domingo, 04 outubro 2026

Moçambique/Ataques: Militares de Angola e Namíbia deixam missão da África austral em Cabo Delgado

De acordo com informação da missão militar (SAMIM) da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) a que a Lusa teve hoje acesso, em 29 de abril realizou-se a “cerimónia de despedida” daqueles dois contingentes no aeroporto de Pemba, capital de Cabo Delgado, com homenagens aos seus membros.

“Serviram bem a SAMIM, o vosso trabalho permanecerá nos corações e nas mentes do povo de Moçambique”, declarou, na cerimónia, o comandante da missão, o major-general Patrick Dube, das Forças Armadas da África do Sul (SANDF).

A SAMIM está em Cabo Delgado desde meados de 2021 e, em agosto de 2023, a SADC aprovou o prolongamento por mais 12 meses, até julho de 2024, prevendo um plano de retirada progressiva.

A missão compreende tropas de oito países da SADC, “trabalhando em colaboração com as Forças Armadas de Defesa de Moçambique e outras tropas destacadas para Cabo Delgado”.

O Presidente moçambicano disse, na quinta-feira, que a saída em curso da SAMIM acontece após “a estabilização” daquela província, mas que alguns países vão permanecer.

“É do conhecimento público que os nossos irmãos que nos apoiaram, neste caso concreto da SADC, estão de saída, depois de terem atingido uma fase crucial da estabilização (…). Saiu já o Lesoto, está a sair o Botsuana, está a sair a África do Sul”, detalhou o chefe de Estado.

Contudo, acrescentou que se mantém em Moçambique “ainda a força da Tanzânia”, que coopera “na base bilateral”, e os militares do Ruanda, também fora da missão da SAMIM.

O Presidente de Moçambique não comentou, nesta intervenção, a decisão do Presidente da África do Sul, que em abril comunicou a extensão até final do ano da missão sul-africana em Cabo Delgado, que até agora atuava na missão da SAMIM, a qual deverá retirar-se totalmente até 14 de julho.

O porta-voz do Governo moçambicano disse em 30 de abril que o executivo ainda não possui uma “comunicação formal” sobre a extensão do prazo das operações das Forças Armadas da África do Sul em Cabo Delgado.

“Em relação à extensão da tropa sul-africana, a resposta mantém-se, não temos registo de uma comunicação oficial, como foi dito pelo ministro do setor [Cristóvão Chume]”, declarou Filimão Suaze, porta-voz do Conselho de Ministros, após uma reunião do órgão.

O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, estendeu até 31 de dezembro deste ano a operação das SANDF, com 1.495 militares, no combate ao terrorismo em Cabo Delgado.

Numa carta dirigida ao Parlamento sul-africano, a que a Lusa teve acesso, o chefe de Estado refere que a extensão daquela missão, ao abrigo da “operação Vikela”, vai custar 984.368.057 rands (47,8 milhões de euros), sendo válida desde 16 de abril.

“Os elementos da SANDF destacados vão continuar com as suas responsabilidades no combate a atos de terrorismo e violência extremista no norte de Moçambique”, lê-se na carta.

Ramaphosa explica que esta extensão visa cumprir as “obrigações internacionais” da África do Sul perante a SADC no combate ao terrorismo na região.

Um grupo de militares das SANDF na missão SAMIM, denominada Equipa Delta, começou a sair de Moçambique no dia 13 de abril, no processo de retirada que arrancou no início do mês de abril com os militares do Botsuana, seguindo-se um grupo do Lesoto.

O Presidente de Moçambique afirmou em 18 de abril que devem ser os moçambicanos os responsáveis pela defesa do país, face à saída da SAMIM: “O grande responsável pela defesa de Moçambique somos nós, os moçambicanos. Os nossos amigos vão nos ajudar. Eu tenho dito que agora estamos numa fase de capacitação, de construção de resistência, estabilização do país depois da recuperação dos problemas”.

A Semana com Angola 24 horas

Colunistas

Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
28 dias atrás 6 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
29 dias atrás 23 horas atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
1 dias atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport