segunda-feira, 28 setembro 2026

E Economia

Cabo Verde estreia medição de "pobreza multidimensional", 17,2% em 2015

As privações enfrentadas pelos cabo-verdianos “concentravam-se, sobretudo, nas condições de habitação, anos de escolaridade, combustível de cozinha, saneamento, sobrelotação de habitação e nutrição”, lê-se no boletim do INE que apresenta o Índice de Pobreza Multidimensional (IPM) nacional, que avalia 12 aspetos do bem-estar quotidiano cabo-verdiano, além das tradicionais medições monetárias.

Cerca de um terço da população (a rondar 500 mil pessoas, dispersas por nove ilhas do Atlântico), em 2015, não tinha acesso a saneamento ou combustível adequado para cozinhar e mais de um quarto da população vivia em habitações excessivamente sobrelotadas.

Além disso, cerca de um terço da população vivia em agregados familiares onde nenhum dos adultos completou o oitavo ano de escolaridade (ensino mínimo obrigatório em Cabo Verde) ou mais.

Quase um quarto dos cabo-verdianos vivia em agregados “com pelo menos uma pessoa subnutrida ou sem acesso à fonte segura de água potável”, lê-se no documento do INE.

O IPM indica ainda que quase um quarto fazia parte de famílias que “não tinham acesso à Internet ou em que nenhum indivíduo com 10 anos ou mais a utilizava regularmente”.

Os habitantes rurais eram “2,3 vezes mais propensos a serem multidimensionalmente pobres do que os seus homólogos urbanos”.

Os dados mostram ainda que todos os 22 municípios “apresentam uma taxa de pobreza multidimensional inferior à sua taxa de pobreza monetária”.

Conhecer as múltiplas privações de um agregado familiar “permite ter informações precisas sobre como erradicar a pobreza”, complementando a medição da pobreza monetária, justifica o INE.

Cabo Verde junta-se aos países que medem a pobreza enquanto um fenómeno multidimensional para avaliar “o progresso social alcançado pelas suas políticas”, acrescenta.

O IPM é calculado com base no Inquérito às Despesas e Receitas Familiares (IDRF), que serve também para calcular a pobreza monetária e que já foi feito por quatro vezes em Cabo Verde: 1988/89, 2001/02, 2015 e 2023.

Os dados de 2023 estão a ser trabalhados e o INE espera ter resultados até final do mês, o que permitirá atualizar o IPM e avaliar “a evolução do bem-estar dos cabo-verdianos em 2023, tanto em termos monetários como à base das múltiplas privações que vêm sofrendo, sem esquecer os choques enfrentados pelos agregados familiares, impostos pelas secas, pela pandemia da covid-19 e pela invasão da Ucrânia pela Rússia”.

O Governo estabeleceu como meta o ano de 2026 para erradicar a pobreza extrema, que atinge 9,4% da população do arquipélago.

A proposta de um IPM nacional para Cabo Verde está a ser trabalhada desde final de 2022 pelo INE em colaboração com o Banco Mundial e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

A Semana com Lusa

Colunistas

Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
  Filomena foi uma jornalista de gabarito, dotada de um...
José Rodrigues
José Rodrigues
07 Sep. 2026
Cabo Verde na Vanguarda da Nova Economia:...
A indicação do líder da operadora concessionária deve basear-se...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
A cultura do ódio trazida para a vida pública...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...
Relevar dignidade deste país é fazer com que o...
Tony Miranda
Tony Miranda
21 Aug. 2026
A Inflação do Prestígio: Como a Obsessão...
Esta inflação sistémica de títulos está longe de ser...
Péricles Tavares
Péricles Tavares
03 Aug. 2026
Editorial Analítico — A Década de Conflito...
A política cabo-verdiana viveu, nos últimos dez anos, uma...

Comentários

joão do rosário
22 dias atrás 1 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
23 dias atrás 18 horas atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
26 dias atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...