreram ferimentos tão graves que ficaram com incapacidades permanentes", afirmou, segundo a agência EFE, esta sexta-feira, em conferência de imprensa, a responsável pela ação humanitária da ONU Mulheres, Sofia Calltorp.
Acrescentou que praticamente todas as mulheres e raparigas da Faixa de Gaza continuam a viver em tendas ou entre as ruínas das suas casas, na condição de deslocadas internas.
Conforme a mesma fonte, Calltorp afirmou que o conflito "transformou a vida familiar", uma vez que o número de agregados familiares chefiados por mulheres duplicou nos últimos três anos. Atualmente, um em cada quatro agregados encontra-se nesta situação.
Nestes agregados, "as mulheres têm frequentemente de enfrentar uma pobreza crescente, deslocações sucessivas e a responsabilidade de cuidar da família com recursos cada vez mais escassos".
Calltorp denunciou ainda que as organizações que prestam apoio às mulheres em Gaza têm alertado para um aumento da violência de género e dos problemas de saúde mental entre as mulheres.
A Hungria abriu caminho para a UE lançar mais dois blocos de negociação com a Ucrânia, sinalizando que Budapeste está pronta para levantar o veto se Kiev aprovar uma lei sobre os direitos das minorias na próxima semana.
Esta quarta‑feira, a Hungria autorizou o avanço dos preparativos técnicos para as cartas que o Conselho tem de enviar a solicitar à Ucrânia que apresente as suas posições de negociação, um passo formal rumo à abertura dos blocos. Budapeste tinha bloqueado até este trabalho preparatório, o que torna o gesto desta quarta‑feira um forte sinal de que está preparada para levantar o veto assim que Kiev aprovar a legislação sobre os direitos das minorias.
Este passo remove um importante obstáculo antes da cimeira do Conselho Europeu da próxima semana. A medida permitirá também avançar nas negociações de adesão da Moldávia, já que os dois países candidatos têm estado estreitamente associados no processo.
Budapeste tinha travado novos avanços até a Ucrânia aprovar legislação que reforçasse os direitos educativos e culturais da minoria húngara étnica na Transcarpátia.
Na sequência de um acordo a nível técnico, o parlamento ucraniano, a Verkhovna Rada, deverá aprovar a legislação na segunda‑feira. Isso abrirá caminho para a Hungria aprovar a abertura dos blocos dois e três no Conselho de Assuntos Gerais, no Luxemburgo, no dia seguinte.
No mesmo encontro, espera‑se que os Estados‑Membros aprovem também um pagamento de coesão de 4,2 mil milhões de euros à Hungria, que tinha sido anteriormente bloqueado devido a preocupações com a corrupção.
Esta quarta‑feira, a Hungria autorizou o avanço dos preparativos técnicos para as cartas que o Conselho tem de enviar a solicitar à Ucrânia que apresente as suas posições de negociação, um passo formal rumo à abertura dos blocos.
Budapeste tinha bloqueado até este trabalho preparatório, o que torna o gesto desta quarta‑feira um forte sinal de que está preparada para levantar o veto assim que Kiev aprovar a legislação sobre os direitos das minorias.
Os blocos poderão então ser formalmente abertos numa Conferência Intergovernamental na próxima terça‑feira.
Ainda assim, o processo pode ser travado. O parlamento ucraniano ainda não aprovou a lei das minorias, num contexto de dificuldades em garantir maiorias estáveis na Rada.
A resolução da disputa poderá também abrir caminho ao primeiro encontro bilateral entre o primeiro‑ministro húngaro, Péter Magyar, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy. Os dois tinham já planeado reunir‑se, mas Magyar condicionou as conversações a avanços em matéria de direitos das minorias.
Os dois blocos abrangem o mercado interno e a competitividade. No início deste ano, Kiev abriu blocos que cobrem os chamados fundamentos, incluindo o Estado de direito e o sistema judicial, bem como as relações externas.
Se dois blocos forem abertos na próxima semana, a Ucrânia terá ainda mais dois por abrir para iniciar plenamente o processo de adesão, sobre a agenda verde e os recursos da UE. Bruxelas pretende abrir todos os blocos restantes até ao final do ano.
Relações tensas entre Hungria e Ucrânia
As relações entre a Hungria e a Ucrânia deterioraram‑se significativamente sob o antecessor de Magyar, Viktor Orbán, cujo governo entrou repetidamente em choque com Kiev e bloqueou o progresso do país rumo à adesão à UE.
Orbán conduziu uma campanha eleitoral fortemente anti‑ucraniana, retratando Kiev como uma ameaça à segurança da Europa.
