sexta-feira, 02 outubro 2026

"Não aguentamos mais esta noite interminável de macronismo”. Greve deixa França quase paralisada

Centenas de milhares de pessoas estão a participar esta quinta-feira em protestos anti-austeridade em toda a França, apelando a que presidente Emmanuel Macron e o seu novo primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, a abandonarem os iminentes cortes orçamentais, e que levaram à queda dos anteriores governos.

De recordar que François Bayrou, primeiro-ministro até há uma semana, tinha apresentado uma proposta de orçamento para 2026 que incluia um corte orçamental de 43,8 mil milhões de euros, o congelamento das despesas não relacionadas com a defesa no próximo ano e a não substituição de um em cada três funcionários públicos quando se reformarem.

As greves agendadas para esta quinta-feira afetam desde escolas, transportes, saúde, tendo uma fonte do Ministério do Interior dito no início desta semana que cerca de 800 mil pessoas deveriam participar nas greves e protestos.

Um em cada três professores do ensino primário estava em greve em todo o país, e quase um em cada dois abandonou o emprego em Paris, informou um dos sindicatos do setor, o FSU-SNUipp. Ao mesmo tempo, jovens bloquearam dezenas de escolas secundárias.

Na área dos transportes, os comboios regionais foram fortemente afetados, enquanto a maioria das linhas de comboio de alta velocidade TGV do país funcionavam, segundo as autoridades. No metro de Paris, ao início da manhã, apenas linhas automáticas estavam em funcionamento. Foi ainda reportado que manifestantes reuniram-se para reduzir a velocidade do trânsito numa autoestrada perto de Toulon.

Até ao início da tarde havia ainda a registar alguns confrontos à margem dos protestos na cidade de Nantes, com a polícia a disparar gás lacrimogéneo, e em Lyon, onde os media noticiaram que três pessoas ficaram feridas.

Num relatório divulgado ao meio-dia, o Ministério do Interior reportou 94 detenções, incluindo 15 em Paris, 32 pessoas sob custódia, incluindo 6 na capital, e um polícia ligeiramente ferido. Numa conferência de imprensa, o Ministro do Interior cessante, Bruno Retailleau, falou de "ações menos intensas do que o esperado", referindo que uma presença significativa de segurança, incluindo mais de 80.000 polícias, tinha sido mobilizada em todo o país.

"Este é um aviso, um aviso claro para Sébastien Lecornu", afirmou à Reuters Marylise Leon, líder da Confederação Francesa Democrática do Trabalho (CFDT), sobre os protestos de quinta-feira. "Queremos um orçamento socialmente justo".

 

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Comentários

joão do rosário
25 dias atrás 12 horas atrás

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joão do rosário
29 dias atrás 10 horas atrás

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