sábado, 31 outubro 2026

Fim do ciclo/Debate:  PAICV ilustra com números retrocessos  do país com a  governação do MpD e perspetiva vitória a 21 de maio com liderança de Francisco Carvalho

 

«Eu já lhe tinha dito Sr. PM, a hora da mudança não é escolha — é urgência absoluta para Cabo Verde. E este Cabo Verde merece mais do que propaganda e promessas adiadas. Merece uma governação responsável que coloque as pessoas no centro. E este PAICV é o único partido nacional que está pronto para essa tarefa.A tarefa de construir um Cabo Verde renovado a partir do dia 17 de Maio.Um Cabo Verde que, sob a liderança de Francisco Carvalho, será para todos», promete Clovis Silva na sua internvenção inicial de hoje no parlamento  sobre o balanço dos 10 anos da governação do MpD.

 

 «Faltam poucas sessões parlamentares antes das eleições marcadas para para 17 de maio. Este é um dos derradeiros momentos inevitáveis de balanço, da prestação de contas e da verdade nua e crua perante o povo cabo-verdiano», contextualiza o dirigente tamabarina.

Segundo ele, durante uma década ouvimos a mesma narrativa: o Governo mais social, mais empreendedor, mais transformador da história de Cabo Verde. «Prometeram crescimento robusto a 7% ao ano, 45 mil empregos dignos, coesão territorial plena, modernização do Estado, eliminação da pobreza extrema, felicidade ao alcance de todos. “Sem Djobi pa lado” era o grito inicial; E sem duvidas ‘Caminho seguro’ parece ser o irónico epitáfio para o encerramento desta jornada do MpD no Governo, que mais parece ter-se perdido por este mesmo caminho».

 

Números que comprovam retrocessos graves

 

Dez anos depois, o que é que afinal temos? - questiona Clovis Silva, que apresenta a situação  real do país, com base  nos seguintes números.

 

  • Em 2016 tínhamos 209.725 pessoas empregadas; hoje temos 198.914 — menos 10.811 empregos líquidos.
  • A população ativa caiu de 246.680 para 216.287 — menos 30.393 pessoas.
  • A taxa de atividade desceu de 63,7% para 58,3%, e a inatividade subiu de 140.467 para 154.903 — mais 14.436 pessoas inativas.
  • A dívida pública passou de 200 milhões de contos em 2015 para 317 milhões em 2025 — mais 117 milhões de contos de dívida.
  • As despesas correntes explodiram 127,1%, as com pessoal 126,7%.
  • O serviço da dívida consumiu 30,9 milhões de contos em 2025 — 33% das receitas correntes, mais de 52% das receitas fiscais. Mais de metade dos impostos que os cabo-verdianos pagam vai para pagar dívida, deixando migalhas para educação, saúde e segurança, etc.
  • A inflação acumulada supera 20% sem aumentos gerais de salários. A perda de poder de compra é acentuada.
  • A pressão fiscal aumentou com novos impostos e taxas deste governo.
  •  O turismo mantém-se em torno de 25% do PIB, mas continua como enclave — sem integração produtiva, sem abastecimento local, sem cadeias de valor que beneficiem o país.
  • O setor primário foi esquecido.
  • A insegurança cresce, a tolerância zero para a criminalidade parece ter sido abandonada. Esquecida como se fosse um problema de um passado distante.

 

Baixo crescimento médio que beneficia uma minoria

 

«Senhor Primeiro-Ministro, o crescimento médio foi de apenas 3,33% ao ano entre 2016 e 2024 — longe dos 7% prometidos. Antes da pandemia, 4,87%; depois, 2,11%. O 7,3% de que muito falam ocorreu no ano de 2024 e é foi pontual, dependente do turismo, mas não altera a média estrutural baixa»,prossegue.

Conforme sustenta, o PIB mede quantidade, mas não qualidade de vida das pessoas.

Para o lider parlamentar do PAICV,  o crescimento beneficiou uma minoria. «A maioria enfrenta erosão do poder de compra, precariedade laboral e emigração em massa, com 2/3 dos nossos jovens com idade entre 18-35 a dizer que pensa em emigrar».

Alerta que o Governo apostou em números para agradar organizações internacionais, mas esqueceu as pessoas deste país. Critica que, impulsionado por turismo, impostos e gastos públicos, o país cresceu, mas gerou pouca riqueza partilhada com os caboverdianos. Defende que a consolidação orçamental é necessária, mas não suficiente. 

 

 Novo modelo de desenvolvimento para o país

 

Diante de tudo isto, o líder parlamentar do maior partido da oposição defende que Cabo Verde precisa de um novo modelo de desenvolvimento.

«O país precisa de um novo modelo de desenvolvimento —inteligente, competitivo e inclusivo — que enfrente problemas estruturais: marginalização do setor privado nacional, abandono do setor primário, perda de competitividade, proliferação de empresas individuais e excessivos gastos com subsídios a transportes (mais de 2 mil contos por dia à concessionária marítima que não cumpriu o contrato inicial e sobrevive de subvenções do estado de cabo verde), falhanço na privatização aérea, endividamento cego, desemprego estrutural e desigualdade crescente».

Adverte que este modelo insustentável despoletou esforço fiscal brutal aos cabo-verdianos, endividamento interno caro e redução drástica do investimento público.

«O acordo com o FMI, gerido às escondidas, prioriza estabilização financeira e reformas estruturais, mas os sacrifícios recaem sobre os cidadãos. A emigração em massa de jovens é sinal claro de falência das políticas de emprego.Dez anos depois, o povo sente-se dececionado Sr PM, por um Governo cansado, esgotado e visivelmente sem forças para continuar», conclui, realçando que este ciclo  termina aqui e  sem deixar quaisquer saudades ao povo.

 

PAICV preparado para governar o país

 

Face ao quadro descrito, Clovis  Silva assevera que «o PAICV está preparadíssimo» para reconstruir o conceito de Estado que Cabo Verde precisa neste momento. 

«Para romper com o afastamento do povo, priorizar emprego digno, incentivar o setor privado nacional, conectar as ilhas como princípio de soberania nacional, garantir saúde, garantir educação acessíveis para todos, investir em energia e investir em água, retomando o plano de mobilização que sempre foi bandeira do PAICV». 

Acrescenta que o seu paritdo quer um Estado que se responsabilize, que dê liberdade aos cidadãos e com menos peso à máquina inchada do Governo, que tire partido dos nossos talentos, infraestruturas, recursos naturais, da nossa história e do nosso posicionamento geopolítico para competirmos a nível global.

«Eu já lhe tinha dito Sr. PM, a hora da mudança não é escolha — é urgência absoluta para Cabo Verde. E este Cabo Verde merece mais do que propaganda e promessas adiadas. Merece uma governação responsável que coloque as pessoas no centro. E este PAICV é o único partido nacional que está pronto para essa tarefa.A tarefa de construir um Cabo Verde renovado a partir do dia 17 de Maio.Um Cabo Verde que, sob a liderança de Francisco Carvalho, será para todos», promete Clovis Silva na sua internvenção inicial de hoje no parlamento  sobre o balanço dos 10 anos da governação do MpD.

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Comentários

joão do rosário
24 dias atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
25 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
27 dias atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

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