Após uma vitória eleitoral esmagadora em abril, Magyar, que tomou posse em maio, prometeu uma abordagem mais pragmática em relação à Ucrânia. Em junho, aprovou a abertura de dois capítulos de negociação depois de Kiev ter adotado um plano de ação de 11 pontos sobre os direitos das minorias.
Ainda assim, os direitos dos húngaros étnicos na Transcarpátia continuam a ser uma fonte de tensão.
Após anos de hostilidade em relação à Ucrânia sob Orbán, os eleitores conservadores continuam cautelosos quanto a laços mais estreitos com Kiev. Mas a defesa dos húngaros étnicos no estrangeiro é também popular entre os conservadores, o que pode dar a Magyar alguma margem para chegar a um acordo.
Em setembro, as relações atingiram novo ponto baixo depois de Magyar se ter confrontado publicamente na rede X com o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, sobre a participação da Hungria na cimeira dos Cárpatos de Zelenskyy, que visa reforçar o desenvolvimento na região.
Magyar criticou a Ucrânia por inscrever a Hungria como participante sem a sua aprovação, enquanto Sybiha o acusou de seguir os passos de Orbán. Mais tarde, a ministra húngara dos Negócios Estrangeiros, Anita Orbán, discutiu a disputa com Sybiha à margem da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque.
Na semana passada, os dois ministros dos Negócios Estrangeiros realizaram conversações intensas sobre a inclusão numa lista negra, num site ucraniano, de dois húngaros: o futebolista Milos Kerkez e o deputado da oposição Balázs Hidvéghi.
A disputa surgiu após um jogo entre as seleções nacionais da Hungria e da Ucrânia, em Budapeste, onde alguns adeptos ultra húngaros vaiaram o hino ucraniano e vários jogadores se desentenderam em campo.
A ministra húngara dos Negócios Estrangeiros, Anita Orbán, condenou “a estigmatização, qualquer forma de inclusão em listas negras ou potenciais ameaças contra cidadãos húngaros” e afirmou que Budapeste está em contacto com responsáveis ucranianos para resolver a situação.
O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, afirmou esta terça-feira, 6, que tinha agendado uma chamada com o homólogo russo, Vladimir Putin, para discutir um caso suspeito de peste num instituto de investigação na Sibéria que suscitou escrutínio internacional, oferecendo ajuda norte-americana enquanto responsáveis regionais russos garantiam que iriam gerir a situação por conta própria.
As autoridades locais também rejeitaram ajuda externa, alegando que não existe ameaça de surto de peste na Sibéria.
Trump disse a jornalistas na Casa Branca que a chamada com Putin estava marcada para “muito em breve” e adiantou que decorrem em Washington “discussões muito aprofundadas” sobre o caso.
Na segunda-feira, já tinha afirmado aos repórteres que os Estados Unidos estavam prontos para ajudar, descrevendo a peste como “uma doença grave”. “É uma doença que antes conseguíamos controlar”, disse. “Vamos ajudar.”
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a Rússia acolhe favoravelmente a oferta de assistência. Já o Rospotrebnadzor, autoridade de saúde russa, respondeu aos Estados Unidos, declarando que a Rússia está “pronta a ajudar os Estados Unidos a enfrentar surtos de doenças infeciosas”, citando surtos de sarampo em três estados norte-americanos.
As autoridades locais também rejeitaram ajuda externa, alegando que não existe ameaça de surto de peste na Sibéria.
“Vamos conseguir gerir sozinhos. A situação está totalmente sob controlo. O diagnóstico de risco não está a ser confirmado, mas continuamos a cumprir todas as medidas de protocolo”, afirmou em comunicado Elena Sofina, vice-presidente da câmara do distrito de Shelekhov, acrescentando que 60% das pessoas colocadas em quarentena já tinham sido libertadas.
Rússia: tudo calmo em Irkutsk?
Darya Shipilova, 28 anos, investigadora no Instituto Anti-Peste da Sibéria e do Extremo Oriente, em Irkutsk, morreu no hospital em 2 de outubro. Relatos não confirmados indicavam que teria partido um frasco contendo um agente patogénico da peste.
Registos oficiais russos apontam como causa de morte “pneumonia de etiologia desconhecida”. Apesar de os testes aos contactos terem dado negativo, as autoridades colocaram quase 200 pessoas em quarentena e impuseram restrições a vários hospitais, medidas que não são habituais em casos de pneumonia comum.
