Retido ao largo da Praia devido a um surto de hantavírus que já fez três mortos, o cruzeiro Hondius vive dias de aparente normalidade a bordo, com passageiros a relatarem calma, rotinas mantidas e confiança nas autoridades.
O navio de cruzeiro Hondius está parado desde domingo à entrada do porto da Praia, em Cabo Verde, devido a um surto de hantavírus, que já provocou três vítimas mortais. Eis como os passageiros têm passado os últimos dias.
Em declarações à agência de notícias Associated Press (AP), o passageiro Qasem Elhato revelou que os "dias têm sido quase normais", estando apenas "à espera que as autoridades encontrem uma solução".
"A moral no navio está em alta e estamos a manter-nos ocupados a ler, a ver filmes, a beber bebidas quentes e coisas do género", contou.
Elhato, influenciador de viagens, tem também publicado vários vídeos do convés do navio, onde é possível ver Cabo Verde à distância.
"A maioria das pessoas no navio está a lidar com a situação com muita calma", referiu numa das publicações. "Este vírus não é novo para o mundo. Se fosse para se tornar uma epidemia, já teria acontecido há muito tempo".
Em declarações à CNN, o influencer árabe contou que o capitão e a administração do navio estão a manter os passageiros atualizados sobre as novas informações à medida que chegam.
"Estamos a tentar seguir as recomendações que recebemos, como reduzir o contacto direto com outros passageiros e higienizar as mãos o mais possível", disse Elhato.
Já Helene Goessaert, outra passageira, disse à emissora belga VRT que todos a bordo estão "literalmente no mesmo barco".
"Ninguém embarca numa viagem a pensar que um dos seus companheiros de viagem não vai sobreviver", disse.
A mulher contou que os passageiros recebem "informações regularmente", mas agora trata-se de "uma questão de esperar". "Hoje recebemos frutas e legumes frescos. Isso foi muito importante para nós", contou.
Outro dos passageiros do navio de cruzeiro é Jake Rosmarin, um influencer de viagens norte-americano, que tem partilhado vários testemunhos sobre o caso.
No início da semana, o norte-americano divulgou um vídeo nas redes sociais, onde frisou que os passageiros do navio não são "apenas manchetes" e que não são "apenas histórias".
Ao longo dos últimos dias, tem partilhado imagens do dia a dia a bordo do Hondius, onde mostra os curtos passeios que pode dar fora da cabine para "apanhar ar fresco" e as refeições que tem feito. "Estamos a ser bem alimentados e tratados", garantiu.
Esta quarta-feira, três dos casos suspeitos ainda a bordo foram retirados do navio e transportados para os Países Baixos para receberem tratamento médico. Espera-se, agora, que a embarcação rume até às ilhas Canárias, onde deverá chegar dentro de três ou quatro dias.
OMS regista oito casos de hantavírus: três confirmados e cinco suspeitos
Sublinhe-se que a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou que, até esta quarta-feira, 6 de maio, "foram registados oito casos, dos quais três foram confirmados como hantavírus através de testes laboratoriais". Do total de casos, há registo de três vítimas mortais e um cidadão em estado crítico, internado na África do Sul.
O caso mais recente é de um homem que está a receber tratamento no Hospital Universitário de Zurique, na Suíça, após ter estado a bordo do navio de cruzeiro Hondius.
Segundo o Gabinete Federal de Saúde Pública da Suíça, o homem regressou recentemente de "uma viagem à América do Sul" com a mulher no final de abril e, "após apresentar sintomas, consultou o seu médico de família por telefone e foi ao Hospital Universitário de Zurique para realizar o teste", onde foi "imediatamente isolado".
Estirpe é a única transmissível entre humanos
A diretora de preparação para epidemias e pandemias da Organização Mundial da Saúde (OMS), Maria Van Kerkhove, considerou que as primeiras duas vítimas mortais do vírus - um casal dos Países Baixos, de 70 e 69 anos - terão sido "infetadas fora do navio", tendo em conta o "período de incubação do hantavírus".
O primeiro paciente e a sua esposa embarcaram no navio na Argentina", começou por referir a responsável, citada pelo jornal britânico The Independent, referindo-se ao facto de o navio de cruzeiro Hondius fazer a ligação entre Ushuaia, na Argentina, e as ilhas Canárias.
"Considerando o período de incubação do hantavírus, que pode variar entre uma a seis semanas, presumimos que tenham sido infectados fora do navio, talvez durante alguma atividade por lá [na Argentina]", acrescentou.
A epidemiologista sublinhou que "este era um navio de expedição e muitas das pessoas a bordo estavam a observar aves e a interagir com a vida selvagem", sendo possível supor que os neerlandeses "foram infetados fora do navio e depois embarcaram no cruzeiro".
Ainda assim, a OMS acredita que "possa estar a ocorrer alguma transmissão de pessoa para pessoa entre os contactos mais próximos – marido e mulher, pessoas que partilharam cabines, etc".
A Semana com Notícias ao Minuto







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