domingo, 05 julho 2026

A ATUALIDADE

Fogo: Duas confrarias dos Reinados iniciam périplo pela ilha para preservar tradição secular

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Duas confrarias dos Reinados iniciam hoje a tradicional caminhada pela ilha do Fogo com o compromisso de manter viva uma das mais antigas expressões culturais e religiosas da ilha, institucionalizada há 173 anos.

À semelhança dos anos anteriores, participam nesta caminhada o rei José António Freire de Andrade, conhecido por Alfredinho, acompanhado do seu filho, bem como a dupla Nené di Bebeto e Lourenço, com saída da igreja por volta das 11:00. 

Ambos os grupos percorrem um itinerário tradicional com a imagem de Nossa Senhora da Graça, respeitando os rituais e a essência desta celebração secular.

A tradição dos Reinados foi oficialmente institucionalizada em 1853 pelo bispo Dom Frei Patrício Xavier de Moura, que fixou as datas de saída e regresso das confrarias.

A partida ocorre a 06 de Janeiro, data que se mantém até hoje, enquanto o regressou passou a acontecer na quarta-feira de Cinzas. 

No entanto, documentos históricos indicam que a prática é anterior à institucionalização formal.

Um dos registos mais antigos data de 23 de dezembro de 1842, quando o então bispo eleito de Cabo Verde, Dom João Henrique Moniz, respondeu a uma solicitação do administrador do concelho do Fogo sobre a atuação de uma irmandade que funcionava sem estatutos definidos.

Nessa correspondência, o bispo refere que, “de remotos tempos”, existia na ilha a devoção dos Reinados, caracterizada por saídas anuais ao peditório, missas cantadas e a participação de fiéis escolhidos.

Segundo os documentos, os Reinados visitavam apenas as casas que tradicionalmente os recebiam, onde rezavam e recolhiam esmolas em dinheiro ou produtos, posteriormente entregues à Igreja com total prestação de contas.

Esta prática consolidou-se ao longo do século XIX, período em que as confrarias seguiam regras rígidas e itinerários definidos, geralmente com início na Igreja Matriz de São Filipe.

No seu auge, a ilha do Fogo chegou a contar com 24 confrarias de Reinados. Cada grupo era liderado por um “rei”, auxiliado por um rei interino, um tesoureiro e outros participantes, todos católicos praticantes.

As ladainhas, muitas vezes rezadas em latim, são acompanhadas por símbolos próprios, como o tambor, o sino e o rosário e a mesa normalmente é ornamentada com toalhas ou colchas, sendo que as pontas são presas à parede (com pregos de aço) e à mesa.

Hoje, apesar da redução do número de confrarias, a caminhada que se inicia reafirma a importância dos Reinados como património cultural e religioso da ilha, preservando uma herança que atravessa gerações.

 

A Semana com Inforpress

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Miranda
13 days 12 hours

Boa iniciativa essa da reedição de Lexico de Armando Napoleão Fernandes, de S.Catarina. Avante com o trabalho e força ...

jmn
15 days 22 hours

Francisco Carvalho recebeu do povo cabo-verdiano uma oportunidade histórica. Uma maioria absoluta não é um prémio pessoal ...

Terra
20 days 2 hours

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