Artigos
Mundial2026: "Faltam um bocado em África as condições que existem na Europa"
A qualificação de nove dos 10 participantes africanos para a fase a eliminar do Mundial2026 atesta o potencial futebolístico do continente, mas há trabalho por fazer, avalia o ex-internacional e selecionador jovem português Oceano Cruz, nascido em Cabo Verde. Isso diz tudo em relação ao futebol africano, que tem um potencial muito grande. Falta trabalhar mais, criar centros de treino, academias e campos e aumentar o apoio na formação. Faltam um bocado em África as condições que existem na Europa", reconheceu à agência Lusa o antigo médio, de 63 anos, que somou 54 internacionalizações e oito golos e comandou as seleções de sub-21 (2009-2010) e de sub-20 (2023-2026) portuguesas. África do Sul (A), o campeão continental Marrocos (C), Costa do Marfim (E), Egito (G) e o estreante Cabo Verde (H) rumaram aos 16 avos de final como segundos classificados dos respetivos grupos da primeira fase, enquanto Senegal (I), Argélia (J), República Democrática do Congo (K), que empatou com Portugal (1-1), e Gana (L), treinado pelo ex-selecionador luso Carlos Queiroz, posicionaram-se entre os oito melhores terceiros das 12 'poules'. "Carlos Queiroz tem feito um trabalho extraordinário e está a dar o nível tático que o Gana precisava, porque já havia potencial nos jogadores. Há equipas muito fortes e uma das surpresas pode vir de África. Ou seja, uma equipa africana pode estar perfeitamente nos quatro finalistas", admitiu Oceano Cruz, que coadjuvou o atual selecionador ganês no Irão, com eliminações na fase de grupos dos Mundiais 2014 e 2018, e na Colômbia. Ao contrário do Gana, cujo treinador mudou em abril, com a troca de Otto Addo por Carlos Queiroz, Cabo Verde é orientado desde 2020 por Pedro Brito, mais conhecido por Bubista e envolvido na primeira presença de sempre do país na principal prova internacional de seleções. "Teve a possibilidade de trabalhar muitos anos e pôs o seu cunho pessoal, fazendo com que a equipa saiba perfeitamente o que ele quer. Bubista tem feito um excelente trabalho. Quando se alia a tática à força natural do futebol africano e à sua técnica, as equipas têm tendência a crescer e vão surgir no seu melhor se derem tempo aos treinadores para trabalhar", notou Oceano Cruz, nascido em São Vicente, uma das 10 ilhas de Cabo Verde. Em contraste com Haiti, Jordânia e Uzbequistão, derrotado por Portugal (5-0), Cabo Verde foi o único estreante a alcançar a fase a eliminar, na qual a Europa preencheu 13 das 32 vagas, seguida de África, que apenas viu ser arredada na primeira fase a Tunísia, cujo comando técnico foi assumido por Hervé Renard, em vez de Sabri Lamouchi, a seguir à jornada inaugural. Se Marrocos, autor do melhor resultado africano de sempre, com o quarto lugar em 2022, Senegal, Argélia e Gana já tinham passado a primeira fase, África do Sul, Costa do Marfim, Egito, República Democrática do Congo e Cabo Verde fizeram-no pela primeira vez, sendo que os lusófonos são os primeiros desde 2010 a consegui-lo na estreia em fases finais de Mundiais. Marrocos, Egito, recordista de títulos de campeão continental (sete), e Cabo Verde passaram invictos, com a particularidade de os lusófonos terem empatado com a campeã europeia Espanha (0-0), vitoriosa em 2010, e o Uruguai (2-2), triunfante em 1930 e 1950, além da Arábia Saudita (0-0). "As chaves são a humildade e o trabalho de equipa. No plano tático, Cabo Verde esteve muito bem, coeso e unido. A equipa não deu muita distância entre setores e todos contribuíram para esse trabalho defensivo. Saíram bem em transição, mas, quando foi preciso assumir o jogo, tiveram arte e engenho para isso e conseguiram os resultados que queriam", enquadrou. Ao fim de três dias de ação nos 16 avos de final, África do Sul e Costa do Marfim foram afastadas pelo coanfitrião Canadá (1-0), com um golo em tempo de compensação do capitão Stephen Eustáquio, que terminou o empréstimo do campeão português FC Porto ao Los Angeles FC, e pela Noruega (2-1), numa partida decidida através de Erling Haaland, aos 86 minutos. Nos 'oitavos', o Canadá vai medir forças com Marrocos, que eliminou os Países Baixos, finalistas derrotados em 1974, 1978 e 2010, nos penáltis (3-2), após empate 1-1 no fim do tempo regulamentar e do prolongamento. República Democrática do Congo e Senegal enfrentam hoje Inglaterra, campeã em 1966, e Bélgica, respetivamente, enquanto Argélia e Suíça medem forças no dia seguinte, numa fase inédita na história da prova, disputada pela primeira vez por 48 seleções, entre Estados Unidos, México e Canadá. Os 16 avos de final terminam na sexta-feira, quando o Gana defrontar a Colômbia, vencedora da 'poule' K, à frente de Portugal, volvidos os embates entre Egito e Austrália e de Cabo Verde com a campeã mundial e bicampeã sul-americana Argentina, detentora de três títulos (1978, 1986 e 2022). A Semana com NM
-
Hits
52 times







Terms & Conditions
Report
My comments