A Organização Mundial da Saúde referiu esta terça-feira que avalia como “muito baixo” o risco fora da Rússia e que não vê sinais de propagação da doença. O porta-voz Christian Lindmeier afirmou que a causa da morte ainda não foi oficialmente confirmada e que os testes laboratoriais continuam.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a organização pediu à Rússia “informação adicional para determinar a causa da pneumonia grave” e para verificar notícias sobre um segundo membro do pessoal com pneumonia de causa desconhecida.
“É fundamental que a partilha de informação seja atempada, completa e transparente, em conformidade com o Regulamento Sanitário Internacional”, disse.
Os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA indicaram que acompanham de perto a situação e que “neste momento não há sinais de uma ameaça mais alargada para os Estados Unidos”.
A embaixada dos EUA em Moscovo assinalou que está a seguir a evolução do caso e recordou aos cidadãos norte-americanos que o aviso de viagem de Nível 4 do Departamento de Estado, “não viajar”, para a Rússia se mantém em vigor.
Os cidadãos norte-americanos que planeiam uma viagem à Rússia foram novamente fortemente aconselhados a não o fazer, devido ao risco de detenção arbitrária e a preocupações de segurança, indicou a embaixada.
Residentes de Irkutsk disseram à AFP que não estavam alarmados. “Se a situação fosse mesmo grave, acho que, nesta altura, já estaria tudo fechado”, afirmou um homem.
Os funcionários do instituto antipeste já saíram da quarentena. O meio independente Lyudi Baikala publicou comentários informais de colegas e antigos colegas de turma de Shipilova que lançam dúvidas sobre a versão do frasco partido.
A União Europeia aprovou o maior alargamento de sempre da lista de sanções contra a Rússia, acrescentando 1.646 nomes de uma só vez.
Fechado na quarta-feira pelos embaixadores em Bruxelas, o acordo abrange 743 pessoas e 826 entidades acusadas de apoiar a invasão em grande escala da Ucrânia por Moscovo, revela a Euronews.
Além disso, visa 77 deputados que concorreram nas zonas da Ucrânia ocupadas pela Rússia às amplamente desacreditadas eleições para a Duma de Estado, em setembro.
Os embaixadores concluíram o acordo após várias semanas de debates e de verificação jurídica, particularmente intensa devido ao elevado número de nomes.
A aprovação formal está prevista para segunda-feira, quando os ministros dos Negócios Estrangeiros se reunirem no Luxemburgo. As pessoas e entidades visadas serão então tornadas públicas.
As sanções implicam proibição de viagem, congelamento de bens e interdição de financiamento.
Os Estados-membros procuraram fechar rapidamente o acordo para mostrar unidade numa altura de sucessão rápida de ataques híbridos, alguns atribuídos à Rússia. Já começou o trabalho de inclusão de novos nomes em resposta ao incidente com drones no aeroporto de Leipzig, na Alemanha.
Outro motivo para reforçar a unidade é a contestada decisão do mês passado de retirar dois oligarcas de alto perfil, Alisher Usmanov e Mikhail Fridman, da lista negra.
Segundo a mesma fonte, a retirada de Usmanov, a pedido de França, foi ligada a uma libertação de prisioneiros com o Azerbaijão, mediada pelos Estados turcos, que há muito fazem lobby em favor do multimilionário. Um cidadão francês foi libertado, enquanto um segundo continua detido.
Em troca desta concessão difícil, a UE prolongou a lista de sanções por um período inédito de três anos. No total, a lista negra passará em breve a abranger quase 4.650 nomes.
No início da semana, a alta representante Kaja Kallas saudou a renovação por três anos, mas admitiu que é pouco provável que Usmanov e Fridman voltem a ser incluídos.
“Os países são livres de apresentar nomes que devem ser incluídos na lista de sanções. Mas, no fim, cabe aos Estados-membros decidir”, disse Kallas.
“E não vejo isso, no caso destas duas pessoas, a acontecer tão cedo.”
Bruxelas continua a lidar com as consequências da saga em torno de Usmanov e com o precedente que poderá ter criado para a política externa comum, baseada na unanimidade.
À medida que o bloco se prepara para admitir novos membros, a Comissão Europeia propôs recorrer à chamada cláusula passerelle para passar da unanimidade à votação por maioria qualificada em questões como sanções, evitando assim a multiplicação de vetos.
Mas a cláusula cria um clássico impasse: exige unanimidade para pôr fim à unanimidade, refere a fonte deste jornal.
Israelitas reuniram-se esta quarta-feira num momento de silêncio para assinalar três anos desde o ataque de 7 de outubro de 2023, liderado pelo Hamas, que uma investigação da ONU confirmou ter causado 1 200 mortos e durante o qual 252 pessoas foram feitas reféns.
