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"África está a competir e a incomodar favoritos" no Mundial de Futebol 2026
Com 10 selecções a competir, as equipas africanas têm-se destacado no Mundial de Futebol de 2026 pela sua competitividade, com as prestações a serem muitas vezes consideradas por analistas como "milagres" ou "revelações". Para Edgar Leandro, director de Marketing e Desenvolvimento de Negócios no African Union Sports Council – Região 5, trata-se de uma aposta do continente numa maior preparação técnica e da gestão da competição. África participa com o maior número de selecções de sempre neste Mundial e os resultados estão a surpreender o mundo do futebol, com Marrocos, Egipto, Argélia, Costa do Marfim, Gana e talvez Cabo Verde a provavelmente conseguirem apurar-se para a próxima fase da competição. Se o talento nunca esteve em causa quanto aos jogadores africanos, é a aposta do continente na preparação física, técnica e estratégica que está a fazer a diferença neste Mundial como explica Edgar Leandro, director de Marketing e Desenvolvimento de Negócios no African Union Sports Council – Região 5, em entrevista à RFI. "O Mundial de 2026 confirma uma mudança histórica. A África já não está apenas a participar. África está a competir, está a incomodar favoritos e a obrigar o mundo a olhar para o continente com outra seriedade. É uma mudança de percepção. Durante muito tempo, as selecções africanas entravam nas grandes competições mundiais com muito talento, com emoção, com esperança. E hoje está a ser visto neste Mundial em particular. Entram com mais organização, já têm mais maturidade competitiva, já têm uma consciência clara de que não basta apenas representar o continente, é preciso competir ao mais alto nível. Naturalmente, isso ainda a África ainda tem. Tem falhas estruturais, mas o mundo já percebeu que enfrentar hoje uma equipa africana deixou de ser um jogo previsível", indicou o dirigente angolano. Com a popularidade e talento das selecções africanas já confirmada neste Mundial, Edgar Leandro diz que o continente tem agora de apostar em maior financiamento para o desporto em geral. "África pode competir melhor do que nunca em organizações internacionais. Mas ganhar exige mais do que talento. Exige profundidade de investimento, gestão desportiva com com eficácia a gestão emocional. As federações devem estar bem organizadas. A ambição deve sair do emocional para o realismo. Nós temos, de facto, que transformar o talento em sistema, pois África produz muitos bons jogadores há muitos anos. Agora nós precisamos de começar a produzir estruturas, academias de futebol, dados, scouting. Precisamos de investir na preparação mental dos jogadores, na liderança federativa. Precisamos investir mais nas preparações técnicas para deixarmos de sair do emocional para o realismo. Se nós fizemos isso, eu tenho a plena certeza que a África vai deixar de sonhar mais alto e começar a realizar mais os seus sonhos", concluiu. A Semana com RFI
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