ATUALIDADE
Duas estações meteorológicas de Cabo Verde já transmitem dados em tempo real para a rede global
Cabo Verde registou avanço importante na rede de observação meteorológica, com duas das quatro estações previstas para integrar a Rede Global de Observação Básica (GBON) a transmitirem, desde Junho de 2026, dados para a Organização Meteorológica Mundial (OMM). A informação foi avançada hoje, na Praia, pela presidente do conselho de administração do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG), Ester Brito, na abertura do Workshop de Sensibilização e Engajamento de Parceiros e Organizações da Sociedade Civil nas questões do tempo e do clima. O evento foi promovido pelo Ministério da Agricultura e Ambiente, através do INMG, com o apoio dos parceiros internacionais do Mecanismo de Financiamento de Observações Sistemáticas (SOFF). Na sua intervenção, a responsável afirmou que os resultados alcançados ao longo do primeiro ano de implementação do SOFF demonstram que Cabo Verde está a transformar um compromisso estratégico em ações concretas para reforçar os serviços meteorológicos nacionais. Dos avanços alcançados, realçou a elaboração dos documentos estratégicos que orientam a implementação do projeto e a formação de cerca de 30 observadores meteorológicos, reforçando significativamente as competências nacionais na recolha, tratamento e gestão de dados de observação. “Registamos igualmente avanços importantes na implementação da nossa rede de observação. E neste momento, das quatro estações meteorológicas identificadas para integrar esta rede global, duas encontram-se já preparadas e desde Junho de 2026 passaram a transmitir observações meteorológicas de hora a hora para a rede da Organização Meteorológica Mundial”, salientou Ester Brito. Para a responsável trata-se de um marco importante que permite ao país melhorar a qualidade da informação utilizada nas previsões do tempo, nos sistemas de alerta precoce e no acompanhamento das alterações climáticas. "Cada melhoria na capacidade de observação traduz-se numa maior capacidade de antecipação. Cada hora de antecedência conquistada, através de previsões mais precisas, pode representar a proteção de infraestruturas, a redução de prejuízos económicos e, acima de tudo, a salvaguarda das vidas humanas", sublinhou. Ester Brito lembrou que Cabo Verde enfrenta uma elevada vulnerabilidade às alterações climáticas, tendo alertado que o sucesso da iniciativa não dependerá apenas da modernização dos equipamentos e das infraestruturas, mas também do envolvimento activo de todos os parceiros nacionais. Por sua vez, a coordenadora residente do Sistema das Nações Unidas em Cabo Verde, Patrícia Portela, classificou a informação meteorológica como um bem público essencial para proteger vidas, afirmando que enquanto Pequeno Estado Insular em Desenvolvimento, o país enfrenta uma elevada vulnerabilidade aos impactos das alterações climáticas. Para a diplomata torna-se necessário o reforço dos sistemas de observação meteorológica e de alerta precoce, reafirmando o compromisso das Nações Unidas em continuar a apoiar Cabo Verde no fortalecimento dos serviços meteorológicos e climáticos. Por seu lado, Ândria Vaz, em representação da ONG Ambiental, ADAD, considerou o workshop de extrema importância, para quem as alterações climáticas já constituem um desafio do presente, exigindo, por isso, acções concretas de mitigação e adaptação. A Semana com Inforpress
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