No sul de Israel, as famílias prestaram homenagem em cruzamentos rodoviários, em abrigos antiaéreos e no local do festival de música Nova, locais que foram ocupados por militantes no que foi o ataque mais mortífero contra Israel.
Este é o primeiro aniversário em que todos os reféns regressaram a casa, marcando o início de uma nova fase de luto.
Entre os que assinalaram a data encontrava-se Elkana Bohbot, de 37 anos, sequestrado no festival Nova, que pela primeira vez celebra o aniversário em Israel. Bohbot foi libertado no ano passado, após ter estado 738 dias em cativeiro, a maior parte desse tempo num túnel a 50 metros de profundidade. Referiu ainda que o nascimento da sua filha em agosto deste ano foi a sua forma de transmitir aos sequestradores a mensagem de que "os israelitas estão aqui e ficarão para sempre".
No local do festival de música Nova, onde militantes do Hamas abriram fogo de camiões e parapentes ao amanhecer de 7 de outubro, os familiares baixaram a cabeça em silêncio, apesar de a agência noticiosa AFP ter referido que alguém pôs música techno em homenagem às vítimas.
Em Nova e no kibutz Kfar Aza, onde há três anos ocorreu outro massacre, os jornalistas da AFP ouviram fortes explosões em Gaza, do outro lado da fronteira, durante as cerimónias, enquanto Israel lançava novos ataques, apesar do cessar-fogo estar oficialmente em vigor há um ano.
Os responsáveis de Gaza afirmaram que, pelo menos, duas pessoas morreram em ataques noturnos no território, grande parte do qual foi reduzido a escombros por bombardeamentos incessantes, em represália pelo pior ataque de sempre contra Israel.
As reuniões de quarta-feira distinguiram-se das cerimónias oficiais do Governo, que decorreram a 5 de outubro, a fim de coincidir com o aniversário no calendário hebraico.
Netanyahu prometeu que não haverá "perdão para os assassinos" e garantiu que nunca permitirá que o Hamas volte a governar Gaza.
No ano passado, mais de 200 antigos reféns e familiares escreveram a Netanyahu a exigir um inquérito aos ataques de 7 de outubro ou a sua demissão. No entanto, o líder israelita optou por publicar documentos governamentais expurgados, em vez de abrir uma investigação, e qualificou os ataques como "um grave falhanço dos serviços de informações".
Uma eleição realiza-se no fim do mês.
Segundo a ONU, até 75 mil palestinianos morreram na campanha de retaliação de Israel.
Este verão, a ONU indicou que cerca de 1,7 milhões de palestinianos, ou seja, quase 80% da população, vivem em tendas e alojamentos temporários. Entretanto, mapas israelitas mostram que mais de metade da Faixa de Gaza está agora sob controlo das suas tropas.
ANÁLISE || Trump apresenta-se há muito como líder do populismo global. É, para muitos líderes, um momento existencial. A vitória surpreendente da estrela em ascensão Flávio Bolsonaro na primeira volta das eleições presidenciais do Brasil, este domingo, reforçou, segundo analistas, o projeto de Trump de remodelar o Hemisfério Ocidental à sua imagem política.
O populismo ao estilo de Trump pode ter altos e baixos, mas a sua resiliência sugere que é agora uma característica permanente nas democracias globais, independentemente do que o destino político tenha reservado para o seu mentor.
Trump pode estar com problemas. Mas o populismo global do estilo Trump não está
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode estar numa situação política difícil, mas o seu tipo de nacionalismo populista conservador está a florescer em todo o mundo.
A vitória surpreendente da estrela em ascensão Flávio Bolsonaro na primeira volta das eleições presidenciais do Brasil, este domingo, reforçou o projeto de Trump de remodelar o Hemisfério Ocidental à sua imagem política.
Os populistas de direita também estão em ascensão na Europa, impulsionados pelos mesmos fracassos dos líderes estrangeiros em combater o custo de vida e concretizar as mudanças prometidas — fracassos esses que assombram os republicanos norte-americanos à medida que as eleições intercalares se aproximam.
A Alternativa para a Alemanha (AfD), partido radical anti-imigração, está a tornar-se uma força nacional à medida que o governo do chanceler alemão Friedrich Merz estagna. A líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, lidera as sondagens à vista das eleições presidenciais do próximo ano.
Estes partidos não são clones de Trump, e alguns são anteriores ao seu movimento MAGA [acrónimo para "Make America Great Again"]. Mas a sua ascensão ao poder e a sua resistência inspiram-nos. E a administração norte-americana apoia abertamente os seus irmãos nacionalistas que ameaçam derrubar os líderes europeus centristas com quem Trump se encontra em cimeiras internacionais.
