domingo, 04 outubro 2026

Guterres saúda criação de secção de livros em português na ONU

Num evento de celebração do Dia Mundial da Língua Portuguesa, realizado na sede da ONU, na segunda-feira, em Nova Iorque, Guterres agradeceu aos Estados-membros a "generosa doação de mais de uma centena de livros, entre os quais se contam importantes contribuições dos autores lusófonos para o conhecimento e a cultura mundiais".

 

"São obras que oferecem uma janela para os corações e as mentes do mundo de língua portuguesa, convidando colegas e leitores a explorarem, a refletirem e a emocionarem-se com a rica diversidade da nossa língua", disse o líder da ONU.

O antigo primeiro-ministro português destacou a importância do idioma como elo de ligação entre culturas e comunidades em todo o mundo e considerou a língua portuguesa, falada por centenas de milhões de pessoas, uma "força unificadora" que atua "como veículo de expressão na diplomacia, nas artes e na literatura".

Guterres indicou que o português é já uma língua de trabalho em algumas agências da ONU, destacando o serviço de língua portuguesa da 'ONU News', em conjunto com as equipas de redes sociais e dos Centros de Informação e Escritórios Regionais Lusófonos da ONU, a evidenciar "a crescente procura de informação em português".

Os esforços para tornar o português uma das línguas oficiais das Nações Unidas continuam em marcha, mas o investimento financeiro exigido "é imenso", disse, no ano passado, à Lusa a embaixadora de Portugal na ONU, Ana Paula Zacarias.

Também em 2023, o Tribunal Centro-Americano de Justiça já havia proposto ao Conselho de Segurança da ONU incorporar o português como idioma oficial da organização, a par do inglês, espanhol, francês, chinês, russo e árabe.

Num artigo publicado no último domingo no jornal Público, no Dia Mundial da Língua Portuguesa, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, defendeu que os países parceiros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) alinhem posições para que o idioma seja reconhecido como língua oficial da ONU até 2030, considerando que "seria um justo reconhecimento".

A língua portuguesa não só é uma das línguas mais difundidas no mundo, com mais de 260 milhões de falantes espalhados por todos os continentes, como é também a língua mais falada no hemisfério sul, de acordo com dados da UNESCO.

Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste são os nove Estados-membros da CPLP.

Na intervenção, Guterres lembrou que, enquanto primeiro-ministro de Portugal, teve o "privilégio de participar na criação desta Comunidade há quase 30 anos", salientando que, na atualidade, "os valores do diálogo e da solidariedade" no centro CPLP "são mais relevantes do que nunca".

"Sei bem que podemos contar convosco na nossa missão pela paz, pelos direitos humanos e pelo desenvolvimento sustentável para todos", concluiu o secretário-geral.

A celebração contou com música ao vivo, gastronomia e a presença de representantes diplomáticos internacionais, incluindo embaixadores das nove nações integrantes da CPLP.  

A Missão do Brasil na ONU organizou a comemoração em parceria com o Camões -- Instituto de Cooperação e da Língua e com o Instituto Guimarães Rosa, que promove a diplomacia cultural e educacional.

A Semana com Lusa

 

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Comentários

joão do rosário
28 dias atrás 7 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
30 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
1 dias atrás

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