segunda-feira, 06 julho 2026

A ATUALIDADE

UCID considera que Governo fez uma política de investimentos fragmentada, dispersa e dependente do calendário político

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A União Cabo-Verdiana Independente e Democrática (UCID, oposição) considerou  esta terça-feira, no Mindelo, que a política de investimentos públicos na última década foi “fragmentada e dispersa”, acusando o Governo de priorizar o calendário político em detrimento das necessidades estruturais.

A posição foi defendida pela deputada Dora Pires, em conferência de imprensa de antevisão à interpelação ao executivo na Assembleia Nacional, que terá como tema central a “Política de investimentos públicos e infra-estruturas implementadas nos últimos 10 anos”.

Segundo a parlamentar, houve “demasiados anúncios e promessas” e, em muitos casos, “as obras chegaram tarde, custaram caro ou não tiveram o impacto económico esperado”.

Em outros casos, acrescentou, as prioridades nacionais foram preteridas por “opções de conveniência política”.

Dora Pires sublinhou que o arquipélago ainda enfrenta carências graves, apontando défices persistentes em sectores como água, saneamento, acessibilidades e logística portuária.

A deputada referiu ainda a existência de “bairros degradados, pressão sobre a habitação” e um “nível de desigualdade territorial que não condiz com o discurso oficial de desenvolvimento harmonioso” entre as ilhas.

Do ponto de vista da UCID, afirmou, o principal problema não foi apenas a quantidade do investimento público realizado, mas sobretudo a qualidade das escolhas feitas.

“Isto porque um país pequeno, com recursos escassos como Cabo Verde, não pode investir sem critério. Tem de investir onde o retorno económico e social é maior. Tem de priorizar infra-estruturas que aumentem a produtividade, reduzam custos de contexto, atraiam investimento privado, criem emprego e reforcem a coesão entre as ilhas”, defendeu.

Segundo Dora Pires, na visão do partido, o investimento público deve estar ao serviço da pessoa humana, da família, da comunidade e do desenvolvimento equilibrado de todas as ilhas.

Por isso, acrescentou, a UCID defende que o país precisa, com urgência, de uma nova geração de investimento público assente em cinco princípios.

O primeiro é a prioridade económica e social, com investimentos direccionados para melhorar a vida das pessoas e fortalecer a economia. O segundo passa pela equidade territorial, para evitar que as ilhas continuem a desenvolver-se a ritmos diferentes.

O terceiro princípio é a transparência e avaliação, para que cada grande investimento seja acompanhado de metas, resultados e escrutínio público.

O quarto, prosseguiu, consiste no reforço da parceria com o sector privado e com os municípios, defendendo que “o Estado não pode continuar a agir sozinho e, muitas vezes, sem eficiência”.

Por fim, Dora Pires destacou a necessidade de garantir a manutenção e sustentabilidade das infra-estruturas, sublinhando que “além de construir, é preciso conservar, gerir e assegurar utilidade duradoura”.

A deputada concluiu reconhecendo a existência de obras realizadas, mas alertou que o sucesso do desenvolvimento não deve ser medido pelo número de lançamentos de primeira pedra, mas sim pela “melhoria concreta” das condições de vida dos cabo-verdianos.


A Semana com Inforpress

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Miranda
13 days 16 hours

Boa iniciativa essa da reedição de Lexico de Armando Napoleão Fernandes, de S.Catarina. Avante com o trabalho e força ...

jmn
16 days 1 hour

Francisco Carvalho recebeu do povo cabo-verdiano uma oportunidade histórica. Uma maioria absoluta não é um prémio pessoal ...

Terra
20 days 6 hours

A nossa terra a muito que fazer sobre descriminação sobre essas matérias os nossos políticos estão a usar memórias d ...

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