Muitos partidos de extrema-direita partilham o espírito populista que impulsionou as impressionantes campanhas de Trump em 2016 e 2024, adotando políticas económicas protecionistas e imitando a sua hostilidade para com as elites, a globalização e a imigração em massa.
Seria irónico se os populistas de direita atingissem o auge noutras paragens, precisamente quando a estrela de Trump parece estar a desvanecer-se. Mas ele não parece ser um presidente em fim de mandato sem influência e poderá seguir o exemplo de outros presidentes em segundo mandato que tentaram agressivamente deixar a sua marca no mundo antes de deixarem o poder.
A força do populismo conservador criou um momento existencial para líderes como o primeiro-ministro canadiano Mark Carney e o seu novo homólogo britânico, Andy Burnham. Ambos estão a liderar uma reação, adotando uma retórica e programas concebidos para conter a direita e reforçar um governo moderado e centrista.
Mas as violentas reviravoltas políticas de Trump parecem estar a suscitar uma contra-reação distinta, especialmente nos Estados Unidos, à medida que o sucesso dos sociais-democratas em algumas primárias para as eleições intercalares nos EUA anuncia uma nova onda de populismo de esquerda.
Um resultado surpreendente no Brasil
Bolsonaro é o filho mais velho do amigo de Trump e ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que foi preso após ter sido condenado por conspirar um golpe contra o atual líder do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, após as eleições gerais de 2022.
Lula tem apenas três semanas antes da segunda volta das eleições para organizar uma reviravolta que impeça a democracia mais populosa da América Latina de virar para a direita.
Trump terá um papel de destaque nesta segunda volta, depois de os senadores democratas Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch terem escrito ao secretário de Estado Marco Rubio no mês passado para acusar a administração de utilizar tarifas e sanções económicas para interferir na democracia brasileira.
Entretanto, Trump marcou as eleições de domingo no Brasil ao lançar dúvidas sobre a democracia americana, salientando que 125 milhões de pessoas votaram e os resultados foram divulgados no mesmo dia, ao contrário do que acontece em alguns estados dos EUA. "A votação nos Estados Unidos é CORRUPTA!!!", escreveu ele.
A surpreendente ascensão de Bolsonaro Jr. segue-se à de Abelardo De La Espriella, um insurgente de direita que venceu as eleições presidenciais da Colômbia no início deste ano. Governos conservadores amigos da Casa Branca governam agora na Costa Rica, após a eleição da populista Laura Fernández Delgado, e em El Salvador, no Chile e nas Honduras.
Na Argentina, o presidente Javier Milei, o acólito de Trump que ofereceu uma motosserra a Elon Musk numa conferência conservadora, beneficiou de uma oferta de swap cambial no valor de 20 mil milhões de dólares que Trump condicionou ao apoio dos eleitores ao seu partido nas eleições legislativas.
Trump está também a marcar a sua influência na região ao apoiar o regime autoritário de esquerda da Venezuela, ao mesmo tempo que conclui acordos de exportação de petróleo que os críticos têm qualificado de pilhagem imperialista do século XXI.
Uma nova onda populista na Europa
A onda populista poderá impulsionar uma das figuras mais duradouras do movimento nacionalista de direita em França no próximo ano, após três candidaturas presidenciais frustradas. No passado, Le Pen foi prejudicada pelo sistema eleitoral em duas fases do seu país, à medida que os eleitores se uniam em torno de rivais moderados. Mas o colapso dos partidos tradicionais de centro-direita e centro-esquerda significa que ela poderá enfrentar o populista de esquerda Jean-Luc Mélenchon — a quem, segundo as previsões atuais, deverá derrotar — numa segunda volta.
Le Pen remodelou o seu partido, o Rassemblement National, que evoluiu a partir da Frente Nacional do seu pai, Jean-Marie Le Pen. No entanto, continua a defender políticas nacionalistas, anti-imigração e protecionistas, bem como uma antipatia pela UE. Seria a presidente francesa mais de extrema-direita da era moderna e abalaria os círculos do poder em Paris e Bruxelas, tal como Trump fez em Washington.
Os centristas europeus estão ainda mais alarmados com a AfD, uma vez que os partidos de extrema-direita gozam de particular notoriedade na Alemanha, que passou 80 anos a lidar com a vergonha do nazismo.
A AfD situa-se à direita de Le Pen e do MAGA, e os seus críticos acusam-na de negação histórica, antissemitismo e etnonacionalismo. Mas é agora o segundo maior partido individual no parlamento federal alemão.
Em 2025, o vice-presidente JD Vance indignou os europeus ao encontrar-se com a líder da AfD, Alice Weidel, em Munique, ao mesmo tempo que alertava que a imigração estava a destruir a civilização ocidental. No mês passado, Trump apoiou a AfD nas redes sociais após uma vitória esmagadora no estado da Saxónia-Anhalt, escrevendo: "ELES ESTÃO EM ASCENSÃO e não vão mais aceitar isto!"
Trump apresenta-se há muito como líder do populismo global. Afirmou em 2016, por exemplo, que "previu" o voto do Reino Unido a favor da saída da UE, o que foi um prenúncio da sua própria ascensão populista à presidência alguns meses mais tarde.
Mas nem tudo correu como ele queria. O herói de extrema-direita do movimento MAGA e primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, caiu do poder este ano, apesar dos esforços de Trump para o salvar. E a amizade do presidente com outra populista conservadora, a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, azedou devido à guerra com o Irão e à sua alegação de que ela lhe "implorou" por uma selfie.
Um movimento antipopulista está a organizar-se
Carney reagiu às exigências de Trump para que o Canadá se tornasse o 51.º estado dos EUA, emergindo como líder informal das democracias ocidentais num papel deixado vago por Trump. Em janeiro, alertou que, "numa época de populismo e nacionalismo étnico crescentes, o Canadá pode mostrar como a diversidade pode ser uma força, e não uma fraqueza".
Burnham aproveitou o seu discurso na conferência anual do Partido Trabalhista, na semana passada, para abordar o ressentimento decorrente da crise económica que alimenta o populismo de direita. Culpou a "direita britânica», que remonta aos governos de Margaret Thatcher na década de 1980, por promover a desregulamentação, a desindustrialização e a privatização.
Mas se Burnham falhar, o amigo populista de Trump e líder do Partido da Reforma, Nigel Farage, está à espera para atacar.
Burnham parece-se um pouco com o ex-presidente Joe Biden, que tentou esvaziar a fonte do trumpismo em áreas pós-industriais em decadência com vastos projetos de lei relativos a infraestruturas e despesas sociais.
Mas Biden subestimou durante muito tempo a dimensão da tarefa. Em 2012, afirmou que esperava que a "febre" do conservadorismo radical se dissipasse e, mais tarde, previu uma "epifania" do Partido Republicano após a saída de Trump do cargo em 2020.
O populismo ao estilo de Trump pode ter altos e baixos, mas a sua resiliência sugere que é agora uma característica permanente nas democracias globais, independentemente do que o destino político tenha reservado para o seu mentor.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, decidiu antecipar as eleições legislativas para 29 de novembro depois de um curto período de reflexão aberto na sequência da rejeição, pelo parlamento, dos dois decretos‑lei sobre habitação promovidos pelo seu executivo.
A gestão da crise provocou uma forte confrontação política. O Partido Popular (PP) e o Vox acusaram o Executivo de ter reagido tarde e questionaram a sua política em relação a Marrocos, enquanto Sánchez tem defendido a atuação das forças de segurança e a resposta do seu Governo.
As iniciativas foram chumbadas na sexta-feira, 2, apesar das negociações de última hora do governo espanhol para tentar reunir os apoios necessários.
Após a derrota parlamentar, Sánchez abriu um período de reflexão e manteve, ao longo do fim de semana, conversações com ministros e dirigentes do PSOE para analisar as diferentes opções e decidir se esgotava a legislatura ou devolvia a palavra aos cidadãos.
Espanha: crise em Ceuta, corrupção e uma maioria cada vez mais frágil
O anúncio surge após meses particularmente difíceis para o governo de coligação espanhol, marcados pelas dificuldades em reunir, no parlamento, os apoios necessários, pelos processos judiciais que atingiram a esfera do PSOE e pela grave crise migratória registada em Ceuta.
A cidade autónoma ficou sujeita a uma pressão sem precedentes no final de julho, quando dezenas de milhares de migrantes atravessaram a fronteira a partir de Marrocos. A dimensão das chegadas obrigou o governo a mobilizar recursos extraordinários e, semanas mais tarde, a declarar, pela primeira vez na democracia, uma situação de interesse para a segurança nacional para reforçar a coordenação entre as diferentes administrações.
A gestão da crise provocou uma forte confrontação política. O Partido Popular (PP) e o Vox acusaram o Executivo de ter reagido tarde e questionaram a sua política em relação a Marrocos, enquanto Sánchez tem defendido a atuação das forças de segurança e a resposta do seu Governo.
À situação em Ceuta somaram‑se vários casos de corrupção e processos judiciais que atingiram a esfera política do presidente, utilizados pela oposição para aumentar a pressão sobre o executivo.
A fragilidade da maioria parlamentar também se tornou cada vez mais evidente. O governo tem tido de negociar boa parte das suas iniciativas voto a voto com os seus parceiros e sofreu várias derrotas no Congresso.
Os EUA não apresentaram qualquer motivo para a retirada, mas esta surge na sequência de um incidente grave ocorrido a 27 de setembro, quando a polícia foi alertada para a presença de três "veículos suspeitos" nas proximidades da base aérea em Gloucestershire.
Os Estados Unidos transferiram os bombardeiros de longo alcance de volta para as suas bases de origem nos EUA na sequência de uma nova ameaça não especificada, segundo uma fonte a par do assunto, dias depois de o governo britânico ter detido várias pessoas relacionadas com um alegado plano iraniano para atacar a base aérea britânica onde os aviões estavam estacionados.
"Podemos confirmar agora que todos os bombardeiros norte-americanos que estavam destacados na base da RAF em Fairford foram transferidos de volta para as suas bases de origem nos Estados Unidos", afirmou um responsável norte-americano à CNN. A declaração não incluiu detalhes sobre o motivo pelo qual os aviões foram transferidos.
A fonte familiarizada com o assunto classificou a mais recente ameaça como um "incidente no mundo real". É invulgar que as forças armadas dos EUA transfiram os bombardeiros de volta para as suas bases de origem em vez de os destacarem para outra base na região, afirmou a fonte.
O Ministério da Defesa do Reino Unido recusou-se a comentar.A base da Força Aérea Real em Fairford tem sido utilizada para a mobilização de bombardeiros B-1 norte-americanos envolvidos na guerra contra o Irão e constitui uma base de operações avançada do Comando de Ataque Global dos EUA, encarregado de gerir ataques de longo alcance.
A relocalização dos bombardeiros ocorre no âmbito da investigação sobre uma ameaça recente. A polícia britânica deteve, a 27 de setembro, cinco homens sob suspeita de crimes de terrorismo e relacionados com explosivos nas proximidades da base aérea. Os homens — identificados apenas como cidadãos britânicos com idades compreendidas entre os 23 e os 25 anos e da região de Londres — foram rapidamente libertados sob fiança, tendo a polícia confirmado que não foram encontrados explosivos nas três carrinhas no local. A sua libertação suscitou críticas por parte do presidente Donald Trump, que afirmou: "Eu não teria feito isso."
Um cidadão com dupla nacionalidade britânica e iraniana, de 25 anos, foi também detido na quinta-feira por estar ligado ao alegado complot.
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmou na semana passada que existem "fortes indícios" de que o Irão esteve envolvido no incidente.
"Falaremos mais sobre o assunto na devida altura, mas podemos confirmar a nossa convicção de que acreditamos que o Irão teve um papel", afirmou à BBC a 30 de setembro.
As declarações de Burnham pareceram corroborar a avaliação dos EUA de que o incidente envolveu um agente estrangeiro. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que "as mãos de um agente estrangeiro" estiveram envolvidas na suposta conspiração, mas recusou-se a fornecer detalhes numa entrevista à Fox News na semana passada.
"Penso que isto nos liga à realidade aqui. Estamos a lidar com elementos no mundo — e, no caso do Irão, por exemplo, que ameaçaram abertamente atacar os interesses americanos a nível global", afirmou.
Entretanto, o Irão negou qualquer envolvimento no incidente, descreveu as acusações como infundadas e convocou o embaixador britânico em Teerão, segundo noticiou a comunicação social estatal iraniana na quinta-feira. Durante a reunião, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Majid Takht-Ravanchi, terá instado Londres a rever aquilo a que chamou a sua "abordagem inadequada" em relação a Teerão.
O ministro do Petróleo do Irão, Mohsen Paknejad, apresentou a sua demissão, anunciou este domingo o gabinete do Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, que decretou que o diretor da Companhia Nacional de Petróleo o substitua interinamente.
"Na sequência da aceitação da demissão de Mohsen Paknejad, Hamid Bord, diretor-geral da Companhia Nacional Iraniana de Petróleo, foi nomeado ministro do Petróleo interino por decreto presidencial", indica , segundoNM,o gabinete de Massoud Pezeshkian num comunicado difundido pela televisão pública Irib e citado pela agência France-Presse (AFP).
A demissão ocorre num contexto em que se formam regularmente longas filas nas estações de serviço do país, desde o início da guerra no Médio Oriente.
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Cerca de 6 milhões de crianças refugiadas de todo o mundo estavam fora da escola em 2025, ameaçando as oportunidades de toda uma geração, alertou hoje o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR).
A matrícula de refugiados no ensino superior atingiu um recorde de 11% em 2025, uma subida em relação aos 9% registados em 2024, com mais de 450.000 refugiados inscritos na faculdade pela primeira vez, o nível mais elevado alguma vez registado, apontam.
Segundo a Inforpress que cita Lusa, o número representa quase metade (44%) das crianças das 13,1 milhões de crianças refugiadas em idade escolar no mundo e põe em causa anos de progresso na educação dos refugiados, afirma a agência das Nações Unidas no seu relatório anual sobre educação.
O documento, designado como “Caminhos para o Futuro: Educação, Oportunidade e Autossuficiência” aponta os crescentes cortes de financiamento e exorta as comunidades internacionais e os parceiros de desenvolvimento a salvaguardarem o financiamento da educação e a investirem nos sistemas nacionais dos países que acolhem refugiados.
“Ao recordar os meus anos como refugiado, compreendi exatamente o que isto quer dizer. A educação proporcionou-me oportunidades que a deslocação me poderia ter negado. Ajudou-me a reconstruir a minha vida e a moldar o meu próprio futuro”, disse o alto-comissário da ONU para os Refugiados, Barham Salih, citado no documento.
“A educação é proteção. Mas é também um caminho para as oportunidades e para a autossuficiência. Numa altura de forte pressão sobre o financiamento humanitário e para o desenvolvimento, os cortes na educação ameaçam inverter décadas de investimento coletivo e fechar oportunidades a uma geração de jovens”, explicou.
De acordo com a investigação da agência, a transição para o ensino secundário continua a ser um dos maiores desafios para os alunos refugiados.
Enquanto duas em cada três (65%) das crianças refugiadas em idade escolar primária estavam matriculadas no ensino primário em 2025, apenas uma em cada três (32%) estava matriculada no ensino secundário.
Segundo a fonte referida, a situação agrava-se ainda mais no caso das meninas, para quem a transição para o ensino secundário está perto de um “ponto crítico”.
Embora taxas semelhantes de raparigas e rapazes frequentem o ensino primário, a diferença aumenta drasticamente no ensino secundário, uma vez que a pobreza, o casamento precoce e outras pressões levam um número crescente de raparigas adolescentes a abandonar a escola.
No caso do ensino superior, a situação “demonstra o que o investimento contínuo pode alcançar”, referem os investigadores.
A matrícula de refugiados no ensino superior atingiu um recorde de 11% em 2025, uma subida em relação aos 9% registados em 2024, com mais de 450.000 refugiados inscritos na faculdade pela primeira vez, o nível mais elevado alguma vez registado, apontam.
Um aumento que, acrescentam, mantém a esperança do ACNUR e dos seus parceiros em conseguir atingir a meta de 15% de matrículas de refugiados no ensino superior até 2030.
Segundo adiantam, isto pode ser feito através do alargamento do acesso a universidades, de formação profissional, de oportunidades de aprendizagem integrada, de bolsas de estudo ou de programas de educação em países terceiros.
“O ensino superior pode ser particularmente transformador para as mulheres e raparigas refugiadas, dando-lhes acesso a competências, qualificações, emprego e, potencialmente, muito mais independência económica”, sublinha o relatório, lamentando, no entanto, que o acesso continue a ser “profundamente desigual”.
De acordo com a pesquisa, em mais de 80% dos países que reportaram dados, a inscrição de refugiados no ensino superior manteve-se abaixo da média nacional no ano passado.
Conforme revela a fonte deste jornal, nos países de baixo rendimento e afetados por conflitos, apenas 2% dos refugiados estavam inscritos no ensino superior, em comparação com 13% dos nacionais.
Por outro lado, adianta a agência da Nações Unidas, o investimento na educação dos refugiados também precisa de que os sistemas nacionais de educação sejam reforçados porque as escolas precisam de professores, salas de aula, materiais didáticos e financiamento suficientes para que a inclusão funcione na prática.
“A nossa ambição deve ir além de manter as crianças nas salas de aula. A deslocação não deve determinar os limites da vida de uma criança”, defendeu o alto-comissário.
“Uma criança que pode aprender hoje está mais bem preparada para contribuir e sustentar-se amanhã, seja regressando a casa, construindo o seu futuro no país que lhe deu refúgio ou procurando oportunidades noutro lugar. A nossa responsabilidade é garantir que elas têm essa hipótese”, concluiu.
6 dias atrás
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